A paixão do CEO
Capítulo dezenove
Deixar a Ilha Pumpkin e tudo que vivemos naquele lugar foi mais difícil do que pensava. Boa parte de mim tinha medo que o idílio que vivemos se evaporasse quando voltássemos a Sydney, embora sentisse que Phillips também estava relutante em regressar. Porém, passamos tempo demais ali e tínhamos que iniciar os trâmites legais para a compra da ilha, marcando uma reunião com os donos e o agente imobiliário o mais breve possível. Passamos o voo inteiro repassando os detalhes que observamos quando estivemos no local e revisando as planilhas de custo das melhorias a serem feitas.
Para a minha surpresa, quando chegamos ao hotel, nada mudou entre a gente, o que me deixou um pouco aliviada. Ainda fazíamos muitas coisas juntos e o fogo ardia entre nós dois. Nossos corpos não se cansavam um do outro, querendo sempre mais e mais. Tínhamos tanta fome, tanto desejo, que não conseguíamos nos controlar. E a combinação desse fervor com os gestos carinhosos de Phillips me deixavam cada vez mais confusa quanto ao que sentia por ele. Não, não, não. Eu não poderia estar apaixonada por ele, não em tão pouco tempo. Era impossível, ainda mais que fazia menos de dois meses que meu relacionamento com Robert tinha acabado.
Suspirei fundo e terminei de passar o batom nos meus lábios. Nutrir esses sentimentos por ele, exigindo mais do que Phill poderia me dar, acabaria por nos ferir mais do que acreditávamos ser possível.
— Você já está pronta, Mady?
Encarei o espelho enquanto passava um pouco mais de rímel nos olhos, vendo ele se aproximar, impecavelmente vestido com o seu terno escuro sob medida. Parou atrás de mim, agarrando-me pela cintura.
— Ainda não.
— Está linda, como sempre, e bastante cheirosa. — Inspirou fundo, plantando um beijo atrás da minha orelha, fazendo com que um calafrio varresse minha espinha. — E muito atrasada também. — Me deu um tapinha na bunda e se afastou.
— A culpa é sua, senhor Brown — comentei enquanto colocava os brincos.
— Minha? — Fez-se de desentendido.
— Se você não tivesse me prendido na cama, eu… — Ele gargalhou alto, fazendo-me sorrir também. — Estou pronta.
Passei por ele, pegando minha bolsa que estava jogada em um canto do quarto, sendo seguida por Phil.
— Então vamos. — Deu-me a mão e deixamos a suíte. Saindo do hotel, caminhamos até o ponto de táxi.
— Bayswater Rd, número 40, por favor — Phillips deu o endereço ao homem.
— Tudo bem.
Quando adentramos no restaurante, fiquei embasbacada com a beleza do local, uma mistura do rústico e o melhor que o luxo poderia oferecer.
— Boa tarde, senhor — cumprimentou um atendente —, fizeram reserva?
— Não, estamos esperando umas pessoas. Provavelmente, eles já devem ter chegado — Phillips comentou.
— Qual o nome?
— Bloom, Jennifer e Victor Bloom.
O homem consultou o seu tablet, afirmando com a cabeça.
— Sim, eles já chegaram. Vou levá-los até a mesa.
Seguimos o homem até os fundos do restaurante, que se abria para um pequeno jardim, até uma mesa onde três pessoas aguardavam. O aroma do local era inebriante, fazendo com que eu quase esquecesse do porquê de estarmos ali. Aprumei-me dando o meu melhor sorriso enquanto Phillips cumprimentava a todos.
— E você é...? — A mulher de meia-idade, com os cabelos loiros com corte chanel, virou-se para mim, estendendo-me a mão em saudação e eu a apertei, com educação.
— Sou Madeline Jameson, a secretária do senhor Brown. — Quando falei isso, vi com o canto do olho que Phill franziu o cenho, como se discordasse, porém não disse nada. Notei que um brilho de interesse surgiu nos olhos da mulher.
— Sentem-se, por favor — pediu o agente imobiliário. — Temos muito o que conversar.
— Claro.
Sentamos na mesa e começamos uma conversa trivial sobre nossas vidas enquanto fazíamos nossos pedidos.
— E como foi a estadia na Ilha Pumpkin? — perguntou o senhor Bloom, depois que o garçom se afastou.
— Confesso que superou todas minhas expectativas — Phillips respondeu, e seus olhos verdes fixaram nos meus, transmitindo-me uma mensagem silenciosa que arrepiou todos meus pelos. — Viemos para tranquilizar nossos acionistas quanto a compra, mas as informações que minha equipe coletou eram bastante detalhadas.
— Fico feliz, Phillips, que gostou do local — O proprietário respondeu, satisfeito, provavelmente, certo de que hoje fecharia negócio. — É sempre bom comprovar com os próprios olhos, afinal, custa um bom montante.
— Sim, embora eu confie nos meus funcionários. Só os melhores trabalham para mim. — Sorriu.
— E você, senhorita Jameson? — a mulher me interpelou enquanto pousava a mão na do marido, em um gesto carinhoso. Tinha quase toda a certeza que ela sabia que eu não era apenas a secretária de Phill.
— A estadia foi muito boa, mas acho que seria impossível não ter sido, pois o lugar é muito bonito — respondi, polidamente.
— E bastante romântico, também — comentou, maliciosa, fazendo-me ficar vermelha de vergonha.
— Tenho que concordar com você, querida — Victor Bloom apertou a mão da esposa —, não é à toa que fizemos todos os nossos filhos ali.
Todos os presentes riram, menos eu e Phillips. A conversa estava constrangedora, e Phill sabia o quanto estava ficando nervosa com a insinuação da mulher.
— Isso é muito bom para os negócios — o agente retomou a conversa ao perceber que o possível comprador não estava gostando do rumo que estava levando. — Romance sempre vende e está na moda. Atrairá muitos casais nas temporadas de férias e aqueles que estão em busca de diversão.
— Verdade, e acho que podemos explorar muito mais a ilha. Eu e Madeline estávamos pensando em fazer algumas modificações no prédio principal, a fim de alugar kitnets para turistas que não possam pagar por todo o luxo que a Ilha irá oferecer. Claro, que para isso, teríamos que dividir a ilha em duas sessões…
Continuamos a conversar enquanto comíamos e, vez ou outra, a mulher fazia insinuações desagradáveis ou conversava sobre a vida dela, sendo imediatamente cortada por Phill. Tinha que agradecer, e muito, a ele por isso.
— Então é isso? — perguntou o proprietário ao fim da refeição.
— Sim, assinarei o contrato nos próximos dias, só pedirei que meu departamento jurídico dê uma olhada nele novamente para ver se está tudo certo — Phillips comentou. — Também entrarei em contato com meu banco pedindo para que eles comecem a mobilizar o dinheiro para realizar a transferência depois do Ano Novo.
O corretor se regozijou quando Phill, finalmente, falou que iria comprar a ilha. Em breve ele teria a comissão tão sonhada.
— Então, negócio fechado. — Victor Bloom estendeu a mão para Phillips, que apertou a mão do homem.
— Entrarei em contato com vocês nos próximos dias.
— Ficarei no aguardo. — Sorriu, contente por ter vendido a ilha que estava há meses no mercado.
— E sobre os prédios? — Osborn, o corretor, interpelou Phill.
— Ainda temos que verificar muitas coisas, mas não poderei fazer isso pessoalmente. — O homem pareceu murchar, mas logo retomou seu ânimo.
— É uma pena.
— Vamos, Madeline? — Phillips estendeu a mão para mim.
— Claro.
Nos despedimos de todos e, quando saímos do restaurante, um alívio percorreu meu corpo. Esperava nunca mais encontrar aquela mulher na minha vida. E se dependesse da expressão de Phillips quando deixamos o local, isso não mais aconteceria.