A paixão do CEO
Capítulo doze
Acordei com um braço em cima do meu tronco e uma respiração suave fazendo com que os fios do meu cabelo fizessem cócegas no meu nariz. Não podia negar que dormir assim era muito bom. O corpo grande e esguio de Phill proporcionava um calor gostoso que me fazia sentir cuidada e protegida, algo que nunca fui capaz de sentir com os homens com quem já tinha dormido.
Suspirei. Nutrir esses sentimentos pelo meu chefe não poderia ser mais errado, mas, ao mesmo tempo, parecia tão certo! Era como se meu corpo tivesse sido feito para os braços dele.
A noite de ontem foi, simplesmente, maravilhosa. Nunca pensei que poderia me sentir tão bem perto de um homem. Phill sempre fez de tudo para me agradar, porém, ao assistir uma comédia romântica comigo e me deixar aconchegar nele, acabou por quebrar algumas das barreiras impostas pela minha racionalidade. O gesto me fez desejar algo que nem sabia que poderia sentir. Algo bem mais forte e pungente do que já tinha sentido em toda minha vida. Mas eu não podia alimentar essa ânsia, pelo contrário, tinha que sufocá-la o máximo possível. Não queria acabar estragando tudo ao me deixar levar pela impulsividade. Eu poderia sair dilacerada e sem a camaradagem que eu tinha com ele, o que tanto apreciava.
Maneei levemente a cabeça. Afastei-me dos braços dele e sentei-me na cama, passando a mão no rosto.
— Mady? — sua voz soou rouca, e olhou diretamente para mim.
Seus cabelos negros bagunçados e o olhar sonolento o tornavam ainda mais sexy e lindo. Como seria acordar com ele todos os dias?, reprimi o pensamento logo que ele surgiu na minha mente.
— Que horas são? — perguntou.
Peguei meu celular e verifiquei. Embora o quarto estivesse escuro pelas cortinas fechadas, o sol já tinha raiado.
— São dez para sete.
— Ainda temos muito tempo até o nosso encontro com o agente imobiliário. Venha, Mady — esticou o braço para mim —, volte a dormir. Estava tão bom.
Maneei a cabeça em negativa e ele se mexeu na cama, inquieto.
— Aconteceu alguma coisa?
— Não, claro que não.
— Então, por que você está assim, tão arredia? — Sentou-se em um rompante, parecendo sério.
— Isso não está certo.
— O quê, Mady?
Fiquei em silêncio buscando as melhores palavras para me expressar.
— Você é meu chefe, Phill.
— Mady — pegou minha mão —, eu nunca faria nada que você não quisesse. Sei que saiu de um relacionamento recentemente e o quanto ainda está magoada e ferida. Não vou negar que sinto algo forte por você, algo que não é passageiro — colocou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha —, e esperarei o tempo que for preciso. E se você não quiser nada comigo, mesmo assim quero que continue sendo meu braço direito e que nada mude entre nós. Eu preciso de você… — Levou minha mão aos lábios, plantando um beijo suave e terno, mas mantendo seu olhar no meu.
Fiquei sem palavras. Lágrimas de emoção, felicidade e algo que não sabia definir, escaparam dos meus olhos. Novamente, desmoronei na sua frente. Nunca nenhum homem tinha sido tão terno e romântico comigo.
Enquanto eu chorava, puxou-me para seus braços e eu não protestei, colando meu rosto ao seu peito, sentindo seu coração, que batia ritmado. Ficamos assim por um tempo, até que o sono me envolvesse novamente.
— Mady, acorda — sacudiu-me gentilmente —, se não vamos atrasar para o nosso encontro com o corretor.
— Hmm… — Remexi na cama, querendo dormir mais um pouco, e ele deu um beijinho na minha testa.
— Já são nove da manhã.
Levantei-me rapidamente pelo susto, passando a mão pela face, indo em direção a minha mala. Phill já usava uma calça jeans escura e uma blusa social de manga comprida, e um blazer caro e sob medida estava pendurado no encosto da cadeira. Estava impecável. Nem me lembrava de ter sentido ele sair da cama.
— Por que você não me acordou antes?
— Você parecia um anjo dormindo e não quis te acordar. — Deu de ombros.
— Puff… você sabe o quanto odeio estar atrasada — bufei enquanto pegava uma saia-lápis vermelha, uma blusa branca e um conjunto limpo de peças íntimas.
— Sei disso, senhorita eficiente — piscou para mim, quando passei por ele —, vou te esperar na sala de estar.
Tomei um banho rápido, passando o creme hidratante no corpo o mais rápido que pude e comecei a me vestir. Quando me olhei no espelho tomei um susto, meu cabelo estava todo embolado e desgrenhado e meu rosto amassado por dormir demais. Escovei-o, prendendo-o em um coque alto, e fiz uma maquiagem leve para o dia, e isso era o melhor que conseguiria em pouco tempo. Arrematei o visual com um brinco dourado longo, um presente dado por Jane no Natal passado.
Pegando meu celular e minha bolsa, caminhei até a sala de estar e vi Phillips mexendo no notebook enquanto me esperava.
— Vamos? — Ele levantou os olhos do computador e percorreu-os por todo meu corpo, fixando o olhar na minha saia.
— Uau, Mady. Está linda — disse, enquanto fechava o notebook e o colocava na sua pasta.
— Não tem nada demais. — Dei de ombros. — Pronto?
— Sim, vamos, antes que, realmente, nos atrasemos.
Assenti, concordando. Deixamos o hotel, indo em direção a nossa reunião, que seria em um café na Surry Hills, uma área conhecida pelas cafeterias elegantes e pelo cenário cultural que pulsava na região.
Confesso que ao entrar no taxi e ter Phillips sentado ao meu lado, me fez sentir um pouco nervosa, pois as palavras carinhosas dele começaram a ecoar na minha mente, como um mantra.
Não sabia como ficaríamos depois da declaração dele, mas esperava, do fundo do meu coração, que continuássemos a compartilhar a mesma camaradagem e as longas conversas. Sabia que eu sentia desejo por ele, pois aquele sonho erótico não me permitia negar, porém tinha medo de me deixar levar por ele, por mais que as palavras de Phill soassem verdadeiras.
Acreditava que, diferentemente de Robert, Phillips não me enganaria, contudo uma pontinha minha tinha medo de que tudo não passasse de mentiras, que era só para me levar para cama. Era uma boba por pensar isso do meu chefe e amigo, ainda mais que ele nunca tinha feito nada que quebrasse um pingo da minha confiança. Pelo contrário, parecia que a cada dia que passava, nossa relação se solidificava ainda mais.
Sabia que estava agindo como a covarde que eu sempre fora, em não dar vazão aos meus desejos com medo de exigir dele mais do que Phill poderia me dar. Afinal, eu era uma mulher solteira e poderia ir para cama com quem eu quisesse. Porém, eu precisava de mais tempo para refletir e enxergar a verdade que se esfregava bem debaixo do meu nariz, que acabaríamos na cama, independentemente se esse relacionamento tivesse futuro ou não.
Maneei a cabeça e tentei afastar esses pensamentos. Tinha que focar toda minha atenção na reunião que teríamos.
— Tudo bem, Mady? Você parece dispersa.
— Estou bem sim, obrigada. — Abri o melhor sorriso que eu podia e ele ergueu uma sobrancelha.
— Okay. — Parecia não acreditar nas minhas palavras, porém não disse mais nada.
Permanecemos em silêncio o resto do trajeto. Não chegamos tão atrasados como pensávamos que iríamos. Nos encontramos com o corretor na porta da cafeteria e, assim que o cumprimentamos, entramos, sendo encaminhados para uma mesa mais reservada. Pedimos um café preto e um prato de ovos com torradas, e nos colocamos a discutir sobre os edifícios que estavam indo a leilão.
Passamos o resto da manhã conversando sobre detalhes do empreendimento. Resolvemos ir a um restaurante nas redondezas para almoçarmos, e, em seguida, pegamos um táxi e nos dirigimos até a Wolli Creek, onde se localizavam os edifícios, e gastamos boa parte da tarde analisando tudo.
Confesso que durante a reunião fiquei bem reticente quanto ao potencial do negócio. Mesmo que em um primeiro momento parecesse que seria bem lucrativo para Phill, pois, embora o bairro fosse antigo, os prédios ficavam apenas a dez quilômetros de distância do centro comercial de Sydney, o que poderia ser um diferencial, quando o corretor disse que foram tomados pelo governo, porque os antigos donos sonegaram impostos, fazendo com que estes fosse posto a leilão, isso me incomodou. Além disso, algumas unidades já se encontravam alugadas, e, por lei, os inquilinos não poderiam ser tirados de lá.
Durante toda a visita, permaneci em silêncio, registrando em um tablet todas as observações feitas pelo Phillips.
— Parece um bom investimento, embora tenhamos que reformar as unidades vazias, a fachada e a portaria — Phill disse, depois de terminarmos de olhar os dois edifícios a venda e os apartamentos. — Porém, sabe como é, nunca entro em um negócio sem estudá-lo previamente. Preciso de um período para mobilizar minha equipe de técnicos para examinar detalhadamente os prédios e o quanto custará tudo isso. E também estimar o tempo que levarei para recuperar meu investimento.
— Claro, claro — Osborne, o corretor, disse em seu inglês nasalado. — Mas tenho certeza que os estudos provarão que comprar esses edifícios, por um valor muito abaixo de mercado, será um bom investimento.
— Acredito que sim, mas veremos. Você pode me enviar um e-mail com todos os detalhes que me apresentou hoje?
— Com certeza. Assim que chegar no meu escritório, encaminharei tudo o que o senhor precisar.
— Agradeço.
— E quanto a Ilha Pumpkin, senhor? — A ansiedade para realizar um bom negócio e, consequentemente, ganhar uma boa comissão, era evidente no rosto de Osborne.
— Como sabe, iremos para a ilha amanhã. Eu e Mady estamos indo até lá a pedido dos meus acionistas, que pediram que eu analisasse pessoalmente o local. Não sei quanto tempo ficaremos na Pumpkin, porém acredito que antes do ano novo fecharemos o contrato.
— Perfeito. Esse ano não abrimos a temporada para hóspedes, porém pedi ao gerente da ilha que deixasse tudo organizado para os senhores, e que a equipe estivesse a postos para atendê-los.
— Okay. Então é isso. — Estendeu a mão para Osborne, que a apertou em um cumprimento.
— Qualquer coisa que precisar, pode me ligar que eu providenciarei.
— Obrigado.
— Até mais senhor Brown, senhorita Jameson.
— Até. — Sorri para o homem calvo, que sorriu de volta e começou a andar até o ponto de táxi.
— Vamos, Mady? — Phillips se virou para mim com as mãos dentro dos bolsos da calça, observando-me.
— Só deixa eu terminar de anotar algumas coisas. — Digitei freneticamente no tablet e salvei meus apontamentos. — Pronto, podemos ir.
— Você estava tão calada, Mady — falou enquanto caminhávamos até o veículo —, o que achou de tudo?
— Eu estava apenas observando e atenta ao que você dizia — disse uma meia-verdade assim que entramos no táxi. — Acho que vale a pena estudar mais o empreendimento, embora seja bastante trabalhoso torná-los dentro dos padrões da J&P. Mas, se a empresa conseguir comprá-los por um preço apenas um pouco mais acima do que eles estão pedindo no lance inicial, pode ser muito lucrativo, pois esse bairro tem de tudo e é próximo ao centro.
— Isso é verdade. — Coçou a barba. — Só não sei se será mais lucrativo vender os apartamentos ou alugá-los. Confesso que me surpreende que os antigos proprietários não tenham pensado na primeira alternativa.
— Realmente, é bastante estranho…
Ficamos conversando durante todo o percurso sobre os edifícios, e pude perceber a centelha de empolgação brilhando nos olhos verdes de Phill por saber que efetuar a compra poderia ser uma oportunidade de ouro. Ver a vivacidade do meu chefe enquanto falava fazia com que um calorzinho tomasse meu peito. Tinha muita admiração e orgulho do homem de negócios que ele era. Sem dúvidas, era muito bom trabalhar para Phillips e, principalmente, estar com ele.
— Mady?
— Sim?
Assim que chegamos no hotel, tomamos um banho para tirar o suor do corpo e nos colocamos a trabalhar. Poderíamos estar fora do nosso país, em um lugar muito mais bonito que Nova Iorque, mas coisas que Miller não conseguia resolver sozinho não paravam de chegar. O trabalho sempre nos perseguia.
— Que tal jantar fora hoje? Tem um restaurante de frutos do mar que fica na região de Tumbalong e que parece ter uma comida muito boa. Poderíamos passear na praia depois.
— Humm, parece ótimo. Estava doida para ver algo que não fosse da janela do táxi. Ainda nem tivemos tempo de pisar na praia particular do hotel. — Ri, deliciada. — Mas não precisa de reserva? Você gosta desses lugares de gente de nariz em pé.
— Eu dou meu jeito — gargalhou —, com certeza meu dinheiro pode comprar uma reserva de última hora.
— Okay.
— Combinado.
— O que devo vestir? — Fiquei insegura de repente, não queria parecer deslocada no local.
— Um terninho?
Balançou a cabeça e se aproximou de mim, tomando meu rosto entre os dedos.
— Não precisa de tanta formalidade, Mady. Aquele vestido preto rendado na barra que vi você tirando da mala parece muito bom para mim. Ficará perfeito.
— Não sei…
— Confie em mim, Madeline. — Acariciou a lateral da minha face e me soltou, o fogo ardia em seu olhar.
Engoli em seco com as sensações que me invadiram, porém tentei ignorar cada uma delas, mas sem sucesso. Phillips tinha a capacidade de destruir minha determinação em não ceder a essa atração.
— Okay. Quer se arrumar primeiro? — minha voz saiu mais fraca do que eu gostaria, fazendo com que um sorriso safado brotasse nos lábios dele, acordando todas minhas terminações nervosas.
— Se não for um problema para você.
Balancei a cabeça negativa.
— Vou esperar você aqui — sussurrei e ele não disse mais nada, apenas se afastou.
Enquanto ele adentrava ao corredor indo em direção ao quarto, caminhei até a sacada e olhei para as estrelas que surgiam no céu.
Manter minha determinação seria mais difícil do que eu pensava.