Antes que Você Diga Sim
Trinta e dois
— A Karen já se ofereceu para me levar de volta para o espaço do evento. Conversei com a Delta e o Martin. Eles estão precisando de ajuda, então estou indo para lá. Não se preocupem com nada a esse respeito. Delta, Taran, Martin e eu podemos ajudar com isso. E a família do Marcus também. Sei que essa noite era para ser o começo de sua nova vida, e não há nenhuma razão para que ainda não possa ser. É só um pouco diferente do que você esperava. Vá para o hotel, aproveite essa noite e quando acordar de manhã, estará se sentindo muito melhor. O bom é que você não morava com o Marcus antes do casamento, então é um problema a menos. — Ela ergueu uma sobrancelha. — Sempre achei que isso dizia muito. Quando você se apaixona, quer ficar o tempo todo do lado daquela pessoa.
Abby olhou para Jordan antes de segurar a mão dela.
Sabia disso agora que a havia encontrado.
Agora, não queria soltar a mão dela nunca mais.
Trinta e dois
— UAU. — JORDAN FOI até a janela e encarou o mar. — Sua mãe não economizou no quarto. Nada menos do que uma suíte. — Olhou para a mesinha de centro e viu a garrafa de champagne em um balde prateado cheio de gelo. Através de uma porta grande aberta, uma cama king-size com lençóis brancos as esperava. — É quase como se ela estivesse nos parabenizando. Como se fosse o nosso grande dia.
Abby se aproximou por trás, colocando uma mão em seu ombro. O
calor subiu por suas costas.
— De certa forma, é.
Abby ainda não conseguia compreender o que tinha acontecido. Será que deveria estar mais arrependida? Mais triste por tudo ter acabado? Em partes, estava. Mas ao mentir sobre como se sentia de verdade, a pessoa que mais machucou foi ela mesma.
Em pé ao lado de Jordan, não estava mais triste. Poderia ter começado o dia tomada por medo, mas agora estava renovada com uma paz interior.
Como se a partir de agora, nada pudesse dar errado.
Jordan se virou e encontrou seu olhar.
— Estou exatamente onde quero estar, então não tenho reclamações.
Envolveu a cintura dela.
— Tem certeza? Sei que é muita coisa. — Ela riu da própria piada. —
Ou esse foi o maior eufemismo do ano?
Abby riu alto.
— Humm, vamos ver. Meu vestido de noiva está na sua cama, e eu estou aqui, usando seu jeans e sua camiseta. E nesse momento, eu deveria estar dançando a primeira valsa com o meu marido.
Jordan a puxou para mais perto.
— Você está linda no meu jeans, se isso ajudar.
— Estou? — Abby olhou para baixo. — Ficou um pouco curto.
— É como os jovens usam. Está na moda — Jordan respondeu.
Abby se inclinou. Estavam tão perto que quase podia sentir seu gosto.
— Mas você prefere que eu esteja vestida ou sem as roupas?
O desejo percorreu todo seu corpo.
Sua mãe havia dito para que seguisse o coração. Hoje era o primeiro dia que faria isso. Cruzou o espaço entre elas e pressionou os lábios contra os de Jordan.
Sentiu uma explosão em seu coração. De um dia manchado por feridas, alguma coisa muito melhor estava florescendo. Algo que parecia como um abraço do universo.
Jordan colocou a língua na boca de Abby, e ela aproveitou.
Queria Jordan por inteiro. A desejava naquele momento. Mas elas tinham tempo. Não havia motivos para pressa.
Precisava ficar repetindo isso para si mesma. Não precisavam mais se esconder.
Estavam livres, e isso significava que poderiam fazer o que quisessem.
Juntas. Chega de beijos no escuro. De sexo em espaços confinados. Esse dia era para se curtirem. Tocar e beijar cada parte de Jordan.
Abby se afastou, com o cérebro atordoado pelos beijos. Encarou os olhos azuis, vendo pontos verdes pela primeira vez. Nunca havia relaxado o suficiente perto dela para notar. Agora, podia fazer isso. Se inclinou e a beijou na pálpebra.
— Nem posso acreditar que estamos aqui — disse. — Nem que você fez o que fez. — Ela balançou a cabeça. — Quase me casei hoje. Com alguém cujos beijos nunca fizeram minha cabeça rodopiar.
Jordan lhe deu mais um beijo. Olhou para a mesinha de centro.
— Quer abrir o champanhe?
Abby a encarou, sentindo o desejo se alastrar por seu centro.
— Prefiro te abrir.
Jordan sorriu.
— Bem, já que é assim...
Colocou uma mão embaixo da camiseta de Abby, tocando as costas dela.
A pele da moça formigou. Beijou Jordan novamente, e dessa vez deixaria seu corpo falar.
O dia foi difícil. Era hora de melhorar as coisas.
Os beijos de Abby ficaram mais urgentes. Só havia se passado cinco dias desde o avião, mas parecia uma eternidade.
Cambalearam pela sala, com Jordan tirando a blusa e Abby jogando a dela para o lado.
Jordan não se demorou com o sutiã de Abby. A peça caiu no chão, deixando os seios expostos. Quando os viu por inteiro, ficou imóvel.
Passou a mão por cima deles antes de abocanhar um deles e depois o outro.
Os músculos de Abby se contraíram. Respirou fundo enquanto Jordan a sugava.
Passou uma mão pelo cabelo loiro da outra, se apoiando nela para não cair. Se era isso que acontecia quando ela beijava os seus seios, não conseguia imaginar o resto.
Jordan se ajeitou para ficar na altura de Abby, com um sorriso malicioso no rosto.
— Vamos para a cama?
Abby assentiu.
— Caramba, sim.
Foram para o quarto antes de descartar o jeans e em seguida tirou a calça e a calcinha de Abby. Ela se afastou, aproveitando para admirar o corpo da outra mulher.
— Eu disse que você ficaria melhor sem roupa nenhuma. — Jordan se inclinou. — E estava certa.
Abby balançou a cabeça, gesticulando.
— Eu estou nua e você está aí de pé, vestida com renda preta como se fosse modelo da Victoria’s Secret.
Jordan olhou para baixo.
— Não gostou?
— Ah, não, gostei muito. — Abby a puxou para mais perto e passou um dedo por dentro da calcinha de Jordan, que arfou.
— Achei que valia tentar a sorte hoje. A Karen compra lingeries na M&S. É bom ter contatos.
Abby desceu um pouco mais a mão.
— Diga a ela que da próxima vez, quero uma aberta em baixo, tá?
Jordan piscou, fechando os olhos.
— O que você está fazendo comigo? — Ela abriu os olhos. — Mas você vai ter que esperar. Fez o que queria no avião. Agora é a minha vez, não acha?
Abby não ia contestar.
— Você é quem manda. Desde que fique de calcinha para transar comigo.
— Seu desejo é uma ordem.
Jordan moveu Abby mais para cima antes de cobrir cada centímetro do seu corpo com beijos quentes e urgentes.
Ela fechou os olhos e aproveitou o momento. A atenção que Jordan estava dando e o brilho no olhar quando se encararam era de puro desejo.
Ela se sentia a mulher mais desejada do mundo.
Isso não acontecia há muito tempo.
Quando Jordan lambeu suas coxas, Abby suspirou. Quando brincou com os mamilos novamente, ela viu estrelas. Quando percorreu seu pescoço com beijos, ela ronronou. E então, quando as mãos de Jordan pairaram acima da sua boceta, seu corpo inteiro entrou em chamas. Todos os amantes que teve foram esquecidos. Assim como todos os sentimentos que não compreendia e a indiferença que sentia em relações passadas.
Tudo se foi.
Sumiu.
Abby era um quadro em branco.
Jordan deslizou um dedo no seu centro quente. Se contorceu e foi de bom grado. Quando a outra mulher acrescentou mais um dedo, seu corpo estremeceu. No momento em que o polegar encontrou o clitóris e o acariciou em um ritmo perfeito, Abby se perguntou se algum dia superaria isso. E quando superasse, como seria a vida?
Não sabia que precisava de uma mudança. Nem o que a vida guardava para ela até que Jordan a encontrou naquele café, há seis semanas. Se soubesse, será que teria concordado em contratá-la para ser a sua madrinha profissional?
Mil vezes, sim.
Porque Jordan havia iluminado a sua vida. Havia acendido uma luz e feito Abby reconsiderar todas as áreas. O trabalho. Os relacionamentos. A si mesma. Jordan fez Abby olhar para o mundo de uma forma diferente.
Estava experimentando coisas diferentes. Principalmente quando a moça subiu em cima dela, pressionando uma coxa na mão, aplicando uma pressão maior. Isso fez com que Abby gemesse. Os dedos hábeis de Jordan fizeram o fogo dentro dela arder. Com os estímulos da outra mulher, Abby
soltou um gemido gutural ao chegar ao clímax, sentindo tudo estremecer dentro de si, como um caleidoscópio de desejo cintilando em seus olhos.
Enquanto seu corpo tremia e os dedos de Jordan a levavam ao ápice novamente, soube que sua vida jamais seria a mesma. Jordan a mudou para sempre. Ela se desfez em um ímpeto de espasmos deliciosos. Continuaram juntas, com as bocas unidas, os corpos entrelaçados e cada movimento aprofundando a intimidade.
Abriu os olhos e focou em Jordan, curvando os lábios em um sorriso incandescente.
As decisões que tomou nos últimos anos nem sempre foram as melhores.
Mas escolher Jordan? Essa decisão foi mais do que acertada.
***
Jordan deslizou os dedos para fora de Abby, beijou a lateral do corpo dela e rolou para o lado. Quando focou novamente, os olhos da outra mulher estavam fechados e a respiração, ofegante.
Nunca era possível saber como as coisas seriam quando duas pessoas se juntavam. Mas com Abby, Jordan não tinha nenhuma dúvida. Se fosse pensar no avião, essa era a segunda vez. Mais do que uma noite. Território novo para ela. Beijou o ombro de Abby e acariciou o seu cabelo. Estava ansiosa para ser tocada. A química entre as duas ultrapassava limites. Se isso era o começo, mal podia esperar para ver o que aconteceria depois.
Abby abriu os olhos.
— Oi.
— Oi. — Ela sorriu. — Acho que você acabou de me matar. Morte por orgasmo. Isso existe, não é?
— Seria uma história excelente no jornal. Noiva foge do casamento e morre por orgasmo lésbico.
Abby riu, cobrindo o rosto com a mão.
— Tenho certeza de que alguma revista pagaria ao menos duzentos e cinquenta libras por essa história.
— E vale tudo isso — Jordan respondeu.
Abby rolou para cima dela, deixando-a em silêncio.
— Chega de falar em vender nossa história para os jornais.
Jordan sorriu.
— Sou a favor.
— Só pude te tocar muito rápido da primeira vez. Estou esperando remediar isso agora.
Abby cobriu sua boca, a coxa encontrando o centro molhado e quente de Jordan, pressionando-o.
Jordan estava pronta. Estava assim há semanas. Mas nunca se permitiu sonhar que alguma coisa aconteceria.
Agora havia uma luz verde piscando em sua mente. Abriu as pernas para demonstrar os seus sentimentos para Abby, que sorriu para ela.
— Lembre-se que sou nova nisso. Me avise se eu precisar mudar de direção a qualquer momento, tá? Assim como eu te mostrei quando estávamos no golfe.
Jordan sorriu. Não conseguia imaginar não gostar de qualquer coisa que Abby fizesse.
— Pode deixar. Você está indo bem até agora.
— Você faz tudo ficar fácil.
Assim que Abby começou a percorrer seu corpo com os dedos ágeis e os lábios leves, Jordan focou apenas no que ela estava fazendo. Beijos.
Carícias. Amor.
Momentos depois, a boca de Abby estava entre suas coxas, e Jordan fechou os olhos, com a antecipação pulsando dentro de si. Assim que Abby passou a língua por dentro do seu centro, sua cabeça caiu de volta no travesseiro.
Ela não precisava de direções. Estava indo muito bem.
Segurou os lençóis conforme a língua de Abby deslizava de um lado e depois para o outro como se fosse uma campeã de esqui. Jordan era o percurso. Não tinha dúvidas de que estava brilhando como neve.
Ao sentir o orgasmo se formar, estremeceu, segurando os cabelos de Abby e incentivando-a.
— Não pare — pediu com a voz quase inaudível e a alma voando alto.
Viu as últimas seis semanas como uma montagem rápida. As duas se encontrando, o beijo, a transa nas alturas. Mas também o desespero que sentiu no jantar do ensaio e agora Abby colocando os dedos para dentro do seu corpo, passando a língua por ela uma última vez.
Ao sentir esse toque, Jordan gozou de um jeito maravilhoso, apertando Abby dentro de si. Gozou com tanta força que não sabia se a sua visão voltaria ao normal algum dia. Não importava. Tudo valia a pena, porque culminava naquele momento.
Abby estocou os dedos mais uma vez. Jordan se sentou, com os dedos de Abby ainda dentro de si e as bocas se uniram em um emaranhado de emoções e luxúria. Gemeu enquanto outro orgasmo a atingia com tanta força que ficou chocada por ainda estar na cama. Só quando abriu os olhos viu que Abby ainda estava lá. Ainda dentro dela. Ainda unidas como uma só.
Quando finalmente se desvencilharam, se deixou cair e a risada permeou o ar.
Abby se deitou ao seu lado, rindo também.
Estava inteira, agradável e deliciosamente fodida, com a adrenalina adocicada do sexo passando por seu corpo. Não conseguia tirar o sorriso do rosto.
— Parece que você acabou de ganhar na loteria. — Abby beijou seus lábios mais uma vez.
Jordan colocou a palma da mão na bochecha dela.
— Isso faz de você os números da sorte?
Abby riu.
— Verdade.
Respirou fundo, sem desviar o olhar antes das bochechas corarem tanto que ela olhou para outro lado. Jordan franziu o cenho.
— O que foi? Fiz alguma coisa errada?
Abby balançou a cabeça, seu rosto parecendo alarmado.
— Não — ela respondeu. — Na verdade, o contrário. — A outra mulher hesitou. — Só estava pensando que esse momento é perfeito, assim como você.
Jordan soltou uma gargalhada. Estava longe de ser perfeita.
— Vou te lembrar desse momento quando você descobrir a verdade a meu respeito.
Abby riu de novo.
— Então mantenha esse disfarce o máximo que conseguir. — Voltou a encontrar o olhar de Jordan. — Mas nesse instante, você é perfeita. Ao menos, me faz sentir muita coisa. É meio assustador.
Jordan levou os dedos de Abby à boca e os beijou.
— Sei que isso tudo é novo, mas vamos passar por tudo juntas. Fique tranquila, pois as próximas semanas não vão ser tão difíceis quanto as últimas seis.
— Promete?
— Palavra de honra. — Jordan ergueu a mão como em um juramento.