A paixão do CEO

Aline Damasceno · Capítulo 7 de 24

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A paixão do CEO

Capítulo cinco

 

Depois de deixar de sobreaviso a empresa responsável pela manutenção do jatinho particular do Phillips e avisar o piloto de confiança dele para traçar o plano de voo, e enviá-lo para a agência responsável por controlar o tráfego aéreo, a semana passou rápido como um relâmpago. Dentre remanejar todos os compromissos de Phill, o que não era nada fácil, tendo em vista que ele não tinha me dado uma data de retorno, e as pequenas atribuições do dia a dia, só deixei que o nervosismo e a ansiedade me invadissem quando estava arrumando minhas malas, no sábado à noite. Não gostava de deixar tudo para última hora, embora o cansaço se acumulasse sobre meus ombros. Tinha combinado de passar o domingo com minha irmã e seu marido Michael, já que não saberia quando eu voltaria. Aproveitaria para deixar Toby com ela, já que Jane se prontificou a cuidar dele por mim. Ainda teria que arrumar as coisas do meu bebê, que não eram poucas para um cachorrinho do tamanho dele, mas isso ficaria para amanhã.

Suspirei e continuei a arrumar minha bagagem. Peguei um vestido de alças finas do armário e o coloquei na bagagem junto com as outras peças tanto para o um clima quente como para o frio, pois não sabia ao certo como estaria o tempo, apesar de que torcia, internamente, pelo calor. Estava guardando na mala minhas melhores roupas profissionais, embora colocasse uma ou duas peças mais confortáveis. Quem sabe eu teria um tempo para um pequeno passeio em Sydney? Optamos por ir primeiro para a cidade mais famosa do continente, ao invés de ir direto a ilha, por causa de uma reunião que teríamos com o mesmo agente imobiliário da Pumpkin, já que o homem tinha outros negócios em potencial para discutir com Phillips. Parece que alguns edifícios estavam indo a leilão e o preço era bem convidativo, abaixo do valor de mercado.

Balancei a cabeça, afastando esse pensamento. Com certeza seria uma visita profissional, e eu só veria de relance algumas das atrações turísticas da cidade. O nosso foco era vistoriar as instalações da Ilha Pumpkin, não estava indo para lá a passeio.

Não que eu nunca tivesse viajado com meu chefe, já o tinha acompanhado em algumas viagens para fora do estado de Nova York, mas eram deslocamentos curtos. E com data certa de ida e volta. Nunca tinha ido com ele para fora do país, pois costumava ficar de prontidão no escritório para resolver algum eventual problema. Phill sempre me deixava no comando quando precisava ir para muito longe.

Além da distância, confesso que não saber quando retornaremos estava me deixando apreensiva. Isso não costumava ser o procedimento padrão de Phill, ele era muito organizado com datas e não gostava de despender mais tempo que o necessário para solucionar um problema ou fechar um negócio. Sua maior filosofia era: tempo é dinheiro.

Depois de arrumar tudo, consegui pensar com mais calma, e percebi que aquilo que eu mais temia, era me aproximar mais intimamente do meu chefe. Ele continuava a me fazer pequenos agrados, e era sempre bastante gentil, sempre atento ao que eu dizia, isso depois de ter ficado meses afastado de mim.

Porém, durante o decorrer dessa semana, o que mais me acovardava era a minha reação ao olhar faminto dele. Sempre que ele me olhava assim, um arrepio de prazer percorria todo meu corpo, que fazia de tudo para conter. Não deveria sentir isso. Terminei um relacionamento há pouco tempo e não estava pronta para entrar de cabeça noutro, nem mesmo para sexo casual.

Phill era meu chefe, e ter um caso com ele só deixaria as coisas estranhas entre nós dois. Não queria perder meu emprego e a confiança que depositava em mim. Isso me era muito importante. Sabia que Phillips não era um homem que se envolvia facilmente, porém, não queria ser um brinquedo, um passatempo que ele manteria por um tempo.

Tinha medo de agir por impulso e me machucar depois, mesmo que soubesse que Phill nunca mentiria ou me enganaria. Não era boba, compreendia que ele me desejava, mas isso seria um grande erro da nossa parte.

Tínhamos que manter nosso relacionamento apenas no profissional. Sexo só complicaria tudo e destruiria o nosso companheirismo.

Peguei uma camisola de renda vermelha nova, que parecia bastante confortável, e a coloquei na mala, depois apanhei algumas roupas íntimas no armário, guardando-as também. Fiquei tanto tempo perdida em divagações, que quando vi, já tinha separado tudo o que iria precisar, menos o tal biquíni.

Apesar de Phill ter falado para levar um, uma parte de mim acreditava que ele estava apenas brincando comigo, mas a outra sabia que ele estava falando sério. A minha metade sensata e profissional preferiu ignorar o pedido.

Fechei a mala, colocando-a no canto do quarto, e peguei meu celular para checar as mensagens. Como já era tarde da noite, não tinha nada de tão importante, então ignorei a maioria delas. Com o cansaço pesando ainda mais, tomei um banho rápido, vesti um pijaminha confortável, e fui até a sala a fim de verificar se tinha trancado a porta e se tinha água e ração para o meu amorzinho. Toby, que estava deitado confortavelmente no sofá de barriga para cima, assim que me viu, pulou e correu até mim, pedindo colo.

— Você vai sentir falta da mamãe, não vai, amorzinho? — Peguei ele no colo e toquei seu focinho com o meu nariz, plantando um beijinho depois. — A mamãe não sabe quanto tempo vai demorar, mas ela vai morrer de saudades.

Voltei para meu quarto e pousei Toby em cima da minha cama. Às vezes, ele gosta de dormir comigo, embora seu cantinho fosse meu sofá.

Depois de ajeitá-lo, cobrindo-o com um lençol, apaguei as luzes e enfiei-me debaixo das cobertas, deixando um braço de fora a fim de fazer carinho no topo da cabeça de Toby, que dormiu instantaneamente.

— Mamãe te ama, e agora ela vai dormir — sussurrei, deixando que o cansaço me conduzisse a um sono profundo.

 

Era quase meio-dia quando entrei na rua onde se situava a casa de Jane, no Queens, avistando ao longe o edifício de dois andares de tijolos vermelhos, com um pequeno jardim na frente, onde um poste fixava a bandeira americana. Estacionei meu carro e tirei o cinto, abrindo a porta do motorista e dando a volta para tirar Toby do cinto de segurança canino que eu utilizava sempre para transportá-lo, pegando-o no colo, e em seguida tranquei o veículo. Ia deixá-lo dentro da casa da minha irmã e depois voltaria para pegar as coisas dele no carro, pois, provavelmente, ele estaria com sede após a pequena viagem.

Aproximei-me da casa, porém não precisei tocar a campainha, minha irmã estava na porta e veio em minha direção. Segurei Toby com um braço e deixei que ela abraçasse minha cintura por um lado e plantasse um beijo na minha bochecha, que retribuí.

— Vim te receber assim que ouvi um barulho de um carro estacionando na porta. Nossa, parece que faz meses que não te vejo, mesmo que eu tenha encontrado com você na semana passada. Estava morrendo de saudades. — Olhou para mim com seus olhos cor de mel, analisando-me. — Você me parece cansada.

— Muito trabalho, só isso. — Suspirei.

— Humph — resmungou, fazendo um aceno para que eu entrasse e deixasse Toby no chão. — Acho que esse seu chefe vai te colocar louca.

— Faz parte do trabalho. — Sorri amarelo, dando de ombros. — Vou buscar as coisas dele no carro, meu bebê parece com sede.

— Tudo bem. Acho que você deixou um potinho aqui em casa, vou colocar água para ele enquanto isso.

— Okay, obrigada. — Dei um beijo na sua bochecha e fui até o carro.

Eu amava minha irmã Jane, mesmo com todas as diferenças entre nós, que não se limitavam aos aspectos físicos. Baixinha, com cabelos castanhos claros cortados curtos e dona de uma pele alva, ela tinha puxado a mamãe, enquanto eu ao nosso pai. Eu era a mais séria de nós duas, já Jane era um party animal. Ela era sempre o centro das atenções pelo seu bom humor e brincadeiras, enquanto eu era mais reservada. Minha irmã sempre dizia que eu trabalhava demais, que eu precisava relaxar, porém gostava do estilo de vida que levava.

Peguei tudo dentro do carro e caminhei de volta para a casa, deixando as coisas de Toby em cima da mesa de jantar.

— Oi, Mady — Michael me cumprimentou da cozinha, que era em conceito aberto, com um aceno enquanto ele mexia em uma das panelas.

Michael e Jane se casaram há cerca de um ano e pareciam muito felizes juntos, embora ele fosse anos mais velho do que ela. Confesso que achava eles tão lindos juntos, que se complementavam de uma maneira incrível. Ficava muito feliz por minha irmã ter encontrado uma pessoa boa, depois de tantos relacionamentos desastrosos. E esperava que, um dia, pudesse viver algo assim também.

— Que cheiro delicioso. O que teremos para hoje?

— Bife Wellington e nhoque. Só estou terminando de cozinhá-los para fazer o molho. Daqui uma hora deve estar pronto.

— Perfeito, cozinheiro da família — brinquei, e ele sorriu.

— Se sua irmã te ouvir…

— Estou aqui, viu? — Fingiu brigar, e a vi de joelhos, atrás de um balcão, colocando água para Toby.

Rimos ainda mais.

— Você é a chef aqui — Michael deu de ombros. — Nada vence sua torta de maçã, nem mesmo a da minha mãe.

— Humph, vou fingir que acredito. — Levantou-se e deu um beijo estalado na bochecha dele, depois se sentou em um dos banquinhos que ficava na ilha. — Senta aqui comigo, Mady, e me conte essa história de viajar a trabalho.

Dei de ombros e sentei-me em um banco ao lado dela.

— Nada demais, é uma viagem a trabalho. Vamos à Ilha Pumpkin para certificar aos acionistas que será um bom investimento.

— Sei. — Revirou os olhos. — Um lugar paradisíaco, um homem gostoso…

— Jane! — gritei, enrubescendo. — Ele é meu chefe!

— Tsc. Tsc. Tsc. Que mal tem?

— Michael, me ajude.

— Isso é entre vocês, meninas, vou fingir que nem estou ouvindo o papo. — Riu.

— Grande amigo você é. — Ele deu de ombros.

— Jane, você sabe o quanto o meu emprego é importante para mim.

— Ah, irmã, pelo que me conta, ele te cobre de mimos. Está na cara que ele quer ter algo com você. — Fez uma careta para mim. — Que homem faz isso hoje em dia?

— Eu? — Michael interveio e Jane mandou um beijo para ele.

— Claro, amor. Mas voltando ao assunto, qual o problema, Mady? Você está solteira, acho que você poderia aproveitar…

— Jane, estou ferida e não sei se seria uma boa ideia. Não quero perder toda a confiança que ele depositou em mim por causa de sexo. Você sabe o quanto me sinto bem em poder dar os meus pitacos na empresa.

— Entendo, querida. — Passou um braço em torno dos meus ombros. — Só foi uma ideia maluca da sua irmã. Sabe como ela quer te ver feliz depois do término com Robert, né?

— Sei, e é por isso que te amo. — Sorri e dei um beijo nela.

— Então, quando você volta?

— Para ser sincera, não sei. Dessa vez, Phill não me contou quanto tempo pretende ficar lá. Tive até problemas para agendar um hotel, pois não sabia quanto tempo ficaríamos lá.

— Hummm… promissor… — Olhou-me, maliciosa.

— Jane! Não começa…

— Tá bom, tá bom. — Suspirou. — Então tem a possibilidade de você passar o Natal ou Ano Novo com ele?

— Para ser sincera, Jane, nem tinha pensado muito nisso. Confesso que essa semana foi tão atribulada, fora que fim de ano é sempre uma correria danada.

— Entendo, querida. Perguntei porque papai e mamãe chegarão da viagem ao Brasil, e estava pensando em reunir todos aqui.

— Realmente seria uma pena não estar aqui para vê-los. Estou morrendo de saudades deles. Acho que não os vejo há mais de quatro meses.

— Também estou. — Suspirou. — Mas, pelo menos, você vai estar em boa companhia — disse, depois de muito tempo, sorrindo, abobada. — E quente por sinal.

— Jane, você não tem jeito mesmo. — Balancei a cabeça e dei um tapinha no seu braço.

— Eu sei, eu sei. Mas eu aproveitaria do senhor Gostosão, que dá sinais de que está louco por você. — Deu de ombros. — Mas, aqui, você já sabe das fofocas quentes de família? — mudou de assunto, coisa que apreciei de bom grado.

Jane sabia ser terrível quando queria e quando ela tinha uma opinião sobre algo, ela não mudava por nada.

— Não, conte-me tudo.

Depois de me contar os últimos babados, almoçamos e, como sempre, tudo estava extremamente saboroso, tanto que tive que repetir. Passamos uma tarde tranquila vendo filmes, conversando e, até mesmo, falando mal de alguns parentes chatos. Já estava de noite quando decidi partir, pois ainda tinha algumas coisas para resolver. Me despedi de Michael primeiro e Jane me acompanhou até o carro.

— Me liga todos os dias? — Jane pediu.

— Sim, mas se não conseguir, te envio um áudio explicando ou mensagem.

— Se tiver notícias quentes, quero saber em primeira mão.

— Jane… — Gesticulei, exasperada.

— Tá bom. Você vai ficar bem?

— Ficarei sim, tenho certeza, não tem nada demais em viagens de negócios.

— Sei. — Me olhou desconfiada. — Te mandarei foto desse garotão aqui. — Apontou para Toby que nos seguiu até o carro. — Pode ir tranquila, cuidarei dele como se fosse meu filho.

— Não confiaria ele a mais ninguém. — Dei um abraço nela e ela deu um beijo no meu rosto.

— Me envia uma mensagem antes do avião decolar?

— Pode deixar.

— Boa viagem, querida. Te amo.

— Também te amo. — Dei um último abraço nela e entrei no carro, acelerando-o logo a seguir.

Tinha afirmado para Jane que não tinha nada demais nessa viagem, porém uma parte de mim não tinha tanta certeza disso.