A paixão do CEO
Capítulo dezoito
O sol já brilhava forte no céu quando levantei-me da cama, tomando cuidado para não acordar Mady, que ainda dormia profundamente. Era véspera de Natal e, em meio ao trabalho, que finalmente tínhamos acabado, e ao sexo, tinha me esquecido completamente de preparar algo especial para ela, já que Madeline não poderia passar a data com os seus familiares. Por sorte, eu tinha dinheiro suficiente para pagar por agilidade e pelo melhor.
Desde que minha avó faleceu, eu não comemorava as festas de final de ano, passava esses dias trabalhando, porém queria que a primeira vez que passaríamos aquelas datas juntos fosse algo bastante romântico e memorável. Seria mais uma oportunidade para demonstrar a Mady que eu faria de tudo por ela, e que meus sentimentos eram fortes, não algo passageiro.
Depois de fazer minha higiene matinal, desci a escada, e fui para o andar térreo para usar o telefone que comunicava diretamente com a sede da ilha, discando para lá.
— Bom dia, senhor. Em que posso ajudá-lo? — Uma voz feminina soou do outro lado da linha.
— Bom dia, o Jake já chegou?
— Sim, só um momento que vou chamá-lo. — O telefone ficou mudo por algum tempo, até que ouvi o som de vozes ao fundo.
— Senhor Brown, em que posso ajudá-lo? — perguntou o gerente, com o seu sotaque nasalado.
— Sei que está em cima da hora, mas você pode providenciar algumas coisas para mim? — Cocei a barba no meu queixo. Confesso que estava precisando apará-la, porém Mady parecia gostar dela assim. Ainda mais quando meus pelos roçavam nas partes internas das suas coxas em meio ao oral.
— Posso pedir que tragam de helicóptero da cidade mais próxima, mas depende do que o senhor deseja.
— Eu gostaria que você providenciasse alguns enfeites natalinos para decorar a pequena sala de jantar e que mande alguém para ornamentar o local enquanto eu e Mady passeamos pela ilha. — Pausei, listando mentalmente tudo que eu precisaria pedir. — Quero muitas velas também. Hummm, existe a possibilidade de vocês prepararem algo especial para a ceia? Posso recompensar bem a todos pelo favor de última hora.
— Claro. Miny, a auxiliar de cozinha, está precisando de uma renda extra, então tenho certeza que ela pode preparar algo. Para ser sincero, ela tem um tempero melhor que o do chef. — Riu do próprio comentário, me fazendo sorrir. — Só não conte para ele.
— Pode deixar, será um segredo nosso. Fale para Miny que estou pensando em uma salada de entrada, algo com salmão como principal, e um mousse de chocolate. Ela será bem paga por isso.
— Okay. O senhor quer que eu providencie um presente também? — Franzi o cenho, estranhando a pergunta, pois, para mim, comprar um presente para alguém era algo bastante pessoal. Contudo, depois de um tempo, me lembrei que muitas pessoas endinheiradas delegavam essas compras a suas secretárias e funcionários, algo inaceitável para mim. — Um par de brincos ou um anel?
— Não precisa — respondi, depois de passar um tempo refletindo.
— Mais alguma coisa, senhor?
— Um bom vinho para acompanhar.
— Ótimo. Já começarei a providenciar tudo que o senhor pediu, mas caso se lembre de mais alguma coisa, é só me avisar. O senhor prefere que entreguem o café da manhã no bangalô?
— Se possível.
— Okay.
— Obrigado, Jake.
— É um prazer, senhor.
Desliguei o telefone e permaneci encostado na ilha de mármore da cozinha, observando a vista, perdido em meus pensamentos, até que ouvi os passos de Mady descendo as escadas.
— Phill? — chamou-me, com sua voz ainda rouca. — Onde você está?
— Estou na cozinha. — Continuei parado, esperando que ela se juntasse a mim.
Assim que se aproximou, envolveu minha cintura com seus braços finos, dando uma mordidinha no meu ombro.
— Bom dia, Phill.
— Bom dia, querida. — Virei-me em seus braços e a abracei de volta, dando um selinho nos seus lábios rosados e sedutores. — Dormiu bem?
— Sim, e você? Acordou cedo?
— Não muito, faz pouco tempo. Já pedi para entregarem nosso café-da-manhã aqui.
— Humm. — Enlaçou meu pescoço e tomou minha boca em um beijo que começou suave e foi se aprofundando, com sua língua enlaçando a minha, explorando-me. — Assim está melhor — sussurrou, sem fôlego, quando se afastou em busca de ar.
— Realmente. — Puxei-a com força para mim, roçando seu corpo no meu e unindo nossas bocas novamente, devorando-a. Estava mais do que viciado no seu gosto. Erguendo-a em cima do balcão, afastei suas pernas com a minha coxa e fui descendo minha boca até o topo dos seus seios, me demorando nos lugares que sabia serem as zonas erógenas dela. Quando comecei a friccionar meu pau na sua entrada, a fim de excitá-la, alguém bateu na porta, fazendo com que Mady desse um saltinho e tentasse se afastar. Merda!
— Deve ser o nosso café da manhã — sussurrou.
Afastei-me dela, soltando um rosnado por ser interrompido, me arrependendo de ter pedido o maldito café. O clima tinha ido por água abaixo.
— Já vai — falei grosso.
— Phillips — Mady me recriminou, descendo da ilha de mármore.
— Okay, me desculpe.
Caminhei em direção a porta e a abri para o homem que segurava uma travessa grande contendo nossa refeição. Pedi que a colocasse na bancada, dei uma gorjeta, mesmo que ele tenha atrapalhado meu prazer, e o rapaz saiu logo do bangalô. Fiz um gesto para que Mady se sentasse no banco alto e comesse. Sentei-me ao lado dela, peguei um pãozinho da bandeja e me servi de uma xícara de café.
— O que você quer fazer hoje? — ela perguntou, depois de terminarmos nossa refeição.
— Que tal mergulharmos no outro lado da ilha? Ainda não conseguimos ver a barreira de corais. — Relembrei-a da tarde em que transamos pela primeira vez, fazendo-a ruborizar.
Nadar no outro lado da ilha era a desculpa que eu precisava para afastá-la da casa, para que os funcionários deixassem tudo pronto para a noite. Esperava que ela gostasse da surpresa.
— Uma ótima ideia, deve ser lindo. Só vou ligar para minha irmã antes de vestir o maiô. — Deu-me um beijo prolongado e se levantou.
— Perfeito. Enquanto isso, vou ver se tem algum e-mail do Miller.
— Okay.
Fiquei observando-a caminhar em direção às escadas, depois saltei do banco e fui até a sala a fim de abrir meu e-mail. Ainda tinha algumas coisinhas para resolver.
Passamos o restante da manhã e da tarde mergulhando na barreira de corais, que por sinal, foi uma experiência incrível. Paramos apenas alguns instantes para nos hidratar e comer algo, descansando por um tempo nas espreguiçadeiras fincadas na areia. Voltamos para o bangalô quando já estava bem escuro. Nunca esqueceria esse dia, principalmente o sexo que fizemos em meio a água cristalina e o recife. Não sabia que Mady iria sugerir algo tão louco, porém não podia negar que foi delicioso, embora um pouco estranho pela falta de apoio. Mal podia esperar pela próxima aventura sexual proposta por ela. Com Madeline, nada nunca pareceria igual.
Por de trás da aparência séria e profissional, aquela mulher pegava fogo. Não via a hora de transar com Mady no meu escritório, com aquela maldita saia-lápis justa que usava quando ia trabalhar, que me fazia fantasiar. A imagem dela rebolando em cima de mim, com a saia levantada até a cintura, comigo sentado na minha cadeira presidencial, tornava-se cada vez mais vívida na minha mente. Era uma das primeiras coisas que faria quando voltasse para Nova Iorque.
Afastei esses pensamentos enquanto tentava prestar atenção na comédia romântica natalina que passava na tv e pegava um pouco de pipoca do balde, contudo a ansiedade começou a corroer dentro de mim. Faltava pouco para meia-noite e nem tive tempo de conferir o que os funcionários da ilha prepararam na sala de jantar. Naquela altura do campeonato, só me restava confiar neles.
Depois de tomarmos um banho para tirar o sal e a areia da pele, nos amando novamente, e indo até a cozinha para comermos alguma coisa leve, perguntei a Mady o que ela queria fazer, e ela sugeriu que fôssemos assistir um filme, para ficarmos bem agarradinhos. Acho que esse era o terceiro, mas não sabia ao certo, estava mais preocupado com o que ela acharia da surpresa. Os minutos passavam lentamente e quando deu cinco para meia-noite, suspirei, aliviado.
— Que foi, Phill? — Me encarou, e seus olhos castanhos brilhavam de felicidade.
— Tenho uma surpresa para você, Mady.
— Surpresa? — perguntou, animada. — Onde?
— Você vai ver. Só que para isso, vou ter que te vendar.
— Huum… parece delicioso. — Passou a língua pelos lábios, maliciosa.
— Não é nada disso que você está pensando, bobinha. Venha cá.
— Que pena — fez um muxoxo —, mas adoro uma surpresa. Não vejo a hora de saber o que é.
Virou de costas para mim e esperou que eu vendasse seus olhos com uma gravata, já que não tinha coisa melhor para usar. Aproveitando que ela estava vendada, peguei uma caixinha na minha mala, guardando no bolso da minha calça de moletom.
— Phill? — Sua voz soou bastante rouca aos meus ouvidos.
— Preparada?
Assentiu com a cabeça, então a peguei no colo, fazendo com que ela soltasse um gritinho com o movimento inesperado. Saí do quarto, descendo as escadas com cuidado, para que um desastre não acontecesse até chegar à sala de jantar. Com um pontapé de leve abri a porta e pousei-a na soleira, de costas para o cômodo. Quando olhei para o ambiente, percebi que não poderia estar mais perfeito. Arranjos feitos com bolas natalinas e festões, em prata e vermelho, estavam espalhados por todo o ambiente, várias velas queimavam em suportes de ferro pintados de dourado enfeitados com laços, e um pequeno pinheiro de plástico todo decorado estava no canto da pequena sala. Além disso, a mesa estava impecavelmente arrumada nas cores mais tradicionais do período.
— Phill? — me chamou, estranhando o silêncio súbito.
Sem responder, tirei a venda improvisada dos seus olhos e ela me encarou, não entendendo por que eu a tinha levado até ali, quando seu olhar fixou-se no alto.
— Um visco?
— Sim. E sabe o que diz a tradição, não é?
Sem esperar resposta, aproximei o seu corpo do meu, beijando seus lábios até roubar todo o ar dos seus pulmões, exigindo com a minha língua e lábios sua total entrega.
— Phillips… — sussurrou contra a minha boca.
— Feliz Natal, meu amor. — Virei seu corpo em direção a sala de jantar e quando percorreu todo o ambiente com o olhar, ela arquejou de surpresa contra meu peito.
— Phill… — Adentrou o local e tocou em um dos arranjos natalinos que estava sobre a mesa. — Você fez isso para mim?
Aproximei-me dela e limpei com as costas das mãos uma lágrima que escapou dos seus olhos.
— Sei o quanto essa data é importante para você, e já que você não pode estar com seus familiares… — Dei de ombros.
— Ficou lindo! Não tenho palavras para te agradecer — sussurrou, parecendo emocionada.
— Sempre farei o que estiver ao meu alcance para te fazer feliz, Mady. — Passei a mão no rosto dela, acariciando-a. — Sempre.
Tirei o embrulho do bolso da calça, pousando em suas mãos trêmulas. — Abra, é para você.
Sem jeito, Madeline abriu a caixinha, mal acreditando no que seus olhos viam.
— Phill, é maravilhoso — mais lágrimas escaparam dos seus olhos quando viu a correntinha de ouro com um pingente de um pequeno cachorrinho com o nome Toby gravado atrás —, foi a coisa mais linda que já me deram. Mas quando você ...?
— Eu comprei a correntinha a bastante tempo, em um joalheiro de Nova Iorque. Achei que você poderia gostar assim que vi o pingente, quando fui comprar um relógio. Só mandei gravar o nome do seu bichinho. — Virei ela de costas para mim e peguei o colar das suas mãos, a fim de o colocar em seu pescoço. Depois de me embaralhar com o fecho delicado, pousei meus lábios na sua nuca, fazendo com que seus pelos se arrepiassem. — Fico feliz que gostou.
— Eu amei, mas não tenho nada para você. — Pousou a mão no pingente, ainda incrédula, se movendo para me encarar.
— Você me deu muito mais do que imagina, Mady. E ainda te mostrarei o quanto. — Abracei-a com força e roubei mais um beijo seu, deixando-nos sem fôlego, demonstrando tudo aquilo que eu queria dizer apenas com o toque dos meus lábios, evidenciando todo o desejo e sentimento que nutria por ela.
— Obrigada, Phill — murmurou contra minha boca. — Feliz Natal para você, também.
— Está com fome?
— Um pouco — riu —, vamos comer?
— Primeiro as damas. — Me afastei para puxar uma cadeira para ela se sentar e fui servi-la. Comecei enchendo sua taça com o vinho tinto, que, pelo que olhei de relance, era de uma das melhores safras, depois, coloquei um pedaço de salmão e salada no seu prato. Sentei-me de frente a ela, preparando um prato para mim também.
— Um brinde a gente, Mady.
— A nós. — Bebericamos o líquido depois que nossas taças se tocaram. Seus olhos castanhos transbordavam satisfação e felicidade.
Enquanto comíamos, conversávamos sobre várias coisas, relembrando, principalmente, como era o Natal em nossa infância. Depois de nos darmos por satisfeitos, saímos do bangalô e nos sentamos nos degraus da casa. Mady pousou a cabeça nos meus ombros, e ficamos ali observando o mar e as estrelas até que o cansaço pesasse sobre nós e a aurora começasse a surgir, obrigando-nos a entrar e deitar na nossa cama.