A casa assombrada

John Boyne · Capítulo 26 de 26

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A casa assombrada

Capítulo 26

 

Escrevo estes últimos parágrafos em uma madrugada do mês de dezembro. Lá fora, a noite está escura e as ruas estão mais uma vez tomadas pela detestável névoa londrina. A casa está mais fria do que o normal; foi assim nas últimas noites, apesar do carvão extra que tenho colocado na lareira, que mantenho atiçada ao longo de toda a tarde.

Eustace anda mais quieto esses dias, não sei o motivo. Perguntei a ele se tudo estava bem e apenas deu de ombros, disse não entender o que eu queria dizer com aquilo. Achei melhor não insistir. Se houvesse alguma coisa errada, Eustace me contaria em seu próprio tempo.

Porém, hoje, quando tentei dormir, fui distraída por uma coisa, algum tipo de ruído na janela. Levantei da cama e olhei para fora, mas não enxerguei nada através da névoa. Fiquei em silêncio e percebi que não, não era algo vindo de fora; a origem do som estava dentro da casa.

Saí para o corredor escuro, segurando uma única vela nas mãos, e fui para a porta de Eustace, que em algum momento tinha sido fechada, apesar de eu sempre insistir que a deixasse entreaberta. Levantei a mão para puxar o trinco, preparando-me para abri-la, mas, antes de fazê-lo, fiquei surpresa ao ouvir sons lá dentro. Encostei o ouvido na porta e percebi que eram vozes, duas vozes, envolvidas em uma conversa séria, em tom baixo. Meu coração deu um salto arrítmico. Será que Eustace estava brincando? Fazendo uma voz falsa e conversando consigo mesmo, por alguma razão inusitada? Pressionei o ouvido com mais força, tentando entender o que os dois diziam, e ficou claro para mim que, enquanto uma das vozes era definitivamente de Eustace, a outra pertencia a uma menina. Como era possível? Não havia nenhuma naquela casa. Nenhuma mulher — exceto eu mesma — pisara lá desde que tínhamos nos mudado.

Escutei com mais atenção, decidida a não abrir a porta até entender o que estava sendo dito, mas as palavras eram incompreensíveis, abafadas pela madeira. E, então, uma palavra chegou até mim, clara como o sol da manhã. Apenas uma, um conjunto de sílabas, dita pela voz inconfundível de Eustace, saindo de seus lábios, flutuando pelo ar, passando por baixo da porta e chegando aos meus ouvidos. Fiquei ali, petrificada, o sangue congelando, a expressão empalidecendo, uma sensação de incompreensão e horror tomando conta do meu corpo quando me dei conta do que ele tinha dito.

Um único nome.

“Isabella.”

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