A paixão do CEO

Aline Damasceno · Capítulo 16 de 24

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A paixão do CEO

Capítulo quatorze

 

 

Rolando de um lado para o outro no sofá, não conseguia pegar no sono, relembrando o beijo que compartilhamos. O gosto dos lábios de Madeline parecia impregnado nos meus, e eu não queria que me deixasse tão cedo. Nunca pensei que beijar aquela mulher mexeria tanto comigo e que me roubaria toda a sanidade.

Era muito melhor do que poderia ter imaginado, e isso que eu passei muito tempo sonhando em fazê-lo. Agora que provei, tinha certeza que ficaria viciado no seu sabor e na pressão da sua boca sob a minha. Porém, por enquanto, teria que me contentar com a lembrança do beijo roubado por ela.

Por mais que Mady relute, seu corpo e seus olhos me diziam que em breve eu a teria completamente entregue nos meus braços. E mal esperava por esse dia.

Em breve, muito em breve, dei um tapinha no meu pau, que parecia acordar com a lembrança do corpo macio e voluptuoso de Mady debaixo do meu. Dos seus seios arfantes, espremidos pelos meu peitoral. Pensar no encaixe mais do que perfeito entre nós dois deixava-me ainda mais excitado. Dava-me a certeza, cada vez mais forte, de que fomos feitos um para o outro.

E não só pela nossa conexão física, mas também pelas conversas fáceis e pela sintonia das nossas mentes.

Levantei-me do sofá, peguei meu notebook e fui até a sacada. Como não conseguiria dormir mesmo, poderia tentar trabalhar um pouco, embora duvidasse que conseguisse me manter completamente focado nisso. Pelo menos, do lado de fora, eu poderia aproveitar a brisa marinha que soprava naquele início de manhã.

Abri meu e-mail e me pus a responder algumas pendências deixadas por Miller, já que algumas coisas a serem feitas precisavam do meu aval e minha assinatura eletrônica. Estava terminando de assinar o documento de demissão do gerente do departamento de marketing e solicitando a promoção de cargo de uma subalterna dele, quando Mady apareceu na porta, usando um vestido leve, porém ainda bastante profissional, em tom bege. Confesso que vê-la vestindo algo mais casual teria me agradado bem mais.

— Acordou cedo. — Seus saltos fizeram barulho ao atravessar a sacada, caminhando em minha direção. — Dormiu bem?

— Não muito, mas sabe como fico quando estou prestes a dar um passo em direção ao que eu quero — falei com duplicidade, porém ela pareceu ignorar os significados contidos nela.

— Sei. Já pediu o café?

— Ainda não, pode pedir o que você achar conveniente — respondi enquanto digitava o e-mail.

— Okay. Phill?

— Sim?

— Preciso ajeitar nossas malas, você já decidiu quanto tempo ficaremos na ilha?

Parei para refletir um pouco e uma ideia começou a surgir na minha mente.

— Não sei quanto tempo vamos passar lá. Demorará alguns dias para investigar tudo. — Deslizei a mão pelo queixo, pensando nas minhas próximas palavras. — Também é quase recesso de Natal, não conseguiremos resolver nada nesse período. Hospedar-se por um tempo na ilha e tirar umas férias não seria mau. Então pode arrumar tudo e ligue para recepção pedindo que um funcionário venha te ajudar.

— Férias? — Arregalou os olhos, surpresa. — O CEO todo poderoso está falando em férias?

— Convenhamos que nós dois estamos precisando. — Dei de ombros.

— Eu? Pensei que eu poderia...

— E ficar sozinho naquele lugar? Não, não, você vai ficar comigo depois que terminarmos o trabalho por lá.

— E se eu não quiser?

— Vou ficar muito solitário, te garanto. — Fiz drama. — Além de não ter a sua companhia sempre agradável.

Ela suspirou fundo, parecendo pesar os prós e os contras.

— Okay, você venceu — levantou a mão para cima —, realmente estou precisando de descanso e não seria nada mau ficar um tempo em uma ilha tropical. Pedirei nosso café e que alguém me ajude com a bagagem. Precisa de mais alguma coisa, senhor mandão?

— Não, só que você curta a viagem e relaxe. — Sorri, contente por ela ter aceitado.

Balançou a cabeça, acenando positivamente, mas não disse mais nada, apenas virou-se, caminhando para dentro do quarto.

O que Mady e eu não sabíamos era que esse tempo a sós na Ilha Pumpkin era tudo o que precisávamos.

Saímos do hotel um pouco atrasados, devido a um problema para fazer o check-out, mas conseguimos chegar com alguns minutos de antecedência do horário da partida do nosso voo. A viagem até a Ilha Pumpkin foi um pouco longa, quase oito horas dentro do avião. Confesso que, depois do beijo que trocamos na praia, achava que o clima entre nós durante o percurso seria tenso e, até mesmo, permeado por conversas forçadas, o que me mataria por dentro. Tinha prometido a Mady que nada mudaria entre nós, independente da escolha que ela tomasse, e me sentiria muito mal se o contrário acontecesse. Eu precisava, desesperadamente, dela, do seu companheirismo, da sua conversa, do seu sorriso, do seu apoio. Queria que Madeline estivesse sempre ao meu lado, não importava o que acontecesse entre a gente. Nunca tinha me aberto tanto com uma pessoa, confiando a ela toda minha vida.

Não conseguia imaginar não tê-la ao meu lado, e só de pensar na possibilidade, meu coração se dilacerava.

Porém, para a minha surpresa, como da última vez, um ar íntimo e bastante gostoso surgiu entre nós dois depois que entramos no jato e segurei as mãos dela durante a decolagem. Tínhamos engatado uma conversa sobre nossas vidas pessoais, mas senti que algo tinha mudado entre a gente. Havia algo de diferente no olhar dela que arrepiava toda a minha pele, como uma promessa silenciosa, que fazia meu corpo arder em chamas.

Será que ela estava mudando de ideia?, a possibilidade fazia com que aquilo que sentia por ela crescesse dentro de mim, mas daria a Madeline todo o tempo que precisava para pensar. Não iria forçá-la, queria Mady sem os ses e os poréns entre nós. Sabia o quanto ela se sentia magoada pelo seu último relacionamento, e até mesmo com baixa autoestima depois das merdas faladas pelo seu ex sobre o desempenho dela na cama, sendo que era esse bosta o completo culpado. Cada vez que pensava nisso, queria matá-lo.

E tudo se tornava mais difícil porque eu era o chefe dela, e seu profissionalismo era um grande entrave. Eu também tive essa mesma luta interna comigo mesmo, e sei o quanto é difícil guerrear contra o desejo.

Mas não podia negar que estava adorando conhecer cada detalhe da vida de Madeline, sua infância, as dificuldades e os gostos pessoais. E as promessas de conhecê-la ainda mais, seu corpo, sua pele, seus gemidos, os pontos que lhe dão mais prazer, que daria com as minhas mãos, lábios e pênis, me enchiam de expectativa. Mal podia esperar em tê-la completamente entregue nos meus braços. E pelo que seu corpo e olhar me diziam, o lado da balança estava pesando para que se entregasse para mim.

— Vamos descer, Mady? — disse, depois que o jatinho pousou na pista particular. — A vista do alto é simplesmente de tirar o fôlego, mal vejo a hora de descer e ver mais de perto.

— Nem eu, só deixa eu tirar esses saltos e pegar uma rasteirinha na minha bolsa.

— Okay.

Levantou da poltrona meio cambaleante. Talvez a posição que ficou sentada deixou-a com câimbra, e ela quase caiu quando puxou a bolsa do bagageiro do avião. Por sorte, estava atrás dela antes que despencasse, e a segurei, acolhendo-a em meus braços.

— Tudo bem, Mady? — perguntei, preocupado.

— Sim, minhas pernas estavam um pouco dormentes por falta de circulação. Obrigada. Acho que só preciso me movimentar um pouco. — Abriu a bolsa, tirando os sapatos de lá. Guiei-a até a poltrona, fazendo-a se sentar nela. Ela tirou o salto, colocando aqueles que pareciam um chinelo. Confesso que a rasteirinha destoava e muito com o vestido creme formal. Esperava que Mady tivesse colocado na mala roupas mais informais e próprias para o calor, embora pudesse apostar com quem quisesse que ela não tinha um biquíni na mala. Era típico dela não pensar em diversão quando viajava a trabalho. Tinha que confessar que nem eu costumava pensar, porém, dessa vez, daria esse luxo para nós dois.

— Pronta? — disse, depois que ela guardou o calçado de salto alto na bolsa.

— Mais que preparada. — Peguei sua mão, para ajudá-la a se levantar, e permanecemos de mãos dadas, comigo andando atrás dela. Nos aproximamos da saída da aeronave quando Joseph, com cara de poucos amigos ao nos ver tão juntos, nos saudou. Provavelmente, ele ainda tinha esperanças de levá-la para cama. Tolo. Mady nunca iria transar com ele. Eu e Madeline paramos um do lado do outro. Dei um sorrisinho contente, em um gesto idiota de posse, demonstrando minha satisfação com a carranca dele.

— Espero que tenham feito uma ótima viagem — forçou um sorriso.

— Excelente — respondi.

— Fico feliz. O senhor já tem algum plano para a volta?

— Ainda não, pensamos em ficar alguns dias aqui. Assim que tivermos uma data, ligamos para você. Alguns quartos no prédio principal já devem estar arrumados para a tripulação passar a noite e descansar para o voo de volta.

— Okay.

— Fale para Ferdinando tirar nossas coisas do compartimento que um funcionário levará para o bangalô reservado para mim e para Madeline.

Assentiu. Eu podia imaginar a miríade de pensamentos que passou na mente de Joseph, me deixando ainda mais satisfeito.

— Vamos, Mady. — Soltei a mão dela e a pousei na sua cintura, segurando-a, em uma demonstração silenciosa de que Madeline era minha. Incentivei-a a sair do avião, deixando o piloto para trás.

— O que foi aquilo? — disse baixinho, quando descemos a escada móvel do jatinho e pisamos na pista de pouso. O sol já se punha no horizonte, deixando o descampado com um tom dourado de tirar o fôlego. Mal podia ver o restante do lugar, a praia, o mar, as matas...

— Nada demais. — Dei de ombros.

— Não precisava ter feito isso.

Engoli em seco.

— Desculpe, Mady. Eu não sei o que deu em mim, mas ver aquele cara sempre te devorando com os olhos…

Suspirou fundo.

— É evidente para todos, menos para Joseph, que você não quer nada com ele.

— Sei disso, mas não tinha o direito de agir assim. — Fiquei sem jeito, talvez tenha ido longe demais.

— Tudo bem. — Pegou minha mão e a apertou. — O pôr do sol aqui é lindo. Vamos ver se essa ilha é tudo aquilo que dizem os relatórios? — mudou de assunto, me brindando com um sorriso.

— Sim, vamos.

Saímos da pista de concreto, chegando até um pequeno edifício, que acreditava ser de um funcionário responsável pelo controle dos voos que chegavam e saiam da ilha. Um homem alto, que eu presumi que fosse o gerente, se aproximou de nós.

— Bem-vindos a llha Pumpkin, senhor Brown e senhora Jameson. Espero que sua estadia aqui seja mais do que satisfatória.

— Tenho certeza que será.

— Um funcionário já nos espera com um carrinho de golfe para levá-los até o bangalô de vocês. A viagem deve ter sido cansativa, e, com certeza, querem descansar. Enquanto isso, os senhores podem aproveitar o trajeto para a preciar a paisagem.

— Adoraríamos — Mady respondeu, empolgada. Vê-la assim, animada, fazia com que um calor gostoso tomasse conta do meu peito. Adorava quando ela ficava feliz com coisas tão simples.

— Então vamos, um funcionário buscará suas malas depois.

— Okay.

Caminhamos até o carrinho de golfe e sentamo-nos no banco traseiro. O veículo não era muito confortável, e sacudia de um lado para o outro, porém, durante o breve percurso, pudemos ver algumas das plantas e árvores nativas da região e alguns animais.

— Olha que lindo, dá vontade de abraçar — Mady disse, quando viu um animal rechonchudinho e peludo, me fazendo olhar também.

— É um marsupial conhecido como vombate, ele tem hábitos noturnos, e como já está escurecendo, deve ter saído para procurar cascas de árvores, ervas e raízes — o gerente disse.

Eu observava o animal e a paisagem em silêncio. Me sentia muito mais vivo só de estar ali com Mady. Tudo indicava que seriam as melhores férias da minha vida.

— Ele é muito fofinho. Pode-se pegar nele?

— Infelizmente, não, senhora Jameson. As garras dele podem machucar, por isso não pode ser domesticado.

— Que pena — disse, dando um muxoxo. Sabia que Mady gostava de animais e adorava pegá-los no colo. Eu estranhava o fato que ela só tivesse Toby como bichinho de estimação. Deve ser por causa do espaço do seu apartamento que, segundo ela, era muito pequeno.

— Mas se quiser, senhora Jameson, a senhora pode nadar com os peixes e outras criaturas marinhas na barreira de corais. É uma atração bastante popular entre os turistas.

— Seria maravilhoso. — Os olhos dela voltaram a brilhar, entusiasmada com a possibilidade.

Madeline e o gerente, que descobri que se chamava Jack, continuaram conversando sobre os animais e demais atividades de lazer que eram oferecidas na Ilha Pumpkin, bastante entretidos um com o outro. Mady prontificou-se, no tempo em que estivéssemos ali, a conhecer algumas delas. Olhando o brilho de empolgação que cintilava por todo o rosto de Mady, nem me dei conta quando o carrinho parou repentinamente e Madeline exclamou, de boca aberta.

— UAU! — Desviei meu olhar do seu rosto, encarando a paisagem ao meu redor e o que eu vi me fez perder o fôlego.

Mesmo que o céu já tivesse escurecido, a vista superou todas as minhas expectativas. As fotos, bem como os vídeos enviados nos relatórios, não chegavam aos pés da realidade. As tochas fincadas na praia iluminavam a extensão longa de areia branca, e a luz proveniente das estrelas, visíveis no céu, devido à ausência da poluição atmosférica tão comum em Nova Iorque, deixava-nos ver as ondas de águas cristalinas rolarem até a areia da praia. Era impossível não me sentir no paraíso. Mal esperava para acordar e poder ver a paisagem em plena manhã.

— Realmente é maravilhoso — disse, enquanto fitava o mar. — Eu poderia me acostumar com essa vista.

— Nem me fale — Mady sussurrou, o encantamento transparecendo em sua voz.

— Eu sou um felizardo por passar boa parte do ano aqui — Jake brincou ao ver nossas expressões embasbacadas.

— Invejo você.

— Querem entrar e conhecer suas acomodações?

— Eu não. Vou aproveitar e ficar um pouco mais aqui fora — disse Mady, tirando os sapatos e caminhando até o mar.

— Senhor Brown, quer entrar?

Balancei a cabeça em negativa.

— Ficarei mais um pouco aqui fora também.

— Tudo bem, mas preciso voltar para o prédio principal para ver se a tripulação que os acompanhou já foi acomodada e verificar se suas malas estão a caminho. Tem um telefone dentro do bangalô, e, se precisar de qualquer coisa, é só discar para o ramal da recepção que providenciaremos o que senhores necessitarem.

Enquanto o homem falava, minha atenção estava em Mady, que entrou no mar sem se importar de molhar o vestido. Era maravilhoso ver a espontaneidade que a tomava e vê-la tão descontraída, sem se importar com nada.

Estava me coçando para me juntar a ela, mas resolvi ficar só observando.

O gerente disse mais algumas coisas, que eu não ouvi, e arrematou o seu discurso. — Ah, também tem um carrinho de golfe atrás do bangalô caso queiram passear pela ilha ou ir até a recepção. A chave está no aparador do hall de entrada.

— Okay.

— Então já vou indo, se precisarem de mim, já sabem como me contatar. — Estendeu-me a mão, que eu apertei, desatento. — Deixamos uma comida leve pronta para os senhores consumirem enquanto o jantar é preparado. O senhor tem alguma preferência de prato?

— Pode ser massa e vinho tinto para acompanhar.

— Okay — disse com sotaque forte, e caminhou em direção ao carrinho que o aguardava para levá-lo de volta para a recepção.

Sentei-me na areia e continuei a observar Mady, cujo vestido já estava ensopado e colado ao corpo, pois acabou não resistindo e deu um mergulho no mar.

A imagem dela assim me deixou completamente hipnotizado e sem fôlego. A paisagem poderia ser linda, porém ela sorrindo e se deliciando com a água, era muito, muito mais.

Suspirei, sentindo um ardor invadir cada poro do meu corpo e a excitação surgir no meio das minhas pernas, que procurei conter. Seus gestos eram muito ingênuos para me deixar duro de desejo.

Não sei quanto tempo fiquei ali observando-a, até que entrei na casa, para pegar uma toalha no banheiro da suíte, e voltei para a praia. Por mais que sentisse que ela estava se purificando junto ao mar, deixando que tudo de ruim fosse rolado pelas águas cristalinas, não queria que ela se resfriasse, então resolvi interromper seu momento quando o céu ficou mais escuro. Além do trabalho que tínhamos que fazer, fiz muitos planos para nós dois, e não gostaria que nada impedisse que curtíssimos a ilha.

Se conseguisse executar meus planos, sem sombra de dúvidas, essas seriam as melhores férias que tiraria em anos.