A paixão do CEO
Capítulo onze
Não sabia ao certo que horas eram, porém não conseguia me lembrar da última vez que tinha conseguido dormir por várias horas seguidas. Embora em um primeiro momento tenha me sentido tenso por compartilhar o mesmo espaço com a Mady — sabia o quanto ela estava desconfortável com isso —, o perfume que emanava dela, mesmo com ela na outra ponta da cama, fez com que a tensão se dissipasse aos poucos, e o sono me tomasse lentamente. Não podia negar que uma sensação boa tinha invadido todo meu corpo e, principalmente, meu peito, fazendo com que eu desejasse repetir a dose, não apenas uma única vez, mas várias. Para sempre. Só que ao invés da distância que separaram nossos corpos naquele dia, em um futuro próximo, desejava dormir e acordar com Mady aninhada em meus braços, completamente nua e saciada, depois de esgotarmos toda nossa energia ao fazermos o melhor sexo das nossas vidas. Tinha certeza que, a cada vez que fizéssemos sexo, ele se tornaria ainda melhor.
Balancei a cabeça e afastei esses pensamentos, que só me ajudariam a ter uma ereção.
Abri os olhos, deparando-me com a escuridão do quarto, e rolei no colchão a fim de ver se Mady ainda dormia, porém o outro lado da cama estava vazio. Suspirei fundo e me levantei, ajeitando meu pênis na calça, já que costumava dormir sem cueca, e caminhei em direção ao banheiro da suíte. Feita minha higiene pessoal, fui até a sala de estar encontrando Mady, com os cabelos negros e longos caindo sob suas costas, parada na sacada observando o sol se pôr sobre a Baía de Sidney, contemplativa. Era impossível não ficar ali, admirando-a. Ela estava tão linda que fez uma emoção brotar dentro do meu peito, algo como amor. Sim, eu amava minha secretária, mesmo que eu tenha demorado algum tempo para reconhecer isso. A parte mais difícil seria convencer seu coração ferido de que eu estava sendo sincero, e que nunca mentiria ou a enganaria quanto a isso.
Encostei meu corpo no batente da porta de vidro, pousei uma mão no peito e fiquei a observando. Não sei quanto tempo tinha se passado, mas ela se virou e tomou um pequeno susto, não esperando que eu estivesse ali. Seu olhar varria meu corpo, fixando seu olhar no meu peitoral nu, mas ficou rubra ao ser pega no flagra.
— Oi.
— Oi, Mady. Já está acordada há muito tempo? — puxei assunto, me afastando da porta e caminhando até onde ela estava. Aproximei-me do guarda-corpo e pousei meus antebraços nele, virando meu rosto para ela.
— Sim, já faz algumas horas. Dormiu bem?
— Melhor impossível. Faz tempo que não dormia desse jeito, por várias horas seguidas. E você?
— Não muito — ficou mais vermelha e eu arqueei uma sobrancelha para ela —, mas está bom. Consegui trabalhar um pouco e resolvi algumas coisas que estavam pendentes — desconversou.
— Hum…
Ficamos em silêncio por alguns minutos, até que ela retomou a conversa enquanto andava até a porta.
— Você está com fome? Assim que eu acordei, pedi algo para a gente comer, mas já se passou um bom tempo. Quer que eu peça outra coisa?
— Para ser sincero, estou com bastante fome. Não precisa pedir mais nada, eu como assim mesmo, sabe o quanto eu não gosto de desperdiçar comida. — E de fato não gostava. Viver na pobreza com a minha avó me ensinou a valorizar cada grão e pedaço de alimento.
— Verdade, também não gosto.
A segui até a sala de estar. Ele se sentou em um sofá e eu me acomodei na mesa que ficava no canto da sala, onde um cloche de metal cobria meu prato. Retirei a tampa, revelando uma salada e um bife, e me pus a comer.
— Recebi algum e-mail importante hoje? — perguntei ao terminar de mastigar um pedaço do meu bife. Estava frio, porém o tempero estava ótimo.
— Os mais urgentes e que poderiam ser resolvidos pelo Miller, já encaminhei para ele. Tem um que você terá que dar uma olhada mais tarde, pois parece que o departamento de marketing confundiu os chalés e enviou a foto errada para o anúncio na revista Marketing e Negócios, na edição que saiu ontem.
— Que merda, eles não conseguem fazer nada certo. Como já foi publicado, duvido muito que consigamos fazer alguma coisa, porém preciso reformular a equipe urgentemente. Eles enviaram algo do projeto de Ressurrection Bay? Eles estão atrasados.
— Ainda não, Phill.
— Bosta, vai atrasar e muito a campanha. — Suspirei fundo, e coloquei mais uma garfada na boca, mastigando com lentidão. — Entre em contato com os recursos humanos e peça para efetuarem a demissão do chefe do departamento. Está mais do que na hora de nos livrarmos dele. — Assentiu.
— Pode deixar.
— Mais alguma coisa?
— O corretor da Ilha Pumpkin mandou um e-mail confirmando nossa reunião amanhã sobre os edifícios que estão indo a leilão.
— O que você acha, Mady?
— Para ser sincera eu não sei, teríamos que fazer uma pesquisa de mercado e ver se vale a pena. — Deu de ombros.
— É, tem razão. Mas quando Osborn, o corretor, me apresentou essa oportunidade, foi impossível não vir para cá e não agendar um horário para conversar e obter mais detalhes com ele, mesmo que a distância entre a cidade e a ilha seja enorme. Sabe como sou...
— Te conheço melhor do que ninguém. Vou confirmar com ele.
Ela começou a digitar algo no computador enquanto eu terminava minha refeição. Assim que finalizei, Mady ligou para o serviço de quarto para recolher a louça e me perguntou se eu queria mais alguma coisa, porém eu neguei.
Peguei meu celular em cima da mesa de cabeceira da cama e o meu notebook na mala, abri meu e-mail e me pus a resolver o problema do departamento de marketing, nem ao menos vi Mady saindo para tomar banho.
— O que vai querer para jantar? Já são quase oito. — Me tirou do transe, fazendo com que eu olhasse para ela. Para minha decepção, não estava usando a camisola rendada da noite anterior, mas sim uma legging e uma blusa soltinha. Não que ela não ficasse linda assim, mas daria de tudo para vê-la novamente com a camisola.
— Que tal torta de carne e vinho? — Fechei meu computador e me levantei do sofá, espreguiçando-me, fazendo meu corpo se contrair.
— Para mim parece ótimo. Ouvi dizer que é bem famosa por aqui.
— Vou tomar um banho enquanto você faz nosso pedido. Escolha alguma sobremesa para você. — Deu-me um sorriso que me aqueceu por inteiro. Sabia que ela adorava doces, e poder agradá-la, mesmo com uma coisa tão simples como aquela, fazia-me sentir o homem mais feliz do mundo.
— Nossa, estava doida para experimentar um lamington, um bolo mergulhado no chocolate e envolto no coco ralado, e uma fatia de caramelo crocante. Vi que o hotel serve os dois. — Seus olhos brilharam de entusiasmo.
Eu amava o fato de Mady não ser daquelas mulheres frescas com comida que viviam sempre de dieta, embora uma vez ela tenha me contado que herdou a genética da mãe de não engordar com facilidade. O que ela considerava uma benção, já que era uma formiguinha por doces e massas.
— Um de cada, então. — Pisquei para ela, que ruborizou ainda mais.
— Você quer alguma outra coisa? — sussurrou.
— Não. — Virei-me e andei até o corredor que levava ao quarto.
— Okay.
Tomei meu banho e depois me dediquei a aparar os pelos da minha barba. Fui para o quarto e vesti uma calça e uma camiseta de malha.
— Nossa, já chegou? — perguntei, quando vi Mady sentada na mesa, me esperando para comer.
— Sim, rápido né? Apesar que faz quase uma hora que você entrou para o chuveiro. — Riu, fazendo eu erguer uma sobrancelha para ela.
— Está me dizendo que eu gasto muita água?
Ela deu de ombros e gargalhou ainda mais com a piada ridícula que fiz, me fazendo rir também.
Sentei-me na mesa e destampei o prato.
— Está com uma cara ótima, vamos ver se é tão boa quanto falam.
A torta, por sinal, era muito gostosa, e enquanto comíamos, conversávamos sobre algumas coisas que gostávamos, como filmes, séries e sobre o New York Knicks. Não sabia que compartilhávamos o gosto pelo basquete e acabei prometendo a ela que a levaria no próximo jogo quando voltássemos para casa. Assim que ela deu uma última garfada no lamington, depois de devorar a fatia de caramelo crocante, ela largou o talher na mesa.
— Gostou?
— Mais do que aprovado. Eu seria capaz de comer apenas isso durante a estadia — brincou. — Mas a minha glicose iria lá em cima.
— Você ainda poderá comer muitas vezes ainda, não tem com o que se preocupar.
— Obrigada, Phill, por sempre tentar me agradar.
— De nada. — Dei de ombros. — É um prazer.
E o era, pois colocar um sorriso no rosto dela era meu maior agradecimento.
— Ainda é cedo, que tal ver um filme? — sugeri.
— Posso escolher?
— Claro.
— Saiu uma nova comédia romântica recentemente que estou louca para assistir. Tem problema para você?
— Não, eu até gosto de ver de vez em quando.
— Você, Phillips Brown, um amante das comédias românticas? — Riu, deliciada com o fato. — Acho isso encantador. Quem diria que por trás dessa pose de CEO implacável se esconde um homem romântico? — brincou.
— Ah, você ainda não viu nada. — Pisquei para Madeline e me levantei, indo até ela. Estendi a mão e Mady tomou a minha entre seus dedos, erguendo-se da cadeira com minha ajuda. — Agora vamos, antes que suas gracinhas me façam desistir.
— Chato. — Deu um soquinho no meu ombro, fazendo eu sorrir.
Como a televisão ficava no quarto, pegamos o notebook dela e fomos até lá. Enquanto ela conectava o serviço de streaming na televisão, sentei na cama, apoiando as costas na cabeceira, esperando o filme começar, e ela se acomodar.
— Pronto! — disse enquanto se ajeitava no seu lado da cama, se sentando distante de mim.
— Vem, Mady. Daqui você conseguirá ver melhor. — Dei uns tapinhas no colchão, convidando-a a se aproximar.
— Posso?
— Claro.
— Okay. — Engatinhou na cama, até se sentar ao meu lado.
Estávamos tão envolvidos vendo o filme, que nem nos demos conta do momento em que eu passei o braço em torno dela e ela apoiou a cabeça no meu peito. Porém, não importava, era muito bom estar com ela. Nunca pensei que ficar assim com Mady pudesse me deixar tão eufórico, feliz e em paz ao mesmo tempo, que me desse tamanha satisfação um gesto tão inocente como aquele.
Até parecíamos um desses casais de comédia romântica, igual ao que a gente assistia.