A Paixão Mais Sombria
Capítulo Dezoito
OLIVIA SE SENTOU na beirada da cama de Aeron, com o quadril pressionado contra o do guerreiro. Legião se sentou do outro lado, também com o quadril pressionado contra o dele. Preocupadas com o seu estado, as duas tinham trabalhado juntas para tirar suas roupas. Olivia não se permitira olhar para o seu pênis, mesmo que a voz lhe tenha dito inúmeras vezes para fazê-lo.
Ah, sim. A voz da tentação retornara.
Aeron estava fraco, e qualquer tentativa de aproveitar-se disso teria sido um erro. Ele estava tão fraco que não se movera nenhuma vez. Ele parara até de gemer, embora ela não estivesse cantando. E Olivia imaginou que isso não seria um bom sinal.
Sua ferida continuava sangrando, e mesmo que aquele pedaço de tecido atado ao seu ombro se limpasse sozinho, não conseguia absorver tanto fluxo e estava completamente encharcado. Sua pele tatuada estava viscosa e não mais quente e suada. Para aquecê-lo, elas tinham colocado cobertores em toda a sua volta, mas isso não fizera subir sua temperatura.
Como último recurso, sentaram-se ao seu lado, esperando que o calor de seus corpos fosse a cura mágica.
— O que você fez com ele? — Legião exigiu saber, acariciando-o com mãos nervosas.
— Nada — respondeu Olivia, mas sem conseguir afastar o tom de culpa da voz. Deveria ter feito mais por ele. — Ele foi atingido pelos Caçadores.
— Porque você não o protegeu.
Bata nela.
Ignorar a voz já não era tão difícil, pois sua preocupação por Aeron superou todas as outras coisas.
— O que eu poderia ter feito? — E a pergunta lhe trouxe uma nova onda de tormento.
— Poderia ter levado o tiro no lugar dele. Eu teria feito isso.
Sim, Legião provavelmente teria feito isso. Eu sou um fracasso como namorada. Não que ela fosse sua namorada. Mas queria ser, então deveria ter agido como tal.
— Mesmo que Aeron sobreviva... — o que aconteceria, pois ela não aceitaria outra coisa — ... morrerá em poucos dias por culpa sua. — Ah, Divindade. A culpa se juntou ao tormento.
— Mentirosa! — Ainda que a palavra tenha sido resmungada, Legião arqueou o corpo e gentilmente beijou a testa de Aeron. — Você ouviu isso, querido? O seu anjo é mentiroso. Você nunca vai morrer. Eu não vou deixar.
Livre-se dela e exija seu homem.
Mais uma vez Olivia ignorou aquela voz e toda a escuridão que vinha com ela.
— Em nove dias, um anjo assassino virá atrás dele. Esse assassino lhe cortará a cabeça. Por culpa sua. Porque você não ficou no inferno, onde é o seu lugar. — Agora era raiva.
Legião esticou o corpo, virou-se na direção de Olivia, com os dentes à mostra em uma expressão de puro ódio. Mais uma vez, seus olhos brilhavam com aquele vermelho demoníaco.
— Mais uma palavra, e vou esfaqueá-la quando estiver dormindo.
— ENQUANTO EU ESTIVER dormindo ao lado de Aeron? — A provocação era toda dela, e não poderia se arrepender.
— Sua puta!
— Opa, briga de mulher — disse uma voz divertida que vinha da porta.
William.
Se ao menos tivesse ficado fascinada por William, pensou Olivia. Ele a teria seduzido naquele primeiro dia, e como ele não era capaz de manter a atenção focada em uma única pessoa por mais que alguns dias, ela teria facilmente aberto mão dele após suas duas semanas de experiência.
Mas, por outro lado, ela provavelmente teria arrancado sua cabeça, se lhe fosse ordenado, então não teria sacrificado todo o seu futuro por pouco tempo ao lado dele, pra começo de conversa. Enquanto Aeron era altruísta, William era egoísta, uma característica que teria sido irritante em qualquer outra pessoa. Mas William a usava muito bem, isso sem dúvida.
Ele estava com um dos ombros apoiado na soleira da porta, os braços cruzados sobre o peito.
— Sinto muito se tentamos atacar você quando chegamos em casa — ele disse a Legião.
Ele e Paris haviam ficado completamente assustados ao ver a estranha mulher descer as escadas correndo, gritando o nome de Aeron. Eles a atiraram ao chão. Apenas a explicação de Olivia sobre quem era ela, e sobre como conseguira tal aparência, evitou que os dois lhe aplicassem o golpe fatal.
Eu deveria ter ficado quieta, pensou Olivia. Não que isso garantisse uma consequência positiva. Torin, cujos ouvidos e olhos estavam em todo lugar na fortaleza, ao que parecia, rapidamente confirmara sua história.
— Mas você não pode nos culpar — disse William, calmo. — A mudança é estarrecedora. Além do mais, eu achava que já tínhamos atingido nosso limite de mulheres bonitas há muito tempo, e que não poderíamos ser tão sortudos a ponto de receber mais uma.
Eca. Ele estava flertando. William nunca parava? A única vez em que não o vira flertando fora no banco de trás do carro, quando voltavam para a fortaleza. Gilly bem que tentara atrair sua atenção, mas ele estranhamente permanecera em silêncio.
— Bem, isso não quer dizer que você seria um adversário à minha altura — disse a menina demoníaca, provavelmente involuntariamente encantada por William. Todas se encantavam, certo?
— Assim você está ferindo minha honra. — Ele bateu no peito. — Vamos ter de lutar de novo depois, para ver quem sai por cima. Eu prefiro lutar nu. E você?
— Você disse que conversaria com os outros — disse Olivia, interrompendo-os. — Alguém tem ideia do que pode ter acontecido a Aeron?
— É exatamente por isso que estou aqui — disse William, aceitando a mudança de assunto sem reclamar. — Torin acha que ele foi envenenado.
Veneno. Fazia sentido. E, considerando as pessoas de alto escalão que se relacionavam com os Caçadores, ela poderia apostar que tratava-se de veneno enviado pelo céu. Pois um veneno humano, assim como álcool humano, não o teria afetado de forma tão severa.
— Torin tem algum antídoto? — ela perguntou, com esperanças.
William fez que não com a cabeça, sério.
— Ele já pediu às mulheres que procurem entre os antigos pergaminhos de Reyes, por isso eu lhes daria algumas horas antes de começar a entrar em pânico.
Horas? Aeron aguentaria tanto tempo? Ela engoliu em seco, as lágrimas queimavam seus olhos. Talvez fosse o momento de mudar mais uma vez de assunto. Se ela se desesperasse, não poderia ajudar ninguém.
— Como vai Scarlet? — ela perguntou, tremendo.
— Trancada, e ainda dormindo. Aquela belezinha... — ele acrescentou, pensativo. — Eu acho que poderia ter algo com ela.
— Bem, eu acho ela feia — Legião bufou. — Assim com o anjo.
— Anjo caído — disse Olivia, sem nem olhar para Legião, concentrando-se em William. — Saiba que essa belezinha pode matar a todos nós. Diga aos Senhores e às mulheres que fiquem sempre acordados, se possível. No momento em que eles caírem no sono, Scarlet pode invadir seus sonhos, mesmo que ela própria esteja dormindo. E eles vão pensar que o que está acontecendo nos sonhos é real, e seus corpos vão reagir de acordo com o que sentirem, fazendo com que todo mal que sofram nos sonhos vire realidade.
Espere. Aeron... Dormindo... Pesadelos... Scarlet já tinha atacado Aeron? Olivia teve de sufocar um grito ao pensar nisso. Tinha de despertá-lo. Rapidamente.
William apertou os lábios.
— Você não poderia ter nos contado essa pérola antes de chagarmos aqui?
— E teria resolvido? — Salvaria Aeron? Sou uma namorada bem pior do que imaginava.
— Não — ele respondeu, com um suspiro. — Provavelmente não.
Estaria dizendo a verdade, ou apenas tentava absolvê-la de sua culpa?
— Ah, e falando em pesadelos — ele disse —, temos animais em volta de toda a fortaleza, exatamente como havia ao redor do carro, na porta da escola de Gilly e no cemitério. Quer explicar isso?
— Bem que eu gostaria — ela respondeu, repentinamente grata a ele e ansiosa para ajudar como pudesse. — Desde que saí daquela cripta, eles estão me seguindo, e eu não sei por quê. — A última coisa que ela fizera fora invocar sua luz interior e...
E ali estava a resposta. Sua luz interior. Claro. Eles perceberam a presença da luz e estavam procurando sua fonte. Olivia explicou a William.
— Ótimo truque, mas isso está deixando todo mundo louco. E quando eu digo todo mundo é todo mundo mesmo. Lucien teletransportou o restante dos homens de volta. Você sabe, os que estavam em Roma. E aí vai uma fofoquinha. — Sorrindo, ele esfregou as mãos. — As viagens de Lucien deixam Reyes se sentindo mal, e, enquanto ele estava vomitando, teve de afastar pássaros e roedores.
— Sinto muito.
— Claro que sente — disse Legião, lançando-lhe uma expressão de puro ódio. — Você só arruma problema. Tudo dá errado quando você está por perto.
— Ah, cale essa boca! — Olivia disparou. — Nós deveríamos estar pensando em formas de salvar Aeron. Ou, no mínimo, em arrumar um médico para ele.
— Ele não precisa de médico. Só precisa de mim. E eu vou estar aqui, ao lado dele — disse Legião, livrando-se do vestido que encontrara enquanto Olivia e Aeron lutavam para salvar suas vidas. Um vestido que mal se via, claramente escolhido para rivalizar com a roupa ousada de Olivia.
Olivia ficou boquiaberta.
— Você quer ficar ao lado para seduzi-lo enquanto ele dorme?
— Exatamente. — Nua e completamente desavergonhada, Legião levantou os lençóis ao lado de Aeron e cobriu-se, claramente levando a cabo o que planejara.
— Mas isso vai ter que esperar um pouco, minha querida Legião. Preciso que venha comigo — disse William, fazendo um sinal com o dedo para chamá-la.
Franzindo a testa, ela parou, e seus seios fartos balançaram.
— Por quê?
— Por quê? — ele perguntou, como se não tivesse pensado tanto à frente.
— Sim, por quê?
— Ah, bem... Preciso apresentá-la aos guerreiros que estavam fora da cidade. Assim eles não vão tentar atacá-la quando vierem visitar Aeron. E eles vão. Visitá-lo e atacá-la, quero dizer.
Ele estava inventando aquilo enquanto falava, suspeitou Olivia, tentando lhe proporcionar um tempo sozinha ao lado de Aeron. Sentiu vontade de abraçá-lo.
— Mas não posso deixá-lo — Legião choramingou.
— Será apenas um instante. — Ele abriu um lindo e experiente sorriso. — Eu prometo.
— Certo — Legião resmungou, passando o vestido por sobre a cabeça, o tecido branco e suave caía perigosamente sobre seu corpo cheio de curvas generosas. Ela fez um barulho de desaprovação na direção de Olivia: — Se você tocar nele, vou comer seus olhos na sua frente, e você vai ter que assistir, incapaz de me deter!
Olivia não apontou a falha evidente no plano dela. Enquanto os dois saíam, William olhou para trás e deu uma piscadela para ela por sobre o ombro, fechando a porta em seguida. Como não sabia quanto tempo teria ao lado de Aeron, resolveu não perder tempo deitando-se ao seu lado.
Beije-o.
Quando as coisas se acalmassem, ela descobriria quem estava invadindo sua cabeça, e por quê.
Não o beijaria, mas rezaria.
Enquanto acariciava o peito de Aeron, ela fechou os olhos.
— Querida Divindade Celestial. Venho a Ti, como humilde serva que te adora. Este homem, ele não é maldoso, apesar do mal que carrega dentro de si. Ele é bom. É generoso. Capaz de demonstrar grande afeição e infinita lealdade. Estas são as coisas que mais valorizas. Ele deve morrer, eu sei. Mas não agora. Não assim. Tu, capaz de resolver todas as coisas, mesmo as piores, para o nosso bem, podes curá-lo, deixando-o ainda mais forte. Tu, que há muito tempo conquistastes a morte, podes salvá-lo.
Por favor, escute-me. Por favor, ajude-me.
— Por que está fazendo isso com você mesma, Olivia? Ele vai acabar morrendo de qualquer maneira.
Lysander. Fora mais rápido do que ela esperava. Obrigada, obrigada, mil vezes obrigada!
Aquela voz, que ela passaria a chamar de Tentação, deu um berro de frustração. Ele, não. Qualquer um, menos ele. Não suporto esse idiota.
— Então vá embora — ela disparou, com uma suspeita se formando. Tentação claramente odiava seu mentor, um anjo, e os únicos seres que odiavam os anjos eram os demônios.
Isso significava que Tentação era um demônio.
E vou. Por enquanto, até mais, querida.
Quando o demônio retornasse, e ele retornaria, sem dúvida, ela teria de estar mais protegida.
— Olivia? — disse Lysander.
Ela arregalou os olhos. Como era de se imaginar, seu mentor estava de pé ao seu lado. Alto, imponente, poder pulsava através dele. Suas asas douradas se arqueavam sobre os ombros, e sua túnica balançava em seus tornozelos.
O que ele tinha perguntado? Ah, claro. Por que está fazendo isso com você mesma?
— Aeron não merece morrer assim.
— Muitos não merecem a morte que lhes sobrevêm.
Ela encolheu o corpo bem perto de Aeron, agindo como seu escudo, como uma verdadeira namorada deveria fazer.
— Você teve uma segunda chance com a sua Harpia. Eu mereço uma segunda chance com Aeron.
— E quando o tempo dele acabar, vai pedir uma terceira?
Responder o que ele queria seria mentir.
— Por que está aqui, Lysander?
Um músculo tremeu no seu queixo.
— Estou aqui para anunciar que sua prece foi ouvida. Estou aqui para dizer que Aeron será curado, mas que você terá de fazer um sacrifício em troca, como é nosso costume.
Sacrifício. Sim, esse era geralmente o costume. Desde o início dos tempos, sacrifício próprio, provas irrefutáveis de amor, tudo isso sempre teve o poder de comover sua Divindade; e mudar o mundo.
— Eu aceito. Portanto, você pode fazer o que foi enviado para fazer, e depois ir embora.
Ele permaneceu imóvel.
— Você não quer saber o que vai perder?
— Não.
— Tem certeza? Bem, não importa. Eu vou dizer de qualquer maneira. Você perderá sua Voz da Verdade. As pessoas não mais acreditarão em tudo o que você diz. Você não será mais imune à dúvida. Não vai mais reconhecer uma mentira no momento em que é dita. E, caso decida voltar ao céu e ser o anjo que deveria ser, nem assim terá a Voz da Verdade. Você a perderá para sempre.
Automaticamente, suas mãos buscaram sua garganta. Perder sua verdade? Preferiria perder as mãos, como acontecera com Gideon. Como lidaria com Aeron se ele desconfiasse dela, mesmo que ela soubesse estar dizendo a mais pura verdade?
Seu olhar se voltou para ele. Tão calmo, tão pálido. Tão frágil.
— Pense com cuidado — disse Lysander. — A cada hora, a cada minuto, o caminho que está percorrendo apresenta curvas mais perigosas. E sabe o que eu vejo no final desse caminho, não importando a direção que você tome? Você sabe o que espera por você? A morte, Olivia. A sua morte. E em troca de quê? De mais alguns dias ao lado dele. Uns poucos dias ao lado de um homem que fez um acordo comigo.
— Que... que acordo?
— Eu prometi que, se ele conseguisse convencê-la a voltar para o céu, eu tentaria convencer o Conselho a poupar-lhe a vida, e também a de seu amigo demônio.
O queixo de Olivia caiu e depois sua boca se fechou. Em choque, sim, pois Lysander agora estava disposto a desafiar o Conselho, quando sempre negou os pedidos dela para que fizesse isso. O que explicava muita coisa. A visita secreta de Lysander a Aeron. Por que Aeron não lhe dera aquele orgasmo. Por que ele queria lhe mostrar o lado duro de sua vida.
Ela não significava nada para ele. Não mesmo. Como poderia significar se ele estava tão disposto a usá-la como moeda de troca? Mas ainda assim, era um homem admirável, capaz de qualquer coisa para salvar alguém a quem amasse. Para salvar Legião.
Se pelo menos a amada estivesse ali......
— Se eu voltar com você, pode me garantir que ele sobreviverá? — ela resmungou.
— Posso tentar. — O que não soou como garantia para ela. — O importante é que ele concordou — Lysander disse, antes que ela tivesse chance de responder. — Ele está disposto a se separar de você para salvar a si mesmo.
A dor aumentava, consumindo-a, sufocando-a.
— Isso vai fazer você mudar de ideia sobre a cura? — perguntou Lysander, calmamente, esperançoso. — Este sacrifício?
— Não — ela respondeu sem hesitar. Aeron colocara o bem-estar de Legião acima do dela, sim, mas isso Olivia já esperava. O que ela não esperava era perdê-lo antes que o tempo deles acabasse. Apesar de tudo, não poderia perdê-lo. — Eu ainda quero fazer esse pacto.
Os olhos de Lysander se encheram de tristeza.
— Então, que assim seja.
Após sua última palavra ter sido pronunciada, as cordas vocais de Olivia ficaram presas. Por um momento, ela não conseguiu falar nada. Nem mesmo gemer, murmurar ou respirar. Passou as unhas sobre a garganta, sua mente se escurecendo, como se fogo e gelo estivessem se misturando em seu sangue.
— Vai passar — disse Lysander, de repente na frente dela, acariciando sua testa. Era o que ele sempre fizera quando ela falhara em tentar alegrar um ser humano. Oferecera consolo. Ele sempre quisera o melhor para ela, e claramente era o que continuava querendo. Não era um homem mau, e ela deveria se lembrar disso.
Como ele prometera, o oxigênio finalmente voltou à sua garganta e aos seus pulmões. O fogo se abrandou, o gelo derreteu. A escuridão se dissipou. Aliviada, ela respirou fundo.
— Aeron teria feito o mesmo por você? — perguntou Lysander. — Não. Não responda. Apenas pense em tudo o que eu disse.
Ela assentiu. Não poderia fazer nada além disso.
— Prepare-se, querida Olivia. Aeron pode se ferir assim outras vezes. Temo que Rhea tenha oferecido aos Caçadores água dos cinco rios do Reino de Hades.
Olivia se encolheu. Aquela água usada como arma significava morte certa. Um gole, um toque, e adeus para sempre. Até mesmo a alma seria destruída. A única forma de combater o terrível veneno era bebendo água do Rio da Vida. Um rio que nem ela sabia como encontrar.
— Eles prepararam suas próprias balas, e cada uma delas contém uma única gota dessa água. — Ele pegou um pequeno frasco de dentro de sua túnica. — Aeron precisa apenas de uma gota para se curar. Eu esconderia o resto. Só por precaução. Use cuidadosamente, pois quando terminar não receberá mais.
Água do Rio da Vida? Com mãos trêmulas, ela pegou o frasco.
— Mas não pense, nem por um momento, que isso o salvará quando ele tiver a cabeça cortada. E isso vai acontecer, Olivia. Um assassino virá.
Ela baixou os olhos. Lysander a conhecia muito bem, ela estivera pensando em tudo aquilo. Não importava. Olivia sacudiu a cabeça, afastando toda a decepção e renovando sua determinação. Ela simplesmente encontraria outra saída.
— Pensei que faria um pedido ao Conselho em nome dele.
— E vou fazer. E nós sabemos qual resultado essa petição acarretará. Ele não sabe. O Conselho foi tolerante com você, mas você é uma de nós. Ele é um demônio. Não haverá tolerância.
Seria bom contar tudo a ele?
— Você me preocupa, Olivia. — Lysander suspirou. — Deixarei que faça sua tarefa.