A paixão do CEO

Aline Damasceno · Capítulo 5 de 24

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A paixão do CEO

Capítulo três

 

Era domingo à tarde. Tinha terminado de limpar meu pequeno apartamento no Brooklyn e me sentei no meu sofá antigo para descansar. Meu cachorrinho sem raça definida, uma mistura de basset com pinscher, Toby, que estava dormindo no outro lado do assento, subiu no meu colo e começou a me lamber. Fiz carinho no seu corpinho roliço e ele esfregou ainda mais o focinho em mim.

Suspirei, cansada.

Tinha se passado quase uma semana desde que descobri a traição de Robert. Ainda doía, porém bem menos do que nos primeiros dias. Sei que não tínhamos anos de relacionamento, mas me doei intensamente enquanto vivíamos juntos. Demorou mais do que previra para me livrar das coisas dele, mas, finalmente, me desfiz de tudo, não sobrando mais nada que me fizesse lembrar da nossa convivência. Os itens que poderiam ser utilizados por outra pessoa, doei para a primeira instituição de caridade que vi no bairro. Por mais que quisesse queimar tudo, sabia que tinha pessoas que precisavam, então me contive. Pelo menos, alguém iria ficar feliz com as roupas de marca quase novas.

Confesso que ter longas conversas com minha irmã Jane, onde desabafei e chorei tudo o que podia, e me afundar no trabalho ajudaram a amortecer, um pouco, a dor da traição. Embora não tenha sido nada fácil fingir para todos da empresa que nada tinha acontecido, principalmente na reunião daquela tarde que tive com Phillips depois de descobrir a deslealdade de Robert. Mas consegui passar por isso, mesmo que tenha precisado de todo meu autocontrole para não desmoronar na frente dele enquanto almoçávamos e do meu foco para repassarmos os detalhes do projeto da Ilha Pumpkin. Decidimos pela opção da compra da ilha, e em breve, teríamos uma reunião com os acionistas minoritários da empresa para expor o que tínhamos planejado para a construção dos bangalôs e o total a ser gasto nas reformas. Mesmo que a palavra final fosse de Phill, ele sempre gostava de manter todos a par do que estava acontecendo na J&P.

Por falar no meu chefe, até ele se encontrava mais solícito, fazendo pequenas coisas para me agradar. No dia anterior, ele havia mandado que me entregassem uma caixinha com donuts da confeitaria que eu amava. O que era um pouco estranho, porém o que me deixava mais desconcertada eram os olhares que ele me lançava, de fome, de desejo, o mesmo olhar que me lançou na festa de aniversário da empresa, cheio de segundas intenções, porém, ainda mais intenso, como se soubesse que eu estava “disponível”. Tinha conhecimento de que Phill não era um homem que tinha casos passageiros. Embora não tenha ouvido falar de que estava namorando em nenhuma revista ou programa de fofocas, ter o seu olhar carregado de segundas e terceiras intenções sobre mim me deixava sem jeito.

Não posso negar que ser desejada por um homem lindo e sensual daquele jeito, depois de ter se sentido a pior das mulheres pelas ações do seu ex, era bom, porém, ao mesmo tempo, achava que não estava preparada para transar tão cedo com alguém, mesmo que minha vontade era me entregar para me “vingar” do Robert, o que era, completamente, ridículo. Eu não era esse tipo de pessoa e nem agiria como uma idiota. Além disso, não usaria meu chefe e amigo a fim de alimentar meu ego ferido.

Não sei por quanto tempo fiquei perdida em meus pensamentos, mas saí do meu transe quando Toby começou a passar as patinhas caramelo em mim, gesto recorrente e que significava uma coisa.

— Com fome, né, querido? Vamos levantar que a mamãe vai te dar ração e um biscoitinho como agrado. — Tirei ele do meu colo, pousando-o no chão, e levantei-me, caminhando em direção a cozinha.

Depois de dar um biscoitinho, colocar a comida em um potinho e trocar a água, fiquei observando-o por alguns minutos antes de pedir algo para mim pelo aplicativo. Como a comida ia demorar mais de uma hora para chegar, decidi tomar um banho relaxante de banheira, com toda a espuma e jatos de hidromassagem que tinha direito. Era um dos poucos luxos que tinha naquele apartamento e que não abriria mão por nada. Precisava descansar o máximo possível, principalmente por ter ficado o sábado inteiro montando a pauta da reunião que aconteceria no meio da semana com os acionistas sobre a compra da Ilha, além de ter organizado, por ordem de prioridade, os relatórios e enviado todos eles na sexta para o e-mail do Phillips.

Depois da reunião, daríamos início aos trâmites legais da compra da Pumpkin, ao mesmo tempo que lidariamos com outros projetos da empresa. Nessa parte do processo, o que é natural, tudo ficaria ainda mais corrido, principalmente por ser final de ano. Além de que, toda vez que tomávamos um passo importante, outros problemas que precisavam da nossa atenção surgiam no processo, exigindo ainda mais de nós.