Antes que Você Diga Sim

Clare Lydon · Capítulo 6 de 35

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Antes que Você Diga Sim

Seis

Conforme se tocaram, um calor percorreu o braço de Jordan. Seus olhos automaticamente se direcionaram para os de Abby. E então viu que a moça também a estava olhando fixamente.

— Você é uma mulher interessante, Jordan. Qual seu sobrenome?

— Cohen. — Seu coração acelerou novamente.

— Jordan Cohen. — Abby inclinou a cabeça. — Sem sombra de dúvidas, você é minha madrinha mais bonita. Bem-vinda ao Time Abby. Sei que foi o Marcus quem entrou em contato, mas agora é Time Abby.

Funciona para você?

Por um instante, Jordan se esqueceu de onde estava. Mas conforme o ambiente voltou a entrar em foco, se lembrou.

Estava em um encontro com uma cliente. Alguém que estava prestes a se casar. Era um negócio. Não importava o quanto seus olhos dela eram lindos.

— Funciona perfeitamente. Estou ansiosa para te ver casada e feliz em um futuro próximo.

Seis

DELTA CUMPRIMENTOU ABBY com um sorriso triste e um abraço frouxo. Normalmente, a amiga dava abraços apertados, mas o término a abalou de verdade. No mês anterior, Delta ainda falava sobre Nora e ela irem morar juntas, mas a namorada mudou todos os planos. Abby ficou triste pela amiga, mas não porque a relação tinha acabado. Nora era uma sabe-tudo insuportável que tratava Abby com frieza todas as vezes que se encontravam. Já Delta era alegre e abria seu coração para todos. Abby já havia dito muitas vezes que ela deveria tomar mais cuidado com isso. E também para melhorar seu gosto com relação a mulheres, já que suas escolhas costumavam ser horrorosas.

Abby segurou a mão da amiga conforme passeavam pela principal rua de compras de Londres. O burburinho da Oxford Street rugia em seus ouvidos. Táxis pretos e ônibus vermelhos passavam por elas, e os entregadores passeavam pelo trânsito de forma habilidosa. No céu, maio ainda estava fingindo ser abril, com nuvens brancas cobrindo o céu azul e impedindo o sol de brilhar. Abby torcia para que o tempo melhorasse até o casamento, em junho. O mesmo valia para sua melhor amiga.

Levou Delta até a John Lewis, uma das lojas de departamento mais famosas da cidade. Como sempre, seus sentidos foram inundados à medida que andavam pelo departamento de beleza, com luzes ofuscantes e aromas florais. Abby respirou fundo ao passarem pelo balcão de maquiagem, com vendedoras impossivelmente brilhantes em estado de alerta. O cheiro dos produtos era bem familiar. Ela era fascinada por eles desde criança, quando via a mãe se maquiar.

Subiram pela escada rolante com destino ao segundo andar e o departamento de moda praia. Delta havia concordado em ajudar a amiga a escolher um biquíni para a lua de mel, desde que Abby concordasse em sair para beber depois. O bar no topo do edifício era o destino final.

Abby passou a mão no braço da amiga.

— Como você está?

— Como estou? — Delta se inclinou na escada. — De coração partido.

Devastada. Sóbria, o que é chocante.

— Acho que seu chefe não gostaria que você chegasse bêbada ao trabalho.

— Eu sei, é injusto demais.

Elas trocaram de escada antes de retomar a conversa.

— Teve alguma notícia?

— Da Nora? — Delta colocou o cabelo castanho atrás da orelha.

— Não, do Papai Noel. É claro que é da Nora.

Delta negou com a cabeça ao chegarem ao departamento que queriam.

— Não soube de nada. Mas também não esperava por isso. Ela deixou bem claro que era uma decisão irreversível quando foi embora. “As coisas entre nós já não dão mais certo”, acho que foram suas palavras exatas.

Abby estremeceu.

— Argh. Ela deve ter lido muitos livros de autoajuda.

Isso fez com que Delta sorrisse.

— Senti mesmo que parecia um teste. Que eu zerei, aliás.

Abby apertou o braço da amiga ao passarem por blusas e jaquetas absurdamente caras. Ela parou e ergueu um blazer dourado de glitter, olhando a etiqueta e fazendo uma careta.

— Você se sentiria melhor se eu te comprasse isso?

Delta riu.

— Não estou planejando carreira como mágica em festa de criança.

— Você ficaria ótima nela — Abby disse. Ela girou e apontou para uma blusa pink de chiffon. — Com aquela blusa rosa, conseguiríamos uma namorada para você rapidinho. Essa roupa irradia energia de mulher gostosa.

O sorriso triste voltou.

— Está cedo demais para piadas.

Abby colocou a jaqueta de volta na arara antes de entrelaçar o braço ao de Delta.

— Nunca perca seu senso de humor, D. A derrota depois disso é certa.

— Fez uma pausa, olhando para a moça. — Aliás, tenho novidades. Uma distração para você parar de pensar em você-sabe-quem.

Delta virou a cabeça.

— Sou toda ouvidos.

— O Marcus contratou uma madrinha profissional para mim. E ela...

bem, ela é bem legal. Equilibrada. Normal. Não parece ser da alta

sociedade. — E também era atraente. Mas Abby não ia focar nisso. — Ele me disse que ela pode lidar com a Marjorie. A vantagem é que meu maior problema sumiu. Ter dinheiro é realmente muito bom.

Delta parou ao chegarem no departamento de biquinis e coçou a cabeça.

— O que é uma madrinha profissional? Você já tem madrinhas que te conhecem e também alguém para planejar o casamento.

— Sim, mas ela trabalha para a Marjorie, então não está do meu lado.

— Abby mordeu o interior da bochecha. — Mas a Jordan vai ser meu braço direito, me ajudando com o que eu precisar. Inclusive a despedida de solteiro.

O cenho de Delta ficou ainda mais franzido.

— Mas esse não é o meu trabalho?

Abby tinha que lidar com isso de forma delicada.

— Sim, mas você andou muito preocupada. O Marcus contratou essa moça para ajudar, então acho que devemos deixá-la fazer isso. Então nós duas podemos relaxar e aproveitar a viagem. O que acha?

Se ela tivesse feito essa pergunta há um mês, Delta não teria aceitado.

Mas agora, sua expressão contava outra história.

— Estou te decepcionando, não é?

Abby abraçou a melhor amiga.

— Claro que não. Pense como se estivesse me fazendo um favor.

Preciso dar um trabalho para essa mulher. Você já começou os planejamentos, então já fez sua parte. Deixe-a cuidar do resto.

Delta apertou os lábios.

— Mas ainda sou sua madrinha principal?

Abby assentiu enfaticamente.

— Claro. Você é a minha melhor amiga. A Jordan não pode substituir isso.

A moça se aproximou de um manequim que exibia um biquíni antes de se virar novamente para Abby, com o rosto quase normal.

— Então, essa Jordan. — Delta fez uma pausa. — Quem se chama Jordan fora pessoas de seriados americanos, meu Deus?

— Funcionou para Katie Price. — Abby sorriu com a própria piada, se referindo a uma celebridade que usou o nome Jordan durante um tempo.

— Ela não se parece com a Katie Price, parece?

Abby conjurou a imagem de Jordan em sua cabeça. A risada que parecia pairar no ar, mesmo depois que ela já havia parado de rir. Seu sorriso aberto. O jeito como a olhava passava a impressão de que a conhecia há muito tempo.

— Longe disso. — Abby pegou um biquíni laranja, mas o jogou para longe no instante em que viu que tinha uma flor rosa com glitter. — Além disso, os Montgomery e seus amigos compartilham o mesmo círculo. A Jordan, não. Ela poderia ser uma das nossas amigas. Ainda estamos no começo, mas acho legal ter alguém do meu lado que saiba de tudo. Alguém que me entenda.

— Eu te entendo.

— Você sabe o que eu quis dizer. Uma pessoa que recebe para isso.

Você não foi contratada.

— Meu Deus. Você tem uma equipe para o casamento. Isso é uma armadilha. Já contou para a sua mãe?

Abby balançou a cabeça. Não estava animada para conversar com Gloria.

— Ainda não. — Hesitou. — Está tudo certo entre nós, não é? Posso falar para a Jordan que ela pode cuidar da despedida?

Delta a olhou por um bom tempo antes de finalmente assentir.

— Desde que ela não peça um segundo stripper.

Abby a cutucou.

— É bom você estar zombando de mim. — Ergueu um biquíni que tinha mais buracos do que tecido. — Acha que o Marcus ia gostar disso?

Delta sorriu.

— Se ele não gostar, é gay. Já te disse que ainda estou apostando nisso?

Abby revirou os olhos.

— Ele não é gay, acredite em mim. Só é sensível.

— Ser gay não é ofensa. Só estou dizendo que ainda acho que o Marcus é mais do que aparenta ser. Talvez um pouco como sua futura esposa, eu diria. Ele sabe que você experimentou algumas coisas na faculdade?

Abby se virou para a amiga.

— Pode parar. — Havia um tom de aviso em sua voz, e Delta o escutou.

— Está bem, não vamos falar sobre isso hoje. — A moça pegou um biquíni azul clarinho com estampa de orquídeas brancas. — Que tal esse para a nossa noiva super hetero?

Abby suspirou, mas não conseguiu resistir a sorrir.

— Transei com uma mulher há quinze anos. Você deveria se esquecer disso.

— Você me conhece, não é? — Delta abriu um sorriso enorme. Era bom assistir. — Me conte sobre a Jordan.

— Hum. Ela tem a nossa idade. É bonita. Você gostaria dela. — Abby já gostava. — Loira, olhos azuis e estilosa. Mas o principal é que ela está lidando com a Marjorie, então eu a amo.

— Quanto ela cobra?

— Nem perguntei. É provável que eu morresse se ouvisse a resposta.

— Se eu fosse mais sensível, diria que estou sendo substituída.

Abby ergueu uma sobrancelha.

— Que bom que você é tão firme, não é? — Fez uma pausa. — Ainda espero que você esteja ao meu lado. A Jordan é só uma funcionária. Ainda quero sua opinião em muitas coisas. Como o vestido do casamento. Você vai estar presente para isso, não vai?

Abby e a mãe haviam conseguido chegar em duas opções e pediram os ajustes finais.

Delta fez um sinal da cruz.

— Juro pela morte da minha família.

Abby balançou um dedo na direção da amiga.

— Nada de querer trocar o casamento por um velório.

A moça a encarou.

— Desde que a Jordan saiba que sou sua amiga há vinte anos... Sei quem você é e do que gosta. Talvez devêssemos nos encontrar antes da despedida, aí podemos conversar um pouco.

Abby assentiu.