A Paixão Mais Sombria
Capítulo Vinte
UMA GOTA DE água chegou aos lábios de Aeron, estava gelada e causou um leve formigamento antes de deslizar por sua língua, descer por sua garganta e chegar ao seu estômago, sendo absorvida ali; e depois entrando em sua corrente sanguínea e viajando por cada um dos seus órgãos. No momento do contato, seu coração começou a bater perfeitamente, seus pulmões se encheram de oxigênio, ficando mais cheios que nunca, e sua pele alcançou a temperatura ideal, nem muito fria nem muito quente.
De repente, começou a ouvir os pássaros piando do lado de fora da janela, o vento dançando entre as árvores que circundavam a fortaleza. Podia até mesmo ouvir seus amigos nos quartos acima e abaixo do seu, conversando sobre o que deveria ser feito com Scarlet, sobre os Caçadores, e lamentando seu estado enfermo.
E seu nariz... Respirou profundamente, sentindo o cheiro de casca de árvore, folhas orvalhadas, suor, do sabonete de limão que Sabin usava, da loção pós-barba de Paris e o seu cheiro preferido... céu selvagem. Olivia.
Olivia estava ali com ele.
Talvez por isso Ira estivesse ronronando, tão contente.
Aeron abriu os olhos, e imediatamente se arrependeu. Muita luz. Luz vinda das lâmpadas do teto, luz vinda do banheiro. As paredes, que ele achava que fossem de pedras prateadas e claras, brilhavam como se as pedras estivessem de alguma forma presas em um arco-íris.
— Você está vivo — disse Olivia, com um alívio palpável.
Havia algo diferente em sua voz, ele pensou enquanto olhava para ela. Ainda era uma voz bonita, ainda mais agora, quando ele era capaz de ouvir as sutis nuances, uma leve rouquidão, uma sensualidade velada, mas ainda estava diferente. Ela estava sentada na beira da cama, com seus olhos azuis pousados nele. Seus cabelos escuros emolduravam seu rosto, ressaltando suas feições delicadas. A túnica branca que ele lhe forçara a vestir havia muito tempo, ainda estava sobre seu corpo, ainda livre de amassos ou sujeira.
Sua pele estava... Ele ficou sem fôlego. Majestosa. Era a única palavra para descrevê-la. Majestosa. Não, não era a única palavra. Perfeita também caía muito bem. Poderia ficar olhando para ela por horas, dias. Para sempre. Ela era pura, imaculada.
Queria tocá-la. Precisava sentir sua suavidade. O calor de sua pele. Precisava saber que ela estava saudável e inteira, que escapara sem qualquer ferida.
Escapara. A palavra o atormentava. Ele lembrava que eles haviam estado dentro da cripta, e que ele fora baleado. Ele carregara Pesadelos para o cemitério, caíra de joelhos, esperando por seus amigos, mas não conseguia se lembrar de mais nada depois disso. Agarrou os lençóis. Primeiro queria respostas, depois se permitiria um único toque.
Único?
Concentre-se.
— O que aconteceu? — Estranho. A voz de Olivia não era a única que tinha mudado. A sua própria nunca fora tão suave e forte.
Ela abriu um sorriso trôpego.
— Pensamos que iríamos perdê-lo. Você foi atingido por uma bala que continha veneno imortal, e que estava matando você lentamente.
Sim, aquilo fazia sentido. Uma bala nunca o afetara tanto, mas aquela o enfraquecera de forma insuportável.
— Como eu cheguei aqui?
— Paris e William nos resgataram.
— Sem problemas?
— Com os Caçadores? — Ela balançou a cabeça, fazendo aquela nuvem de cabelos dançar sobre seus ombros. — Nenhum. Nós até buscamos Gilly no caminho de volta, mas não os encontramos.
Mas era questão de tempo. Estavam tão perto, e com o êxito que tiveram ao colocar o demônio no corpo de outra pessoa, os Caçadores atacariam em breve.
— E como está Paris?
— Está bem, forte e tomando conta de si mesmo agora.
Ou pelo menos fizera todos pensar que sim. Paris era bom em esconder as próprias atitudes, ou a falta de atitude, usando humor e sorrisos. O mais provável era que estivesse tomando ambrosia e negligenciando as necessidades do seu corpo.
— Não vou dizer isso! — respondeu Olivia, de repente.
Aeron franziu a testa.
— Dizer o quê?
— Sinto muito. — Ela deixou cair os ombros. — Aquela voz voltou, e não para de me dizer para fazer todo o tipo de coisas com o seu corpo. Eu a chamo de Tentação, e tenho quase certeza de que é um demônio.
Um demônio? Nenhum que ele conhecia, o que poderia significar que alguém mais listado nos pergaminhos poderia estar pela cidade, escondido. Mas por que atormentaria Olivia? E ainda por cima com pensamentos sexuais?
Fosse qual fosse a razão, ele não aceitaria isso.
Punir, disse Ira.
Aeron ficou feliz ao notar que seu demônio também se recuperara. E, sim, queria punir os que os feriram. Ele só tinha que...
— Ah, não — disse Olivia, balançando sua linda cabeça. — Posso até ver o que você está pensando através dos seus olhos. Vamos nos preocupar com o demônio depois. Ele é irritante, só isso. Neste momento estou mais preocupada com você.
A doce e querida Olivia. Sua protetora, algo que ele nunca imaginara que precisaria. Algo que nunca esperara querer ter. Mas queria, desesperadamente. Precisava, certamente. Mas ainda assim precisava convencê-la a voltar ao céu. Em... quanto tempo?
Olhou pela janela, as cortinas abertas deixavam entrever a lua minguante.
— Por quanto tempo eu dormi?
— Grande parte do dia e da noite. Você ainda está nu, caso não tenha notado. — Ela ficou com as bochechas vermelhas. — Não que isso tenha importância agora.
Grande parte do dia e da noite. O que significava que a manhã chegaria a qualquer momento. E que tinha oito dias para convencer Olivia a voltar para casa. Oito dias para se salvar e para salvar Legião.
Oito dias para resistir a ela.
Não conseguiria. Um simples toque não seria suficiente, ele admitia isso agora. Ficaria com vontade de mais. Teria de conseguir mais.
Mais, Ira ecoou.
Sim, mais. Não impediria a si mesmo. Não dessa vez. Era uma atitude egoísta de sua parte, sim, mas não se importava. Poderia ter morrido naquela cripta. Morrido sem aviso prévio. Sem saber como era a sensação de afundar dentro dela, sentindo a pressão de seu corpo em volta de seu pênis, arranhando suas costas, sussurrando seu nome.
Quando soubesse, pararia de imaginar, deixaria de desejar. Poderia seguir a mesma vida de antes. E ela teria conseguido sua diversão. E poderia voltar para casa satisfeita.
Egoísta? Que nada! Ele era um homem muito generoso.
— Como eu me curei? — ele perguntou. Melhor seria perguntar: ele perderia as energias no meio do caminho? Não queria que ela saísse daquela cama sem chegar ao clímax duas vezes. No mínimo. Devia isso a Olivia. O comentário dela sobre sua falta de talento ainda doía.
Olivia desviou os olhos de Aeron.
— Um antídoto.
Por que não olhava para ele?
— Um antídoto dos anjos?
— Sim — ela respondeu, apontando para um frasco azul na mesa de cabeceira. — Água do Rio da Vida. Uma gota, e a morte é banida para longe.
Não era de se espantar que seus sentidos estivessem aguçados.
— Quando esse frasco acabar — ela disse —, não receberemos mais. O que é uma pena, pois Lysander disse que os Caçadores têm muitas, muitíssimas balas envenenadas.
— Por quanto tempo durará o efeito? — Ele esperava que Ira ficasse enfurecido por ter sido entorpecido com uma substância dos céus. Mas o demônio ronronava ainda mais alto, como se tivesse recebido um ótimo presente.
De repente, Aeron achou que tinha entendido. Legião representava o inferno; Olivia representava o céu. O último, ele já compreendera, mas o primeiro... Ele percebeu naquele instante que Ira estava com saudades de casa. De suas duas casas. Os Altos Senhores já haviam sido anjos um dia, como Olivia dissera, antes de caírem do céu, sua primeira casa. Depois, aterrissaram no inferno, sua segunda casa. Embora Ira não pensasse assim até compará-la com a caixa de Pandora.
Céu e inferno, pensou novamente, sem saber por que não se dera conta disso antes. Olivia e Legião. Duas metades de um todo, assim como ele e Ira.
Falando de...
— Onde está Legião? — ele perguntou, olhando em volta do quarto, procurando por ela.
— William a está distraindo, mas não sei por quanto tempo isso vai durar... — Olivia passou um dedo no peito de Aeron. — Seus batimentos estão melhorando. Estão mais fortes.
E sua pele esquentava quando eles se tocavam. Mais.
Afiou os ouvidos ao escutar uma conversa num quarto vizinho. Sabin e seus homens tinham voltado do Templo dos Impronunciáveis. Muitos deles estavam feridos, mas se recuperavam. Assim que estivessem melhor, atacariam The Asylum e destruiriam os Caçadores escondidos lá.
Então, ninguém viera visitá-lo, e Aeron não poderia fazer nada com ninguém no momento. Exceto com Olivia.
— Como você falou, ainda estou nu — ele se viu dizendo. — Está pronta para se divertir?
Num primeiro momento, ela ficou de queixo caído. Depois fechou a boca com um estalo. Em seguida, seu queixo caiu novamente. Sem disposição para esperar que ela respondesse às suas intenções, já não aguentava mais esperar, Aeron esticou o braço e agarrou a base do seu pescoço, puxando-a para baixo, até que ela estivesse praticamente sobre ele. Olivia ficou sem fôlego, pressionando seus seios macios sobre o peito de Aeron.
Sim, ele possuiria aquela mulher. Aqueles seios, também. Aquele sexo doce que provavelmente já estaria úmido por ele, sem dúvida alguma.
— O que... o que você está fazendo? — a pergunta sussurrada aqueceu o corpo e a alma de Aeron, pois havia desejo em cada palavra.
— Possuindo você. — Finalmente.
Ele ergueu a cabeça, unindo seus lábios. Ela não resistiu, nem por um segundo. Não, ela abriu a boca para ele, e suas línguas se encontraram. Ele podia sentir o frescor da água que Olivia lhe dera, assim como o gosto de canela do seu hálito.
Ele sentiu mãos trêmulas sobre o seu corpo, à medida que seu coração disparava, acelerando para alcançar o ritmo de suas mãos. A pele de Olivia estava quente, e não morna, e o incendiava na medida certa. Cachos de seda lhe faziam cócegas.
Ele posicionou as mãos debaixo de sua bunda e puxou-a para que ficasse completamente em cima dele. Seus corpos se encaixavam perfeitamente, e ela abriu as pernas automaticamente, agarrando-o perfeitamente. Aeron gemeu. Sim... Sim...
Sim!, concordou Ira.
— Não — ela disse, afastando-se abruptamente. E chegou a saltar da cama, ficando de pé com as pernas bambas, quase tropeçando.
Aeron e seu demônio quiseram urrar. Em vez disso, Aeron apoiou o próprio peso nos cotovelos e ficou olhando para ela. Acalme-se.
— Você me quer. Eu sei que me quer. — Pelos deuses, ele podia sentir o cheiro de sua excitação, um cheio de almíscar altamente feminino.
— Sim, mas não vou permitir que me deixe louca e depois me abandone antes de terminar. — Ela agarrou a túnica, erguendo sem intenção o tecido, e deixando um pedaço de suas lindas panturrilhas à mostra. Panturrilhas que ele lamberia.
— Olivia, eu...
— Não — ela disse mais uma vez, virando-se. Duas vezes ela tropeçou nos próprios pés enquanto seguia em direção à cômoda, onde apoiou os cotovelos e escondeu o rosto entre as mãos. — Eu não posso aguentar isso.
Ela estava... chorando?
Aeron engoliu em seco o nó repentino em sua garganta e se levantou. Isso não. Qualquer coisa, menos isso. Ele estava nu, como ela prometera, com seu pênis orgulhosamente ereto.
— Eu quero você. Não vou negar nenhum de nós dois dessa vez. Eu juro, Olivia.
— Ah, cale-se!
Ele piscou os olhos. Ele não estava fazendo nenhum progresso? Suas atitudes acabaram com tudo?
— Venha me fazer calar a boca. — Foi tudo o que ele conseguiu pensar em dizer. Com um beijo. Por favor.
— Você, não... — ela murmurou. — A voz... Tentação. Ele quer que eu levante a túnica e mostre que não estou usando nada por baixo.
Não estava usando nada por baixo? Aeron lambeu os lábios e se aproximou. Nada, nem mesmo uma bomba dos Caçadores, seria capaz de detê-lo após saber disso.
— Vou descobrir sozinho.
Olivia gemeu quando ele pousou suas mãos agora trêmulas em seu quadril. Ergueu a cabeça e se virou para olhar para ele. Seus olhos estavam esbugalhados, cheios de água, e o coração dele retumbava no peito.
— O que... o que você está fazendo?
— Descobrindo... como eu disse. — Primeiro, ele brincou com seus seios, agarrando-os, acariciando os mamilos, até que ela estremecesse. Depois, ele ficou de joelhos, suas mãos nunca se afastando daquele corpo delicioso, mas seguindo-o enquanto ele descia. — Você queria diversão, e é exatamente isso o que eu estou lhe dando.
— Não... não faça isso se pretende parar no meio do caminho. Já passei por muita coisa nos últimos dias e...
— Eu não vou... — O cheiro de sua excitação era ainda mais forte, uma noite ardente na qual ele queria se perder. — Nada poderia fazer com que eu parasse agora, meu anjo. Nada.
Lentamente, bem lentamente, ele ergueu a bainha da túnica. Ela não protestou, nem mesmo quando os pelos de suas pernas já estavam completamente eriçados. Aquelas pernas firmes e macias, uma mistura de mel e baunilha. Quando Aeron desvelou sua parte inferior e viu que não estava de calcinha, seu pau entrou em ação imediatamente. Linda. Até suas asas a desejavam dentro de suas cavidades.
Minha.
Verdadeiramente, minha. Ele embolou o tecido ao redor de sua cintura, pressionando sua prisioneira contra a cômoda e deixando a parte inferior do seu corpo completamente nua. Ele agarrou seu bumbum, espalhando seus dedos por aquelas saborosas nádegas. Mais uma vez, ela gemeu. Entre cada dedo, ele lhe dava um beijo.
— Mais? — ele perguntou.
— Sim — ela e Ira responderam em uníssono.
E beijou a curva da parte de baixo de seu traseiro e encontrou a pele mais suave provavelmente criada por sua Divindade, agora Divindade dele, também, pois percebeu que sempre adoraria o responsável por criar Olivia.
— Aeron — ela sussurrou, em mais um daqueles gemidos.
— Abra as pernas para mim. — Ele agarrou as coxas de Olivia e colocou-a em ação. Chegou mesmo a afastar os pés dela com os joelhos. Seu sangue era como fogo, seu desejo estava mais afiado que uma lâmina. — Agora incline o corpo. O máximo que puder.
Houve apenas uma pequena pausa antes que ela obedecesse. Por um momento, só por um momento, tudo o que ele conseguiu fazer foi observar. Tão linda. Tão doce. Tão rosada. Tão úmida. Para ele, e somente para ele. O simples pensamento de dividi-la com o seu demônio, que mais uma vez estava rugindo, era repugnante. Mas ele o faria. Levaria aquela mulher até onde a pudesse levar.
— Vou saboreá-la agora. — Ele mergulhou de cabeça e a experimentou completamente, ouvindo um barulho distante de carne batendo contra madeira.
— Aeron!
Ele ergueu os olhos. Ela tinha apoiado as mãos no espelho à sua frente e encostado a testa na cômoda. Ela fechava os olhos com força e sua respiração estava entrecortada, enquanto mordia os lábios.
— Não... pare — ela implorou.
Ele não parou. Passou a língua contra o sexo de Olivia, massageando seu clitóris, brincando com ele, chupando-o. Aquilo era ambrosia. Ela... suave e sensual... dele. Aceitando tudo o que ele fazia... gostando de tudo.
Embora quisesse devorá-la, não se permitiu ter pressa. Já fora por aquele caminho com ela antes. Dessa vez, ele iria saboreá-la. Dessa vez, descobriria todos os detalhes daquele lindo corpo.
— Eu vou... Aeron...
— Boa menina... — Ele moveu a língua com mais rapidez e com força. Seu quadril se movia para a frente e para trás, e quando ele encontrou sua abertura, penetrou-a com a língua. Ela gritou, estremecendo ao alcançar o clímax.
Ele não sabia dizer quanto tempo, minutos, horas, dias, se passaram até que ela se acalmasse o suficiente para que ele pudesse se inclinar e beijar, e chupar, aquelas panturrilhas que ele tanto admirara, antes de se levantar e prestar a devida homenagem à base de suas costas. Havia dois furinhos ali, e enquanto ele rodeava sua língua ao redor deles, suas mãos deslizaram para cima, mais para cima, e agarraram seus seios do jeito que ele sabia que ela gostava. Seus dois mamilos ainda estavam gloriosamente excitados, como duas pequenas pérolas, e ele os acariciou por entre os dedos.
Mais.
— Estou pronta — disse Olivia, ofegante. — Venha para dentro de mim.
— Ainda não. — Sim, ela estava úmida, mas ele queria vê-la pingando. Queria que ela estivesse mais do que pronta. Ela era virgem, e Aeron deixaria tudo o mais fácil possível para ela.
A primeira vez dele fora com uma deusa menor grega. Uma das três Fúrias. Megera, a “ciumenta”, como normalmente era chamada. Seu tipo de amor era violento e doloroso, mais uma razão pela qual ele sempre evitara mulheres que pegavam pesado com seus amantes. Mas com Olivia, não era como se ele preferisse mulheres gentis a mulheres selvagens, ou o contrário. Ele preferia Olivia.
Ao se levantar, ele percorreu suas costas com a língua, havia cicatrizes onde suas asas deveriam estar, e ele as beijou também, enchendo-as de atenção, ao mesmo tempo que puxava sua túnica para cima e a tirava por sobre a cabeça. Seus cabelos sedosos caíam em cascata pelos seus ombros e costas, chegando a obscurecer seus seios no reflexo do espelho. Ele precisava ver aqueles seios, pensou, afastando os cabelos para o lado.
Pelo espelho, aqueles mamilos endurecidos puderam ser vistos. E beliscou-os, e ela deixou a cabeça pender por sobre o ombro dele, semicerrando os olhos. Sua grossa ereção pressionava-lhe a bunda, desesperada por contato, e ele gemia por entre os dentes.
Não haveria mais degustação se mantivesse aquele ritmo.
Ele desceu a mão, até chegar ao ápice de suas coxas. Seus dedos envolveram os cachos macios e escuros do seu sexo, alcançando aquela montanha quente e úmida. Penetrou-a com um dedo, depois outro.
Os dois gemeram. Aeron deu um beijo na curva de seu pescoço, observando a si mesmo todo o tempo. Que linda visão eles eram. Seu corpo escuro e tatuado atrás do dela. O corpo mais suave e da cor das nuvens de Olivia se contorcendo à frente do seu. De longe, era a visão mais erótica que já contemplara.
Não. Espere. Ela esticou os braços para trás, e com uma das mãos agarrou-lhe a cabeça, trazendo-a mais para perto para lhe dar um beijo, e com a outra agarrou sua bunda. Aquela era a visão mais erótica que ele já contemplara.
— Estou pronta, eu juro.
Quase... quase... Ele mergulhou um terceiro dedo no seu corpo, esticando-a, espalhando o líquido maravilhoso. E quando encontrou a prova de sua virgindade, ele parou, regozijando-se com a sensação de posse que o invadiu; minha, toda minha. E em seguida, gentilmente, ele avançou.
Minha, um grito de Ira.
Minha, insistiu.
Ela ficou tensa, chegou a paralisar os movimentos de sua boca contra a de Aeron.
— Aeron.
Preferia feri-la com os dedos, e não com o pênis.
— Sente... dor... Mas é bom... Juro. — Ele soava como um homem das cavernas, mas simplesmente não conseguia formar frases coerentes. Olivia era sua. Completamente sua. Sua mente estava apegada àquele fato, e somente àquele.
Quando ela finalmente relaxou, ele tomou sua boca, brincando com sua língua, beijando-a sem parar, e em breve ela estava se contorcendo contra ele novamente, perdida entre tanto prazer. Em pouco tempo, ela estaria pingando, como ele queria.
Agora ela estava pronta.
Embora ele odiasse soltá-la, mesmo que só por um momento, ele o fez para agarrar o pênis. O membro latejante praticamente saltou ao sentir seu toque, louco por mais, por muito mais, embora Aeron temesse chegar ao clímax no primeiro contato. Diversão. Ele mordeu a própria língua até sentir o gosto de sangue e até que o desejo fervente fosse aliviado. Alcançada. Carinhosamente, ele pressionou Olivia contra a cômoda com sua mão livre, colando seu peito à madeira, depois direcionou a ponta de seu membro ao sexo do anjo.
— Ainda está pronta?
— Agora, Aeron. Faça agora!!
Pouco a pouco, ele a penetrou, permitindo-lhe um tempo para que se acostumasse ao tamanho de seu membro antes de lhe dar mais. Durante todo o tempo, ela arfava, gemia e implorava por mais. Ira, também. Finalmente, ele mergulhou todo o seu membro, com os olhos em brasas, louco de vontade de investir contra ela e nunca mais parar.
— Aeron — ela grunhiu, e ele sabia que aquele era mais um pedido.
Ele se retirou quase completamente, antes de voltar a penetrá-la. E soltou um xingamento; ela arqueara o quadril na sua direção, e toda a sua racionalidade se perdeu, algo dentro dele se despedaçou. Algum tipo de corrente. A corrente de sua moderação.
Naquele momento, ele se perdeu. Perdeu o controle, perdeu a noção de quem ele era, perdeu tudo, menos a necessidade de preencher aquela mulher com tudo o que ele era. Entrava e saía de dentro dela, exatamente como desejara. Determinado, concentrado, possuído por muito mais que um demônio.
Ele estava agarrando seu quadril, provavelmente machucando-a, certamente quebrando seus ossos, mas não poderia parar. Era um homem selvagem, feroz, sua vida resumia-se àquele momento. Àquela mulher. Naquele instante, ela era tudo para Aeron. Fazia parte dele tanto quanto Ira. Não poderia viver sem ela. E não viveria sem ela.
— Aeron. — Ela não estava mais ofegando; e gritava. — Não pare, não pare, nem pense em parar. Mais. Mais!
Na mente de Aeron, apenas uma palavra ecoava. Minha. Minha, minha, minha. Ele ouvira isso milhares de vezes antes, mas estava gritando.
— Minha, minha, minha. — E o som preenchia seus ouvidos, envolvendo-o por completo, aquecendo-o ainda um grau a mais, condenando-o, destruindo quem ele fora até ali, o que ele fora, e depois reconstruindo-o novamente, transformando-o em algo novo, bom e correto, transformando-o no homem que sempre desejara ser. E foi então que a palavra minha desapareceu e foi substituída por outra, uma palavra mais forte e ainda mais urgente: seu. Ele queria pertencer a ela, ser seu. Queria ser tudo o que ela sempre sonhara, queria realizar todos os desejos que ela tivera.
— Aeron — ela arfou.
Seu.
Ele deveria ter esperado por isso, deveria ter se dado conta do que Olivia estava começando a significar para ele, mas sua resistência o cegara. Agora, reduzido ao seu eu mais profundo, ele era bruto, vulnerável, e funcionava em um nível visceral.
Ela era dele, e ele era dela.
Aeron abriu ainda mais as pernas de Olivia, que se abaixou um pouco mais, para aprofundar suas investidas. O espaço entre a cômoda permitia que ele a envolvesse com os braços, tocando-a exatamente onde ela precisava ser tocada. Com um grito, ela entrou em erupção, e enquanto aquelas suculentas paredes internas o pressionavam, Aeron também chegou ao clímax, fazendo jorrar seu sêmen quente dentro dela.
— Aeron — ela gritou.
Seu.
Ele caiu por cima dela, ofegante, e notou que havia uma falha no seu plano de “só uma vez”. Uma vez nunca seria suficiente. Nem para ele nem para seu demônio.
Eles precisavam de mais; não poderiam nunca ficar satisfeitos até que a tivessem possuído de todas as formas imagináveis. E a tomariam. Ele poderia. Sem medo. Ele perdera o controle, mas Ira não a atacara. Perdera o controle, mas não a machucara.
Olivia sempre fora irresistível, mas, naquele momento... Ele precisava estar com ela, ou sua vida não seria completa. Precisava fazer amor com ela todas as noites, e acordar ao seu lado todas as manhãs... para fazer amor com ela novamente. Precisava mimá-la e dar-lhe tudo o que ela desejava. Como diversão. Como alegria. Como paixão.
Como ele mesmo.
— Olivia — ele sussurrou fracamente mas deixando clara a promessa de dar tudo o “mais” que ela queria. Para sempre?
O que você está fazendo? No que está pensando? Você não pode fazer isso. Seu peito escorregadio de suor pressionou as costas de Olivia, e ele se forçou a levantar.
Ira choramingou.
— Aeron — disse Olivia. — Em seguida: — Aeron!
Não, aquele último grito não saíra de Olivia. Aeron e o anjo se viraram e seus corpos se enrijeceram ao mesmo tempo. William e uma linda loira, Legião, ele se lembrou, mais uma vez surpreendendo-se com a sua aparência, estavam parados na porta.
Aeron forçou suas asas a sair e envolveu Olivia nelas, protegendo-a da vista dos outros. Enquanto isso, William segurava o demônio humanoide atrás de si. Porém, embora ele fosse forte, Legião o empurrava para a frente, encarando Olivia com um olhar assassino.