A paixão do CEO
Capítulo seis
Era pouco mais de oito da manhã quando tomei um táxi em direção ao Aeroporto John F. Kennedy, de onde partiria nosso voo, às onze. Embora a distância do meu bairro ao aeroporto não fosse relativamente grande, não contaria com a sorte frente ao caos que era o trânsito em Nova Iorque numa segunda-feira de manhã. Quando cheguei, passava de nove e meia, e o taxista ajudou-me a tirar minha mala pesada do carro e a colocá-la em um carrinho, junto com a minha frasqueira com objetos pessoais. Paguei o motorista e saí empurrando o carrinho em direção ao portão de embarque para voos internacionais, equilibrando minha bolsa pesada no meu ombro.
Como o voo era particular, eu não precisava fazer check-in em nenhuma companhia, só apresentar um documento com foto e passaporte para a Imigração. Confesso que o documento não estava em dia, mas ter um chefe rico e influente tinha suas vantagens. O que demoraria quinze dias úteis ou até um mês, ele conseguiu em menos de uma semana.
Sentei-me em uma mesinha de um café qualquer, deixando a bolsa sob uma cadeira e o carrinho com a minha mala próximo a mim. Uma atendente logo me entregou o cardápio, e, como estava um pouco nervosa, pois não era totalmente apaixonada pelo transporte aéreo e o voo duraria um pouco mais de vinte e quatro horas, optei por um chocolate quente duplo e um belo pedaço de bolo de chocolate. Me arrependeria depois, mas, no momento, eu precisava daquilo.
Assim que a atendente anotou meu pedido e saiu, peguei meu celular na bolsa lotada de coisas e mandei uma mensagem para Phill, pois tínhamos combinado de nos encontrar antes de embarcarmos.
Mady
Estou no NY Coffee :)
Phillips
Okay, estou indo para aí.
Enviei uma mensagem para Jane avisando que tinha chegado certinho no aeroporto e que em breve estaria embarcando, e guardei o aparelho de qualquer jeito. Poucos minutos depois, a garçonete apareceu com meu bolo e o chocolate quente, colocando tudo em cima da mesa.
— Aqui está, senhora, bom apetite. — Sorriu, e eu retribuí.
— Obrigada. — Curvou-se e saiu.
Beberiquei o chocolate, que estava simplesmente divino e encorpado, e peguei o garfo sobre a mesa para pegar um pedaço do bolo, que parecia um vulcão de ganache. Assim que eu ia colocar uma garfada na boca, a visão de Phillips me fez parar com o talher na mão. A figura alta, de ombros largos e cabelos negros, sempre se destacou entre as pessoas. Não podia negar que ele era um homem lindo e sensual, que deixaria qualquer um babando, seja mulher ou homem. Porém, vestindo um terno azul-claro bem cortado e feito sob medida, que ressaltavam seu corpo definido, com o colarinho da camisa branca aberto, deixando à mostra os pelos finos do seu peitoral, caminhando em direção a mesa onde estava sentada, com passos lentos e felinos, enquanto empurrava sua mala, fez com que eu perdesse o fôlego e que um calor indesejado surgisse no centro da minha feminilidade, se espalhando por todo meu corpo.
Não conseguia controlar meu olhar, que varria o seu corpo inteiro, devorando-o. Até mesmo o volume no meio das suas pernas, apertado pela calça justa, passou pelo meu escrutínio.
Foi instintivo apertar minha perna uma na outra com o desejo que me consumiu, pois o olhar que ele me lançou parecia o de uma fera faminta, que me faria seu prato principal, a qualquer momento.
Respirei fundo, tentando me acalmar, sacudindo a cabeça. Era um absurdo sentir-me assim pelo meu chefe. Seja profissional, Madeline!
Ele aproximou-se da mesa, sentando-se à minha frente. Felizmente, eu parecia um pouco mais recomposta, embora o brilho nos olhos verdes escuros dele me dissessem uma coisa bem diferente.
— Oi, Mady. Tudo bem com você? — Me deu um sorriso que deixou minhas pernas um pouco moles. Céus… O que está acontecendo comigo? Não deveria ter escutado as ladainhas da minha irmã. Estou ficando nervosa e excitada perto dele e tendo pensamentos que não deveria pelo meu chefe. Isso não prometia nada de bom para a minha carreira.
— Oi, Phill. — Pigarreei, fazendo ele arquear uma sobrancelha. — Estou bem e você? Conseguiu dormir na noite passada? Sei que você tem sofrido de insônia.
— Estou bem. Bastante cansado, fiquei até tarde lendo alguns relatórios. — Passou a mão pela barba que crescia, que deixava seu rosto másculo e quadrado ainda mais sexy.
— Que pena. — Aproximei minha mão da dele que estava em cima da mesa a fim de tocá-la, porém recuei. Sei que ele percebeu o movimento, mas não disse nada. Um clima desconfortável surgiu entre nós.
O que estou fazendo?, pensei enquanto passava a mão pelos meus cabelos, ajeitando-o para trás.
— Bolo de chocolate e chocolate quente a essa hora, Mady? Você sempre me surpreende — brincou, com seus olhos verdes brilhando em diversão.
Isso fez com que olhasse para a mesa e me lembrasse do meu pedido. Peguei o garfo, que nem me lembrava de ter soltado, e provei do bolo. Uma explosão de chocolate derreteu na minha língua e emiti um gemido mais alto do que eu gostaria.
Um brilho cintilou nos olhos dele, que estavam fixos em mim, e ele umedeceu os lábios, fazendo com que eu ficasse ainda mais vermelha com o calor e as promessas que continham nos seus gestos. Fiquei momentaneamente sem reação.
Para minha sorte, a garçonete nos interrompeu, colocando o cardápio na frente de Phill. Ele correu o olho por todo o menu e, sem olhar para ela, fez seu pedido.
— Uma água com gás com gelo, por favor.
— Claro. — Pegou o cardápio, e minutos depois voltou com a água, deixando-nos novamente a sós.
— Você sabe como fico tensa quando entro em um avião. E ficar mais de um dia dentro de um, não é uma perspectiva que eu ame — eu disse, depois de dar mais algumas garfadas no meu bolo e bebericar meu chocolate quente, que começava a ficar frio.
— Sei, mas não precisa se preocupar, estarei com você — piscou.
— É inevitável, embora não entenda. Sempre tive medo, desde pequena, e confesso que a decolagem e a aterrissagem são os piores momentos.
— Sei como é, mas, no meu caso, tenho problemas com barcos. Fico enjoado só de pensar. — Gargalhou, me fazendo rir também.
Antes que eu tivesse tempo de reagir, Phill pegou meu garfo e roubou um pedaço do meu bolo, colocando-o na boca, mastigando devagar.
— Humm…
— Ei! Por que não pediu um para você?
— Porque não temos mais tempo — olhou para o relógio no pulso, pegou a carteira do bolso e jogou algumas notas na mesa —, vamos, Mady, senão vamos nos atrasar.
— Não precisava pagar — falei, levantando-me também.
— Não é nada. — Deu de ombros, indiferente.
Aproximou-se de mim e levou o polegar próximo aos meus lábios, roçando minha pele com a ponta do dedo, levando-o depois a sua própria boca. O movimento fez minhas pernas ficarem bambas, e tive que me segurar na cadeira para não cair.
— Estava sujo de chocolate. — Se afastou de mim, deixando-me mole de desejo, algo que não deveria sentir.
Bem consciente no que causava em mim, pegou sua mala, a colocou no meu carrinho e começou a se afastar, como se isso não o afetasse em nada.
— Você não vem, Mady? — Virou para mim e pude ver a fome no seu olhar.
— Si… Sim. — Peguei minha bolsa e forcei-me a segui-lo, mesmo não confiando que minhas pernas pudessem me sustentar.
Eu teria que ter muita força de vontade para sobreviver a essa viagem.