A paixão do CEO

Aline Damasceno · Capítulo 11 de 24

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A paixão do CEO

Capítulo nove

 

 

Quando Mady acordou, passamos o resto do voo trabalhando e conversando sobre questões que ficaram pendentes na empresa, fazendo pequenas pausas apenas para nos alimentar.

Eu tinha agido por impulso quando resolvi deixar os negócios em segundo plano e embarcar para a Austrália, sem pensar duas vezes e de última hora, embora tentasse me justificar dizendo que estava indo até a Ilha Pumpkin à trabalho, seguindo a sugestão dos acionistas de verificar com meus próprios olhos o estado dos edifícios que foram construídos. Além da reunião que teríamos em Sydney com o corretor imobiliário, já que estaríamos de passagem pelo país. Sabia que muita coisa iria se acumular no tempo em que eu e Mady estivéssemos fora e, para ser honesto, sabia que uma semana não seria o suficiente para deixar tudo organizado. Mady deveria ter surtado para arrumar o máximo de coisas possíveis, ainda mais que ela era bastante metódica. Outro aspecto que admirava em sua personalidade.

Não era do meu feitio deixar o trabalho de lado, não cheguei aonde estou sendo impulsivo e desorganizado. Porém, permiti-me ser um pouco egoísta e pensar no meu prazer, pois fazia muitos anos que não tirava um tempo só para mim. Tinha deixado Miller temporariamente no comando da empresa, tinha confiança completa que ele poderia resolver boa parte dos problemas que poderiam surgir, e eu não estava exatamente de “férias” e nem completamente incomunicável. Além do mais, acreditava que aquele tempo longe de Nova Iorque não seria somente bom para mim, mas também para Mady.

E se meus planos dessem certo, o tempo que passaríamos em Sydney e na Ilha Pumpkin seria proveitoso para nós dois, sendo regado à muitas conversas, bons momentos juntos, e, se tudo corresse como planejava, com o melhor sexo que nós dois já tivemos na vida. Algo me dizia que aquela mulher acabaria com todas as minhas forças na cama, e eu não via a hora de poder testar minha teoria. A antecipação de tê-la ardia em mim, e perceber a mudança lenta e gradual dela para comigo, me dizia que ela não era totalmente imune a mim. Seu corpo, seus gestos e seu olhar me diziam tudo que eu precisava saber.

Sei que não deveria ter contado a Mady que eu tinha ouvido a conversa dela no telefone, porque ela poderia ter entendido as coisas de uma maneira muito ruim, e eu não a culparia por isso. Tinha sido inconveniente e, até mesmo, invasivo. Um canalha. Contar para ela o que ouvi e tocar na sua ferida recente foi uma coisa difícil de se fazer, pois sabia que ela acabaria ainda mais magoada e triste, principalmente, comigo.

Guardar aquele conhecimento e saber que Madeline estava sofrendo internamente, mesmo que sua fachada estivesse sempre impecável, me consumia a cada dia. Gostava mais dela do que acreditava ser possível, e me incomodava profundamente omitir algo de Mady. Eu precisava contar a ela o que eu sabia, mesmo correndo o risco de perdê-la e afastá-la de mim. Nunca escondi nada, nem mesmo sobre minha vida pessoal, e sabia que, se eu quisesse ter algo com ela, mesmo que fosse por apenas uma noite, eu teria que ser sincero. Sinceridade, para mim, era uma das bases de qualquer relacionamento. Não queria mentiras pairando sobre nós.

Ter contado para ela foi a melhor decisão. Mesmo que não fosse por um bom motivo, tê-la nos meus braços, aninhada ao meu peitoral, fez com que um calor gostoso espalhasse pelo meu corpo, e me fez desejar ficar assim para sempre, que o momento nunca acabasse. No início, eu poderia ter desejado apenas sexo com a Mady, mas hoje eu queria muito mais dela. Queria uma vida que nunca ousei sonhar ter. Alguém que retribuiria, plenamente, os meus sentimentos e compartilharia todos os aspectos da vida comigo, sejam eles bons ou ruins…

Estava perdido em meus pensamentos quando Ferdinando apareceu, pedindo que nos sentássemos em nossas poltronas e colocássemos o cinto. Estávamos sentados a pequena mesa, trabalhando.

— Vamos pousar dentro de dez minutos. Espero que tenham feito uma boa viagem.

— Fizemos sim, obrigada — Mady respondeu, brindando-o com um sorriso brilhante que fez Ferdinando corar. Nem mesmo o comissário era capaz de resistir a beleza de Mady. Isso me gerou um pequeno desconforto, que ignorei.

Acenei com a cabeça e, como na decolagem, depois de me sentar e prender meu cinto, segurei as mãos de Mady entre as minhas, apertando-as gentilmente, fazendo com que ela me desse um olhar de gratidão.

— Sempre estarei com você, Mady, independente do que aconteça.

— Obrigada. — Apertou minha mão, e não disse mais nada.

Ficamos em silêncio até pousarmos no Aeroporto Internacional de Sydney e desembarcamos, por volta das quatro da manhã no horário local. O voo tinha tido um pequeno atraso na conexão em Shanghai, mas nada que fosse tão grave. O tempo estava ruim, e precisamos esperar um pouco para pousar e decolar. Estávamos exaustos da viagem prolongada, mesmo que tivéssemos dormido um pouco durante o voo. Era cansativo ficar preso em um mesmo lugar e não ter as comodidades de um quarto. Mas estava feliz por finalmente a próxima etapa do meu plano estar em andamento, e isso me deu uma grande satisfação. Finalmente estava na Austrália, país em que eu seduziria Mady.

Depois de cumprimentar o comissário, o piloto e o co-piloto pela viagem tranquila, esperamos que nossas bagagens fossem entregues e nos direcionamos para a fila de táxi, que diferentemente dos carros amarelos que encontrávamos em Nova Iorque, eram brancos. O motorista colocou as bagagens no porta-malas e Mady sorriu para ele quando abriu a porta do passageiro para que ela entrasse, dando a volta no veículo.

— Boa noite — cumprimentou-nos com seu sotaque australiano anasalado, que pulava as letras. —. Aonde vamos?

— Para a Hickson Rd — Mady falou, e o motorista assentiu.

Não demorou muito e chegamos ao nosso destino. Confesso que estava acostumado a me acomodar em hotéis de luxo por todo o mundo, mas esse me surpreendeu pela suntuosidade da fachada de pedra em tom creme, com detalhes em ferro fundido pintado de preto, e pelo seu tamanho, o que poderia jogar por água abaixo todos os meus planos. Mady tinha falado que íamos nos hospedar no local e que tinha reservado dois quartos para nós, porém não tinha dado muita importância para o fato.

Depois de pagar o motorista e ter nossas malas levadas por um funcionário responsável pela recepção dos hóspedes, entramos no lobby e nos aproximamos do balcão para fazer o check-in.

— Boa noite, senhor e senhora. Em que posso ajudar? — uma mulher jovem, uniformizada e com os cabelos bem presos em um coque, nos cumprimentou.

— Temos duas reservas, uma em nome de Phillips Brown e outra na de Madeline Jameson.

— Documentos, por favor. — Eu e Mady demos os documentos a ela, que agradeceu.

— Só um momento, por favor. — Digitou algo no computador, acredito que nossos nomes, e olhou para os documentos por diversas vezes. — Encontrei uma reserva na suíte ópera em nome de Phillips Brown, porém não encontrei nenhuma reserva em nome de Madeline Jameson.

Franzi o cenho e vi Mady retesar o corpo.

— Bom, eu tinha feito a reserva de dois quartos, não estou ficando doida. — Pegou o celular de dentro da bolsa e começou a mexer nele, mostrando a tela para a recepcionista. — Aqui está o e-mail confirmando a minha reserva do quarto mais simples.

— Huuum, não sei o que aconteceu, senhora. Aguarde um momento, vou verificar o que houve com o gerente. Com licença. — Assentimos e ela se levantou, caminhando até uma portinha e entrando por ela.

— Isso nunca tinha acontecido antes — Mady falou quando ficamos sozinhos na recepção. Seu semblante estava pálido, e ela mexia as mãos em um gesto nervoso. Provavelmente, considerando uma falha profissional. Aproximei-me dela e coloquei minha mão em seu ombro.

— Relaxe, Mady. Coisas assim acontecem. — Tentei acalmá-la. — Tenho certeza que deve ter sido apenas um erro do sistema. O e-mail confirma a reserva feita.

Ela assentiu, porém não disse nada. Ficamos aguardando em um silêncio desconfortável, até que um homem alto e mais velho surgiu, acompanhado da recepcionista.

— Senhor Brown e Senhora Jameson — cumprimentou-nos com uma inclinação —, temo que houve um problema no site de reservas em que foi feita a solicitação e não foi passada essa informação para nós. Pedimos desculpas pelo transtorno.

Ergui uma sobrancelha para ele e Mady permaneceu estática, atônita. Vê-la assim, se martirizando por dentro por um erro que não foi dela, fez a raiva tomar conta das minhas veias.

— Isso não será um problema, não é? — ameacei-o em um tom autoritário, tomando as rédeas da situação. — Tenho certeza que vocês darão um quarto melhor para ela pelo inconveniente, já que o hotel é parceiro do site em que ela fez a reserva.

O homem balançou a cabeça e engoliu em seco.

— Temo que não, senhor. Pedimos desculpas, mas infelizmente não temos nenhum quarto disponível no momento.

Mady se encolheu ainda mais ao receber a notícia, fazendo-me perder a cabeça.

— O quê? — gritei e gesticulei, demonstrando o tamanho do hotel. — Como não? Olha o tamanho disso! Vocês vão se ver com meu advogado…

— Senhor, é final de ano e estamos lotados… — Cerrei os dentes e ele engoliu em seco novamente. — Posso dar a ela algumas diárias de cortesia quando ela voltar em outra ocasião…

— Isso não é o suficiente…

— Phill — sussurrou baixinho, pegando minha mão que estava rente ao corpo —, não precisa disso. Posso procurar um outro hotel, um até mais barato. Sei que você gosta que eu sempre fique por perto, mas posso procurar um próximo daqui.

— Não, isso não é certo. Olha só para você, Mady, mesmo que você tenha dormido durante o voo, seu cansaço é visível. A mudança de fuso-horário acaba com qualquer um.

— Bem, isso é verdade… — Suspirou. — Mas o que faremos?

— Sei que não é correto sugerir uma coisa dessas — o gerente pigarreou —, mas a suíte em que o senhor ficará é grande, poderiam dividi-la…

— O quê? — Mady arregalou tanto seus olhos castanhos, que pensei que iriam sair das órbitas. — Isso é um absurdo!

— Mas, senhora, o local pode receber uma família grande, mesmo que tenha apenas um quarto. Já tivemos muitas pessoas com crianças hospedadas na suíte ópera. — O gerente engoliu em seco, e vi gotas de suor escorrerem pelo seu rosto.

— O senhor não está entendendo — respirou fundo, tentando se controlar —, ele é meu chefe, não meu parente!

Confesso que a frase dela fez surgir uma pontinha de incômodo, mas ela tinha o seu quê de razão, a ideia era absurda, deliciosamente absurda. Eu deveria estar achando ruim, porém, como o canalha que eu estava me tornando, estava parabenizando a ideia do gerente.

Sabia que não faríamos nada esta noite, pois estávamos cansados, e ela precisaria de tempo para aceitar a ideia. Mas a possibilidade de tê-la perto de mim novamente, sentir a intimidade que compartilhamos no avião, fez com que eu ficasse eufórico e milhares de ideias surgissem em minha mente. Sem querer, o gerente tinha me dado uma oportunidade perfeita para ficarmos, mais uma vez, à sós.

Parecia que o destino estava mexendo seus pauzinhos para nos juntar.

— Mas, senhora…

— Phill, o que faremos? — Voltei minha atenção para ela.

— Compartilhar comigo um quarto te incomoda, Mady?

— Não acho que seja certo. Sou sua secretária, não a sua am… — interrompeu-se, dando-se conta do que ia dizer. Arqueei as sobrancelhas, intimando-a a continuar, mas Mady se calou.

— Só iremos dormir, Mady. Estamos cansados, o dia está quase amanhecendo. — Estava sendo realmente um canalha, sabia disso, mas precisava tentar. — Quando descansarmos, podemos ver o que faremos.

— É errado. Não somos nada um do outro…

— Somos amigos, Mady — Suspirei fundo. — É o que temos para agora… — Doía saber que eu não era nada dela, porém tinha que conviver com isso...por enquanto.

Ficou em silêncio por alguns minutos. Entendia a batalha interna que ela estava travando, pois ia completamente contra sua ética de trabalho. Eu que, no que tangia a Madeline, não tinha nenhum escrúpulo.

— Tudo bem. — Acabou concordando. — Essa discussão me deixou ainda mais cansada e estou mesmo louca por um banho.

— Desculpe o transtorno, senhora. Faremos de tudo para compensar a sua estadia conosco.

Mady apenas concordou com a cabeça.

Depois de pedir que assinássemos um papel de entrada no hotel, entregou os nossos documentos e nos desejou uma boa estadia. Um carregador ia levar nossas malas para cima. A recepcionista nos entregou o cartão magnético que abria a suíte e indicou o andar onde ela ficava.

Subimos no elevador em silêncio e, ao chegarmos na suíte, adentramos a sala de estar, em tons cremes e terrosos, com grandes janelas de vidro que nos permitiram ver parte da baía de Sydney. Caminhamos até o quarto, sem jeito, observando a cama ampla, que acomodaria duas pessoas confortavelmente. Estávamos tensos pela possibilidade, apesar de que eu achava que era por motivos diferentes.

— Vou tomar um banho — Mady, que estava sentada na cadeira da mesinha de canto, disse, depois que o carregador colocou nossas malas no quarto. — Estou precisando.

— Tudo bem, vou esperar na sala de estar. — Queria dar a ela mais privacidade. — Vou depois de você.

Apenas assentiu com a cabeça e foi até sua mala pegar suas coisas. Deixei o quarto sem dizer nada e sentei-me no sofá quando ouvi o barulho do chuveiro sendo ligado. Imagens com ela tomando banho sobrepujou qualquer cansaço que eu sentia, deixando-me em alerta. A imagem da água quente escorrendo pelo seu corpo nu esbelto testava todo meu autocontrole.

Não sei quanto tempo fiquei sonhando acordado com imagens eróticas de Mady nua, só sei que, como sempre, estava adorando cada uma delas.

— Phill — chamou-me, fazendo com que eu desse um pulo e virasse minha cabeça em direção a sua voz que vinha do corredor que levava ao quarto.

E quando fixei meus olhos nela, perdi o fôlego. Os cabelos negros e longos caíam pelas suas costas, deixando-a ainda mais linda, coroado por uma camisola vermelha de renda que moldava todas as suas curvas e deixava o topo dos seus seios à mostra. Seios que subiam e desciam rapidamente despontavam pelo decote, denunciando seu estado de espírito. Suas pernas torneadas e longas, que a camisola deixava descobertas, não pareciam ter fim. Eu já podia imaginá-las contornando minha cintura enquanto eu cravava meu pau nela com velocidade.

Minha boca secou com a imagem e foi impossível conter minha ereção, que pulsava insanamente dentro da minha cueca. Não me lembrava de ter tido uma tão grande assim.

Puta merda! Estava fodido.

— Eu… Eu… — Ficou vermelha de vergonha. — Só trouxe essa roupa para dormir, não esperava que teríamos que compartilhar o mesmo quarto.

— Tudo bem, Mady — me forcei a dizer —, ninguém poderia prever isso.

— Okay.

— Bom, vou tomar um banho. — Levantei-me, tentando disfarçar minha ereção, porém, não devo ter sido bem-sucedido, tendo em vista o olhar brilhante que Mady me lançou.

Merda!

Caminhei em direção ao banheiro, me questionando se a ideia do gerente realmente tinha sido genial, como pensei em um primeiro momento. Despi-me das minhas roupas, entrando debaixo do chuveiro, deixando a água fria escorrer pelo meu corpo. Nem mesmo o contato com o gelado foi capaz de diminuir a ereção dolorosa que surgiu nas minhas pernas. Tinha que acalmá-la de outra forma, e usei a imagem de Madeline, vestida com aquela camisola vermelha rendada, como incentivo. Suas pernas longas abraçando o meu torso enquanto estocava para dentro dela, sentindo seus músculos internos me apertarem enquanto a tomava, com o tecido friccionando entre os novos corpos...

Passei as mãos pelo meu abdômen retesado e as aproximei do meu pau. Rodeando meu membro com os dedos, comecei a me movimentar para cima e para baixo, percorrendo toda a extensão lentamente, apertando-o com pressão em uma tentativa de imitar a contração da sua vagina. Quanto mais fantasiava com a ideia de enterrar-me em Madeline, mais aumentava a cadência, em uma busca desesperada pelo orgasmo. Estava cansado de buscar o êxtase dessa forma, porém era o que eu tinha no momento.

Quando a imagem dela revirando os olhos e rebolando com mais afinco no meu pau tomou a minha mente, foi impossível conter meus gemidos, que saiam cada vez mais altos pelos meus lábios. Esperava que o som da água escorrendo fosse suficiente para abafá-los um pouco. Porém, meu corpo perverso se deliciou com a possibilidade dela estar escutando, e isso agiu como um afrodisíaco em minhas veias, levando-me a um orgasmo que não me satisfez como gostaria. Ainda estava duro e meu pau latejava de desejo. A punheta que bati para Mady não me ajudou como das últimas vezes. Eu precisava me enfiar nela, e logo.

Suspirei fundo. Porra! Sobreviver a essa noite ao lado dela seria mais difícil do que eu imaginava.