A Paixão Mais Sombria

Gena Showalter · Capítulo 23 de 31

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A Paixão Mais Sombria

Capítulo Vinte e Três

 

AERON ESTAVA DE pé na varanda do quarto ao lado do seu, agarrado ao parapeito, olhando para o céu azul. Era a decisão mais difícil de sua vida. Tinha de escolher entre a vida de Legião e a de Olivia. Se tivesse escolhido Olivia, como quisera tão desesperadamente, e ainda queria, Legião sofreria eternamente. E seus amigos ficariam em perigo. Nas mãos de ninguém menos que Lúcifer.

Caso escolhesse Legião, salvaria o demônio e também seus amigos, e Olivia poderia voltar para casa ilesa. Como ele já tentara obrigá-la a fazer. E como ele agora desejava lutar contra. Como Ira desejava que não acontecesse.

Fique com ela. Por favor. Nós precisamos dela.

Ignore-o. Não escute. Uma ordem para si mesmo.

Caso Legião tivesse aparecido naquele momento, ele teria brigado com ela. Como ousara colocá-lo naquela situação? As coisas que ele teria de fazer... com ela, com Olivia... Suas unhas se alongaram e perfuraram a palma de sua mão, e o metal fez um barulho, curvando-se para fora do lugar. Mas e o pior? As coisas que não seria capaz de fazer com Olivia. Não mais.

Não faria mais amor com ela. E fora isso o que tinham feito: amor. Ele não quisera que fosse assim, tentou resistir, mas no final, até seu corpo soubera. Estar com Olivia era a coisa certa. Perfeita.

Mas agora ele não poderia ficar com ela. Mesmo que mandá-la de volta para casa não fosse uma questão de vida ou morte, nenhuma mulher ficaria ao seu lado sabendo que em breve ele dormiria com outra. E ele iria dormir com outra. Sentiu um nó na garganta. Não permitiria que Legião fosse possuída por Lúcifer. Não deixaria que o destrutivo Lúcifer entrasse naquele reino.

Em algum momento, Olivia me agradecerá por isso. Pelo menos foi o que disse a si mesmo, em busca de consolo. Se ela permanecesse ali, seria uma humana. Pereceria e morreria, e ele teria de assistir a tudo, sem poder salvá-la. Era um prospecto que sempre o desnorteara. Um prospecto que sempre o horrorizara, embora naquele momento ele fosse capaz de fazer qualquer coisa para ter mais tempo ao lado dela.

Você não pode perdê-la.

Precisamos! Ele teria gostado de abraçá-la depois de terem feito amor, e sua mente ficou envolta em pensamentos dos dois juntos para sempre. Agora teria de viver o resto de sua vida sem ela, sabendo que estaria andando pelo mundo, mas que ele nunca mais a veria, ouviria ou sentiria seu cheiro.

Não!

Como poderia levar Legião para a cama quando Olivia era a única mulher à qual seu corpo reagia? Deu uma risada amarga. Ele era um homem que não tinha nenhuma namorada, e que arrogantemente afirmava que não precisava nem queria uma, e passara a ter duas namoradas. Uma, ele não desejava. A outra estava pronta para abandoná-lo.

Voltarei logo, foi o que Olivia tinha dito.

Imediatamente, ele entrara em pânico. Não posso perdê-la agora, pensara. Então ele lhe dissera que eles tinham tempo, e que ela devia permanecer ali. Tudo isso servira apenas para prolongar o inevitável, tornando a dor da separação ainda mais terrível quando ela finalmente acontecesse. Mas ele não se importara nem um pouco!

— Aeron — uma voz suave o chamou, vinda de trás dele.

Céus, Ira suspirou.

Seja forte. Resista. Ele não se permitiu olhar para ela, mas disse:

— Estou aqui.

Passos suaves ressoaram, e Olivia finalmente apareceu ao seu lado, olhando para a noite que se aproximava, com seu cheiro suave envolvendo-o. Sentir o seu cheiro sem poder tocá-la era uma tortura. Uma tortura que ele merecia.

— Onde está Legião? — ele perguntou, esperando que a menina aparecesse na porta a qualquer momento.

— Dormindo.

Sem a presença de Aeron?

— Isso não é o que ela geralmente faz?

Olivia deu de ombros.

— Se quer saber, eu a droguei. E não me arrependo!

Seus lábios se contorceram. Deuses, ele amav... admirava aquela mulher. E o pequeno sorriso que se formara em seus lábios rapidamente desapareceu.

Uma das visões de Ira rapidamente se formou em sua mente. Olivia e Legião caminhando pelos corredores da fortaleza, com cuidado para não fazer barulho, mesmo empurrando uma à outra, tentando abrir caminho. Legião segurava uma garrafa de vinho. Olivia tinha duas taças.

Claramente, tinham ido à cozinha. Em busca de álcool, sobretudo. Mas aonde mais teriam ido, e por quê?

Chegaram ao seu quarto, e Olivia disse:

— Um brinde ao seu êxito.

— Isso mesmo — concordou Legião, orgulhosa. — Ao meu êxito. Eu lhe disse que Aeron era meu e que nunca seria seu.

Mais uma vez, Aeron sentiu vontade de brigar com ela.

— E você tinha razão — disse Olivia, e seu rosto ficava cada vez mais pálido ao servir os drinques. De costas para Legião, ela arrancou um pequeno pedaço de tecido da manga de sua túnica. Depois ela o mergulhou em uma das taças.

— Durma — ela sussurrou quando o tecido se dissolveu, depois se dirigiu a Legião com um sorriso forçado. — Eu reconheço quando sou vencida.

O demônio pegou a taça vorazmente, e mesmo antes de tomar o último gole de vinho, começou a cambalear e a cair no chão. Ela olhou para Olivia.

— Algo está... errado...

— Claro que sim. Você realmente achou que eu não colocaria nada no seu vinho?

— Puta — Legião tentou falar, enquanto seus joelhos fraquejaram, fazendo com que caísse diretamente no chão.

A túnica de Olivia era claramente mais poderosa do que Aeron imaginara, e, naquele momento, ele deveria ter sentido vontade de drogar Olivia. Porém, para a sua surpresa, Ira estava... enfeitiçado pelo que ela fizera. O “céu” tinha simplesmente brincado com o “inferno”, e tudo o que o demônio queria era abraçar a vencedora do jogo.

— Você está com raiva de mim? — perguntou Olivia, tirando-o de seus estranhos pensamentos.

— Estou grato. — Ele estava muito rude para lidar com Legião naquele momento. Muito rude para pensar na menina que considerava sua filha. Mude de assunto. Agora. — Estou notando algo diferente em sua voz. Já tinha percebido antes, mas agora é ainda mais óbvio.

— Sim. — Foi tudo o que ela disse. — Alguma coisa está diferente.

— O que é? — ele perguntou, embora imaginasse saber a resposta. Ela deveria estar perdendo um pouco mais de suas habilidades angelicais por conta do tempo que já passara ali.

Como seus amigos anjos reagiriam a isso quando ela voltasse para casa? Ele não gostou nada de pensar que Olivia poderia ser esnobada pelos anjos. Logo ela, uma mulher tão preciosa.

Ela deu de ombros novamente, mas, dessa vez, sua pele roçou contra a dele. Aeron fechou os olhos por um momento, saboreando aquela maciez. E quando uma brisa fresca tomou conta da varanda, levantando os cabelos de Olivia e fazendo com que seus fios tocassem o peito nu do guerreiro, ele pensou em como era complicado manter-se sano o tempo inteiro.

Minha. Sua. Nossa. Para sempre. Gritos que vinham do demônio e dele.

Nunca. Lembrou a si mesmo, inflexível.

Quando abriu os olhos, voltou a observar o céu.

— Você vivia lá em cima — ele disse, com voz rouca.

— Sim.

— E como era?

— Nós vivemos em nuvens, e existem muito mais delas do que se imagina. — Olivia falava com carinho sobre seu antigo lar. — Elas têm quartos, e tudo o que ordenamos, elas produzem. Estamos escondidos do resto do mundo, mas ainda podemos ver o que acontece ao nosso redor. Como anjos que passam, guerreiros encurralando demônios. Podemos ver as tempestades, mas não somos atingidos por elas. Podemos ver as estrelas, brilhando bem de perto, mas não somos queimados por elas.

Aeron notava uma agitação palpável em seu demônio. Sim, sim.

— E você abriu mão de tudo isso. — Por ele. Por diversão. Ele se sentia deprimido. Culpado. Envergonhado. Durante grande parte do tempo, tudo o que lhe proporcionara fora dor e preocupações. Mas também estava... feliz.

— Sim — ela disse, simplesmente. Depois, sentindo-se pouco confortável, mudou de assunto: — Por que você tem duas tatuagens de borboleta? Sempre me perguntei isso.

— A que tenho nas costas é a marca do meu demônio, e a das costelas é criação minha. Queria poder vê-la sempre, para ficar atento ao duro caminho pelo qual eu ando.

— Não acho que já tenha precisado de reforços visuais. Você parece nunca se esquecer disso. — A tristeza deu lugar ao carinho. — Mas chega de lembranças. Sei que está indo para uma batalha esta noite.

Uma sábia lembrança.

— Isso mesmo. — Ele não perguntou como ela ficara sabendo disso. Mas poderia imaginar. Ela e Legião tinham espiado a reunião. E por isso tinham saído do quarto dele.

— Quero ir com você — ela disse. — Se eu voltar para casa agora, poderei me juntar a vocês, e os Caçadores nunca saberão que eu estarei lá. Vou poder protegê-lo, como se fosse um escudo. Vou poder...

— Não! — ele gritou. Depois limpou a garganta e disse em tom mais gentil: — Não.

O parapeito chiou novamente, curvando-se, e ele soltou os dedos, um a um. Mais uma vez, pensou: Não pode perdê-la agora. E Ira retumbou: “Isso não será necessário.”

Ainda havia tempo, droga.

— Tenho que ir embora mesmo, então por que não fazer isso agora, enquanto eu ainda posso ajudá-lo?

Em qualquer outro momento, ele teria adorado tanta determinação. Mas ele se virou para ela e perguntou:

— Por que gostaria de me ajudar? Por que não está gritando comigo? Reclamando do que vou fazer? — Teria sido mais fácil lidar com isso.

Em vez disso, ela olhou para ele com olhos calmos.

— Eu não tenho por que recorrer a tais emoções. Sou um anjo.

— Caído — ele a corrigiu, em tom duro, e depois piscou. Era a primeira vez que admitira a diferença, e a ironia a cortou profundamente.

Seguiu-se uma pausa, um suspiro arrependido. Até que ela disse:

— Não por muito tempo.

Minha.

Ele se aproximou, vencendo o que restava de distância entre eles, agarrando sua túnica e prendendo um punhado do tecido contra o parapeito, para que ela não pudesse fugir. Será que Olivia não se importava com o fato de que em pouco tempo estariam separados? Não se importava que eles nunca mais estariam juntos? Que nunca mais fariam amor? Que em pouco tempo ele faria algo terrível, imperdoável?

— Quero que me solte, Aeron — ela pediu, ainda calma.

Nunca, ele pensou.

Nunca, concordou Ira.

Não podemos pensar assim.

— Os seus amigos vão tratá-la de forma diferente quando você... voltar? — Até falar isso era difícil, mas ele precisava do lembrete: — Você não será a mesma pessoa que já foi um dia.

— Eles vão me receber bem em casa. — Ela balançou a cabeça, fazendo com que seus cabelos mais uma vez dançassem sobre o peito de Aeron. — Com exceção do Conselho, todos são muito tolerantes. Muito pacientes.

— Lysander não me parece nem uma coisa nem outra.

Ela sorriu, seca.

— Bem, é que ele não é um anjo típico.

Aquele sorriso... ele precisava de mais. Precisava ter mais. O máximo possível, até que...

— Faltam sete dias. — Ele deixou escapar as palavras. Burro. Ainda assim, ele uniu ainda mais os seus corpos, sentiu seus mamilos rígidos. Imediatamente, ficou excitado, pronto. — Quero que me prometa que ficará durante seis dias.

E a calma finalmente a abandonou,uma tempestade se formava.

— Por... por quê?

— Apenas me prometa. Por favor.

Por favor, repetiu Ira, tão triste quanto Aeron. Quem imaginaria que eles se reduziriam a isso?

— Não posso — ela disse. — Sinto muito. — E desviou o olhar dele, de seus ombros.

Mas não antes que Aeron visse as lágrimas nadando em seus olhos. Lágrimas que o derrubavam... que o enfraqueciam. Ele esticou o braço e tocou a base do seu pescoço, forçando-a a encará-lo, para que visse seu desejo, e sua determinação, que com certeza era similar à dela.

— Então isso é um talvez?

Ela deixou escapar uma risada trêmula.

— Não. Isso é um não.

Eu fiz isso. Eu a fiz sorrir.

— O que você pode me prometer? — Àquela altura, ele aceitaria qualquer coisa.

— Um... um dia — ela ofereceu, trêmula.

Um dia. Um dia não seria suficiente. A eternidade talvez não fosse suficiente. Ele a agarrou com mais força.

— Você ficará aqui até que eu volte da cidade. Mesmo que isso dure um pouco mais de 24 horas. Por favor.

— Por que isso é tão importante para você? — ela perguntou, deixando à mostra a primeira dica daquela tempestade.

Porque eu preciso de você. Porque eu quero você. Porque eu odeio pensar em ficar longe de você. Porque, se só existíssemos eu e você, e as minhas decisões não afetassem ninguém mais, eu estaria disposto a morrer só para ter mais um minuto em seus braços.

— Você vai ficar? — Ele insistiu, ignorando sua pergunta. — Se eu souber que há uma chance de você ir embora, não vou conseguir me concentrar na luta. — Ele nunca manipulara ninguém antes. Simplesmente expunha os fatos, fossem bons ou ruins, sem se preocupar com os resultados. Mas naquele momento... — Vou ser um alvo fácil, talvez me machuque novamente. Então me diga. Diga que vai ficar.

Ela passou a língua pelos lábios e deixou os ombros caírem.

— Eu... Tudo bem.

Não era suficiente.

— Diga.

— Sim — ela murmurou. — Vou ficar até que você volte da cidade.

Mas sem aquela camada de verdade em sua voz, ele nunca poderia saber se ela estava mentindo para ele ou não. Mas escolheu acreditar, pois não suportaria pensar em sua ausência.

— Agora que estamos de acordo, pode me soltar? — ela perguntou, colocando a mão sobre o peito de Aeron, não o empurrando, mas contornando suas tatuagens.

Hummm, Ira suspirou.

Ela poderia não desejá-lo naquele momento, mas ainda o queria, claramente.

— Por que você me deseja? — ele perguntou, outro duro lembrete dos obstáculos que havia entre eles. — Por que me escolheu? Você é bonita, inteligente, doce, poderia ter qualquer outro homem. Alguém que não estivesse coberto com as imagens dos próprios pecados.

— Porque sim. — Era uma resposta rebelde, mas ela não se afastou dele.

— Por quê? — Ele a sacudiu dessa vez, desesperado por ouvir as razões verdadeiras que ele não se importaria de admirar. — Por favor, Olivia. Diga.

Talvez tenha sido o por favor que a comoveu. Ou talvez a ferocidade de suas atitudes. Fosse como fosse, ela gritou:

— Porque você não é o que acredita ser. Não é o que todos acreditam que você é. Você pode ter matado inúmeras pessoas, mas é capaz de amar com mais força que qualquer outra pessoa que eu tenha conhecido. Você se entrega sem se preocupar com a própria felicidade. — Ela riu, de forma tão amarga quanto ele o fizera antes. — Engraçado, não é mesmo? As suas qualidades que me trouxeram até aqui são as mesmas que estão me mandando embora.

Fique.

Ele esmagou o pedido antes que escapasse. Ele amava com mais força? Pelos deuses, ele seria capaz. Agora, naquele momento, antes que fosse traído pelo tempo.

Sem avisar, ele uniu suas bocas, incapaz de impedir a si mesmo, e introduziu sua língua nela. Ela abriu a boca sem reclamar, aceitando aquela brutalidade ansiosamente. Ótimo. Ele não tinha controle, e estava feliz por isso. Ele tivera apenas um começo, Olivia, e um odioso fim, sua perda. E aquela perda... pelos deuses. Perdê-la o destruiria.

Não, ele pensou. Aquele beijo o destruiria. Seu legado se resumiria ao encontro de suas almas, ele percebeu, e mais uma vez ficou feliz. Ele a saboreava, clamava por ela e a conquistava sem reservas. Ele dava e recebia.

Se aquele fosse o fim, morreria como um guerreiro.

— Você será minha, mulher. — Ele levantou sua túnica até a sua cintura. Suas pernas ficaram nuas; seu sexo lhe pertencia. Ela ainda não estava usando calcinha, e isso quase o deixou louco. Algum dia, gostaria de tê-la em uma cama. Gostaria de tirar suas roupas lentamente, tomá-la calmamente... Saboreando cada segundo, cada suspiro.

Mas naquele momento, ele apenas a desejava.

Uma necessidade o dominava, fazendo-o alcançar o botão de sua calça, que tentou abrir. Ele ficou emperrado, então o rasgou. Seu membro se libertou.

— Espero que esteja pronta para mim, Olivia.

PRONTA PARA ELE? Olivia estaria pronta para aquele homem todos os minutos de todos os dias pelo resto de sua vida. Ele a encarava como se olhar para ela fosse a garantia de sua sobrevivência. Como se ele vivesse apenas porque ela também estava viva.

E aquela seria a última vez que Olivia experimentaria aquele olhar.

A tristeza ameaçou dominá-la, mas a força do seu desejo a afastou. Depois. Depois se deixaria levar pela tristeza. Mas naquele momento estava nos braços de Aeron. Com o seu corpo em brasas. Estava úmida, tremendo de desejo.

Afinal de contas, abrira mão de tudo por isso. Abrira mão da eternidade por isso. E ali estava a diversão, ela só precisava pegá-la. E não importava o que aconteceria em seguida, sempre teria aquela lembrança.

— Olivia — ele disse, murmurando seu nome.

— Estou pronta. Eu prometo.

Ele agarrou sua bunda, ergueu-a e, no momento em que Olivia passou as pernas ao redor de sua cintura, ele a penetrou, completamente. Ela gritou, incapaz de abafar o som. Aeron era grande e esticava-a toda, mas como ela ainda estava inflamada, pois tinham feito o mesmo havia pouco tempo, seu prazer foi incomensurável.

— Preciso de você. — Ele não parava de investir para dentro dela.

— Sim! — ela gritava, cravando as unhas nas costas de Aeron. Não haveria restrições, não da sua parte. Ela precisava daquilo. Precisava daquela lembrança para aquecê-la durante a noite. — Exatamente assim.

Com mais e mais força ele a penetrava. Era o céu e o inferno. Tão bom, tão perto do fim. Que isso dure para sempre, ela pediu, mas sabia que tal pedido nunca seria concedido.

O parapeito se movia no ritmo deles, rangendo, e depois cedendo completamente. E eles caíram, caíram... Aeron em nenhum momento parou de penetrá-la. Ela estava adorando, sentindo uma enorme felicidade, com o vento ao redor dos seus corpos. Liberdade, amor e prazer, tudo ao mesmo tempo. Sem medo ou arrependimento. Aeron cuidaria dela.

E o fez. Pouco antes de baterem contra o chão, ele virou o corpo, e suas asas se abriram, proporcionando-lhes um pouso suave. Ele a sentou no chão gentilmente, mas continuando a investir contra ela, sem parar. Ela mantinha as pernas ao redor de sua cintura, aceitando-o, arqueando o corpo contra o dele, desesperada, louca, perdida.

O sol se pôs perfeitamente, rosado, lindo, e qualquer pessoa que olhasse para baixo poderia vê-los. Mas ela não se importava. Seu desejo era grande demais.

— Olivia — ele arfou.

— Aeron.

Seus olhares se encontraram, as íris violetas dos olhos de Aeron estavam selvagens. Sua expressão era felina, feroz, seus lábios estavam pressionados, sangrando no ponto onde ela provavelmente o mordera. Havia algo assustadoramente lindo nele. Algo selvagemente doce.

— Você é minha — ele deixou escapar.

E, mais do que qualquer outra coisa, ela queria ser sua.

— Sua. — Até que ele se entregasse a Legião. Depois, como a garota dissera, Aeron seria dela. Chega. Basta. Ela tinha o agora, aquele momento.

Como se pressentisse seus pensamentos e quisesse espantá-los, Aeron baixou a cabeça e beijou-a novamente, dessa vez com mais paixão que da primeira, com sua língua batendo contra a dela, seus dedos rangendo uns contra os outros. Era tanta paixão...

Ela o arranhava, mordia e gritava, chegando ao limite da sanidade, dessa vez fazendo movimentos em espiral, gritando, agarrando seu amante com força, todos os músculos do seu corpo sofrendo deliciosos espasmos. Isso. Ah, sim, aí mesmo. Ele a atingira em cheio, e seu orgasmo foi intenso. Ela não conseguia ver nada, pois tinha os olhos completamente fechados, mas sentiu quando Aeron tremeu em cima dela. E ouviu quando sussurrou o seu nome.

Quando ele deixou seu corpo cair sobre o dela, Olivia sentiu seu peso esmagá-la, mas o amava demais para querer se livrar dele. Se ao menos eles pudessem ficar daquele jeito para sempre, perdidos no aqui e no agora.

— Olivia — ele gemeu.

Lentamente, ela abriu os olhos. Aeron a observava, com suas feições em alerta total. Estava completamente exposto, necessitado.

— Não diga nada — ela pediu. Caso ele planejasse dizer que aquilo não mudaria nada entre eles, não seria preciso. Ela já sabia. E enfiar a faca mais fundo no seu peito não resolveria o problema. Caso planejasse pedir que ela ficasse, mesmo que fosse obrigado a dormir com Legião, ainda que só por uma única noite, ela ficaria tentada a aceitar. Mesmo sabendo que o Conselho enviaria alguém para matá-lo. Mesmo que as imagens de Aeron com aquele demônio a fossem assombrá-la para sempre.

Não importava o caminho que escolhessem, eles estavam condenados.

— Eu preciso — ele disse, com voz embargada. — Eu quero que você saiba...

— Ahn, Aeron — alguém o chamou. — Odeio interrompê-los, mas é hora de ir.

Foram pegos novamente, ela pensou, suspirando. Será que eles nunca poderiam desfrutar de um tempo após o sexo, como os humanos tanto gostavam de fazer? Mas a verdade era que, naquele momento, ela ficou feliz pelo adiamento. Saiu de baixo do corpo de Aeron e se levantou, descendo sua túnica até os tornozelos.

— Vá — ela disse, sem olhar para ele. — Como eu prometi, estarei aqui esperando. — E então nos despediremos.