A paixão do CEO

Aline Damasceno · Capítulo 3 de 24

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A paixão do CEO

Capítulo um

 

Dias atuais...

 

Estava atrasada.

Não sei por que resolvi dormir na casa do meu namorado no dia anterior. Talvez fosse mais uma tentativa furada de salvar meu relacionamento, porém a noite foi mais do mesmo, cada um no seu canto. Nossa relação ia de mal a pior desde o aniversário da empresa onde trabalhava. Robert não gostou nada do meu chefe, principalmente pelo CEO ter me chamado de Mady, tratando-me com informalidade, o que ele considerava bastante impróprio. Meu namorado pediu várias vezes para que eu abandonasse meu emprego que tanto amava. Por mais que eu gostasse dele, não me demitiria somente para agradá-lo, e isso deixava-o cada vez mais irritado e indiferente. Phillips me pagava muito bem, e, além disso, valorizava meus conhecimentos financeiros. Não sabia quantas noites nós dois tínhamos virado, discutindo os detalhes dos investimentos que ele fazia. Sabia que, para o meu chefe, eu não era apenas sua secretária, mas o seu braço direito, embora Phil tenha passado a me evitar depois que conheceu Robert. Achei estranho, mas como precisava do emprego, não disse nada.

Homens… Balancei a cabeça, nem tentava entendê-los.

Quando estava prestes a embarcar no metrô que me levaria para a Park Avenue, onde ficava a filial-mãe da empresa, recordei-me que tinha esquecido meu hd externo conectado ao computador de Robert.

Droga!

Passei a noite inteira revisando algumas informações da Ilha Pumpkin, na Austrália, a pedido de Phillips, e todas as minhas anotações estavam salvas no dispositivo.

Em breve, o senhor Brown fecharia o contrato de compra da pequena ilha na Barreira de Corais, e, embora meu chefe confiasse no responsável pelo setor financeiro, sempre me pedia para dar uma olhada nas planilhas de orçamento. A ilha tinha uma vertente sustentável e contava com alguns bangalôs de frente para o mar, um heliporto e um bar mas teríamos que construir mais acomodações de luxo para ter condições de hospedar um número maior de pessoas, mas, ao mesmo tempo, garantindo a privacidade dos clientes. Portanto, tínhamos que saber, por base, quanto iríamos gastar em melhorias e em quanto tempo o empreendimento passaria a gerar lucros.

Como secretária dele, não fazia parte das minhas atribuições verificar as planilhas de gastos, que era de responsabilidade do setor financeiro, e nem analisar os projetos, porém Phillips sempre me pagava um dinheiro extra pelas minhas observações, que vinha muito a calhar no final do mês. Além de que isso me permitia exercitar tudo aquilo que tinha aprendido na Escola de Negócios da Universidade de Nova Iorque.

Então, tinha que voltar para buscar meu hd, pois repassaria com ele todos meus apontamentos na parte da tarde. Peguei meu celular, olhando as horas, e vendo que estava mais atrasada do que imaginava, enviei uma mensagem para Phillips.

Mady

Vou me atrasar, esqueci o hd em casa. Você tem uma reunião às

10 horas com a equipe de Marketing. Pedirei para uma das estagiárias

organizar a sala.

Phillips

Ok!

Não estranhei sua mensagem seca, provavelmente ele tinha tido outra noite terrível de insônia. Ele ficava com o humor péssimo quando não dormia bem, e isso repercutiria pelo resto do dia. Suspirei, cansada. Deixei uma mensagem para Danny, pedindo para que organizasse a sala para mim, e assim que recebi sua confirmação, saí da estação de metrô, correndo nos meus saltos, e tomei o primeiro táxi que vi passando, indicando o endereço de Robert.

O trânsito para o bairro onde meu namorado residia não era tão caótico quanto o de Manhattan, mas, mesmo assim, demorei meia hora a mais do que o necessário para chegar lá. Pedi que o taxista me esperasse, me encaminhei para o prédio de tijolos vermelhos antigos e subi os degraus, apressada, até o andar onde o apartamento de Robert ficava.

Quando me aproximei da porta, ouvi uns gemidos e gritos altos e balancei a cabeça em negativa. As pessoas não tinham senso e respeito pelos vizinhos.

Fiquei alguns segundos, que me pareceram intermináveis, procurando minha chave na bolsa enquanto ouvia a transa de alguém, sons que ficavam cada vez mais estridentes e intensos. Parecia que vinham de um apartamento próximo. Assim que coloquei a chave na fechadura e abri a maçaneta, meu coração gelou no peito. Vi uma calcinha e um vestido jogados no tapete da sala, junto ao samba-canção que Robert costumava usar.

Não podia ser, era apenas um engano. Não queria acreditar nisso.

Não fazia nem uma hora que o deixei ali, trabalhando no seu escritório.

— Robert — chamei, sentindo o ódio e a raiva se acumularem nas minhas veias e corri até o seu quarto, com o som dos meus saltos altos e do meu coração ecoando nos meus ouvidos, como se perfurassem meus tímpanos. Assim que adentrei o quarto, a cena que vi me chocou: uma loira de cabelos compridos e siliconada, que reconheci ser uma vizinha dele, estava de quatro, gritando e gemendo, enquanto ele metia nela por trás. Os olhos reviravam nas suas órbitas, provavelmente, estava quase alcançando o ápice.

— Robert! — gritei para que ele me ouvisse, e meu namorado parou de imediato o que estava fazendo. A loira saiu da posição e se cobriu com um lençol, olhando para mim com escárnio.

— Mad? O que você está fazendo aqui? — questionou, chocado.

— Eu é que pergunto o que está acontecendo. O que significa isso? — Apontei para os dois.

— Então você não sabe, querida? — a mulher inquiriu, maliciosamente, fazendo com que eu a encarasse. — Toda vez que você sai, fica até mais tarde trabalhando, ou quando passa o fim de semana no seu apartamento, Bert me procura. Acho que sou mais quente e disposta. Pelo que ele me contou, você é muito sem-sal.

O fato de Robert nem ao menos tentar me defender, ou se justificar, foi como se uma adaga afiada desse um golpe fatal no meu coração e no meu ego. Tudo que ele me falava na cama eram mentiras atrás de mentiras.

— Como pôde? — Voltei meu olhar para ele. Lágrimas quentes de tristeza e raiva desciam pelo meu rosto. — Como pôde fazer isso comigo? Por que simplesmente não terminou?

Sabia que nosso relacionamento estava em uma fase ruim, mas isso não justificava sua traição, nem mesmo ele ter contado para outra minha suposta frigidez. Eu gostava dele, não sei se chegava a amá-lo completamente, mas esperava que tivéssemos um futuro juntos, e isso aumentou ainda mais minha mágoa.

— Ela está mentindo, Mad. Foi só dessa vez, ela bateu aqui e me sed… — Desviou o olhar, confirmando para mim que mentia, deixando-me com o coração ainda mais quebrado.

— A quanto tempo? — A loira usou as mãos para contar, indicando o número cinco.

— Cinco anos ou cinco meses? Quer saber, não importa, acabou — gritei, extravasando a minha dor por ter minha confiança nele quebrada.

Se levantou da cama, ainda nu, sob o olhar de deboche da loira, mas eu saí do quarto, não aguentava mais ver aquilo. Era muita humilhação.

Ouvi seus passos vindo atrás de mim, porém o ignorei. Já estava quase saindo do apartamento, quando Robert puxou meu braço, forçando-me a olhar para ele por de trás das lágrimas.

— Não faça isso, Mad. Eu te amo…

— Chega, não quero ouvir suas calúnias e nem saber de mais nada — cortei-o.

— Não… Nós somos tão bons juntos…

— Nunca fomos. — Balancei a cabeça em negativa.

— Quer saber, Mad? A culpa é toda sua! Se tivesse me ouvido e largado seu emprego, tudo seria diferente. Mas não, você preferiu continuar, seu trabalho sempre foi mais importante do que eu, e não quis deixar o seu precioso chefe. Quem garante que você não dormiu com ele? Vive chegando tarde e até mesmo passou alguns finais de semana ao lado dele, “supostamente” trabalhando. Ele nem esconde a intimidade com que a trata. Está na cara que você tem alguma coisa com esse homem. Não venha se fazer de santa. Você é ambiciosa, quer subir na carreira mais rápido, não é?

Desvencilhei-me do seu aperto e desferi um tapa estalado no seu rosto, deixando uma marca vermelha da minha mão na sua pela branca. Instintivamente, ele passou a mão pela face, olhando-me incrédulo.

— Como ousa insinuar isso? Durante todo nosso relacionamento, eu fui fiel. Mas você é um canalha mesmo. Estava esse tempo todo me traindo, e agora quer colocar a culpa em mim, me acusando de gananciosa?

Robert soltou uma risada de desdém, como se não acreditasse nas minhas palavras. Aquilo foi a gota d'água.

— Não importa, não vou ficar me justificando para um filho da puta que nem você. Não quero nunca mais te ver. Pode jogar minhas roupas, e tudo o mais que tiver meu aqui, fora.

— Pode ir, sua...

Não o deixei completar a frase e dei mais um tapa na cara dele, deixando-o mudo. Sabia o que ele iria dizer, e ouvir a confirmação das palavras da loira vindo de sua boca me desestabilizaria ainda mais.

Não me recordava de ter perdido tanto o controle assim antes, e odiava esse meu lado. Tinha que ir embora, antes que fizesse algo que me arrependeria ainda mais.

Mesmo entorpecida, me lembrei do motivo de ter ido até ali, então fui rapidamente para o quarto onde deixei o meu hd para apanhar o único item que, realmente, não podia deixar naquela casa. Voltei para a sala, onde ele ainda estava parado com a mão no rosto, parecendo não acreditar no que estava acontecendo, peguei a chave do meu apartamento que tinha deixado com ele no aparador, abri a porta e desci as escadas o mais rápido possível. Como ele estava nu, não poderia me seguir, e acho que nem o faria depois dos tapas.

Deixei o prédio com a visão embaçada pelas lágrimas, que ainda teimavam em cair, e adentrei no táxi que estava me esperando.

— Tudo bem, moça? Posso fazer alguma coisa por você? — perguntou-me, gentilmente, vendo meu rosto avermelhado e molhado, provavelmente estranhando minha tristeza.

— Não, não. — Sequei as lágrimas com as costas das mãos e dei um sorriso fraco para ele. — Apenas me leve a Park Avenue, nº 432.

— Claro. — Subiu o vidro que separava a cabine do motorista e do passageiro, e se pôs a caminho.

Durante o percurso até o trabalho, peguei meu celular e bloqueei o número do Robert para que ele não tentasse entrar em contato comigo. À noite, eu iria avisar o porteiro para não mais autorizar sua entrada no prédio e embalaria suas roupas e pertences, doando-os a alguém que precisasse delas.

Assim que saí do táxi, respirei fundo, tentando me acalmar. Por mais que as lágrimas de raiva e tristeza teimassem em cair, embora estivesse tentando contê-las, e que meu coração estivesse sangrando no peito com a dor da traição, precisava me recompor. Não queria que ninguém visse meu estado lastimável, muito menos meu chefe.

Passei correndo pela portaria, sem ao menos cumprimentar as pessoas que estavam ali trabalhando, e fui direto para o banheiro para lavar meu rosto e arrumar a maquiagem.

Agiria como se não tivesse acontecido nada comigo.

Depois de me deixar um pouco mais apresentável, caminhei até o elevador e apertei o botão do andar onde ficava meu escritório. Assim que cheguei, me pus a correr atrás do tempo perdido pelo atraso.

Mais tarde, no horário do almoço, ligaria para minha irmã e lamberia minhas feridas. Ela era a única que poderia me consolar nesse momento e que eu deixaria me ver quebrada. Já bastava o traste e sua loira siliconada terem me visto assim...