A Paixão Mais Sombria

Gena Showalter · Capítulo 19 de 31

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A Paixão Mais Sombria

Capítulo Dezenove

 

GIDEON, GUARDIÃO DAS Mentiras, não parava de se revirar na cama. Sua cueca estava colada ao corpo molhado de suor, e suas mãos enfaixadas, ou a falta delas, pulsavam dolorosamente. O sangue tomara conta dos curativos, e mesmo tendo feito progressos, aquilo não acontecia havia semanas. Regressão?

Ele estava com sono, mas ainda estava consciente, o que era muito estranho. Estava preso na mais profunda escuridão que já encontrara. O que também era estranho, embora tecnicamente não fosse verdade. Pelo menos não para o seu demônio, claro. A escuridão dentro da caixa de Pandora fora exatamente como aquela, sufocante e enlouquecedora. Algo que Mentiras não parara de gritar desde que entrara naquele lugar estranho; gritos que se misturavam aos que estavam presentes na própria escuridão. Milhares e milhares de berros estridentes, cada um mais torturado que o outro.

Conseguir sair dali parecia impossível.

— Gideon. Gideon, acorde, cara. Você não pode dormir.

Ele ouvia a voz de Paris, queria obedecer, mas não conseguia. A escuridão era muito intensa, envolvendo por completo, apertando forte, quase afogando-o. Até o momento em que ele realmente se afogou, perdendo a consciência. Não posso respirar...

As trevas se dissiparam, e ele respirou fundo e caiu para trás. Ah, não, droga. Aranha!

Não se acalme, disse seu demônio.

Não se acalme! Ofegando, tentando não gritar como uma moça, ele colou o corpo contra a parede. A aranha monstruosa o seguia, com suas oitocentas patas batendo no chão, aqueles olhos brilhantes praticamente invadindo sua alma.

Inimigo, disse Mentiras, querendo dizer amigo.

Até parecia. Droga, droga, droga. Todas as células do seu cérebro, as quais estavam presas naquele terrível ataque de pânico, de repente o avisaram que ele seria o jantar daquela criatura. Preferia ser queimado vivo. Estrangulado. Preferia ser estripado.

— Eu vou ser tão saboroso — ele disse, desesperado. A verdade era que o seu gosto seria horrível, mas nem em sonhos poderia dizer o que isso significava. Pelo menos era o que ele achava. Nunca tentara fazer isso. E não tentaria. As consequências podiam ser devastadoras, exatamente como na vida real. Dor, dor e mais dor.

As lembranças de sua última aventura com a verdade estavam frescas na sua mente. Poucas semanas antes, dissera a um Caçador o que realmente sentia, ódio, e o que realmente queria fazer, ferir, mutilar, matar. Tudo porque ele, capaz de farejar uma mentira a milhares de quilômetros de distância, fora levado a acreditar que Sabin, guardião da Dúvida, estava morto, por obra de um Caçador. Foi estúpido da parte dele! Mas quando foi atingido pela dor, ele pensou: posso aguentar um pouco mais, e se ofereceu para a tortura, para que seus amigos não precisassem passar por ela.

Foi assim que perdeu as mãos numa serra elétrica. Elas agora eram cotocos com alguns dedos. Inclusive em seus sonhos. Por isso, não poderia se defender corretamente do Senhor Fome, que ainda o observava como se ele fosse um pedaço de carne, enquanto pulava de um lado a outro do quarto do sonho.

Aqueles cantos se fecharam sobre ele, o espaço estava encolhendo.

Droga. Não!

— Aproxime-se! Fique longe de mim. — Você quer fazer isso. — Você não quer fazer isso.

Não se acalme, repetia Mentiras.

Não havia tempo para analisar o estranho comportamento de seu demônio. Uma das patas peludas atacou. A ponta era afiada, como uma lâmina, e fez um corte na sua coxa. Talvez a pata estivesse envenenada, pois a ardência que explodiu em seguida por todo o seu corpo o fez cair de joelhos, colando seus músculos aos ossos, quase quebrando-o ao meio.

— Faça de novo — ele disse. Cale-se, apenas cale-se! Ele raramente desprezava seu demônio. Na maior parte dos dias, chegava a gostar daquele idiota. Ficava feliz por ser um soldado mais forte e mais durão graças ao seu pequeno amigo demoníaco. Mas não naquele momento. Tudo o que queria era enviar aquela maldita aranha para o fogo.

Por que tinha tanto medo de aranhas ele não sabia. Mas sempre fora assim.

A aranha atacou mais uma vez com a pata. Outro corte, dessa vez nas costas, enquanto ele tentava se virar e evitar o impacto. A dor se espalhou rapidamente, seus músculos tremiam. Os ossos de seu braço realmente se quebraram dessa vez.

— De novo — ele repetia, e as palavras saíam de sua boca como flechas. — De novo.

Não se acalme!

A aranha ficou quieta, com aquela cabeça nojenta inclinada para um lado. Observando-o, estudando-o. Droga! Ele não poderia fugir, estava encurralado.

— Fique aqui! — Vá embora! Sua respiração pesada batia contra as paredes muito próximas e ecoava.

— Por que você diz o contrário do que a sua expressão demonstra?

A voz surgira do nada. Ou talvez fosse a aranha falando. Mas ele achava que uma aranha tão feia fosse macho, e aquela voz era puramente feminina. Familiar, de certa maneira. Suave, mas forte. Relaxe, disse a voz.

Mentiras suspirou de contentamento.

— Pare! — Gideon mais forte para o animal. Não queria demonstrar passividade, como seu demônio.

Lentamente, muito lentamente, a aranha desapareceu, sua imagem piscando até não existir mais. Outro truque. Você precisa...

Uma mulher surgiu das trevas que se seguiram. Era alta e esguia, com cabelos pretos à altura dos ombros, sem uma única ondulação. Havia algo familiar em seu rosto, assim como notara antes em sua voz.

Quem era ela?

Seus olhos eram como veludo preto, seu nariz, majestoso, e seus lábios, tão vermelhos que pareciam milhares de pequenos rubis polidos e posicionados bem perto uns dos outros, em forma de coração. Suas bochechas eram bem desenhadas, seu queixo, decidido. Pelos deuses, ela era muito bonita. Uma deusa guerreira.

Seu coração continuou batendo freneticamente, ainda que Mentiras tivesse suspirado. O pânico o abandonou, deixando em seu lugar uma fascinação incandescente. Seria um truque? E daí! Sua mente certamente usara suas fantasias mais profundas para criá-la.

O suor secou em seu corpo, e o gelo se derreteu em seu sangue à medida que um rio de sangue o inundou, destruindo tudo o que tocava. Ele queria tanto esticar os braços e tocá-la, queria acariciar o seu rosto e passar os dedos pelos seus cabelos. Queria saber se ela era tão macia e sedosa quanto ele imaginava que fosse.

— Por que você diz o oposto do que quer dizer? — ela perguntou mais uma vez.

— Eu não sei — ele respondeu, querendo dizer que sabia. Poderia ter mentido com maiores detalhes, permitindo que ela decifrasse a verdade, mas foi detido por um pensamento: e se ela fosse uma Isca, uma mulher enviada para destruí-lo?

Os Caçadores agora estavam tão poderosos que podiam invadir sonhos?

Era possível. Torin o visitara antes e lhe dissera que Galen estava com um dos artefatos, e que o traidor conseguira introduzir o demônio da Desconfiança no corpo de uma mulher de cabelos pretos. O quê? Uma mulher... de cabelos pretos?

Ele ficou paralisado. Como aquela que estava na sua frente?

— Venha ao calabouço — ela disse. — Sozinho.

— Quem não é você? — ele perguntou.

— Quem não é você? — ela devolveu a pergunta.

Seguiu-se um silêncio, e a raiva tomou conta daqueles olhos escuros. Raiva e uma boa pitada daquela estranha curiosidade.

— Venha ao calabouço, ou trarei a aranha de volta — ela disse, e desapareceu.

Gideon arregalou os olhos, e sua mente consciente saiu daquele estado de sonho como se fosse um foguete.

— Graças aos deuses — disse Paris, frenético. — Finalmente.

Gideon arquejava. Ao contrário do que acontecera no seu sonho, o suor do seu corpo não secara, mas o encharcara, deixando-o completamente molhado. Porém, assim como no seu sonho, seu braço, coxa e costas latejavam, sangrando nos pontos em que tinham sido cortados.

— O que aconteceu? — ele perguntou, tremendo. — Um mosquito pequeno, mosquito sem pelos...

— Um pesadelo, como eu temia.

Uma tímida luz do sol entrou pela única janela do quarto, mas a luz elétrica estava acesa, iluminando seu amigo. Os cabelos de Paris eram multicoloridos, e cada uma das cores brilhava fortemente. Sua pele era clara, mas ainda assim tinha o brilho de uma pérola.

Gideon ficou pensando que ele poderia até ter agido como uma moça, mas que Paris parecia uma, pensou, ao recuperar os primeiros sinais de seu humor.

— Você dormiu antes de eu lhe dizer que não poderia e deve ter encontrado nossa nova hóspede.

A mulher.

— Quem não é nossa nova hóspede?

— Scarlet, este é o seu nome. E ela é um Senhor do Mundo Subterrâneo. Ou Senhora, eu acho.

Eles tinham mesmo encontrado um dos elos perdidos e trazido aquela mulher para a fortaleza?

— Ela não é guardiã do quê? — Gostaria de poder passar a mão pelo rosto e livrar-se do sono que ainda lhe restava, mas não podia.

Paris notou sua necessidade e esfregou os olhos de Gideon com a manga de sua camisa.

— Pesadelos, aparentemente. Muito bonita, se você gostar do estilo durona, mas evidentemente tão louca quanto os Caçadores.

Pesadelos. Por algum motivo apenas aquela palavra era suficiente para quase levar seu próprio demônio a um orgasmo. Ele ficou imediatamente imaginando por que a garota lhe parecera tão familiar.

Fique, fique, fique. Mentiras não parava de repetir em sua cabeça.

— Olivia nos ajudou a capturá-la, está presa no calabouço — disse Paris.

— Ela está ferida, certo? — ele perguntou, jogando suas pernas fracas para fora da cama.

— O que você está fazendo, cara?

Gideon conseguiu ficar de pé, cambaleando, mas, felizmente, sem cair, e olhou para o próprio corpo. Ainda estava de cueca, estava sujo de tanto suor e provavelmente cheirava mal.

Não foi a vaidade que o levou diretamente ao banheiro, pensou, mas um senso de educação. Não havia razão para torturar aquela garota... Scarlet, como Paris lhe dissera, pois ela não fizera nada de errado. Bem, mais ou menos, para ser exato. Suas novas feridas doíam, derramando sangue por todo o chão limpo. Era culpa dela?

Aeron, que era ótimo na manutenção da limpeza da casa, ficaria furioso, e só de pensar em sua reação, os lábios de Gideon tremeram. No mínimo, seria divertido assistir. Aeron com um esfregão. Clássico.

Todos os Senhores tinham suas tarefas domésticas. O que era ótimo para seus amigos, claro, mas Gideon era um parasita profissional. Fama que já carregou com orgulho. Até o momento em que Paris o condenara a ajudar com as compras. Eles se revezavam, cada um indo ao supermercado uma vez por semana. Paris no início, Gideon no final.

Ficou imaginando se outra pessoa assumira sua tarefa desde que ele se machucara e, se isso fosse verdade, o que ele teria de fazer quando se recuperasse completamente. Provavelmente ajudaria Aeron com o serviço doméstico.

Seus lábios pararam de tremer.

— Então, o que ela lhe disse? — perguntou Paris, ficando ao lado dele e servindo de muleta no caminho até o banheiro. Quando já estavam lá, Paris até abriu a água. Que saiu pelando, como Gideon gostava. — Você mencionou um mosquito pequeno e sem pelos, e eu juro que não faço a mínima ideia do que isso quer dizer.

Com um pouco mais de ajuda, Gideon conseguiu tirar a roupa e entrou embaixo da ducha. Ele nunca fora modesto, e sabia que Paris, que já havia estado com milhares e milhares de mulheres, e até um homem de vez em quando durante todos aqueles anos, não se importaria.

Por muito tempo, ele simplesmente ficou imóvel, com os cotocos na parede à sua frente, seu braço quebrado latejando à medida que a água se derramava sobre ele, queimando seu rosto e seu corpo. Depois, seu pulso bom foi tomado, sua atadura, virada para cima, e um sabonete foi colocado sobre ela.

— Não, obrigado — ele murmurou. Como ele iria se ensaboar?

— Você não me respondeu: o que ela fez com você e com os aqueles mosquitos?

— Nada — ele respondeu, querendo dizer alguma coisa.

— Eu sei disso, comece a falar.

Enquanto se ensaboava da melhor maneira que podia, considerando que não tinha mãos e só podia usar seu braço direito, explicou tudo na língua de Gideon. Seu significado era claro, mesmo sem poder recorrer à verdade; acordado, eu posso me divertir com minha coisinha preferida.

— Você sabe o que isso significa, certo? — perguntou Paris, sério.

— Sim. — Não. Como assim? Sua mente deve ter sido afetada. Tudo o que conseguia pensar era em como Scarlet era capaz de invocar insetos, mas até mesmo uma criança de três anos de idade já teria se dado conta disso.

— Ela sabia o que mais assustava você. E a única conclusão lógica é que essa mulher é capaz de pressentir nossos medos mais profundos e apresentá-los a nós enquanto dormimos. Ou seja, pesadelos.

Ótimo. Exatamente o que faltava em sua vida.

— Não vou visitar essa mulher.

O que fez Mentiras dizer: Não, obrigado.

— Agora pare com isso.

— Você com certeza será capaz de fazer com que eu mude de ideia, então eu não me calaria, se fosse você. — Demorou um pouco, mas ele finalmente conseguiu desligar o chuveiro. — Não me dê uma toalha.

Paris, praguejando, atirou uma toalha branca e fofa na sua direção. Gideon não conseguiu agarrá-la, seus cotocos enfaixados não eram tão ágeis. Ele se agachou e, após várias tentativas, finalmente conseguiu levantar a toalha. Seu braço latejava. Malditos ossos quebrados! Tentou se secar, tentou mesmo, mas não conseguiu fazer um bom trabalho.

Finalmente, Paris pegou a toalha e o secou.

— Você é pior do que um bebê, sabia?

— Não pegue minhas roupas.

Balançando a cabeça, Paris desapareceu do banheiro. Uma gaveta da cômoda se abriu e foi fechada com força, depois outra, em seguida ele estava voltando ao banheiro, segurando um short e uma camiseta.

Gideon já tinha saído do box. Poderia ter se vestido sozinho, mas isso consumiria o que lhe restava de energia.

— Eu não vou deixar você fazer isso.

Outra vez Paris balançou a cabeça.

— Se pretende vê-la, pelo menos leve algumas armas — disse Paris, passando a camiseta pela cabeça de Gideon, ajudando-o a passar os braços pelas mangas. Ele só se encolheu de susto uma vez. — Como eu.

— Claro. — Pelos deuses, era constrangedor ser tão inútil. Mas seu amigo fazia tudo de forma tão natural que sua dor até melhorou um pouco.

Paris girou os olhos e deixou o short aberto para que Gideon enfiasse as pernas.

— Só porque ela está presa, não significa que seja inofensiva. — Seu olhar se fixou na ferida na perna de Gideon, que sangrava.

Gideon deu de ombros.

— Você poderia ter escolhido algo mais masculino para mim? — perguntou, olhando para si mesmo e não gostando do que via. Se esperava impressionar Scarlet, o que não queria, como tentou assegurar a si mesmo, não conseguiria. Uma camiseta branca que era muito curta para ele e um short cinza de corrida. Ótimo.

Paris cruzou os braços sobre o peito.

— Então, você está pensando em mim?

— Não.

Sozinho, ela dissera. Se ele levasse um amigo, ela poderia fechar completamente aquela linda boca, e isso ele não aceitaria. Queria respostas, droga. A saber: de onde diabos ele a conhecia? E também gostaria era de ouvir suas desculpas por tê-lo retalhado, claro.

— Gideon — Paris avisou.

— Ela não está presa, certo? — Ele entrou no quarto, levantando os ombros. — Vou estar em perigo o tempo inteiro.

— Que idiota. Certo, mas tome cuidado — disse Paris.

— Não.

Após cruzar dois corredores e descer um lance de escadas, ele teve de apoiar o corpo contra uma parede para se manter de pé. Pelo caminho, tinha encontrado vários dos seus amigos, e todos tentaram levá-lo de volta ao seu quarto. Ele os enxotava da forma mais cordial possível. Estavam preocupados com ele, e Gideon os amava por isso. Embora não pudesse lhes dizer. “Eu odeio você” era o melhor que podia fazer. Mas não voltaria atrás por causa disso.

Forçou-se a caminhar novamente. Ao atravessar a porta do calabouço o ar se transformou completamente. Ficou empoeirado, carregado de sangue, suor e até mesmo urina. Caçadores tinham sido torturados ali, várias vezes. Aquela mulher devia estar com tanto nojo. Talvez agachada num canto, tremendo. Chorando.

O que ele faria se esse fosse o caso? Provavelmente sairia correndo, gritando, ele imaginou. A única coisa pior do que aranhas eram lágrimas femininas.

Lutando contra seu medo, girou a última esquina. Finalmente, pôde vê-la, e ficou paralisado. A consciência o consumiu. E a primeira coisa que notou foi que ela não estava chorando. Nem estava assustada. E a segunda: ela era bem mais adorável pessoalmente do que parecera no seu sonho.

Ela agarrou as barras, aguardando, com expressão vazia.

— Você veio — disse Scarlet, e não soava surpresa, apenas resignada.

— Não, eu não vim. — Como se estivesse em transe, ele se aproximou dela, sentindo o cheiro das flores noturnas impregnando suas narinas. Respirou fundo. Mentiras fez a mesma coisa.

Ela olhava para Gideon, observando-o, catalogando cada defeito seu.

— Talvez não devesse ter vindo.

Mais uma vez ele ficou chocado com tanta familiaridade, tanto de sua voz como de seu rosto, mas não conseguia se lembrar de onde a conhecia.

— Não me diga por quê.

Seus olhos se estreitaram.

— Diga que sou bonita.

Ela era convencida, certo? Mas não conseguiria arrancar dele o que queria.

— Você é feia.

Em parte, ele esperava que ela ficasse horrorizada. Mas ela não ficou. Com o mesmo tom resignado, ela disse:

— Diga que sou inteligente.

— Você é burra.

Lentamente, ela curvou os lábios num sorriso.

— Ora, ora, ora. Mentiras. É você mesmo. Finalmente, estamos juntos mais uma vez.