Uma prova de amor

Emily Giffin · Capítulo 33 de 36

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Uma prova de amor

Capítulo 32

C A P Í T U L O

 

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É véspera de Natal, já está anoitecendo, acho que é meu momento preferido do ano.

Ben e eu estamos no carro, atravessando a ponte de Triborough a caminho da casa de Daphne e Tony. Vamos conhecer o filho deles, Lucas, que nasceu há três dias, na data marcada, o presente de Natal mais divino que alguém poderia imaginar.

A rádio toca baixinho e Nat King Cole está cantando “I’ll Be Home for Christmas”. As mãos de Ben estão firmes no volante, perfeitamente posicionadas. Geralmente, ele é mais relaxado ao dirigir, mesmo com o tráfego intenso, e me ocorre que talvez ele esteja nervoso por encontrar minha família de novo. Pergunto isso a ele e admito que esteja um pouco nervosa por visitar a família dele amanhã à tarde.

Como se pego no flagra, Ben muda a posição das mãos no volante e diz:

— Acho que estou um pouco nervoso... Mas estou empolgado por encontrar todos novamente.

Sorrio e pergunto:

— Até mesmo a louca da minha mãe?

— Até mesmo a maluca da Vera — ele diz, sacudindo a cabeça. — Amo tudo que faz parte de você.

Eu me aproximo dele e lhe dou um beijo no rosto. Só estamos juntos de novo há um mês, e as pequenas coisas ainda me deixam arrepiada. Coisas como sua barba que teima em crescer, até quando ele acaba de se barbear. Estar num carro com ele. Ouvir canções de Natal. Tudo com Ben parece novo, sagrado e intenso. Acho que vou sentir isso ainda por um longo tempo. Talvez para sempre.

Meia hora mais tarde, estamos saindo da Long Island Expressway e nos aproximamos de Huntington. Agora já está completamente escuro. Ben aponta para a lua e a imensidão de estrelas, que não são visíveis em Manhattan. “As estrelas são a melhor parte dos subúrbios”, digo em voz alta. Ele diz que concorda, porém acrescenta, “No entanto, isso não é motivo para a gente se mudar da cidade”.

Ele está sempre fazendo comentários conciliatórios desde o almoço de reencontro. Estamos ainda inseguros, pelos motivos que nos levaram a todo o sofrimento do divórcio. Não conversamos sobre esses assuntos de modo algum, a não ser para contar para nossos amigos e famílias a história daquele fatídico dia no Pete’s Tavern. Provavelmente, teremos que contar essa história de novo esta noite. Tenho certeza de que vamos revirar os olhos e dizer “de novo?”, apesar de, no fundo, estarmos adorando a ideia de poder contar essa parte da história, da nossa história. As horas angustiantes que antecederam nosso encontro, nossa demora em entender o que estava se passando, nossa volta eufórica dentro de um táxi para meu velho apartamento depois do almoço. Tenho certeza de que hoje à noite acrescentaremos mais algum detalhe, como fazemos todas as vezes. Talvez eu acrescente algum significado literário que nunca me passou despercebido: nós estávamos na mesa de O. Henry, fazendo nossa própria versão de O Presente dos Magos. Ambos dispostos a abrir mão de alguma coisa importante pelo outro, por amor. Parece um toque bem apropriado para a época do Natal.

Quando chegamos, Zoe está nos esperando na porta. Ela a escancara totalmente e grita:

— Tio Ben! — e sai correndo pela porta sem casaco nem sapatos.

Ben a levanta e diz:

— Zo-bot! É muito bom ver você de novo, garota!

— Senti tanto sua falta, tio Ben! — ela diz, olhando para ele com adoração.

— Também senti sua falta, querida — ele diz.

— Eu sabia que você ia voltar! — Zoe declara, e penso que algum dia ela vai aprender que nem todos os finais são felizes. Com sorte, seus pais não serão um desses exemplos. Até agora, eles parecem estar seguindo em frente, com uma paz bem frágil.

— Bom, você é uma menininha muito esperta — ele diz, colocando-a no chão perto da porta. — Agora, vamos entrar. Caso contrário, você vai morrer congelada.

Zoe está encantada e segura a mão dele:

— Sim! Vamos entrar e ver o bebê Lucas!

— Oi, Zoe, e eu, sou o quê? Um sapato velho? Não sou nada? — digo, fingindo estar brava por ela estar dando atenção só para Ben.

Zoe sorri por cima do ombro.

— Oi, tia Cláudia! Você pode vir com a gente, também!

A essa altura, a família inteira está reunida no saguão com sorrisos enormes estampados nos rostos, exceto Daphne e o pequeno Lucas.

— Oi, gente! — Ben diz, com um sorriso ingênuo.

Meu pai aparece como o patriarca e porta-voz oficial da família:

— Bem-vindo de volta, companheiro! — ele diz, estendendo a mão direita.

— É bom estar de volta, Larry — Ben afirma, e os dois apertam as mãos enquanto minha mãe tira uma foto. Ela tira outra quando meu pai diz a si mesmo:

— Ah, que diabos! — e dá um grande abraço em Ben, o tipo de abraço que você espera ver quando um homem acabou de chegar de uma guerra num lugar distante.

Os outros ficam em fila para cumprimentá-lo. Primeiro, Maura, Scott, e os meninos. Depois, Dwight. E, então, Tony.

— Parabéns! — Ben diz a ele.

— Para você também, cara! — Tony fala.

Enquanto isso, minha mãe está fotografando cada abraço. Deixo-a prosseguir com isso porque não quero estragar o espírito de Natal e tenho a sensação de que vou querer guardar essa noite por muitos anos na minha memória.

Minha mãe cerimoniosamente entrega sua câmera para Dwight, deixando si mesma para o fim.

— Ben, querido — ela diz, pausando para um efeito dramático. — Por que demorou tanto?

Ele dá uma risada e diz:

— Não sei, Vera. Fui um tolo.

— Sim, foi mesmo — minha mãe responde, com lágrimas nos olhos. Então, ela aponta para mim. — E minha filha também.

— Certo. Certo. Já basta! — digo, rindo do entusiasmo contagiante de minha família. — Temos que conhecer um bebezinho!

— Sim! Entrem aqui! — Daphne grita da sala de estar.

Lá está minha irmã, sob o brilho suave do fogo, segurando seu filho recém-nascido.

— Bem, Cláudia, esse é seu sobrinho, Lucas — Daphne o apresenta. — Lucas, conheça a tia Cláudia e o tio Ben! É assim que ele deve chamar você, não é, Ben?

Ele segura a minha mão e diz:

— Sim, Daph. É assim que ele deve me chamar.

— Bom, venham mais perto um pouquinho para poderem vê-lo melhor — Daphne diz com orgulho, enquanto abre a manta azul para mostrar o rostinho de Lucas.

É um momento no qual eu tenho pensado desde o Dia de Ação de Graças. Será que vou me sentir diferente de quando Maura deu à luz a seus filhos? Fico preocupada em sentir isso. Mas, assim que olho para Lucas, fico aliviada por perceber que sinto exatamente a mesma coisa. Cheia de orgulho, admiração, gratidão e expectativa por tudo que virá.

— Ele é lindo! — digo.

Bom demais para ser verdade. E, por incrível que pareça, ele é real.

— Eu sei — Daphne replica. — Nem eu consigo acreditar.

— Tia Daphne, posso segurar o nenê Lucas, por favor? — Zoe pede e parece um sinal para Patrick e William também quererem entrar na fila para segurar a criança.

— Agora não — Maura diz para as crianças. — Agora, o Lucas precisa da mamãezinha dele.

Daphne lhe lança um olhar agradecido. Posso sentir que ela não está pronta para deixar outras pessoas segurarem seu filho. Ela esperou tempo demais por esse momento.

Todos nós esperamos.

Mais tarde, naquela mesma noite, Ben e eu voltamos ao nosso velho apartamento. Estou começando a me sentir em casa novamente, o que é bom, pois Michael vai se mudar para o apartamento de Jess em janeiro. Eles estão chamando esse período de “treinamento”, mas eu sei a verdade. Às vezes, é melhor fazer as coisas passo a passo.

Como Ben e eu estamos fazendo agora. Mudei metade das minhas coisas para nosso apartamento e agora estou mexendo em tudo à procura de meu pijama de flanela vermelho.

Ele dá uma risada e eu pergunto:

— O quê?

— Sabia que essa fase de usar lingerie chique não duraria para sempre.

— É noite de Natal! É um momento para ficar confortável. Não sexy.

— Bom, tenho novidades para você — ele diz.

— O que é? — digo, sorrindo.

— Você é as duas coisas.

Sorrio enquanto vou ao banheiro escovar meus dentes. Então, hesito por um instante na hora de tomar minha pílula anticoncepcional. Volto para o quarto onde Ben está esperando por mim usando sua calça de pijama de flanela verde. Apagamos as luzes e entramos debaixo das cobertas.

A princípio, nossos beijos são aconchegantes, como nossos pijamas, mas rapidamente se transformam em beijos urgentes e famintos.

— Como posso amá-la tanto assim? — ele pergunta, a certa altura.

É uma daquelas coisas que não têm resposta. Como tentar explicar a mágica ou os milagres da fé.

— Não sei — respiro, pensando que há tanta coisa que não sei. Não sei se vou conseguir superar meus medos da maternidade. Se algum dia vou conseguir ser mãe. Se serei capaz de ser uma boa mãe.

Mas, por enquanto, é Natal, e eu estou com Ben, e só isso importa. Eu o seguro com força e murmuro seu nome. Um desejo e uma promessa de coisas que virão.