Antes que Você Diga Sim
Dezessete
— Isso não está na sua planilha, não é, Mulher Maravilha? — Delta sorriu para Jordan.
Dezessete
JORDAN LIDEROU O GRUPO para fora do bar de coquetéis. O
volume da festa aumentou em proporção direta com o consumo do álcool.
Agora estavam fazendo tanto barulho quanto o motor de um jatinho. Delta e Erin eram as líderes, e Gloria estava fazendo um esforço considerável e corajoso para acompanhá-las.
O passeio de iate foi um sucesso. Abby não se afogou, e Jordan resistiu ao impulso de empurrá-la contra a parede da caverna e beijá-la até que se esquecessem de que havia um mundo lá fora. Provavelmente foi melhor.
Desde então, levou o grupo de volta para casa, trocou de roupa, saiu para o jantar e então para um bar de coquetéis com as paredes e o menu dourados, o que Gloria declarou que era digno de uma princesa. Depois disso, o grupo todo renomeou a noiva como Princesa Abby.
— Qual é o próximo passo da Princesa Abby? — Delta perguntou.
Jordan checou o celular. A próxima parada era o Club Orange, o único lugar que ela não sabia se Abby ia gostar. Enviou uma mensagem ao motorista para avisar que estavam prontas, e ficaram esperando a alguns metros da entrada.
A minivan apareceu alguns minutos depois, e Jordan abriu a porta, avisando para onde iriam em um francês fluido. Sempre gostou daquele idioma, e estava animada para praticar mais. Nunca falhava em impressionar mulheres, o que também era um ótimo efeito colateral. Hoje, não foi exceção.
— Você não faz muito meu tipo, Jordan, mas eu poderia te ouvir conversar com o motorista a noite toda, mesmo que você só esteja falando qual o melhor caminho para chegarmos ou para fazermos uma parada para o banheiro.
Jordan sorriu para Frankie quando se sentou.
— Posso perguntar onde é o McDonald’s mais próximo também.
— Não consigo comer mais nada. Talvez um francês estonteante chamado Jaques — Gloria disse, gargalhando da própria piada.
Abby deu um tapinha nela.
— Mãe! O que eu falei? Pare de me envergonhar. E também baixe a bola com o desejo de devorar franceses. Se não tomar cuidado, você vai acabar gravando isso e vai mandar para o meu pai.
Gloria soltou um gritinho.
— Martin ficaria bem. Vocês jovens são tão antiquados. Beijei quatro homens na minha despedida de solteira, e ninguém morreu por isso. É um rito de passagem. — Ela pressionou o indicador no ombro de Abby. —
Você não beijou ninguém. — Gloria ergueu uma sobrancelha quando Jordan finalmente fechou a porta da van. — O que acha, Jordan?
Ela se virou e olhou diretamente para Gloria.
— O quê?
— Abby precisa pegar alguns homens essa noite. Isso faz parte dos planos?
Jordan sorriu, olhando de soslaio para Delta e depois para Abby.
— Bem, não está na planilha, mas a vida não é só feita de planejamento, não é?
Gritos de comemoração ecoaram na van.
Gloria cutucou a filha com o cotovelo.
— Vamos encontrar um ruivo, um loiro e um moreno no Club Orrannge? — perguntou, usando um sotaque francês na última palavra.
Jordan sorriu.
Mais gritinhos soaram enquanto Abby sorria arrependida.
— Tenho escolha?
— Nãooooo! — foi a resposta.
— Há ruivos na França? — Martha perguntou. — Acho que nunca vi um.
— É claro que sim, mas chamam de Roux.
— Adorei — disse Gloria. — Prontas?
— Prontas! — Foi a resposta entusiasmada.
***
O Club Orange era um dos destinos favoritos da elite de Cannes. A realeza belga e a alta sociedade francesa festejavam ali. E agora, Abby Porter e sua despedida de solteira. A iluminação era fraca e elas tinham uma
cabine particular com uma garrafa de champagne que havia acabado de chegar. Foi colocada em uma almofada de cetim com brilhos.
— Isso é ir para balada agora? É um pouco diferente do Blackpool Ritzy, não é? — Os olhos de Gloria estavam arregalados com a opulência impressionante. — Foi onde comemorei a minha despedida. Não tem nem uma camiseta escrito “me beije rapidinho” à vista.
Os garçons as rodeavam, enchendo as taças. Quando todas estavam abastecidas, Delta propôs um brinde.
— À mais uma noite de sucesso! — ela gritou conforme a batida aumentava e a pista de dança parecia pulsar. — E é claro, ao casamento da Princesa Abby com o Príncipe Encantado, mas não antes de dar uns beijos de língua em um francês!
Abby caiu na gargalhada antes de tomar um gole da sua bebida, e então semicerrou os olhos.
— Vamos dançar?
Delta se mostrou ser o tipo de dançarina que precisava de bastante espaço. Ela sacudia os braços e abria o caminho ao redor delas. Nikita e Erin se incumbiram da missão de vasculhar a pista de dança em busca de possíveis vítimas para um beijo, o que deixou o resto do grupo na órbita de Delta, ocasionalmente precisando desviar para evitar ser atingida por um braço ou uma perna. Jordan ficou na cabine, checando o celular para se certificar de que o café da manhã elegante acontecesse na manhã seguinte.
Domingo era o dia de folga dos funcionários, então havia contratado um serviço que entregava desjejum em bandejas prateadas para às dez.
Seus olhos percorreram a pista de dança bem no momento em que Delta fazia um de seus movimentos extravagantes.
Taran se abaixou a tempo.
A moça acertou Gloria no rosto, e a mãe da noiva revidou com um tapa na cabeça de Delta.
Jordan reprimiu uma risada. Todo mundo precisava de uma Gloria em sua despedida.
Um homem loiro foi levado a toda velocidade na direção de Abby, guiado por Nikita e Erin. Quando parou na frente da noiva, eles apertaram as mãos e o homem se inclinou para dizer algo.
O estômago de Jordan se apertou.
Isso era uma coisa normal na despedida. E ainda assim, era diferente.
Ela não queria olhar, mas sabia que faria exatamente isso.
Jordan cerrou os dentes quando Abby assentiu, e então olhou em sua direção.
Como se a estivesse procurando.
Seus olhares se encontraram, e Jordan paralisou.
Ela queria gritar para Abby, dizer que não precisava beijar nenhum cara. Mesmo que não significasse nada. Mesmo que fosse só por diversão.
— Relaxe! — Gloria havia dito.
Jordan queria pular por cima do sofá de couro branco, empurrar o homem para o lado e proteger Abby do que estava prestes a acontecer.
Mas não poderia fazer isso. Então deu um sorriso tímido para Abby e fez um sinal de joinha.
Sinal de joinha? Sério? Ela tinha o que, doze anos? Segundos depois, Abby se inclinou e beijou o cara na bochecha.
Delta balançou a cabeça e segurou tanto o braço de Abby quanto o do outro cara. Erin e Nikita também se aproximaram. Houve mais discussão.
Por fim, Abby negou, se desvencilhou e quase correu os quatro degraus para a cabine, sem olhar para trás. Quando chegou ao último, se desequilibrou e caiu para o lado.
Jordan se agachou assim que Abby se endireitou, franzindo o cenho.
Colocou a mão no tornozelo quando se sentou.
— Você está bem? O que aconteceu?
Abby estremeceu, balançando a cabeça.
— Acho que meu salto quebrou. — Ela tirou o sapato nude e o verificou. Lá estava a evidência. O salto estava quase solto, balançando enquanto ela sacudia o sapato. Esfregou a lateral do corpo. — Nossa, está doendo pra cacete.
— Consegue mexer o braço?
Abby testou um movimento, gemendo mais uma vez.
— Está tudo bem. Acho que a pior parte é o tornozelo. Não quero que fique incomodando o resto do final de semana.
Jordan ajudou Abby a se firmar assim que Delta, Gloria, Nikita e Erin se aproximaram da cabine.
— Que merda foi aquela? — O rosto de Delta estava pálido.
— Meu salto quebrou, e eu caí. — A moça se inclinou e testou o tornozelo. Ela o massageou e gemeu de novo. — Não está quebrado, mas acho que quero ir embora.