A casa assombrada

John Boyne · Capítulo 25 de 26

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A casa assombrada

Capítulo 25

 

 

Passaram-se vários meses. Eu e Eustace fomos morar em uma pequena casa em Camberwell Gardens, com um quintal para o cachorro correr e brincar. Nossos dias eram dias comuns. Tomávamos o desjejum pela manhã e caminhávamos dez minutos até a escola; eu esperava no portão até Eustace entrar na dele e em seguida atravessava a rua para começar meu dia. Mais tarde, nós nos encontrávamos outra vez, comíamos e ficávamos lendo ou jogando até a hora de dormir. Contentávamo-nos com a companhia um do outro.

Eustace prosperou na nova escola. Ele aparentemente deixara os acontecimentos dos últimos meses para trás e, com o tempo, aprendi que não queria conversar sobre o assunto. Tentei algumas vezes falar sobre seu pai, sua mãe e sua irmã, mas de nada adiantava. Ele sacudia a cabeça, mudava de assunto, fechava os olhos, saía de perto — qualquer coisa para evitar aquilo. E aprendi a respeitá-lo. Com o tempo, pensei, talvez quando fosse mais velho, iria querer conversar comigo sobre o ocorrido. E, quando estivesse pronto, eu também estaria.

Fez amizades, em especial com dois meninos, Stephen e Thomas, que moravam na nossa rua e estudavam na mesma escola. Eu gostava quando eles vinham nos visitar, pois, apesar de serem travessos, eram bem-intencionados e tinham um bom coração; além disso, eu me divertia com suas asneiras. Agora eu tinha vinte e dois anos, ainda era uma mulher jovem. Gostava da companhia daquelas crianças, e o fato de trazerem tantas alegrias a Eustace me deixava encantada. Ele nunca teve amigos antes, apenas Isabella.

Em resumo, éramos felizes. E eu tinha fé de que não surgiria nada em nossa vida para perturbar essa felicidade. Seríamos deixados em paz.