Abilio

Cristiane Correa · Capítulo 10 de 30

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Abilio

Encarte de fotos 1

Abilio na infância com os pais, Valentim e Floripes, e aos 7 anos. Baixinho, gordinho e

impopular na escola, o garoto começaria a praticar esportes na adolescência para se

defender.

O embrião do império do varejo: a pequena doceria Pão de Açúcar, fundada por Valentim

dos Santos Diniz, na avenida Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo, em 1948.

Cristiano Mascaro / Veja / Abril Comunicações S/A

 

Desde o começo, Abilio tinha o hábito de visitar as lojas da rede Pão de Açúcar.

O ex-ministro Bresser-Pereira, um dos primeiros executivos da varejista.

O empresário com a primeira esposa, Auri (de casaco branco), e os filhos Ana Maria e

João Paulo numa inauguração, que teve as bênçãos de um padre.

Aos poucos o Pão de Açúcar começa a se expandir. A loja número 13, no shopping

Iguatemi, em São Paulo, em funcionamento até hoje.

Propaganda da década de 1960 mostra que a empresa já tinha duas bandeiras – Sirva-se

e Pão de Açúcar – e pretendia se firmar como uma rede presente em todo o estado

paulista.

Em 1971, o grupo inaugura seu primeiro hipermercado no Brasil, o Jumbo. O modelo de

reunir todo tipo de produto – de verduras a roupas – num só espaço era tão inovador que

até o então ministro da Fazenda, Antônio Delfim Netto, compareceu à cerimônia (página

seguinte).

Arquivo / Estadão Conteúdo

O Pão de Açúcar chega a outros países, como Portugal e Angola. Abilio inaugura uma

loja na Espanha.

A ala masculina dos Diniz: o pai, Valentim, e atrás os irmãos Abilio, Alcides e Arnaldo. A

convivência entre os filhos do patriarca se tornaria impossível com o passar dos anos.

Abilio sempre se interessou pelos assuntos de Brasília. Por quase uma década foi membro

do Conselho Monetário Nacional (CMN), participando das reuniões.

Também se envolveu ativamente na campanha de Tancredo Neves à presidência da

República.

Folhapress

 

Maílson da Nóbrega e Abilio Diniz se conheceram durante as reuniões do CMN. Anos

depois, Nóbrega se tornaria um dos primeiros membros do conselho de administração da

rede Pão de Açúcar.

Abilio com o presidente José Sarney, que assumiu o cargo após a morte de Tancredo

Neves.

Folhapress Folhapress

 

Abilio adora praticar esportes.

Durante a crise que quase levou o Pão de Açúcar à falência, na década de 1990,

costumava nadar diariamente, na hora do almoço, para aliviar o estresse. Ele diz que

“pegou bode” da modalidade depois dessa fase.

Vidal Cavalcante / Folha Imagem

 

Durante o sequestro de que foi vítima em 1989, Abilio aparece ao lado dos bandidos,

ainda no cativeiro.

Nellie Solitrenick / Veja / Abril Comunicações S/A

 

O sequestro duraria seis dias e só terminaria graças à ação da polícia e à ajuda de

negociadores como o amigo Luiz Carlos Bresser-Pereira (na foto, de boina) e do cardeal

Dom Paulo Evaristo Arns.

Claudine Petroli / Agência O Globo

 

Dias depois, acompanhado da mãe, Floripes, Abilio participou de uma missa de ação de

graças por sua libertação, na igreja São Pedro e São Paulo.

Reprodução Veja / Abril Comunicações S/A

 

A briga entre os irmãos Diniz tornou-se pública no final da década de 1980 e levaria

vários anos para ser resolvida. Por conta da disputa, o Pão de Açúcar quase foi à lona.

Helcio Toth / Folhapress

 

Abilio contava com o apoio do pai, mas seus cinco irmãos – liderados por Alcides – eram

defendidos pela mãe.

Na década de 1990, a primogênita de Abilio, Ana Maria, passou a atuar como executiva

da rede. Ela se tornou uma voz respeitada nas reuniões de diretoria realizadas na “sala

redonda”.

Ana Maria costumava acompanhar o pai em inaugurações de lojas, como esta unidade do

Extra em Fortaleza. Chegou a ser cotada como sua possível sucessora.

Abilio entre os quatro filhos de seu primeiro casamento: João Paulo, Ana Maria, Adriana

e Pedro Paulo. Apenas Ana e João trabalharam no Pão de Açúcar. No início da década

de 2000, eles se afastaram das atividades executivas da companhia.

Mastrangelo Reino / Folhapress

 

João Paulo, que já tinha negócios próprios, passou a se dedicar integralmente a eles.

Cesar Loureiro / Agência O Globo

 

Pedro Paulo Diniz sempre trilhou um caminho distante do varejo. Primeiro apostou no

automobilismo, e chegou a participar da Fórmula 1.

Germano Lüders / Abril Comunicações S/A

 

Mais recentemente Pedro Paulo se envolveu com a produção de alimentos orgânicos, com

a marca Fazenda da Toca.

Folhapress

Na década de 1990, o Pão de Açúcar ganhou relevância também no mercado financeiro. Primeiro abriu o capital na Bovespa. Depois, lançou ADRs em Nova York. Na foto, Luiz

Antônio Viana, executivo que ajudou Abilio a reerguer a companhia, aparece a seu lado.

Raul Junior / Exame / Abril Comunicações S/A

 

Abilio se tornara o varejista mais importante do Brasil no final dos anos 1990. Seu

próximo passo seria atrair um sócio estrangeiro que pudesse dar acesso ao mercado

internacional e ajudar a financiar mais aquisições no Brasil. Foi escolhida a rede

francesa Casino, que em agosto de 1999 comprou 24,5% do Pão de Açúcar por 854

milhões de dólares.

Abilio comemora a assinatura do acordo com os novos sócios. À sua esquerda, em

primeiro plano, estão o banqueiro Pércio de Souza e a filha, Ana Maria. À direita (camisa

azul), Pierre Bouchut, na época principal executivo do Casino.

Os troféus do esportista Abilio Diniz ficavam expostos numa sala do Pão de Açúcar, ao

lado das premiações recebidas pela empresa. Era como se o empresário e a companhia

fossem indissociáveis.