Antes que Você Diga Sim

Clare Lydon · Capítulo 11 de 35

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Antes que Você Diga Sim

Onze

— Vai, porque nós estaremos lá — Delta respondeu.

Abby olhou para amiga. Será que ela estava finalmente cedendo?

Esperava que sim, ou o final de semana do ensaio seria bem longo.

— Assim como você também estará na prova final do vestido, querida madrinha principal? — Abby falou em um tom incisivo.

Gloria olhou para a filha.

— Já te avisei que não consigo ir, certo? Tenho uma conferência no dia.

Abby assentiu.

— Já, sim. Mas você estava na primeira prova, então tudo bem. Já mandei arrumar os dois vestidos. Estava adiando a decisão final para a Delta me ajudar. E agora, a Jordan também vai.

Delta bateu uma continência.

— Estarei lá. A Jordan pode estar cuidando de algumas coisas, mas não de todas.

— Ótimo. — Abby se recostou na cadeira, sorrindo para a equipe do seu casamento.

Estava tudo certo.

Ela realmente iria se casar.

Onze

ABBY ESTAVA SENTADA no sofá da loja de vestidos, folheando um exemplar de Noiva Perfeita. Seis dias se passaram desde que bebeu com Jordan, sua mãe e Delta. Precisava admitir que ficou impressionada. Jordan a ganhou com seu charme, mas também conseguiu convencer sua mãe e Delta, o que não era algo fácil. A moça se esquivou de todas as bombas que a melhor amiga atirou nela. Se não estava enganada, ela disse que estudou psicologia na faculdade. Se fosse verdade, certamente se lembrava de tudo que aprendeu.

Diferentemente de Abby, que tinha diploma em economia e nunca usava nada do que aprendeu. Ainda assim, pensava na faculdade como uma época divertida, apesar de se arrepender de não ter prestado tanta atenção.

Essa época era desperdiçada pelos jovens. Assim que pensou nisso, sorriu.

Ela só tinha trinta e seis anos. Não era assim tão velha. Mas às vezes, parecia.

Delta havia mandado uma mensagem no dia seguinte avisando que estava “bem com Jordan”. Esse era o máximo de apoio que conseguiria da melhor amiga. Delta prometeu não massacrar Jordan no final de semana, o que fez Abby suspirar. Não é verdade que as madrinhas deveriam se esforçar para fazer todas as suas vontades? Ou talvez tudo isso fosse mentira. Assim como sua relação com os pais de Marcus. Estava feliz com Jordan assumindo, mas não conseguia deixar de pensar que não duraria para sempre. Ainda seria a esposa de Marcus. Os pais dele teriam que fingir que gostavam dela para o resto da vida.

Seria a esposa de Marcus.

Abby estremeceu. Era uma reação normal para uma noiva há duas semanas do casamento? Ou talvez fosse só o nervosismo?

Sim, era isso.

Queria poder compartilhar suas hesitações com alguém, mas não sabia com quem.

Estava ocupada com o trabalho. Sua mãe havia assumido a posição de chefe de departamento. Delta estava muito envolvida com seus próprios

problemas. E Marcus? Estava ocupado demais se esforçando para deixar todos felizes.

Isso era algo com que Abby precisaria lidar sozinha.

O que Jordan diria se soubesse? Talvez devesse falar com ela. A moça devia ter experiência no assunto e saberia o que dizer.

Respirou fundo, afastando os pensamentos. O aroma da loja invadiu seus sentidos. Olhou em volta, tentando encontrar de onde vinha. Algum tipo de difusor? Daqueles de tomada? O que quer que fosse, o cheiro parecia estar carregado de produtos químicos. Como se o ambiente relaxado fosse artificial.

Mais ou menos como tudo relacionado ao casamento, assim como começou a perceber desde o momento em que disse “sim” para Marcus, há seis meses.

Era estranho que os dois só tivessem transado duas vezes depois disso?

E nenhuma vez nos últimos três meses? Não moravam juntos, então não era algo que podiam fazer antes do trabalho, ou uma rapidinha no sofá depois de jantar.

Desde que ele fez o pedido, era como se seu corpo tivesse entrado em quarentena. Ela nem conseguia sentir prazer consigo mesma. Entrou em modo de sobrevivência, só fazendo o básico: comer, dormir, beber e trabalhar.

A única vez que seu corpo pareceu acordar foi quando se encontrou com Jordan.

Mas estava tentando ignorar esse fato.

A presença da jovem fazia com que ela se sentisse instável, arisca e sem equilíbrio.

O que era ridículo.

Não sentia atração por mulheres.

Na maior parte do tempo.

Abby encarou a vela do outro lado da mesa. Provavelmente era de onde vinha o cheiro estranho. Gerânio e alguma outra flor, se ela tivesse que adivinhar. Talvez rosas? Ela não gostava, independentemente do que fosse.

Adivinhações não eram seu ponto forte. Estava constantemente se questionando o que pensava quando se tratava de Jordan.

Abby não se sentiu atraída por muitas mulheres na faculdade. O que aconteceu foi algo casual. Experimentou e transou com uma mulher.

Gostou. Tirou da lista. Mas foi uma vez só.

Depois disso, só transou com homens. Será que isso significava que era bissexual? Pansexual? Será que precisava ter um relacionamento com uma mulher para usar esse rótulo? Não sabia se só três orgasmos bastavam.

Jordan era a primeira mulher que chamava sua atenção em quinze anos. Estava tentando não focar nisso. Não eram pensamentos que uma noiva deveria ter sobre... sobre sua funcionária.

Talvez, por não pensar em Jordan dessa forma, Abby tenha cruzado a linha.

Era engraçado. Ela não se importava. Desde o momento em que se encontraram no café, há algumas semanas, Jordan a intrigou. Fez Abby prestar atenção. Agitou algo dentro dela que pensava estar há muito tempo.

As duas estavam em sintonia. Jordan era alguém com quem se dava bem. O fato de que ela tinha peitos e vagina era só um detalhe.

No entanto, estaria mentindo se dissesse que não tinha pensado naqueles peitos. Ou como seria beijá-los.

Pare com isso!

Respirou tão fundo que sentiu como se suas costelas estivessem apertando seu corpo, prestes a sufocá-la.

Ela expirou.

Jordan estava fazendo seu trabalho, ajudando-a a diminuir o estresse.

Mas também era uma distração, estando juntas ou longe uma da outra. Ela começou a mandar mensagens que sempre a faziam rir. Eram pessoais e também engraçadas. Será que ela fazia isso com todas as noivas com quem trabalhava? Esperava que não. De alguma forma, isso parecia importante.

Jordan havia dito que ela era diferente. Não era mimada, e sim, uma pessoa normal. Gostava da companhia da moça. Trabalhavam bem juntas e formavam um bom time.

Assim como ela e Marcus, óbvio.

Abby fechou os olhos, quase se engasgando com o aroma. Estava rodeada por cores calmas e cetim. Não era seu habitat natural.

Instantes depois, a gerente da loja, Lisa, trouxe um latte e uma bandeja de biscoitos. Será que alguma noiva comia biscoitos assim tão perto do casamento? Abby duvidava disso.

Lisa era uma dessas mulheres que não acreditava em excesso de maquiagem. Seus cílios eram tão grossos que era um milagre que conseguisse abrir os olhos. Abby tinha um respeito enorme por sua atenção aos detalhes.

Pegou o café no mesmo instante que a tela do celular se iluminou.

Era uma mensagem de Delta.

Ela enrijeceu. Esperava que a amiga não fosse furar com ela.

Abriu a mensagem. Delta dizia que sentia muito, mas estava trabalhando em home office e esperando Nora aparecer para pegar algumas coisas. A ex-namorada estava atrasada, e Delta não podia sair até que ela chegasse. Infelizmente, não conseguiria ir.

Delta estava colocando Nora acima de Abby. Ela não viria.

Sentiu um calor percorrer seu corpo. Já tinham discutido isso, e a amiga prometeu que cumpriria seu dever de madrinha. Mas parecia que não levava a sério seu papel. Depois da última vez, Abby achou que as coisas mudariam. Aparentemente, não.

O problema é que ela não estava sequer surpresa. Delta ainda estava obcecada pela ex. Pelo menos, isso talvez significasse que colocaria um fim definitivo nas coisas com Nora e sua amiga estivesse presente de corpo e alma na despedida. Seria uma espécie de fechamento para essa história.

Mas ainda estava ali. Sem mãe. Sem Delta.

Ao menos, ela tinha Jordan.

Só precisava afastar todos aqueles pensamentos inapropriados e francamente irrelevantes com relação à moça e focar em sua missão.

Escolher um vestido de noiva.

Para se casar com Marcus.

— Está tudo bem, senhorita? — Lisa perguntou, notando sua carranca.

Abby abriu o melhor sorriso que conseguiu.

— Minha madrinha não vem.

— Ah, céus. Que má notícia. Mais alguém vem para dar uma segunda opinião?

Algo se alojou no estômago de Abby. Medo? Empolgação? Não tinha certeza.

Mordiscou o interior da bochecha e olhou para Lisa.

— Sim, minha outra madrinha.

Lisa sorriu aliviada e esfregou as mãos.

— Então não teremos problemas. Nós três vamos nos certificar de que você esteja linda no grande dia.

Abby assentiu, mas a incerteza a incomodou.

Não ficaria a sós com Jordan. Lisa também estaria lá. Assim seria melhor.

A vendedora serviria como um escudo entre elas.

No entanto, a única coisa que a moça não podia fazer era controlar seu coração. Estava batendo tão rápido que temia que outras pessoas ouvissem.

Será que os pedestres não estavam se perguntando de onde vinha o som profundo? Na sua cabeça, parecia que era um daqueles carros incômodos que paravam no sinal, com o som no último, sacudindo toda a rua.

O rosto de Lisa estava inexpressivo. A moça era profissional. Mesmo se estivesse se perguntando o que Abby estava pensando, não diria nada.

Estava gastando um dinheirão no vestido mais importante de sua vida. Lisa faria de tudo para que ela se sentisse a pessoa mais importante da loja.

Abby pegou o celular de novo.

Isso é, se Jordan aparecesse. Normalmente, ela chegava adiantada.

Ah, meu Deus, e se nem Jordan aparecesse?

Sua pele se arrepiou de nervoso.

Naquele momento, como em um passe de mágica, suas preocupações desapareceram, pois Jordan entrou na loja. Ela estava linda, vestida de preto, com as bochechas coradas e o cabelo um pouco bagunçado. Será que propósito? Abby imaginava que seria assim depois do sexo: bagunçado, atraente e arrebatador.

— Oi! — Jordan jogou a bolsa no sofá e sua atitude animada preencheu a loja. — Está pronta?

Lisa pegou o café de Jordan e desapareceu.

Abby engoliu em seco. Abriu a boca para falar. Como nenhuma palavra saiu, fechou a boca novamente. Não estava esperando por isso.

Respirou fundo, com o coração ainda acelerado no peito. Puxou o ar de novo. Acalme-se.

Jordan estava examinando o salão, com uma expressão estranha no rosto.

— Que cheiro é esse? — ela sussurrou. — Parece peido de flor. Aquilo quebrou a tensão. O coração de Abby explodiu.

— Acho que é aquela vela — apontou.

Jordan a encarou.

— Será que posso apagar? — ela perguntou, mas não esperou por permissão e a assoprou.

O que Abby fazia da vida antes de Jordan?

— A Delta não chegou?

Abby balançou a cabeça.

— Ela me deu um bolo, então somos só eu, você e a Lisa.

Jordan olhou para ela preocupada.

— É uma pena, mas vamos lidar com isso. Já estou animada para ver os vestidos. — Ela encarou Abby. — Aliás, você está linda hoje. Parece estar empolgada. Pronta.

Abby corou, olhando para o chão. A empolgação não tinha nada a ver com o vestido.

— Você parece mais empolgada que eu.

— Só estou feliz. O Spotify tocou uma das minhas músicas favoritas, e fiquei cheia de energia. — Ela trocou o peso de um pé para o outro. —

Lembra daquela música, “Drops of Jupiter”?

Abby assentiu.

— Eu amo essa música.

O sorriso de Jordan se abriu ainda mais.

— Eu também. Toda vez que ouço, fico nostálgica. Me lembro da época em que me apaixonei pela primeira vez e que tive minha primeira namorada. — Uma sombra passou pelo seu rosto conforme olhou para Abby. — Você, de todas as pessoas, sabe como é. Afinal de contas, vai se casar! Sabe como é esse amor que enche o peito e quase não nos deixa respirar. Quando você quer juntar tudo e colocar em um potinho, porque essa sensação não dura para sempre, mas é muito preciosa. A música resume tudo isso para mim.

Quando Jordan a olhou novamente, Abby rangeu os dentes para se acalmar.

Jordan era gay. Ou, pelo menos, bissexual. Queer. Qualquer que fosse o rótulo que ela usasse. E de repente, estava corando. O que só levou Abby a pensar em como seria seu rosto depois de gozar.

Controle-se.

Jordan pigarreou, esfregando as mãos.

— Está pronta para encontrar o vestido ideal?

Abby assentiu.

— Estou.

***

Abby puxou a cortina do provador e desapareceu.

O barulho das argolas parecia a mente de Jordan, completamente pronta para descarrilhar. Ela levou a mão ao rosto e o esfregou. Não podia fazer isso, ia estragar a maquiagem.

Parou o movimento e balançou a cabeça.

Tinha acabado de sair do armário para Abby. Torcia para que a cliente não visse problema nisso. Ela tinha uma madrinha gay, mas essas coisas nunca eram previsíveis. Talvez a cota de madrinhas gays já estivesse completamente preenchida. Jordan torcia para que Abby percebesse que nem todas as lésbicas eram tão furonas quanto a sua terrível madrinha principal. É claro que Jordan já havia experimentado coisas do tipo. Mas até ela estava brava com Delta hoje. A presença da amiga teria ajudado Jordan a parar de encarar o corpo escultural de Abby.

A boa notícia é que a moça estava prestes a entrar no seu vestido de noiva. Se tinha algo melhor para abafar os sentimentos de Jordan era um vestido branco, pomposo e cheio de firulas. Nunca achou vestidos de noiva sensuais, e não entendia por que as outras pessoas achavam. Branco não combinava com ninguém. Se estivesse acompanhado de uma coroa e sapatos de cetim, Jordan virava as costas na hora.

— Merda. — A voz de Abby soou de trás da cortina cor de creme.

Jordan se levantou e ficou do lado de fora, apertando os dedos dos pés no sapato.

— Está tudo bem?

Abby colocou a cabeça para fora. Seus ombros estavam nus.

Jordan fixou o olhar em seu rosto.

— Estou com o tipo errado de sutiã para esse vestido. Um deles tem as alças caídas, e eu não trouxe o tomara-que-caia.

Ela apertou os dedos na cortina.

Alguma coisa se contorceu dentro de Jordan, mas ela ignorou.

— Acha que eles têm um aqui para emprestar?

Jordan mordiscou o lábio superior.

— Talvez, mas não sei se vai ser bom usar sutiã de segunda mão. Quer que eu pegue um para você? Conheço o departamento de lingerie da M&S

como a palma da minha mão. — Havia algumas vantagens ter Karen como sua colega de apartamento, e a loja era logo na esquina. — Nude e tomara-que-caia, certo?

Abby assentiu.

— Você faria isso? Salvaria minha vida. Quero ver como vai ficar no dia em que for usar.

— É meu trabalho, se lembra? — Jordan sorriu. — Que tamanho você usa, M?

Sentiu as bochechas corarem quase que instantaneamente. Será que isso soava como se estivesse olhando para os peitos de Abby? Porque não estava. Seu interesse era completamente normal. Tudo bem, talvez um pouco acima da média. Mas isso fazia parte do seu trabalho.

Abby sustentou seu olhar, com uma emoção que Jordan não conseguia decifrar no rosto.

— Acertou. Se um dia precisar largar esse emprego, pode conseguir algo como consultora de sutiãs. É assim que falam hoje em dia, não é?

Consultora ao invés de vendedora?

Adivinhar o tamanho do sutiã das pessoas era um superpoder de Jordan. Se o seu negócio tivesse algum problema, ela poderia contar com os peitos. Remexeu um pé, batendo nos bolsos como era de costume para ver se estava com a carteira. Estava.

— Volto em cinco minutinhos. Não saia daqui.

Abby sorriu, ainda segurando a cortina na frente do corpo.

— Estou nua. Não vou a lugar nenhum.

Jordan não respondeu, tentando afastar a imagem do seu cérebro enquanto ia até a loja.

Cumprindo sua palavra, voltou rápido com um sutiã nude M. Quando se aproximou do provador de Abby, hesitou. Como devia fazer isso?

— Toc toc — disse, mesmo que não houvesse uma porta na qual pudesse bater. Às vezes, ser tão britânica a tirava do sério.

Abby colocou a cabeça para fora, aceitando o sutiã com gratidão.

— Você é realmente a melhor — disse. — Não acho que a Delta teria me ajudado tanto assim. Ela nem veio, para começo de conversa.

Jordan deu de ombros.

— É por isso que estou aqui.

Ela se sentou em um sofá bege do lado de fora do provador, tentando regular a respiração.

Não costumava agir assim. Jordan era calma e sensata quando estava com as noivas. Era parte do seu trabalho.

Não estava funcionando com Abby.

Jordan não estava funcionando perto de Abby.

Ela queria que a moça gostasse dela.

Porque também gostava de Abby.

Se sentia atraída por ela.

Balançou a cabeça.

Não tinha tempo para sentir atração.

A cortina se abriu, interrompendo seus pensamentos. Jordan olhou para a noiva.

Sua perna direita começou a sacudir. Uma bolha de calor surgiu em seu peito e se espalhou por todo o corpo.

Sim, estava totalmente controlada.

Mas, puta merda, Abby estava gostosa.

Era uma noiva gostosa.

Esse era um território novo e nada bem-vindo.

O vestido seguia rente até a cintura, e se abria em camadas. Jordan não deveria achar isso atraente. Só que não tinha nada a ver com o vestido, não é?

Pigarreou e se levantou.

Quando seu olhar encontrou o de Abby, viu a dúvida ali. Era seu trabalho resolver isso.

Empurrou seus sentimentos inapropriados para longe e voltou para o modo profissional.

— Você não parece estar certa. — Não era exatamente uma aposta, já que Abby estava com o cenho franzido. — Por que não gostou desse?

Abby encarou Jordan, e então ficou de frente para o espelho do provador.

— Ele parece meio... cheio de coisa? Eu gosto, mas tem algo errado.

Ela passou as mãos pelo corpo, e Jordan tentou não segui-la.

Abby parou e se virou para um lado, depois para o outro, observando o vestido sob todos os ângulos possíveis nos espelhos de trezentos e sessenta

graus do provador espaçoso da loja.

— Se não está gostando desse, tente o outro. Tinha duas opções, certo?

Abby assentiu.

— Marcus me disse para comprar os dois e que se dane o custo. Só que agora estou preocupada. E se eu não gostar de nenhum deles? O que acontece?

Jordan deu um passo à frente e ficou ao seu lado, tentando não sentir seu perfume, mas falhando. O cheiro de Abby estava se tornando uma de suas coisas favoritas.

— Você escolheu os dois dentre várias opções. Pelo menos de um deles, vai gostar, confie em mim. Acho que esse está lindo em você, mas vá experimentar o outro.

Pela primeira vez em sua vida profissional, Jordan não estava mentindo.

Abby se virou e olhou para a outra moça.

— Acha mesmo?

— Sim. Você está incrível.

Abby corou.

— Obrigada.

Ela esperou a outra se afastar, e então puxou as cortinas.

Jordan se sentou de novo, recuperando a compostura e torcendo para que tivesse sido profissional. Alguns minutos depois, sua perna começou a balançar de novo.

— Jordan? — Abby puxou a cortina para revelar o vestido número dois.

— Sim?

As palavras ficaram presas em sua garganta quando a viu. Apesar de o vestido número um ser uma boa escolha, o segundo era espetacular. Era ajustado, com alguns bordados na frente e uma renda intrincada em volta. A peça tinha o glamour de Hollywood estampado nele. O fato de Abby parecer uma estrela da indústria também ajudava.

A noiva ergueu os braços, mostrando os músculos torneados. Isso tudo era do golfe? Jordan fez um lembrete a si mesma de que deveria fazer mais flexões.

— Estou com dificuldade de fechar o zíper. Pode me ajudar?

Jordan foi até ela, tentando ignorar o coração acelerado. Apesar de tudo, suas mãos estavam firmes quando pegou o zíper e o subiu. O vestido coube perfeitamente. Ao chegar ao fim, sua mão encostou nas costas nuas da moça.

Ficou imóvel. Olhou para cima, e encontrou o olhar de Abby no espelho. Ela havia suspirado quando Jordan a tocou?

Se isso fosse verdade ou imaginação, continuava imóvel, focada nela.

Abby a estava olhando com uma expressão estranha.

E Jordan já conhecia.

Era uma mistura de desejo e frustração. Já a viu antes, mas nunca em uma noiva.

Não desviou o olhar por alguns instantes, tentando entender.

Deveria estar enganada.

Abby estava se casando.

Com um homem.

Só podia estar delirando.

Por fim, retirou a mão e deu um passo para trás, dando a Abby um sorriso largo e esperando que amenizasse todos os sentimentos que estavam percorrendo seu corpo.

Balançou a cabeça. Não estava acontecendo nada. Era tudo imaginação sua. Jordan precisava se concentrar e fazer seu trabalho.

— Marcus vai ficar completamente louco quando te vir usando isso.

— As palavras saíram certeiras de sua boca. A Jordan Profissional estava de volta. Além do mais, sabia que era verdade, porque era exatamente isso que ela estava pensando quando Abby apareceu usando o vestido. Agora, olhando para seus olhos castanhos e estando perto o suficiente para esticar o braço e tocar o sorriso de Abby com a ponta dos dedos... Bem, conseguia imaginar como o noivo se sentiria.

Porque Abby ia se casar com ele, e não com Jordan.

A noiva pigarreou, abrindo um sorriso incerto para a outra moça. Saiu do provador, deu algumas voltas e então se virou para o outro lado. Ela rodopiava com confiança naquele vestido. Jordan sabia que era o escolhido.

— Está bonito, não está? Não sou muito de elogiar a mim mesma, mas esse vestido... — A voz dela vacilou. — Me lembra de verões quentes e de ficar descalça na areia da praia. — Olhou para Jordan e depois desviou o olhar. — Me faz feliz.