Viriatho

Teófilo Braga · Capítulo 11 de 63

Páginas do PDF

Viriatho

Capítulo X

Depois d'este feito, em que o exercito lusitano se viu salvo pela astucia e coragem de Viriatho, a confiança no seu commando centuplicou-lhe as forças, seguro de que elle o conduzirá á victoria, e só elle saberá sustentar a independencia da Lusitania. Uma cousa veiu acordar o resurgimento do acabrunhado povo, o impeto que suscitava esta incomparavel victoria da astucia sobre a força bruta.

Quando Vetilio foi agarrado por Viriatho, os lictores que acompanhavam o Consul com os feixes de varas peculiares da dignidade curul, entregaram-as ao vencedor, como uma transferencia do poder supremo. O Cabecilha mandou desamarrar os feixes de varas, e distribuiu-as pelos seus soldurios, aos de maior confiança d'entre os mil Cavalleiros que se lhe devotaram:

—Cada um de vós, irá por todos os Castros, Citanias e Herminios, cravar no chão a vára do lictor, que eu entrego na fé celtiberica. Essa vara é o symbolo da guerra accesa e contínua; onde ella se hasteia chama os povos ás armas, e exige soccorro aos que combatem. Tal é o poder da antiga tradição da nossa raça. E se a lança fincada no chão podia mais do que um grito de guerra, a vara do lictor arrancada ao poder do Consul romano hade alevantar todas as nossas tribus unindo-as n'uma só vontade, para repellirem o invasor do seu territorio.