Antes que Você Diga Sim
Dezenove
A ameaça de uma dor de cabeça começou a pairar sobre Abby. As palavras de Delta tinham um tom sarcástico. Mas estava perplexa demais para se preocupar com isso.
— Fiquem onde estão. Vou me trocar e entrar! — Delta gritou.
— Tudo bem! — Abby respondeu, olhando para Jordan.
Ela ainda estava sentada, olhando para as estrelas.
Haviam começado, mas não terminaram nada.
Provavelmente era melhor.
Mas ninguém conseguia dizer isso para o coração de Abby.
Dezenove
JORDAN ACORDOU SE PERGUNTANDO onde estava. Demorou um pouco para raciocinar. Estava no purgatório.
Também conhecido como Cannes, a cidade francesa dos sonhos.
Atualmente: cidade do mas que merda.
Rolou na cama, abrindo um olho. Pelo menos, não ia se virar e dar de cara com Abby. Teria sido um desastre monumental.
Talvez o seu hábito de não forçar as coisas fosse bom. Ou talvez a aparição de Delta, Gloria e as outras salvou Abby e ela de cometerem o pior erro de suas vidas. Algo que custaria seu trabalho.
E que, possivelmente, teria roubado sua sanidade. Porque apesar de nunca ter se encontrado em uma situação dessa, era óbvio como ia acabar.
Já tinha visto essa história nos livros, filmes e na vida real.
Regra número um: não seja um romance da despedida de solteira.
Regra número dois: quando alguém com quem se envolve está noivo, as coisas não costumam acabar bem.
Mas nada disso fazia com que seus sentimentos parecessem menos reais.
Além disso, quando Abby a olhou e disse que não conseguia parar de pensar nela, também pareceu real.
Fechou os olhos e sentiu alívio e arrependimento borbulharem dentro de si como uma banheira de hidromassagem.
Arrependimento de não ter beijado Abby. Alívio por não ter feito isso.
Seu celular tocou.
Jordan se virou e pegou o aparelho. Era uma mensagem de Karen.
Como está em Cannes? Espero que tenha usado aquele biquíni sexy.
Karen não fazia ideia.
Está indo bem. Interessante. Quase beijei a noiva ontem à noite.
Os dedos pairaram em cima do botão de enviar. Será que deveria?
Apertou antes que tivesse mais dúvidas.
Recebeu uma resposta instantânea.
Queeeeeeeee? Como? Pq?
Jordan adoraria poder responder à essas perguntas de forma honesta e clara. Mas não conseguia.
Ela me disse que tem sentimentos por mim. Uma confusão. Estávamos sozinhas na banheira, mas não nos beijamos. Acho que tenho que consertar as coisas hoje. Me deseje sorte.
Alguns segundos se passaram antes de ela receber uma resposta.
Boa sorte. Se lembre disso: não é com ela que você deveria estar. Vá para um bar e pegue uma estranha. Tire isso da cabeça. Só não fique com ela.
Jordan sentiu as bochechas corarem quando pensou no quanto esteve perto de fazer isso. O quanto deixou suas barreiras caírem ontem, sem ninguém por perto.
Chegou a milímetros. Ainda conseguia sentir o toque da respiração de Abby nos seus lábios.
Não vou ficar. Preciso ir.
Jordan jogou o celular do outro lado da cama e então apoiou as pernas no chão. Graças a deus pelo ar-condicionado. Entre o calor de Cannes e seus problemas, estava se sentindo frita.
A Operação Contenção de Danos começaria em meia hora. Olhou para a piscina. Não havia ninguém ali. Levantar cedo tinha algumas vantagens.
Pegou o biquíni de onde havia deixado para secar e o vestiu. Meia hora na piscina, e ela estaria pronta para encarar o dia.
Ou o mais pronta que poderia estar.
***
Os músculos de Jordan estavam doloridos quando andou até a cozinha e pegou o prato de frutas que o chef George havia deixado antes de ir embora. O grande relógio na parede da cozinha impecável avisava que ainda tinha uma hora antes que o serviço de café da manhã que contratou chegasse, o suficiente para deixar as frutas na temperatura ambiente e para que ela tomasse um banho e fizesse o café. Separou dez xícaras brancas no balcão ao lado da cafeteira, deixou os talheres e os guardanapos alinhados e empilhou os pratos brancos de porcelana ao lado deles. Satisfeita por ter feito o máximo que podia, Jordan assentiu para si mesma e saiu da cozinha.
E quase tropeçou em Abby. Ela estava usando shorts jeans e uma camiseta branca que deixava pouco para a imaginação. Nem parecia estar usando um sutiã.
Jordan precisava parar de encará-la. Olhou para o rosto de Abby.
Assim tão cedo, ela nem tinha passado maquiagem. Jordan gostava disso.
— Oi. — Esteve ensaiando a conversa com Abby enquanto nadava.
Mas agora que estavam frente a frente, toda a preparação foi por água abaixo. Abby tinha esse efeito.
— Oi. — As palavras da noiva não eram exatamente o foco de Jordan.
Estava olhando fixamente para os olhos dela, que percorriam seu corpo.
Merda. Jordan achou que conseguiria chegar ao quarto antes que as garotas acordassem. O grupo gostava de dormir até tarde. Estava usando o biquíni vermelho de novo. Mas era como se estivesse nua.
Abby parecia ter perdido a capacidade de falar.
Jordan se inclinou na direção da porta.
— Só estava indo me trocar antes que o café da manhã chegue.
Ela curvou os dedos dos pés enquanto o tempo passava.
Abby endireitou a postura.
— Então talvez eu devesse... — Jordan tentou passar por Abby.
Continuou a andar antes que ela pudesse impedi-la. Passou pelo corredor e subiu a enorme escadaria.
Ouviu passos atrás de si. Quando se virou, Abby estava ali.
— Continue. — A noiva seguiu Jordan até o quarto, e então fechou a porta. Apoiou as costas e as palmas da mão na madeira. Respirou fundo,
como se aquele fosse o último lugar onde queria estar. — Só queria conversar sobre ontem à noite. Fomos dormir sem falar nada, e não queria que hoje fosse estranho.
O coração de Jordan se apertou. Ficar ali, com aquele biquíni, na frente de Abby não era um bom jeito de começar. Foi até o outro lado da cama para se distanciar.
— É bom que já podemos colocar os pingos nos is. Mas como você disse, nos deixamos levar pelo momento. Nada mudou. Podemos continuar trabalhando juntas do mesmo jeito.
Abby assentiu, como se fosse um plano sólido e não só palavras para tapar os buracos. Como se o plano fosse infalível. Abby esfregou as mãos no estômago, mordendo a parte interna da bochecha.
— Então estamos bem? Somos amigas?
Jordan assentiu, cerrando os dentes.
— Claro. Amigas e colegas. Sou sua madrinha profissional.
Ela olhou para Jordan como se tivesse acabado de levar um soco no estômago.
A moça não queria magoá-la, mas talvez fosse a melhor coisa a dizer.
Apresentar os fatos para Abby, assim cada uma poderia interpretar seu papel.
Do lado de fora, ouviram uma porta bater. As duas se sobressaltaram.
— Você deveria ir. — Jordan cruzou os braços. — Antes que a sua mãe e a Delta entrem aqui e pensem o pior.
— O que é verdade. — Abby parecia querer engolir de volta as palavras. Ela balançou a cabeça. — Meu Deus, que confusão.
Jordan deu a volta na cama.
— Abby. — Segurou uma das mãos dela. — Ainda não é uma confusão, e não precisa ser. Daqui algum tempo, você vai pensar nessa história e rir. Por enquanto, precisa me deixar tomar banho, e eu preciso tomar conta das coisas de hoje. Temos um café da manhã para tomar e depois vamos aproveitar um passeio de vinhos. Vai ser divertido. A última coisa que quero fazer é estragar sua despedida de solteira. Você só vai ter uma, então é bom que aproveite. Por você e por todas as pessoas que querem comemorar ao seu lado. — Apertou a mão de Abby. — Promete que vai tentar?
Ela assentiu.
— Sim.
Jordan soltou a mão dela. E no mesmo instante, quis puxá-la para si e arrastá-la para a cama.
Mas isso não estava no itinerário do dia. Apaixonar-se pela noiva não estava na planilha. E Jordan seguia seu planejamento de forma obediente.
— Vou tomar um banho. Você desce e faz o café. Às dez, alguns homens vão chegar de moto para entregar a comida. Não importa o que pareça agora, poderia ser pior.
***
Era a última parada no passeio de vinhos, e todo mundo já estava um pouco bêbado.
Incluindo Abby.
Bem, especialmente Abby.
Ela continuava olhando para Jordan com olhos tristes e angustiados.
Cada vez que fazia isso, a madrinha profissional ficava mais desconfortável no assento da frente da minivan. Achava que Abby diria algo inapropriado a qualquer momento. Às vezes, Jordan realmente odiava bebidas alcoólicas e a capacidade que tinha de fazer com que as pessoas falassem.
Gloria se empertigou no banco da frente, exibindo a camiseta temática da despedida de solteira. Todas estavam usando o mesmo: uma camiseta branca com as palavras Estou com a Noiva escritas em caligrafia dourada.
Atrás, enquanto o rádio tocava as últimas notas de Marry You, do Bruno Mars, o grupo entoava o último refrão. Era uma das músicas do final de semana, e agora estava tocando na rádio. Jordan já estava exausta dela. Mas sorria como uma anfitriã perfeita.
— Quantas paradas ainda temos, Jordan? — Gloria perguntou.
— Mais uma antes de voltarmos para o jantar da última noite no terraço.
— Que romântico — Abby falou, com a língua enrolada. Ela virou a cabeça e encarou Jordan. — Quero me sentar ao lado da Jordan, minha melhor e mais antiga amiga.
Todos os músculos da moça tensionaram. A banheira invadiu sua memória. Como quase se beijaram. E agora, Abby estava dizendo isso?
Será que alguém ia desconfiar? Olhou para o grupo. Achava que não.
— Você fez um ótimo trabalho. — Gloria sorriu para Jordan.
Sus bochechas coraram. Se ao menos ela soubesse.
— O café da manhã foi incrível. Esse passeio de vinhos foi fora de série, com a minivan particular e nosso próprio guia. O almoço também foi espetacular.
Realmente foi. Havia excedido até suas expectativas. Almoçaram no terceiro vinhedo, e a comida Mediterrânea era maravilhosa. Assim como o vinho. Jordan se sentou o mais longe possível de Abby, e pôde conversar um pouco mais com as amigas da faculdade. Ela quase relaxou, mas houve alguns momentos em que seu olhar encontrou o de Abby. Quando isso acontecia, seu sangue gelava e o resto do mundo parecia apenas um eco.
Não estava surpresa. Deram brecha para aquilo acontecer. Por mais que doesse para Jordan admitir, o que quer que aquilo fosse, ainda estava acontecendo, e ela não tinha ideia do que fazer para impedir de avançar.
Não uma semana antes do casamento, trabalhando com Abby e Marcus todos os dias.
Estava tentando não pensar nisso ou ficaria com úlceras de estresse. Já havia conseguido uma no divórcio dos pais. Não era algo que queria repetir.
— Você deveria fazer isso profissionalmente, já que é tão boa — Delta acrescentou, piscando. Ela sempre tinha que fazer um comentário ácido.
Ainda assim, a amiga de Abby era a menor das preocupações de Jordan hoje. Além disso, sempre havia alguém que Jordan precisava despistar. Se não tomasse cuidado, seria o grupo inteiro.
O DJ da rádio disse algo em francês, e então a próxima música começou a tocar.
Jordan ficou imóvel. Era Drops of Jupiter. A música que disse para Abby que amava. Torcia para que ela não se lembrasse. Com sorte...
— Jordan! — a voz de Abby era estridente.
Tarde demais.
— Essa música faz a Jordan pensar no primeiro amor. Ela me disse outro dia, não é, Jordan? Ela também já se apaixonou. Assim como Marcus e eu! — Abby cantarolava as palavras.
Jordan fechou os olhos, tentando ignorá-la. Não estava dando certo.
Abby estava tentando acompanhar a música, mas não sabia a letra.
Estava prestes a chegar no refrão quando a minivan parou no último
vinhedo.
Jordan se inclinou e desligou o rádio, lançando um olhar sério para Abby. Tinha quase certeza de que a moça nem notou.
Desceram da van animadas. Taran estava recostada no veículo, com um enorme sorriso no rosto e o telefone grudado na orelha. Estava conversando com Ryan de novo, sem dúvidas. Nikita, Frankie, Delta, Erin e Abby estavam relembrando da faculdade, sobre um dia em que beberam vinho demais e derramado uma taça em outra pessoa.
— Vinho tinto? — Arielle perguntou, fazendo uma careta. — Espero que não estivessem usando blusa branca.
Nikita assentiu.
— Estava.
Abby sorriu enquanto se sentavam no balcão para degustação, cinco bancos de um lado e cinco do outro.
— Nem foi a pior parte. Eu estava muito triste por ter estragado a blusa da mulher, e li em algum lugar que vinho branco era ótimo para remover as manchas de tinto. Então, bêbada do jeito que estava, levei a mulher para o banheiro e joguei uma taça de vinho branco nela.
Foi a vez de Gloria colocar as mãos na cabeça.
— Ela gritou com você?
Abby franziu o cenho.
— Não me lembro bem o que ela disse, mas eu teria gritado se fosse comigo.
— De novo, acho que existem coisas que uma mãe não precisa saber.
— Então não deveríamos falar das conquistas da Abby na faculdade.
— Delta estava cutucando mais uma vez.
Jordan se endireitou.
Abby lançou um olhar para a amiga antes de balançar a cabeça.
— Melhor não. É a minha despedida, e eu digo para bebermos mais vinho. — Ela ergueu a mão. — Quem está a fim de mais vinho?
Gritinhos de comemoração eclodiram enquanto o atendente colocava as taças diante delas, enchendo-as de forma generosa. Jordan se inclinou e colocou a mão em cima da sua, balançando a cabeça.
— É o último vinhedo, Jordan. Você já pode beber — Abby falou, lançando um olhar de soslaio.
Jordan não se deixou abalar. Era apenas quatro da tarde. Ainda estava cedo.
— Acho que vou pular essa rodada.
— Quem é a noiva? — Abby a encarou com um olhar esperto. — Você nunca foi tão boazinha assim na escola. — Deu um tapinha na base da taça.
O garçom ainda estava ali, com a garrafa pronta. — Um golinho. Por mim.
Jordan sentiu uma pontada de irritação, mas estava encurralada.
— Tudo bem. Um pouquinho. Por você.
Abby se virou e segurou o assento com a mão direita bem a tempo de se impedir de cair.
— Ops! — disse. — Estou cambaleando!
Jordan colocou a mão no braço de Abby para segurá-la.
— Tudo bem?
A noiva a olhou, assentindo enquanto pegava a taça.
Jordan suspirou. Quanto antes isso acabasse e elas voltassem para a casa, melhor.
— Todo mundo, atenção! — Abby balançou a taça.
Jordan estremeceu, dando um passo para trás.
— Só queria agradecer por comparecerem a um dos meus últimos finais de semana como uma mulher solteira! — Ela apontou para a blusa.
— E eu amei as camisetas. Saúde!
As garotas gritaram e brindaram.
Quando se virou para Jordan, Abby fez uma pausa, e então tocou sua taça com a dela. Levou-a aos lábios, mas errou e derrubou boa parte do vinho na camiseta branca que dizia A noiva.
Ela se levantou, com o desespero estampado no rosto. O movimento brusco fez com que caísse ainda mais vinho. Sua expressão dizia que ia começar a chorar.
Jordan tirou a taça da sua mão no mesmo momento em que o garçom oferecia guardanapos para ela se limpar.
— Quer um pouco de vinho branco, Abs? — Delta gritou.
Abby lançou a ela um olhar gélido, seguido de um sorriso.
— Não mesmo. — Ela deu de ombros. — Olha só a minha camiseta da noiva!
Jordan secou seus braços e a camiseta com o guardanapo. Quando sua mão chegou ao peito dela, Abby olhou para cima.
Ela prendeu a respiração.
— Vamos ao banheiro?
Abby assentiu.
— Acho que é melhor.
— Quer ajuda? — Jordan ofereceu.
— Não estou tão bêbada assim. — Abby franziu a testa.
A madrinha precisou de um grande esforço para não contrariá-la.
Gloria pulou do banquinho.
— Posso ajudar?
Jordan balançou a cabeça.
— Fique aqui e aproveite o vinho. Só vai demorar um minuto.
Os banheiros eram grandes e luxuosos, com toalhas brancas felpudas, velas acesas, e espelhos enormes para avaliar o estrago.
Assim que Abby se viu no espelho, fez um bico.
— Pelo menos é só a camiseta da despedida.
Jordan pegou uma cadeira e se sentou, molhando uma das toalhas imediatamente.
— Exato. Agora vamos limitar o estrago. O vinho tinto sai mais fácil se molharmos tudo agora.
Ela se aproximou de Abby e começou a limpá-la, mas tentando não tocar na moça. Era uma tarefa impossível. Enquanto isso, Abby tocava o cabelo de Jordan.
— Tão loiro, tão bonito. — Ela enrolou os fios nos dedos. — Uma mulher tão linda para chegar na hora errada.
Jordan paralisou. O que devia fazer? Não estava acostumada a esse tipo de situação.
— Abby. — Seu tom continha um aviso que ela esperava que a outra mulher ouvisse. — Agora não é hora. Estou tentando te limpar.
A noiva deu um sorrisinho.
— Não vai conseguir fazer isso sem me tocar, vai? — Ela pegou a mão de Jordan e pressionou a toalha contra o seu seio. — É assim que vai limpar, Jordan. — Ela pressionou com mais força. — Precisa de uma mão firme.
Jordan cerrou os dentes conforme o desejo se alastrou, indo até seu centro.
Precisava afastar esse sentimento e fazer seu trabalho. Especialmente agora que Abby estava tocando seu rosto e nariz mais uma vez.
— Tão perfeita... parece uma modelo — Abby disse. A voz era como uma canção de ninar. — Mas não é para mim, porque isso é proibido.
Ela fez mais um bico.
Jordan segurou as duas mãos de Abby e colocou-as de lado antes de olhar em seus olhos.
— Me escute. Vou te limpar agora. Preciso que você pare de me tocar para fazer isso, tudo bem? As pessoas não estão longe, e eu preciso fazer meu trabalho.
Abby assentiu, abrindo um sorriso enquanto erguia as duas mãos espalmadas.
— Prometo não tocar em nada. Mesmo você sendo tão bonita. E seu cabelo também.
Ela tentou tocar as mechas novamente.
— Abby! — Jordan estava quase gritando.
A noiva se endireitou, baixando uma mão e continência com a outra.
— Sim, senhora!
Jordan balançou a cabeça, reprimindo um sorriso. Molhou a toalha de novo, e dessa vez, não ficou enrolando. Limpou Abby da melhor forma que conseguiu. A moça olhava para ela como se fosse a própria lua. Em outro lugar, em outra circunstância, Jordan talvez tivesse pensado no assunto.
Mas ali, naquele banheiro, não.
— Mandona demais — Abby afirmou.
Jordan a ignorou, olhando a frente da camiseta da moça. Não, não ia focar em seus peitos.
Mas Abby tinha outras ideias, uma vez que colocou a mão na bochecha esquerda de Jordan.
— Será que você é mandona assim na cama? Acho que nunca vou saber, porque isso me tornaria uma pessoa ruim.
Ela encontrou o olhar de Abby.
Dessa vez, a madrinha o sustentou.
— Não sou uma pessoa ruim, Jordan.
Seu coração bateu mais forte.
— Eu sei — ela respondeu.
— Só quero te beijar. Isso é tão ruim assim? — Abby inclinou a cabeça, com o olhar triste e os lábios convidativos.