A paixão do CEO

Aline Damasceno · Capítulo 15 de 24

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A paixão do CEO

Capítulo treze

 

Usando o vestido preto de alças finas rendado que ele tinha sugerido, um scarpin da mesma cor e brincos combinando, desci do táxi juntamente com Phillips, depois dele pagar a corrida, e caminhamos até o edifício espelhado com metal exposto, onde ficava o restaurante. A mão de Phill, pousada levemente nas minhas costas, fazia com que um arrepio descesse até a base da minha coluna. Minha pele estava arrepiada, não pelo frio, já que a noite estava quente e a lua já brilhava alta no céu.

Subimos as escadas que levavam ao segundo andar, onde ficava o restaurante, e adentrando a recepção o que eu vi me tirou completamente o fôlego. As grandes vidraças que cercavam todo o ambiente, fazendo a vez das paredes, davam a impressão que o local foi construído no mesmo nível do mar, mesmo estando bem acima dele. A vista era incrível. Deveria ser ainda mais lindo de manhã ou de tarde, onde se podia ver com detalhes o azul cristalino das águas que pareciam invadir o restaurante. Torcia para que tivéssemos a oportunidade de voltar lá quando tivesse mais luz.

— É maravilhoso. — Suspirei, encantada com o local.

— Sim. Maravilhosa — disse enquanto olhava para mim. — Sabia que ficaria perfeita com esse vestido.

— Obrigada — tentei não ruborizar, mas foi impossível —, você também não está nada mal — brinquei, tentando descontrair. Ele arqueou uma sobrancelha para mim.

Inicialmente, me pareceu uma boa ideia sair para jantar e me divertir com Phill, porém me sentia bastante confusa internamente, e não sabia se fora tão sensato assim. Mesmo que não devesse, era impossível não sentir uma pontinha de nervosismo. Já tinha saído para almoçar e jantar com Phillips antes, e essa vez, não deria ser diferente das outras. Contudo, a intimidade e a beleza do local faziam com que me sentisse assim. E isso deveria ser mais que evidente para Phillips, pois, não sei como, parecia conseguir ler cada gesto e expressão minha.

— Relaxe, Mady. — Passou as mãos nos meus ombros, apertando-os levemente, massageando-os, deixando um rastro de fogo, que se espalhou por todo o meu corpo. — É só um elogio e um jantar.

— Okay. — Dei um sorriso para ele.

— Se quiser, podemos ir embora.

— Você sabe que eu odiaria fazer isso.

— Sei… — Franziu o cenho, fingindo uma expressão severa. — Tem uma pessoa aqui que é uma grande tarada por frutos do mar.

— Ei — dei um tapinha no seu peito, e caímos na risada —, não é justo você jogar isso na minha cara.

— E não era para ser — deu de ombros —, só espero que você não se decepcione.

— Nem eu. Não me arrumei toda para comer frutos do mar meia boca. — Fiz um gesto, mostrando meu visual.

— Se arrumou só por isso, é?

— Para que mais seria, além de agradar a mim mesma? — Ri, fazendo-o gargalhar também. — Para se comer uns bons lagostins, nem sei se tem aqui, ou ostras e mexilhões, preciso estar com a melhor aparência possível.

— Se você está falando — deu de ombros —, vamos?

Assenti e caminhamos em direção ao maitrê, que recebia e acompanhava outros clientes que haviam passado por nós. Aquela pequena conversa boba me fez relaxar um pouco, além de ter deixado o clima mais leve.

— Boa noite, senhores, sejam bem-vindos ao Scotch & Co — cumprimentou educadamente o recepcionista, que segurava um tablet nas mãos. — Possuem reserva?

— Sim, uma em nome de Phillips Brown — falou.

— Mesa para dois? — o funcionário perguntou, depois de confirmar que tínhamos reserva.

— Sim.

— Okay, a mesa já está disponível para os senhores. Irei levá-los até lá.

— Obrigada. — Sorri para o homem, que apenas assentiu.

Caminhamos atrás dele, que nos colocou numa mesa próxima a parede de vidro que dava para a baía. Embora estivesse escuro, era ainda mais lindo de perto.

— Poderia ficar olhando para sempre essa vista — falei, me ajeitando na cadeira em frente ao Phill.

— É bonita, mas acho que deve ter vistas mais lindas em toda a Sydney. — Dessa vez não tentou me elogiar, fazendo com que um pedacinho de decepção fincasse no meu peito. Eu estava ficando, absolutamente, louca.

Permanecemos em um silêncio confortável até que um garçom se aproximou de nós, colocando o cardápio na nossa frente, servindo água em uma taça, aguardando de lado que fizéssemos nossos pedidos. Quando olhei os preços, quase caí de costas.

— Escolha o que quiser, Mady — Phill me olhava firmemente —, não se preocupe com valores. Não teria te trazido aqui se fosse pagar a conta.

Mesmo que Phillips sempre tenha pagado a conta quando saímos para comer algo nos lugares luxuosos que ele gostava, isso sempre me deixava desconfortável.

— Tudo bem, mas eu fico sem jeito, como sempre.

— Besteira, acho que você já deveria estar acostumada com isso. — Abriu um sorriso, que me tirou completamente o fôlego.

— Se você diz. — Dei de ombros. — Você me mima demais, sabia?

— Sei, e é um enorme prazer fazer isso por você… — Deixou algo no ar, que me fez arrepiar inteira. — Vamos escolher logo, antes que acabe o horário da nossa reserva — brincou.

Depois de escolhermos um prato frio de ostras, salmão e melancia como entrada, uma travessa de frutos do mar e um linguine para cada como prato principal, entregamos os cardápios para o garçom, que registrava o pedido em um tablet.

— Mais alguma coisa, senhor? — perguntou o homem.

— O melhor vinho branco que a casa tiver — Phill pediu.

— Temos um Chardonnay. É do seu agrado?

— Perfeito para mim, e para você, Mady?

— Como não sei nada de vinhos, para mim está ótimo.

— Só um momento que irei trazê-lo — o garçom disse, depois de registrar na comanda eletrônica. Fez uma mesura e se retirou, deixando-nos a sós.

— Além de ser um adulador, você é muito extravagante, sabia? — brinquei. — Se eu continuar convivendo com você, não duvido em nada que virarei uma daquelas mulheres esnobes de nariz em pé.

Enquanto ríamos do meu comentário, o garçom trouxe a garrafa de vinho, servindo nossas taças e pousando o recipiente em um balde com gelo em cima de um carrinho que ele tinha empurrado até nossa mesa. Deixou-nos novamente a sós.

— Ei, eu sou um homem simples e consigo ser uma boa influência... — Arqueei a sobrancelha, como se duvidasse dele. — Pelo menos, sou quando eu quero. — Rimos, e passei a mão no rosto, limpando uma lágrima que caiu em meio ao riso. Nesse ponto, toda a tensão que sentia anteriormente, se evaporou completamente.

— Pior que nem consigo te imaginar virando uma verdadeira dondoca. Estou tentando, porém roupas de grife com estampa de bicho não combinam muito com você. Nem mesmo casaco de pele falso ou sapatos extravagantes. É muito brega.

— Realmente — pensei por alguns minutos, bebendo o vinho —, embora um vestido ou saia com estampa de animal não fosse uma má ideia. Pensando bem, assim que eu chegar em Nova Iorque farei umas compras.

Ele fez uma careta, me fazendo rir ainda mais.

— Que foi? Está na moda e foi você quem deu a ideia. — Dei de ombros.

— Me arrependo completamente de tê-la dado.

— Acho que até vou te comprar uma gravata de oncinha como presente de Natal. Tenho certeza que combinará bem com o seu blazer preto.

— Isso faria de mim a piada do ano. — Cerrou os dentes, fingindo que estava com raiva, fazendo-me rir ainda mais.

Ficamos nos provocando e conversando por alguns minutos até que nossa entrada chegou. Estava, simplesmente, divina. O tempero e molhos, combinado com o frescor dos frutos do mar, era um afrodisíaco na minha língua.

— Humm… Superou todas minhas expectativas — disse, depois de provar o prato principal e o linguine.

— Realmente estava muito bom…

— Posso parecer oferecida, mas não ligaria de voltar aqui, ainda mais de manhã.

— Podemos voltar, mas acho que devem existir outros lugares legais para se conhecer.

— Verdade.

— Não vai querer sobremesa hoje? Que milagre.

— Já que você falou, vou querer um pedaço de torta de chocolate.

— Você e seus chocolates, parece que não existe outro doce para você. — Balançou a cabeça em negativa, fazendo um gesto para chamar o garçom e pediu que me trouxesse um pedaço da sobremesa.

Enquanto eu comia, deliciando-me a cada garfada da torta que colocava na boca, Phill bebericava seu vinho e me observava, parecendo gostar do que via. Seu olhar transbordava satisfação e um pinguinho de desejo, fazendo com que um calafrio de antecipação me varresse por inteiro.

Era impossível negar, estava cada vez mais atraída pelo meu chefe e teria que usar toda minha força de vontade para lutar contra isso.

— Você deseja mais alguma coisa, Mady? — perguntou, quando pousei o talher sobre o prato vazio.

— Estou satisfeita. — Beberiquei um pouco da minha água, sentindo minha boca ficar repentinamente seca.

Phill fez um gesto para o garçom pedindo a conta, que logo colocou sobre a mesa uma carteira com a comanda que discriminava os preços. Ele nem ao menos olhou-a e passou o seu cartão na maquininha, deixando uma boa gorjeta em cima da mesa para o garçom. Phillips era um homem generoso, e isso era algo que eu admirava muito nele. Não contive o sorriso que brotou dos meus lábios, fazendo com que Phill sorrisse de volta, satisfeito.

— Obrigada, senhor — agradeceu, quando viu a nota de cem dólares em cima da mesa.

— De nada. Vamos, Mady? — Estendeu a mão para mim, a fim de ajudar a me erguer da mesa.

— Claro. — Com uma mão peguei minha bolsa, e com a outra segurei a dele, me levantando.

Pensei que ele soltaria minha mão, porém não o fez, e para ser sincera, nem me importei, mesmo que parecêssemos um casal na frente dos outros.

— O que faremos agora? — perguntei, enquanto caminhávamos de mãos dadas para fora do restaurante.

— Já que ainda é cedo, pensei em caminharmos um pouco pela faixa estreita da praia. O que acha? — Seu olhar verde brilhava com uma intensidade de tirar o fôlego, deixando minhas pernas um pouco bambas.

— Seria perfeito.

Caminhamos até a praia, e, assim que nos aproximamos da areia, soltei a mão dele. Sentei-me em um banquinho próximo a orla e tirei meus sapatos de saltos.

— Será bem melhor caminhar assim.

Assentiu, concordando.

— Quer que eu os leve para você?

— Não precisa, Phill.

— Você já está carregando a bolsa…

— Se você faz tanta questão. — Entreguei os sapatos para Phillips assim que me levantei. Ele carregou-os com uma mão.

Quando meus pés entraram em contato com a areia fria, ele estendeu-me a mão livre em um pedido silencioso para que continuássemos caminhando de mãos dadas. Ergui minha mão em resposta, segurando seus dedos entre os meus.

Caminhávamos em um silêncio confortável pelo trecho da praia, vendo as ondas negras pela escuridão da noite se quebrando de encontro a areia, embora as estrelas e a lua iluminassem o local, deixando a paisagem ainda mais bela.

Não podia negar que tudo isso tornava a paisagem romântica, fazendo com que eu soltasse um suspiro bastante audível.

O jantar e um passeio na praia, de mãos dadas, tornava tudo perfeito.

— Tudo bem, Mady? — Phill parou de andar, a fim de me encarar, e soltou minha mão.

Nunca pensei que uma sensação de perda me invadiria só de não sentir seu toque.

Virei na sua direção e, olhando para os olhos verdes dele, me aproximei colocando as mãos em seus ombros.

— Não sei como agradecer por essa noite… — sussurrei em seu ouvido, e vi os pelos dele se eriçarem.

— Você sabe que não precisa me agradecer, Mady. — Sua voz saiu grossa, arrepiando-me por inteiro.

— Mas eu quero…

Em um gesto impulsivo, subi com a mão do ombro para o seu rosto e aproximei seus lábios dos meus, fazendo com que ele soltasse as sandálias na areia. Estava esperando pela minha iniciativa, provavelmente com medo de que eu recuasse.

Sabia que não deveria beijá-lo, que era errado, mas o clima romântico que pairava me deu coragem para fazê-lo.

Mordisquei o lábio superior dele. O beijo começou suave, um leve roçar, com breves selinhos, como se fosse um primeiro reconhecimento das nossas bocas. Lentamente, em meio ao beijo, fui pedindo passagem e quando a sua língua encontrou a minha, dei vazão ao momento e aprofundei-o. O gosto do vinho branco em sua boca era um afrodisíaco para os meus sentidos, me deixando desperta. Enquanto nos beijávamos, comigo controlando os movimentos, Phill pousou as duas mãos na minha cintura e me puxou para seu corpo forte e rígido, fazendo com que eu soltasse um gemido de prazer…

Sem pensar racionalmente, embriagada pela avalanche de sensações que ele me despertava com apenas um beijo, deixei-me levar até que perdêssemos o fôlego.

Assim que recuperamos um pouco o ar, Phillips tomou novamente minha boca com a sua, mas, dessa vez, assumindo o comando, deixando evidente todo o desejo que sentia por mim. Ele devorava meus lábios, como um animal faminto, fazendo com que minhas pernas ficassem cada vez mais bambas de desejo.

Nunca pensei que beijar meu chefe poderia ser tão prazeroso, que pudesse despertar tanta libido dentro de mim.

Estávamos tão inebriados pelo sabor um do outro, que só senti que estava deitada de costas na areia quando Phillips, que estava com seu corpo colado ao meu, passou a mão pelo meu seio sobre o tecido do vestido enquanto roubava todo o ar dos meus pulmões com o beijo.

— Phill? — chamei-o, quando a racionalidade suprimiu parte do desejo que eu sentia.

Tínhamos que manter nossa relação do jeito que estava, eu tinha muito a perder caso cedesse a ele.

— Hmm…? — Desceu a cabeça e mordiscou a minha garganta, sentindo minha pulsação acelerada, arrepiando-me inteira com o gesto.

— Não podemos… — minha voz soou fraca e rouca, contrastando com minhas palavras.

Ele rolou para o lado, saindo de cima de mim. Foi inevitável não sentir falta do calor do seu corpo e do gosto da sua boca.

— Eu quero, mas tenho medo, por nós dois… por mim. Não quero perder o que temos.

— Tudo bem, Mady — disse, depois de pensar por um tempo —, como disse antes, posso esperar o tempo que for, vou aceitar qualquer decisão que você tomar. Mas prometo que nada vai destruir o que nós dois temos.

— Como você tem certeza disso?

Virou-se para mim, olhando-me fixamente.

— Eu não sei, apenas sinto dentro de mim. — Nenhum homem pareceu tão sincero comigo. Queria muito acreditar nisso, mas não sabia se podia. O medo e a mágoa ainda eram grandes. Também tinha que digerir o inevitável, que nada seria o mesmo, pois os meus sentimentos em relação ao Phillips estavam mudando vertiginosamente, e em pouco tempo.

De uma forma ou de outra, poderia acabar com o coração partido.

— Hmmm… obrigada por entender. — Sorri para ele e busquei seus dedos com os meus, entrelaçando-os.

— Não por isso. — Levantou nossas mãos e deu um beijo suave e carinhoso na minha.

Ficamos em silêncio por um momento, apenas ouvindo o barulho das ondas se quebrando.

— Vamos? — Phill se levantou, e me ajudou a fazer o mesmo. — Está ficando tarde, e temos que acordar cedo para a viagem a Ilha Pumpkin amanhã.

— Não acha melhor eu encontrar outro local para ficar? — falei, enquanto tentava tirar a areia que tinha grudado no meu vestido e pegava minhas sandálias.

— Não precisa, a suíte se provou muito confortável para nós dois — Arqueou uma sobrancelha para mim.

— Bem… — Fiquei sem jeito em dizer que não poderíamos continuar dormindo na mesma cama. Depois de apanhar minhas coisas, caminhamos até um ponto de táxi.

— Entendi, posso dormir no sofá se você ficar mais confortável.

— Eu também posso, como tentei fazer logo que chegamos. — Nem sei o que tinha me passado pela cabeça quando aceitei dividir uma cama com ele. — Não precisa se sacrificar por mim, você já custa a pegar no sono.

— Já dormi em lugares piores do que um sofá.

— Você é um cavalheiro, sabia? — Sorri para ele quando entramos no carro e ele indicou ao motorista o destino.

— Só com você, minha querida. — Piscou para mim, demonstrando que estava brincando.

— Até parece!

Apenas deu de ombros e engatou outro assunto.

É, estava cada dia mais difícil resistir ao bom humor, o carinho e a atenção dispensados pelo meu chefe.