A casa assombrada

John Boyne · Capítulo 20 de 26

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A casa assombrada

Capítulo 20

 

“Um fantasma?”, perguntou o reverendo Deacons, sorrindo para mim, sua expressão sugerindo que se tratava de algum tipo de brincadeira.

“Sei que parece ridículo”, respondi. “Mas estou convencida disso.”

Ele sacudiu a cabeça e indicou um banco no lado esquerdo da igreja, o banco da família Westerley, no qual eu e as crianças sentávamos todos os domingos. Havia uma placa de latão pregada no encosto, com o nome e a data de nascimento e morte de um antepassado. Século XVII . A linhagem voltava pelo menos até aquela época. “Minha doce menina”, disse o vigário, sentando-se a certa distância de mim. “Tal noção é absurda.”

“Por que seria? Lembra-se do que disse Shakespeare, reverendo? Há mais coisas, Horácio, em céus e terras, do que sonhou nossa filosofia.”

“A ocupação de Shakespeare era entreter o público”, ele respondeu. “Shakespeare não passava de um mero escritor. Sim, em uma de suas peças, um fantasma pode aparecer no terraço, apontando seu assassino, exigindo vingança. Ou comparecer a um banquete para assombrar seu próprio algoz. Mas essas coisas existem apenas para excitar e provocar calafrios na espinha da multidão pagante. Na vida real, srta. Caine, receio que fantasmas sejam superestimados. São fruto da ficção e de mentes excêntricas.”

“Não faz muito tempo que homens como o senhor acreditavam em bruxas e outras superstições”, comentei.

“Tempos medievais”, ele disse, fazendo um gesto de desdém com a mão. “Estamos em 1867. A Igreja evoluiu bastante desde então.”

“Mulheres sob suspeita de bruxaria eram submersas na água”, respondi, com rancor. “Caso se afogassem, a inocência estava provada, mas teriam perdido a vida só com a acusação. Se sobrevivessem, eram consideradas culpadas e então queimadas na fogueira. De um jeito ou de outro, eram mortas. As mulheres, claro. Não os homens. Ninguém questionava essas crenças na época. E agora o senhor diz que estou sendo absurda. Não vê a ironia?”

“Srta. Caine, a Igreja moderna não pode ser responsabilizada pelas superstições do passado.”

Suspirei. Ir para lá tinha provavelmente sido uma decisão equivocada, mas eu estava sem alternativas e pensei que um vigário talvez pudesse ser de alguma ajuda. Na realidade, nunca fui uma pessoa muito religiosa. Tinha, claro, seguido certos preceitos e participado de algumas missas de domingo. Mas, para meu constrangimento, sempre fui uma daquelas almas perdidas cuja mente divaga durante o sermão e que não presta muita atenção à leitura dos ensinamentos. O que dizia sobre mim o fato de somente agora, em um momento de profunda crise, recorrer à Igreja para conseguir ajuda? E o que dizia sobre a Igreja o fato de que, quando busquei consolo, ela não fez nada além de rir de mim?

“Sabemos tão pouco sobre o mundo”, continuei, determinada a não me permitir ser tratada como uma mulher histérica. “Não sabemos como chegamos aqui ou para onde vamos quando partirmos. Como podemos estar tão convencidos de que não existem almas perdidas, nem vivas nem mortas? Como podemos ter tanta certeza de que isso é insensato?”

“É o resultado de morar em Gaudlin Hall”, ele respondeu, sacudindo a cabeça. “Sua mente está aberta a ilusões por causa do histórico sombrio daquele lugar.”

“E o que o senhor sabe sobre Gaudlin Hall?”, perguntei. “Quando esteve lá pela última vez?”

“Está usando um tom de voz agressivo, srta. Caine”, ele disse, e percebi que estava se esforçando para afastar a raiva. “Desnecessariamente, se me permite dizer. Talvez não saiba, mas visitei o sr. Westerley.” Levantei uma sobrancelha, surpresa, e ele, percebendo meu ceticismo, fez que sim com a cabeça. “É verdade, garanto”, o vigário continuou. “Logo depois que foi levado para casa. E uma ou duas vezes desde então. O pobre homem se encontra num estado tão terrível que apenas vê-lo já é bastante perturbador. A senhorita o viu?”

“Sim”, admiti.

“Então não seria possível, srta. Caine, que pousar os olhos em um espécime tão desafortunado da humanidade e saber a história de como acabou naquele estado tenha mexido um pouco com sua imaginação?”

“Acredito que não”, eu disse, não admitindo condescendência. “Afinal, se o senhor o vê com tanta regularidade quanto diz e eu o vi apenas uma vez, por que eu sofreria dessas ilusões macabras, se o senhor não sofre?”

“Srta. Caine, é mesmo necessário que eu diga?”

“Sim.”

Ele suspirou. “Receio que vá discordar de mim, mas creio que seria verídico dizer que sua sensibilidade, enquanto mulher…”

“Pare, por favor”, insisti, levantando a voz a ponto de ecoar pelo corredor. Fechei os olhos por um momento, ordenando a mim mesma para controlar meu temperamento, a não permitir que ele me irritasse tanto. “Não diga que sou mais suscetível por causa do meu sexo.”

“Então, não direi”, respondeu o reverendo Deacons. “Mas vai encontrar mais respostas nessa sugestão do que gostaria.”

Fiquei na dúvida se deveria simplesmente levantar e ir embora. E, afinal, o que tinha me levado até ali? Era um contrassenso, tudo aquilo — o prédio, o altar, aquele homem ridículo com vestes e ar santimonial. A vida que a paróquia lhe oferecia, enquanto outros morriam de fome. Mais tola era eu, por pensar que ele poderia oferecer algum tipo de conforto. Recompus-me e estava prestes a ir embora com o que me restava de dignidade quando um pensamento passou pela minha cabeça.

“Tenho uma pergunta. Sem relação com os acontecimentos em Gaudlin Hall. Pode me dar uma resposta?”

“Posso tentar.”

“O senhor acredita em vida após a morte, padre?”, perguntei. “Na recompensa do Céu e na danação do Inferno?”

“Claro”, ele disse, sem hesitar, parecendo chocado que eu ousasse questionar suas crenças.

“O senhor acredita nessas coisas sem quaisquer provas de sua existência?”

“Minha doce menina, é aí que mora a fé.”

“Sim”, eu disse. “Mas, se o senhor acredita nessas duas formas de existência após a morte, então por que se opõe tanto à possibilidade de uma terceira?”

Ele franziu o cenho. “O que quer dizer com uma terceira?”, perguntou. “De que tipo?”

“Um terceiro destino”, expliquei. “Um lugar onde as almas dos mortos ficam antes de serem aceitas no Paraíso ou condenadas ao Inferno.”

“Esse lugar é o Purgatório, srta. Caine.”

“Um quarto destino, então”, eu disse, quase rindo da inacreditável variedade de lugares para onde uma alma poderia ir. “O senhor acredita em três, mas não em quatro. Um lugar em que as almas continuam a fazer parte deste mundo, nos observando, às vezes interagindo conosco. Ferindo ou protegendo alguns de nós. Um plano de existência como esse parece tão ridículo quanto os outros — Céu, Inferno e Purgatório —, não acha?”

“Não existe menção a esse lugar na Bíblia”, ele respondeu com paciência, falando como se eu fosse uma criança, o que me fez jogar as mãos para o alto, frustrada.

“A Bíblia foi escrita por homens”, exclamei. “Passou por tantas mudanças, por tantas traduções ao longo dos séculos, que se adapta e se reinventa de acordo com a época em que o leitor entra em contato com ela. Apenas um tolo acredita que as suas palavras são as palavras de Jesus Cristo.”

“Srta. Caine, está se aproximando da blasfêmia”, o vigário disse, reclinando-se no banco e parecendo escandalizado. Percebi que sua mão tremia um pouco enquanto ele falava; imaginei que não estivesse acostumado a ser desafiado de maneira tão aberta, muito menos por uma mulher. Sua posição, assim como a de muitos da mesma classe, era de respeito incontestado — e imerecido. “E se a senhorita vai continuar falando dessa maneira, não vou mais escutar.”

“Peço desculpas”, respondi, pois não queria enfurecê-lo ou fazer com que o teto desmoronasse sobre minha cabeça — já havia chances demais disso acontecer em Gaudlin Hall. “Não é minha intenção deixá-lo nervoso. De verdade. Mas o senhor precisa admitir que existe tanta coisa que não sabemos sobre o universo que é perfeitamente possível, aliás, é provável, muito provável, que existam mistérios cuja revelação nos surpreenderia. Chocaria, até. Faria com que duvidássemos dos alicerces nos quais baseamos nossa fé neste mundo.”

Ele pensou no assunto, tirou os óculos e limpou com um lenço antes de recolocá-los no nariz. “Não sou um homem muito estudado, srta. Caine”, disse, depois de uma longa pausa. “Sou um simples vigário. Não tenho pretensões ao bispado, tampouco espero que tal cargo seja oferecido a mim algum dia. Não almejo nenhuma outra posição neste mundo além de ser um pastor para meu rebanho. Eu leio, claro. Tenho uma mente inquisitiva. E admito que, ao longo da vida, houve momentos em que tive… questões sobre a natureza e o significado da existência. Não seria humano se não tivesse passado por isso. A natureza da fé espiritual é a das perguntas eternas sobre o universo. Mas rejeito sua hipótese porque exclui Deus da equação. É Deus quem escolhe quando entramos nesse mundo e quando saímos. Ele não toma decisões pela metade e deixa almas perdidas em tormento. É decisivo. Não é Hamlet, se a senhorita quiser usar termos shakespearianos. Tais ações seriam as de um Deus cruel e impiedoso, não do Deus benevolente sobre o qual lemos na Bíblia.”

“O senhor não acha que Deus pode ser cruel e impiedoso?”, perguntei, tentando não rir para não provocá-lo ainda mais. “A leitura que faz da Bíblia é superficial a ponto de não reconhecer barbárie em todas as páginas?”

“Srta. Caine!”

“Não pense que desconheço os testamentos, reverendo. E me parece que o Deus sobre quem fala tem muito talento para a brutalidade e a malignidade. É quase um especialista no assunto.”

“A senhorita está sendo desrespeitosa. O Deus que eu conheço nunca trataria um de seus filhos de maneira tão vingativa. Abandonar uma alma como você sugere… nunca! Não neste mundo.”

“E fora dele?”

“Não!”

“Tem certeza? Ele disse isso para o senhor?”

“Srta. Caine, é melhor parar com isso. Pense no lugar em que está.”

“Estou em uma construção feita de tijolos e argamassa. Erguida por homens.”

“Não posso ouvir mais nem uma palavra”, ele berrou, finalmente perdendo a paciência. (Será que eu tinha esperado por aquele momento? Será que eu queria provocar uma resposta humana, e não espiritual, naquele homem impotente?) “Precisa ir embora se não puder falar com o respeito que…”

Levantei do banco em um salto, frustrada, e o encarei com desprezo. “O senhor não está lá, padre”, esbravejei. “Acordo em Gaudlin Hall, passo a maior parte do dia lá, durmo lá. E, durante todo esse tempo, há apenas um pensamento passando pela minha cabeça.”

“E qual pensamento é esse?”

“A casa é assombrada.”

Ele gemeu em protesto e desviou o rosto, sua expressão, um estudo de angústia e raiva. “Recuso-me a ouvir essas palavras”, ele disse.

“Claro que se recusa”, respondi, afastando-me dele para ir embora. “Porque sua mente é fechada. Assim como a de todos do seu tipo.”

Marchei pelo corredor da igreja, meus sapatos ecoando nas pedras sob meus pés, e saí para a luz de uma manhã fria de inverno, tomada por um ímpeto quase insuportável de gritar. À minha frente, vi os comerciantes do vilarejo cuidando da própria vida, como se não houvesse nada de estranho no mundo. Ali estava Molly Sutcliffe, esvaziando um balde de água com sabão na rua da casa de chá. Ali estava Alex Toxley, caminhando para o consultório. Mais adiante, pude ver a sombra do sr. Cratchett, sentado perto da janela do escritório, os grandes livros de registro abertos à sua frente, seus olhos fixos nas páginas conforme a caneta corria por elas, fazendo anotações. O cavalo e a carruagem do sr. Raisin estavam ali fora — portanto, ele estava lá, atrás da mesa — e um pensamento me ocorreu. Uma pergunta que precisava de resposta.

“Ah, srta. Caine”, disse o sr. Cratchett, levantando o rosto com uma expressão resignada. “Veio nos visitar mais uma vez. Que alegria. Acho que talvez seja melhor providenciar uma mesa especial, com o seu nome nela.”

“Sei que é uma inconveniência, sr. Cratchett”, respondi. “E não quero ocupar mais nem um minuto do tempo valioso do sr. Raisin. Ele já foi bastante solícito comigo. Mas tenho uma pergunta, apenas uma, que preciso fazer. O senhor pode conversar com ele e perguntar se teria um momento, por favor? Prometo que não vou ficar mais do que um ou dois minutos.”

Percebendo que eu faria jus à minha palavra e que ele se livraria de mim mais rápido se cedesse, o escriturário suspirou, deixou a caneta bico de pena no tinteiro e foi à sala ao lado, voltando logo depois e meneando com postura aborrecida.

“Dois minutos”, ele avisou, apontando para mim; concordei com a cabeça e passei por ele. No escritório, o sr. Raisin estava sentado atrás da mesa e, quando fez menção de se levantar, fiz um gesto pedindo que ficasse onde estava.

“Que bom que veio”, ele disse. “Desde nossa conversa no outro dia tenho pensado muito na senhorita. Eu…”

“Não quero atrapalhá-lo”, interrompi. “Sei que é muito ocupado. Tenho apenas uma pergunta. Se eu fosse embora, ou melhor, se nós fôssemos embora — juntos, quero dizer —, haveria alguma objeção legal?”

Ele levantou uma sobrancelha e me encarou. Abriu e fechou a boca várias vezes, espantado. “Se nós fôssemos embora, srta. Caine?”, perguntou. “Eu e você?”

“Não, não eu e você”, respondi, quase rindo do mal-entendido. “Eu e as crianças. Se eu as levasse para Londres, para morar comigo. Ou para outro país da Europa. Sempre quis morar fora. O Estado aprovaria isso? Teríamos apoio? Ou seríamos perseguidos por policiais e trazidos de volta a Gaudlin? Eu seria presa por sequestro?”

Ele pensou por um instante e fez que não. “Isso está fora de cogitação”, ele disse. “Existem determinações claras na documentação do sr. Westerley de que, enquanto ele estiver presente em Gaudlin Hall, as crianças não podem ficar longe por um período muito extenso. Mesmo se estiverem sob os cuidados de um guardião, como a senhorita.”

Minha mente acelerou e comecei a seguir raciocínios impossíveis. “E se ele também sair de lá?”, perguntei. “E se eu o levar comigo?”

“James Westerley?”

“Sim, e se eu, ele e as crianças nos mudarmos para Londres? Ou Paris. Ou para a América, se preciso.”

“Srta. Caine, você perdeu o juízo?”, ele perguntou, levantando-se e estufando o peito. “Você mesma viu o estado em que se encontra aquele pobre homem. Ele precisa de cuidados constantes.”

“E se eu oferecesse isso?”

“Sem nenhum treinamento? Sem nenhuma qualificação em enfermagem? Acha que seria justo com ele? De jeito nenhum, está fora de questão.”

“E se eu aprendesse?”, perguntei, consciente de que já tinha ultrapassado muito meu limite de perguntas. “E se eu fizesse um curso de enfermagem e convencesse o senhor de que poderia cuidar dele? Permitiria que eu o levasse, e as crianças também?”

“Srta. Caine”, disse o sr. Raisin, saindo de trás da mesa, conduzindo-me até uma poltrona e se sentando à minha frente. Seu tom agora era mais gentil. “Converso regularmente com o médico do sr. Westerley. Aquele homem nunca sairá do quarto. Nunca. Até mesmo tentar movê-lo seria matá-lo. Entende? Ele precisa ficar onde está e, enquanto estiver vivo, as crianças também precisam ficar. Não há possibilidade, nenhuma possibilidade, disso mudar. A senhorita, claro, está livre para ir embora quando quiser, não podemos mantê-la presa aqui, mas, como deixou claro em diversas ocasiões, você não pretende abandonar as crianças. Sua posição sobre isso continua a mesma?”

Balancei a cabeça. “Sim, senhor”, respondi.

“Pois bem. Então não há mais nada a discutir sobre o assunto.”

Baixei os olhos para o tapete, como se pudesse encontrar respostas para as minhas aflições ali. “Então não há ninguém que possa me ajudar”, comentei baixinho, enquanto pensava: não posso ir embora e ela vai me matar.

“Ajudá-la com o quê?”, o sr. Raisin perguntou, e fiquei comovida com a preocupação em sua voz. Sacudi a cabeça e sorri para ele. Por um momento, nossos olhos se encontraram e reparei que os dele passaram rapidamente pelos meus lábios. Sustentei seu olhar.

“Srta. Caine”, o sr. Raisin disse em voz baixa, e, assim que as palavras saíram, ele engoliu em seco, constrangido, e uma onda de rubor cobriu suas bochechas. “Eu ajudaria, se pudesse. Mas não sei do que precisa. Se puder me dizer…”

“Nada”, respondi, em tom resignado, agora me levantando e alisando o vestido. Estendi a mão; o sr. Raisin olhou para ela por um instante e então me cumprimentou. O gesto durou um pouquinho mais do que o necessário e… será que seu dedo indicador se mexeu sobre o meu, apenas um milímetro, pele acariciando pele? Senti um suspiro nas profundezas do meu ser, maior do que jamais sentira, e quis desviar os olhos, mas os dele tinham me hipnotizado e eu poderia ter ficado daquele jeito para sempre, ou cedido à tentação, se não tivesse reparado no porta-retratos prateado sobre a mesa, a imagem contida nele fazendo com que eu recolhesse a mão em um movimento brusco e desviasse o rosto.

“Espero que a sra. Raisin não tenha se queixado por ter voltado tarde para casa depois do nosso último encontro”, comentei.

“Ela fez alguns comentários a respeito”, ele respondeu, virando o rosto e também olhando para o retrato; tinha a aparência de uma mulher severa, um pouco mais velha que o marido. “Nunca teve pudor de manifestar a própria opinião.”

“E por que deveria?”, perguntei, consciente do meu tom de confrontação. “Pena que nunca tive a sorte de conhecê-la.”

“Talvez pudesse jantar conosco algum dia”, ele disse, seguindo o protocolo.

Sorri para o sr. Raisin e sacudi a cabeça. Ele meneou, claro, pois não era um homem burro e entendeu perfeitamente.

Eu me resignara.