A paixão do CEO
Capítulo dois
— Sei que falta um pouco mais de um mês para o final do ano, mas depois de analisar o projeto de marketing feito pela equipe para a divulgação dos nossos chalés de luxo, que estamos terminando de reformar nas proximidades de Resurrection Bay, percebi que nossa campanha ainda está muito incipiente e rasa. O que diferencia nossos chalés das hospedagens oferecidas pelos outros hotéis da região? Por que os nossos clientes em potencial nos escolheriam? — Levantei uma sobrancelha, e o gerente do departamento de marketing engoliu em seco enquanto digitava freneticamente no seu notebook, o medo estampado em suas feições. Os outros membros da equipe mantinham-se calados, com receio da minha fúria calma se voltar contra eles. — No plano nem mesmo consta quais revistas e sites nacionais e internacionais farão parte da nossa ação publicitária, e isso é inaceitável.
— Já entramos em contato com alguns veículos de comunicação, mas nada ainda é muito certo. — Limpou o suor da testa com um lencinho.
— Bom, preciso que esteja certo até o final da semana que vem. É um prazo generoso para refazer o projeto com o máximo de detalhes possíveis. Preciso que ele esteja em execução na segunda quinzena de janeiro
Acenou em concordância diversas vezes, pois sabia que seu emprego estava por um fio.
— Claro, senhor, estará, mesmo que tenhamos que fazer hora extra para refazê-lo. — Suava bastante. — Mais alguma coisa?
— Sim, quero um relatório completo de como se encontra o andamento de cada campanha publicitária ativa. Até amanhã à tarde. Isso é tudo.
Depois que todos se retiraram e fiquei sozinho na sala, fui até a janela e me perdi em pensamentos, olhando para os edifícios altos da Park Avenue. Sabia que tinha sido mais ríspido e rígido do que gostaria, mas estava bastante irritado pelo projeto que havia sido apresentado, o que tornou minha dor de cabeça causada pela insônia ainda pior. Não poderia aceitar um trabalho meia-boca, e já fazia um tempo que a equipe estava deixando a desejar, o que, com certeza, me traria problemas futuros. A reunião demorou mais do que eu esperava, tomando o tempo que eu tinha reservado para fazer uns telefonemas para um escritório imobiliário em Sydney. Estava bastante ansioso para avançar na negociação da compra de toda a Ilha Pumpkin para construir mais bangalôs no local. Discutiria os detalhes finais com minha secretária e os passaria para a aprovação dos meus acionistas.
Madeline…
Pensar nela fazia com que meu coração apertasse. Depois que descobri que Mady tinha um namorado, tentei manter-me afastado o máximo possível, porém o mínimo de contato, mesmo que profissional, incendiava meu corpo inteiro. Ver seu sorriso, seu corpo e sentir seu perfume cítrico, me deixavam insano, mesmo que eu não pudesse tê-la. E ter sonhos eróticos, com ela nua na minha cama e com aquela boca carnuda envolvendo e sugando meu pau, não me ajudava em nada. Quando estava perto dela, ainda mais quando viajávamos juntos, eu precisava de uma força hercúlea para não deixar que os sonhos invadissem a minha mente, e acabasse cometendo uma insanidade, tomando-a em cima da mesa do escritório, sem pensar nas consequências.
Tinha que confessar para mim mesmo, não queria apenas sexo com Mady, desejava ela na minha vida. Com o tempo, vi que somente compartilhar a cama com minha secretária não seria mais o suficiente, pois cometi o erro de me apaixonar por ela. E teria que aceitar que esse sentimento era platônico, o que fazia eu odiar ainda mais o namorado dela.
Suspirei, sentindo minha cabeça palpitar com a dor. Tomaria um analgésico qualquer e voltaria para meu escritório, pois tinha muita coisa para fazer.
Estava próximo a porta que levava ao meu gabinete, quando ouvi alguém fungando e chorando. A única pessoa que tinha acesso ao local era Madeline, e pensar nela assim fazia com que uma fúria irracional tomasse conta de mim. Odiava imaginar que ela pudesse estar sofrendo. Mady trabalha para mim há bastante tempo e nunca vi ela levar seus problemas pessoais para a empresa. E nunca descontava nada em ninguém.
Sabia que ela iria se atrasar, mas será que tinha acontecido alguma coisa grave? Já ia virar a maçaneta da porta quando ouvi sua voz chorosa, abafada pelas paredes que nos separavam.
— Robert me traía esse tempo todo, Jane. — Soluçou. — Precisei voltar a casa dele hoje pela manhã, para buscar algo que tinha esquecido lá, e flagrei o safado na cama com uma vizinha, uma loira siliconada. Foi humilhante.
Cerrei os dentes e o punho, esquecendo-me completamente da minha dor de cabeça.
O desgraçado a traía? Tive que respirar fundo para não adentrar naquela sala e perguntar isso pessoalmente. Sei que não poderia me meter na vida pessoal dela, eu era apenas seu chefe, mas, porra, eu era doido pela Mady, e ver ela sofrer por um merda desses me deixava irado.
— E não foi apenas uma vez, Jane — deu uma pausa para tomar ar —, isso acontecia há pelo menos cinco meses, pelo o que entendi, não sei ao certo quanto tempo. Desde a festa de aniversário da empresa, quando ele conheceu meu chefe, que as coisas estavam meio estranhas entre nós, com ele insistindo que eu desistisse de trabalhar. Ele teve a coragem de me culpar por estar me traindo, que fez isso por eu não ter largado meu emprego e por dar mais importância a minha carreira do que a ele. Até insinuou que eu tinha algo com o Phillips. Onde já se viu? Eu nunca faria isso, ele é meu chefe. E Robert deveria saber que não trairia ele com nenhum homem na face da terra.
A afirmação de que eles brigaram depois da festa fez com que meu coração se apertasse, tanto que ignorei a parte que ela disse que nunca transaria comigo.
Sei que não agi de forma correta naquele dia. Fui grosso e me comportei muito mal porque estava a fim de levá-la para cama, porém, no calor do momento, não tinha pensado muito nas consequências que isso poderia trazer para ela. Me portei como um idiota na frente dos dois.
Depois daquela noite, e de ter perdido várias pensando nos meus sentimentos por Mady, percebi que se ela tinha encontrado a felicidade ao lado daquele cara, quem era eu para intervir nisso? Portanto, não esperava que ter me jogado para cima dela, naquela noite, causaria tanta dor a Mady.
Enquanto ouvia o barulho dos seus soluços baixinhos, foi que me dei conta do pior: e se ela tivesse deixado o emprego, como seu ex-namorado queria? Não teria perdido apenas uma boa funcionária, mas meu braço direito, e sentiria falta não só da competente profissional, mas da sua risada, do brilho dos seus olhos castanhos quando exprimia suas opiniões, das horas que passávamos juntos conversando sobre negócios, e às vezes, do passado e dos nossos gostos. Mesmo que eu não pudesse tê-la como mulher, a considerava como uma amiga, embora não conhecesse todos os aspectos da sua vida. E essa possibilidade, a de não a ter perto de mim, fazia com que sangrasse por dentro.
Depois de alguns minutos, que me pareceram horas, os soluços e choramingos cessaram, e ela continuou a falar no telefone.
— Sabe o que é mais humilhante? Robert falou para a amante siliconada dele que sou sem-sal na cama, e ela jogou isso na minha cara. E sabe o que ele fez? Nem tentou se defender. E eu que fiz de tudo para tentar apimentar a nossa relação. — Riu sem humor, mas logo depois, um choro convulsivo tomou conta dela.
Filho da puta! Além de trair ela na cara dura, ainda tinha a coragem de insultá-la na frente de outra mulher. Tive que fazer um esforço descomunal para não dar um soco na parede, estava com ódio dele. Podia nunca ter provado daquela mulher, mas algo me dizia que transar com Mady superaria qualquer sonho obsceno que tive e que me fazia acordar duro, suplicando pelo alívio que só ela poderia me dar, mas que tinha que resolver com minhas próprias mãos.
Havia fogo no olhar dela e seu corpo escultural prometia uma noite muito ardente de sexo. Intuía que ela era insaciável e que eu teria que me esforçar bastante para acompanhá-la. Só de pensar nessa possibilidade, uma ereção dolorosa começava a surgir no meio das minhas pernas. Ajeitei meu pau por cima da calça, dando uns tapinhas nele.
Acalme-se, homem, tire essas ideias da cabeça. Não é hora de pensar nisso. Agora que ela está solteira, temos tempo.
Sei que estava sendo egoísta, não deveria estar pensando nos meus planos futuros de transar com ela, ainda mais com Mady sofrendo daquela forma. Porém, era inevitável não começar a ter ideias de como seduzi-la. Eu era um canalha, e sabia bem disso.
Só um cretino ficaria triste pelo sofrimento de sua amiga e, ao mesmo tempo, feliz por poder ter uma chance com ela no futuro, já que seu relacionamento tinha acabado. Pelo que conhecia da personalidade de Mady, as chances dela voltar para esse cara eram quase nulas.
— Sabe, Jane, estou me sentindo um lixo de mulher depois disso tudo…
Suspirou fundo, em resignação. Se eu visse esse homem na minha frente, quebraria a cara de bosta dele. O fato dela se sentir um lixo só me dava ainda mais vontade de mostrar a mulher maravilhosa que Mady era. Ou melhor, não ficaria na vontade, um dia iria provar isso a ela. Só precisava dar um tempo para que se recuperasse daquela decepção, mas não sei se conseguirei esperar.
— Obrigada pelas palavras, Jane, mas foi inevitável. Não tenho como te agradecer por ouvir meu desabafo, como sempre. Agora preciso desligar, meu horário de almoço está acabando e estou bastante atrasada.
Silêncio.
— Estou sem apetite, mas vou tentar comer alguma coisa, não se preocupe. Te amo, Jane.
Assim que desligou, pude ouvir que ela começou a chorar novamente, baixinho. Não sei quanto tempo fiquei ali, parado próximo a porta, mas esperei que os soluços cessassem e o barulho dela digitando algo no computador o substituísse. Não queria constrangê-la ainda mais ao flagrá-la chorando. Mady era aquele tipo de pessoa que gostava de manter sua aparência profissional sempre impecável, e odiaria que a vissem assim. Outro aspecto que eu amava naquela mulher, sua postura inabalável, mesmo que por dentro, estivesse magoada e chateada. Entrei no escritório e, mesmo que ela tentasse disfarçar com maquiagem, seus olhos estavam vermelhos por ter chorado. Porém, decidi, no momento, não comentar nada.
— Já almoçou?
Ela tomou um susto em frente ao computador, dando um salto na cadeira. Seus olhos vermelhos me encarando com desconfiança fizeram com que a raiva que estava sentindo aumentasse, me deixando ainda mais puto com aquele verme, porém me contive.
— Eu… Eu… Ainda não, Phill — sua voz saiu falha, tensa.
— Que tal uma comida chinesa do Shanghai? Sei que você ama a comida daquele lugar, embora existam restaurantes que servem uma comida bem melhor. — Ela arqueou as sobrancelhas, pois sabia que estava provocando-a. — A reunião com a equipe de marketing foi pior do que eu pensava, além de ter tomado todo o meu tempo na parte da manhã. E estou morrendo de fome. — Coloquei as mãos nos bolsos da minha calça. — Podemos almoçar na minha mesa e depois podemos discutir os detalhes sobre o investimento na Ilha Pumpkin. Tenho mais alguma reunião nessa tarde?
— Não, Phil. — O simples fato de ela me chamar assim fez com que eu vibrasse por dentro. Odiava profundamente quando minha secretária me tratava conforme o protocolo de patrão e empregada, mas era necessário na frente de outras pessoas. Queria muito que Mady me chamasse de Phill enquanto entrava no seu corpo. — Deixei sua agenda livre, como me pediu. Comida chinesa sempre é uma ótima ideia. O que você vai querer? — perguntou, mais recomposta.
— Dumplings de lagosta, e porco e arroz com frango ao molho de gergelim. E uma soda para beber. Pode escolher o que quiser e colocar na minha conta.
— Não precisa. A comida não é tão cara e eu… — Interrompi o que ela estava dizendo apenas com o franzir de cenho. — Está bom, vou fazer os pedidos. Assim que chegarem, bato na sua porta. Enviarei alguns apontamentos para o seu e-mail para que você dê uma olhada antes de almoçarmos. — Jogou as mãos para cima, com um sorriso iluminando o seu rosto. Como eu amava ver aqueles dentes brancos e perfeitos sorrindo para mim, mesmo sabendo que, por dentro, ela estava sofrendo.
— Esperarei na minha sala. — Pisquei para ela e caminhei até o meu escritório. Até que a comida chegasse, tinha muitos relatórios e telefonemas para dar. Porém, tinha certeza que me concentrar no trabalho seria muito difícil, ainda mais no restante daquela da tarde que passaria ao seu lado, em que teria que fingir que não sabia de nada do que se passava com ela.
Sentei-me na cadeira presidencial de couro e sorri, involuntariamente. Minhas chances de tê-la para mim aumentaram, exponencialmente.