Antes que Você Diga Sim

Clare Lydon · Capítulo 8 de 35

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Antes que Você Diga Sim

Oito

De alguma forma, a moça a fazia questionar toda sua vida.

Só com perguntas simples, Jordan puxou um fio na tapeçaria que era a vida de Abby, um fio solto que ignorava há anos.

Mais um puxão, e Abby poderia começar a se desfazer lentamente.

Oito

— VOCÊ ARRUMOU O TOCADOR de gaita ou quer que seu pai ligue para o tio dele?

A mãe de Abby, Gloria, estava sentada no sofá de veludo vermelho, comendo peixe frito com batatas ainda na embalagem. Dizia que ficava mais gostoso assim.

Abby tinha que concordar. Infelizmente, a maior parte dos seus dias não incluía coisas como comer peixe frito e batatas direto da embalagem.

Conseguia imaginar a expressão de Marjorie. Na verdade, não tinha nem certeza de que um maníaco por limpeza como Marcus lidaria bem com isso.

Ele ficaria louco com o tanto de óleo perto do veludo.

— Não, a Jordan já acertou tudo.

— Quem?

Abby corou.

— A pessoa que está ajudando com o casamento.

Ainda tinha que contar para Gloria que Jordan estava trabalhando para ela, mas sempre adiava. Não sabia como explicar sem soar como o tipo de pessoa que costumavam ridicularizar desde a infância.

Pessoas sofisticadas.

Abby não era assim. Não havia esquecido das suas raízes. Contratou um tocador de gaita. Ainda comia peixe frito com batatas direto da embalagem. Continuava com os pés no chão.

— A organizadora? O nome dela não era Lauren?

Abby comeu outra batata. Então, deixou-as de lado. Não podia comer demais, não é? O casamento seria em três semanas e precisava entrar no vestido. Tinha que impressionar as pessoas. Pela manhã, Marcus disse que a cerimônia sairia em uma coluna social.

Era um mundo muito diferente daquele onde estava agora, sentada ao lado da mãe com os dedos cheios de óleo.

— Não, é isso mesmo. A Lauren ainda é a organizadora, e está cuidando das coisas maiores. Mas ela trabalha para a Marjorie. A Jordan foi o Marcus quem contratou.

— Mais empregados trabalhando para os Montgomery? — Gloria ergueu o mindinho conforme comia outra batata. Usando calça de alfaiataria e blusa, não parecia tão diferente de Marjorie. No entanto, no momento em que abria a boca, as semelhanças acabavam. Isso e o cabelo vermelho orgulhosamente escocês de Gloria.

Abby respirou fundo e olhou diretamente para a mãe.

— Não exatamente. A Jordan vai ser a minha madrinha profissional.

Ela vai me ajudar antes da cerimônia. Até mesmo no altar.

— Como assim, madrinha profissional? — Gloria franziu o cenho.

Abby sabia que parecia loucura.

— Ela vai se passar por minha madrinha de casamento para ficar ao meu lado em todos os eventos principais e me ajudar. E está realmente ajudando. Ela é maravilhosa.

Havia conversado com Jordan ao telefone naquela manhã e desligado se sentindo muito melhor. A moça tinha um jeitinho, alguma coisa que Abby não conseguia explicar.

— Acontece que como ela é minha madrinha, estamos falando para as pessoas que é uma amiga de infância da qual perdi contato. Que ela se mudou quando eu tinha nove anos e acabamos de nos reencontrar pelas redes sociais. Então, se você puder dizer isso se perguntarem, seria ótimo.

Ela sabia que era muita coisa para processar, mas esperava que a mãe concordasse.

Gloria ficou imóvel.

— Uma organizadora de casamentos e uma madrinha profissional com toda uma história falsa? As coisas mudaram bastante. — Ela deu um tapinha no joelho de Abby. — Mas você parece estar mais relaxada. Se é por causa da Jordan, parabéns para ela. Vou fazer o que você quiser.

Abby se sentiu aliviada.

— Obrigada.

— Sou sua mãe, o que mais posso fazer? — ela fez uma pausa. — É

ela que está cuidando do final de semana, agora que a Delta surtou?

Abby assentiu.

— Sim. A Delta estava meio na dúvida, mas superou rápido. Ela ainda é minha madrinha principal. Nada vai mudar isso.