Poesias

Alexandre Herculano · Capítulo 48 de 103

Páginas do PDF

Poesias

Capítulo II

Que na sua alma adeja.

 

II.

No despontar da vida, do infortunio

Murchou-me o sopro ardente;

E saudades curti em longes terras

Da minha terra ausente.

O solo do desterro, ai, quanto ingrato

É para o foragido,

Ennevoado o céu, arido o prado,

O rio adormecido!

Eu lá chorei, na idade da esperaça,

Da patria a dura sorte:

Esta alma encaneceu; e antes de tempo

Ergueu hymnos á morte:

Que a morte é para o misero risonha,

Sancta da campa a imagem...

Alli é que se afferra o porto amigo,

Depois de ardua viagem.

 

III.

Mas quando o pranto me sulcava as faces,

Pranto de atroz saudade,

Deus escutou do vagabundo as preces,

Delle teve piedade.

«Armas!—bradaram no desterro os fortes,

Como bradar de um só:

Erguem-se, voam, cingem ferros; cinge-os

Indissoluvel nó.

Com seus irmãos as sacrosanctas juras,

Beijando a cruz da espada,

Repetiu o poeta:—Eia, partamos!

Ao mar!»—Partia a armada.