Viriatho

Teófilo Braga · Capítulo 13 de 63

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Viriatho

Capítulo XII

Lembrado da sua vida de pastor, quando na deambulação dos gados do sul para o norte, fugindo ás calmas, Viriatho dirigia a Mésta e sabia os recessos onde defendel-os, occorreu-lhe á memoria um campo entrincheirado em uma extensa planicie em que corre o rio Pavia, formado de terra recalcada, resistente e quasi petrificada. Quantas vezes n'esse asylo formado pelas gerações passadas, ahi estiveram seguros milhares de rebanhos e manadas, quando algum perigo se arreceiava! O Cabecilha quiz vêr outra vez esse vasto recinto de fortes muros de adobe, considerando que na lucta em que se achava empenhada a sorte da Lusitania, por ventura lhe seria necessario conhecer os seus recursos estrategicos.

Conhecedor de todas as verêdas e atalhos, facil lhe foi encurtar distancias, e em poucos dias de jornada, elle e os taes companheiros chegaram ao valle do Pavia, fechado na sua vastidão por pinheiraes cerrados de um verde escuro que contrastava com a claridade do horisonte. De longe ainda avistaram a vasta chã, contornada pelas muralhas de terra em fórma de um poligno octogonal irregular, e uma altura de setenta e cinco palmos nos seus muros e aterros. Eram outo muros, tendo para mais de cento e quarenta palmos de espessura, fechando um circuito de mais de trez a quatro mil passos; um largo fôsso o circumvallava exteriormente.

Ao avançar para a grande muralha d'aquella fortaleza de terra, Viriatho parecia cada vez mais pensativo; um plano estrategico lhe fulgurou na mente:

—Ah! que se eu conseguisse encurralar no Poço da Cava um general romano com os seus Legionarios todos. Eu lhe converteria o reducto defensivo em ratoeira!