Uma Mulher Livre

Danielle Steel · Capítulo 11 de 32

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Uma Mulher Livre

Capítulo 7

 

Nas semanas seguintes, Consuelo ficou bastante ocupada. Teve de resolver tudo com os fornecedores e a florista em Newport, falar com o sacerdote, contratar os músicos. Já havia decidido abrir a casa em junho. O pai de Josiah aceitou recepcionar o jantar de ensaio, que seria realizado no Newport Country Club.

Consuelo também tinha de encomendar os convites. Annabelle precisava de um vestido de noiva e um enxoval. Havia milhares de detalhes para planejar e organizar, mas fazia um ano que Consuelo não se sentia tão feliz. Lamentava que a filha não tivesse o pai ali para assistir àquilo, por isso queria deixar tudo ainda mais bonito para compensar.

O noivado foi anunciado no New York Herald um dia antes do aniversário de Annabelle, que, no dia seguinte, ganhou um anel de noivado de Josiah. Era um diamante de 10 quilates que pertencera à mãe dele. Ficou perfeito na mão de Annabelle. Josiah achou que um anel de família seria mais significativo que um novo, e a noiva o adorou. Ela e a mãe já estavam procurando o vestido de casamento. E, por um golpe de sorte, encontraram um perfeito em primeiro de junho. Era um vestido elegante, feito em uma renda francesa maravilhosa, copiado de um modelo de Jean Patou, e simples o bastante para não parecer exagerado em um casamento num jardim em Newport. Possuía uma cauda longa e graciosa e um enorme véu. Annabelle ficou magnífica nele. E quando pediu a Hortie que fosse sua madrinha, a velha amiga berrou.

— Está louca? Não pode se casar enquanto eu não tiver o bebê. Se sua mãe for providenciar uma tenda, é melhor pedir uma só para mim. É a única coisa que consigo vestir.

— Não importa como você vai estar, nem o que os outros possam dizer — insistiu Annabelle. — Só quero que esteja lá por mim. — Ainda era um assunto difícil para ela e para a mãe, mas havia decidido entrar sozinha.

— Nem deveria sair mais agora que estou assim. Todas as velhotas de Newport vão falar de mim por anos. — Annabelle estava bastante ciente disso também, e Hortie estava à beira das lágrimas.

— Quem se importa? Eu te amo, não ligo para sua aparência. E não queremos esperar. Agosto é perfeito para nós — implorou Annabelle.

— Eu te odeio. Talvez eu possa nadar bastante e ter o bebê antes. Mas ainda estaria gorda. — Quando percebeu que nada convenceria Annabelle a adiar o casamento por sua causa, Hortie enfim cedeu e prometeu que estaria lá, fizesse sol ou chuva. Era na semana anterior à data prevista do parto, e ela quase bateu em Annabelle quando a amiga sugeriu que o bebê talvez pudesse atrasar. Hortie queria que ele chegasse antes. Estava cansada de se sentir feia e gorda.

Annabelle e Hortie foram comprar o enxoval juntas. E Annabelle e Josiah ainda tinham de decidir onde iriam morar. Ele possuía uma casinha de veraneio confortável em Newport que herdara da mãe, mas seu apartamento em Nova York seria pequeno demais quando tivessem filhos. Combinaram que procurariam um maior depois que voltassem de Wyoming, local que escolheram para a lua de mel. Seria muito corrido tentar encontrar um lugar novo para morar naquele momento. Por enquanto, o apartamento dele era ideal para os dois. E ficava perto de onde a mãe dela morava, o que Annabelle gostava. Odiaria ter de se mudar e deixá-la sozinha. Sabia muito bem o quanto ela ficaria solitária.

Mas, naquele momento, Consuelo estava muito ocupada para se sentir solitária. Foi duas vezes a Newport para cuidar dos preparativos do casamento e dizer ao jardineiro exatamente o que queria. E conseguiram encontrar a tenda do tamanho perfeito, remanescente de um casamento do ano anterior.

E, para grande surpresa de Annabelle e Josiah, ao final de junho, todos os detalhes haviam sido resolvidos e acertados. Consuelo era um modelo de eficiência e queria que Annabelle tivesse o casamento perfeito. Josiah foi adorável neste período. Não ficou nervoso nem agitado, apesar da longa espera para se casar aos 39 anos. Uma vez que se decidiu, estava pronto e completamente calmo. Muito mais do que a noiva.

Tão logo o anúncio saiu no Herald, foram convidados para vários compromissos e saíram quase todas as noites. Formavam um casal espirituoso, e apenas duas amigas de Consuelo fizeram comentários desagradáveis sobre Josiah ser velho demais para Annabelle. Consuelo garantiu que ele era uma excelente pessoa. Seu próprio primo, John Jacob Astor, que tinha 40 e poucos anos, havia se casado com Madeleine quando ela tinha apenas 18. Josiah provava, todos os dias, que era o marido perfeito para Annabelle, que até conseguiu continuar com o trabalho voluntário, com a bênção dele, até o fim de junho. Tirou uma licença até o fim do outono.

A única coisa que Consuelo queria deles, e repetia com bastante frequência, eram netos tão logo possível. Annabelle achava que seria capaz de gritar se ela dissesse isso mais uma vez.

E Hortie não parava de falar nas surpresas que estavam para acontecer com Annabelle, e no quanto o sexo seria ótimo. Era irritante ouvir todos os conselhos indesejados da fiel amiga, que ficava maior a cada dia. Hortie estava imensa, e Annabelle esperava não ficar como ela quando engravidasse. Foi o que disse um dia a Josiah, que achou graça.

— Vai ficar linda quando isso acontecer, Annabelle; e nossos bebês serão lindos também. — Ele a beijou com carinho. Eles tinham muito por esperar. E muito para fazer nos dois meses seguintes.

Era como se todos que Josiah conhecia quisessem lhes oferecer uma festa. Aos 39 anos, ele finalmente estava se casando. Henry Orson lhe ofereceu uma despedida de solteiro. Josiah admitiu que se divertiram muitíssimo, embora não tenha dado detalhes. Nenhum dos homens que compareceram o fez.

Consuelo já estava em Newport em junho, e Annabelle se juntou a ela em meados de julho. Josiah chegou, para ficar na casa dele, no fim do mês. Henry Orson veio com ele, para dar apoio moral ao amigo, que parecia estar se saindo muito bem, e ficaria na casa de Josiah enquanto o casal estivesse na lua de mel. O noivo havia tirado três semanas adicionais de férias naquele ano, para a lua de mel. O banco foi compreensivo quanto a isso, particularmente porque Annabelle era a noiva.

Annabelle acabou se afeiçoando a Henry. Ela o achava inteligente, espirituoso, gentil e um tanto tímido e sempre pensava em qual das jovens amigas lhe apresentar. Já havia lhe apresentado várias, e ele admitiu ter gostado de duas, embora ainda não houvesse surgido nada sério com nenhuma delas, mas Annabelle tinha esperanças. E quando ele e Josiah se juntavam, era diversão na certa. Henry sempre foi extremamente simpático com ela. Era para Josiah o que Hortie era para Annabelle, seu mais antigo amigo de escola. E Annabelle o admirava muitíssimo.

Hortie já havia se estabelecido em Newport para o verão, na casa dos pais, e James estava com ela. Pareciam quase certos de que teriam o bebê lá, e ela visitava Annabelle todos os dias. Annabelle ajudava a mãe quando podia, mas Consuelo garantia que estava tudo sob controle. Annabelle havia levado o vestido de casamento consigo. Ofereceram-lhes mais festas em Newport. E os Astors deram um grande baile para o casal. Consuelo reclamou que nunca passou tantas noites fora na vida, mas gostou de todas.

O número de convidados para o casamento já havia ultrapassado a marca de cem e se aproximava dos 120. Sempre que alguém lhes oferecia uma festa, tinham de acrescentar a pessoa à lista. Mas o jovem casal estava adorando. Josiah comentou com sarcasmo certo dia no almoço, quando ele e Henry chegaram para um piquenique, que, se soubesse que casar era tão divertido, teria feito isso bem antes.

— Que bom que não fez — lembrou-lhe Annabelle —, porque senão não estaria se casando comigo.

— Tem razão. — Ele riu.

Hortie agora andava com dificuldades, e sempre que Annabelle a via, não conseguia deixar de rir. Era difícil acreditar que ela ficaria ainda maior no próximo mês. Parecia que ia explodir. Josiah e Henry tiveram de ajudá-la a sentar no gramado, e foi necessário ainda mais esforço e quase um guindaste para recolocá-la de pé.

— Não tem graça — disse ela, quando os três riram. — Não vejo meus pés há meses. — Ela dizia que se sentia um elefante. E realmente parecia um.

— O que vai vestir no casamento? — perguntou Annabelle, com ar de preocupação. Não conseguia imaginar um vestido grande o suficiente para a amiga.

— Um lençol, eu acho. Ou a tenda.

— É sério, tem alguma coisa que caiba? Você não vai escapar dessa.

— Não se preocupe, estarei lá — garantiu ela. — Não perderia isso por nada nesse mundo. — Já havia, na verdade, pedido à modista da mãe que lhe costurasse algo. Parecia uma gigantesca tenda azul-clara, e encomendara sapatos para combinar. Não era exatamente o vestido de uma madrinha, mas era tudo o que conseguiria vestir. Havia detestado, mas era tudo o que tinha.

Consuelo havia encomendado um vestido verde-esmeralda com um chapéu combinando, e planejava usar as esmeraldas que Arthur lhe dera. Era uma cor que lhe caía bem, e Annabelle sabia que ela estaria adorável como mãe da noiva.

Por fim, o grande dia chegou. O pai e a madrasta de Josiah chegaram de carro de Boston, com a meia-irmã do noivo, o marido dela e o bebê. Annabelle gostou de todos eles. E o jantar de ensaio foi ótimo. Consuelo se deu bem com a família do futuro genro e os convidou para almoçar um dia antes do casamento. As duas famílias estavam felizes pelo casal. Era a união de duas famílias muitíssimo respeitadas, de duas pessoas que todos amavam. E como Josiah havia previsto, seu irmão excêntrico, George, que morava em Chicago, decidiu não comparecer. Preferiu participar de um torneio de golfe. Era o jeito dele, e Josiah não ficou magoado. Sua presença teria sido um incômodo, então sua ausência era um alívio. A família dele nunca fora muito normal e equilibrada quanto a de Annabelle. E a madrasta lhe dava nos nervos. Falava alto e sua voz era esganiçada, e reclamava o tempo todo.

Consuelo tomou o brunch com a família de Josiah na manhã do casamento, sem a noiva nem o noivo. Para não dar azar, Annabelle não queria ver Josiah antes da cerimônia. Ele e Henry estavam relaxando em casa, tentando se refrescar. Estava muito quente aquele dia, e Consuelo temia que as flores murchassem e o bolo de casamento derretesse antes que a cerimônia começasse. A cerimônia estava marcada para as sete horas, e o jantar seria servido às nove. Não havia dúvidas de que a festa iria até tarde.

A lista fechou com 140 convidados, metade da noiva e metade do noivo. E Henry Orson, claro, seria o padrinho.

Hortie seria a madrinha, se não tivesse o bebê antes do casamento, o que poderia acontecer. Achou melhor avisar a Annabelle que estava tendo contrações havia dois dias e que rezava para que a bolsa não estourasse no altar. Já bastava a aparência não muito boa dela. Mas não podia desapontar a melhor amiga. Annabelle lhe confessou que não ter o pai nem o irmão ali já estava sendo muito triste, então Hortie não poderia abandoná-la.

Blanche viera para Newport com elas para o casamento. Estava toda alvoroçada no quarto de Annabelle à tarde, paparicando-a como se ela fosse um bebê. E quando chegou a hora, ela e Consuelo a ajudaram a colocar o vestido de noiva. Justo e de cintura apertada, o vestido ficou maravilhoso nela. Consuelo, emocionada, pôs a grinalda no cabelo loiro da filha, que ajustou o véu. As duas mulheres deram um passo para trás para vê-la melhor, lágrimas escorriam por suas faces. Sem dúvida, Annabelle era a noiva mais linda que já haviam visto.

— Ah, meu Deus — sussurrou Consuelo, enquanto Annabelle abria um grande sorriso. — Você está incrível. — Annabelle era a mulher mais feliz do mundo e mal podia esperar para que Josiah a visse. E todas gostariam muito que seu pai estivesse ali. Consuelo sabia que, se ele estivesse presente, ficaria com um nó na garganta ao entrar de braços dados com a filha. Annabelle sempre fora seu orgulho e sua alegria.

Blanche e Consuelo ajudaram Annabelle a descer a escada, segurando a longa cauda do vestido. Uma das criadas lhe entregou um enorme buquê de lírios-do-vale, e assim, a noiva, sua mãe e Blanche saíram pela porta lateral. Blanche correu para avisar aos pajens que a noiva estava vindo. Os convidados estavam em seus lugares, Josiah e Henry estavam no altar, Hortie, ao lado deles, parecendo um balão azul-claro gigante. Várias senhoras de Newport ficaram de queixo caído quando a viram. Mas todos também sabiam que aquele não era um casamento comum. O noivo era quase vinte anos mais velho que a noiva, nunca havia se casado, e a família de Annabelle havia passado por uma grande tragédia pouco mais de um ano antes. Era preciso levar todos esses fatores em consideração.

Consuelo parou uma última vez no jardim lateral, olhando com amor para a filha, e lhe deu um abraço.

— Seja feliz, minha querida... Papai e eu te amamos muito — E então, com lágrimas nos olhos, ela correu para ocupar seu lugar na primeira fileira de cadeiras que foram dispostas no jardim principal.

Os 140 convidados estavam lá, e, assim que Consuelo tomou seu lugar, os músicos começaram a tocar o Coro Nupcial da Lohengrin, exatamente como no casamento de Hortie. Aquele era o grande momento. A noiva estava vindo. Consuelo olhou para Josiah, que sorriu para ela. Uma alegria radiante tomou conta dos dois. E, mais do que nunca, Consuelo sabia que ele era o homem certo para a filha. E tinha certeza de que Arthur pensaria o mesmo.

Todos os convidados se levantaram ao sinal do sacerdote e se viraram. A tensão era enorme, enquanto, vagarosa e solenemente, a magnífica noiva atravessava a extensão do jardim a passos medidos, sozinha. Não havia ninguém ao seu lado, ninguém para guiá-la, protegê-la ou entregá-la ao homem com quem iria se casar. Caminhava até ele com orgulho e calma, com total certeza e dignidade, sozinha. Já que não havia quem a entregasse a Josiah, estava entregando-se ela mesma, com a bênção da mãe.

Todos ficaram boquiabertos quando a viram, e a força da tragédia que os impactara atingiu também os convidados quando viram a noiva miúda e adorável deslizando na direção deles, com o imenso buquê de lírios-do-vale nas mãos, e o rosto coberto por um véu.

Parou diante de Josiah e do sacerdote, enquanto Henry e Hortie ficavam ao lado deles. Noiva e noivo olhavam-se através do véu, e Josiah segurou-lhe a mão. Annabelle fora muito corajosa.

O sacerdote se dirigiu à assembleia reunida e deu início à cerimônia. Quando perguntou quem dava aquela mulher em casamento, a mãe respondeu com clareza da primeira fileira “Eu dou”, e a cerimônia prosseguiu. No momento indicado, Josiah ergueu o véu com delicadeza e a olhou nos olhos. Falaram os votos um para o outro, ele colocou a fina aliança de diamante no dedo dela, e Annabelle, a simples aliança de ouro no dele. Foram declarados marido de mulher, beijaram-se, e então, sorrindo, refizeram o caminho pelo corredor. Discretas lágrimas desciam pelo rosto de Consuelo enquanto os observava, e, a exemplo da filha, seguiu pelo corredor sozinha, atrás de Henry e Hortie, que gingava contente de braço dado com o padrinho. Nem ele nem os convidados nunca haviam visto uma grávida tão grande. Mas Hortie havia decidido aproveitar o casamento e estava satisfeita por estar presente. Encontrou James rapidamente na multidão. Consuelo, Annabelle e Josiah formaram uma fila para receber os cumprimentos dos convidados.

Meia hora depois, todos estavam entrosados, conversando e desfrutando o champanhe. Fora um casamento bonito, discreto e comovente. Annabelle olhava para Josiah com adoração quando Henry veio lhe beijar e dar felicitações, e parabenizar o noivo.

— Bem, conseguiu — Ele riu. — Você o tornou civilizado. Diziam que não era possível — disse a Annabelle.

— Você é o próximo — provocou ela enquanto o beijava. — Agora temos de encontrar alguém para você.

Ele ficou nervoso ao ouvi-la e tentou disfarçar o medo.

— Creio que não estou pronto para isso — confessou. — Acho que prefiro ficar com vocês e desfrutar das emoções do casamento dos outros. Não se importa se eu grudar em vocês, não é? — Ele estava apenas brincando, mas Annabelle disse que ele seria bem-vindo sempre. Sabia o quanto ele e Josiah eram próximos, assim como ela e Hortie. Havia espaço na nova vida deles para os velhos amigos.

Annabelle e Josiah cumprimentaram todos os convidados, e pouco depois das nove horas, todos tomaram seus lugares nas mesas. A noiva e sua mãe foram meticulosas com os assentos, garantindo que todas as pessoas importantes de Newport recebessem a devida deferência. Consuelo estava sentada com a família de Josiah, e, na mesa dos noivos, colocaram Henry, uma das amigas de Annabelle, James e Hortie e mais três casais de quem gostavam. A maior parte dos convidados era de pessoas que eles realmente queriam que estivessem ali. Convidaram pouquíssimas pessoas por obrigação, com a exceção de alguns funcionários do banco de Arthur, com quem Josiah trabalhava. Pareceu adequado incluí-los.

Josiah dançou a primeira valsa com Annabelle. A música era lenta e eles executaram os passos perfeitamente. Era uma música que os dois adoravam e dançavam com frequência. Os noivos eram exímios dançarinos e pareciam deslumbrantes na pista de dança. Em seguida, o pai de Josiah dançou com a noiva, e Josiah, com a mãe dela. Depois os demais convidados os acompanharam na dança. Eram quase dez da noite quando as pessoas começaram a saborear o suntuoso banquete que Consuelo providenciara. Dançavam entre um prato e outro, conversavam, riam, divertiam-se e comentavam o quanto a comida estava boa, o que era raro em casamentos. Os recém-casados cortaram o bolo à meia-noite, dançaram um pouco mais, e os convidados só começaram a deixar a festa depois das duas da manhã. O casamento foi um grande sucesso, e, quando entraram no Hispano-Suiza de Arthur para passar a noite no New Cliff Hotel, Josiah inclinou-se para beijá-la.

— Obrigada pela noite mais bonita de minha vida — disse, enquanto grãos de arroz e pétalas de rosas começavam a chover sobre eles. Josiah puxou a noiva para perto de si dentro do carro. Já haviam agradecido à mãe dela diversas vezes pelo casamento perfeito, e prometeram dar uma passada lá pela manhã, antes de seguirem para a cidade para pegar o trem para Wyoming. A bagagem deles já estava preparada no hotel. Annabelle vestiria um conjunto de linho azul-claro quando partissem na manhã seguinte, com um imenso chapéu de palha com flores azul-claras e pequenas luvas azuis para combinar.

Acenaram para os convidados quando o carro saiu para levá-los ao hotel, e por um instante Annabelle pensou no que o futuro lhe reservava. A última coisa que viu enquanto se afastavam foi a forma enorme de Hortie acenando para eles. Annabelle riu, acenando de volta e esperando que, se um dia engravidasse, não ficasse nada parecida com a amiga nove meses depois. Henry havia sido a última pessoa a beijá-la e a cumprimentar Josiah. Os dois homens se encararam e sorriram um para o outro, enquanto Henry felicitava os noivos. Era um bom homem, Annabelle sabia disso, mais irmão de Josiah do que George.

Ficaram um tempo sentados na sala de estar da suíte — ela com o vestido de noiva, ele ainda de gravata branca e fraque — conversando sobre o casamento, sobre os amigos, sobre como a cerimônia tinha sido bonita, e o extraordinário trabalho que Consuelo fizera. Annabelle sentiu falta do pai e do irmão, mas agora ela agora tinha Josiah, alguém para apoiá-la, amá-la e protegê-la. E ele contava com Annabelle para apoiá-lo e adorá-lo, pelo resto da vida. Não precisavam de mais nada.

Eram três da manhã quando os dois seguiram para banheiros separados e depois se reencontraram. Ele estava em um pijama de seda branca que ganhara de presente para a ocasião; ela, em uma delicada camisola de chiffon branco, a parte de cima incrustada de perolazinhas, com um robe combinando. Annabelle riu como uma menininha ao ficar ao lado dele na cama. Josiah esperava por ela e a tomou nos braços. Suspeitava o quanto Annabelle estava nervosa, e os dois estavam cansados depois da longa noite.

— Não se preocupe, querida — murmurou. — Temos muito tempo. — E então, para grande contentamento e surpresa dela, Josiah a abraçou com carinho, até que Annabelle pegou no sono, sonhando com o quanto tudo fora bonito. No sonho dela, os dois estavam no altar, trocando votos, e desta vez o pai e o irmão estavam lá, testemunhando tudo. Ela os sentira presentes de alguma forma e caiu no sono enquanto Josiah a abraçava com delicadeza, como a joia inestimável que ela era para ele.