Antes que Você Diga Sim

Clare Lydon · Capítulo 27 de 35

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Antes que Você Diga Sim

Vinte e sete

O que aconteceu? Jordan está chorando, e vocês duas parecem assustadas.

Jordan balançou a cabeça.

— Recebi algumas notícias tristes e preciso ir embora. Devo estar bem no domingo. Só preciso voltar para casa, mas meu carro não está pegando.

Minha colega de apartamento diria que a culpa é minha por ter uma lata-velha. — Tentou sorrir, mas não funcionou.

Marcus estudou sua expressão antes de tirar o telefone do bolso.

— Me deixe te ajudar. Vou chamar um carro para te levar para casa.

Vou pedir para o nosso mecânico vir e examinar a Capri Carrie pela manhã.

Será que Marcus nasceu galante assim?

— Não precisa — disse Jordan.

— Eu sei, mas quero. Você está chateada e ama seu carro. — Marcus passou a mão pelo capô. — Me deixe resolver isso. Você resolveu tudo para gente nas últimas semanas, e com grande estilo.

— Não posso discordar. — As palavras de Delta tinham um tom ácido.

— Exatamente — Marcus concordou, sorrindo. — Ela se preocupou com cada necessidade da Abby. — Ele voltou a olhar para Jordan. — Me deixe resolver isso para você. Está bem?

O remorso tomou conta de Jordan.

— Isso seria ótimo, obrigada.

Vinte e sete ERA A NOITE ANTERIOR ao casamento. Abby estava ficando na Turnbull House. Marjorie passou para desejar boa sorte, o que a incomodou, pois a olhou como se precisasse de toda a sorte do mundo.

O que era ridículo. Marjorie não sabia de nada.

Até ontem, ninguém sabia de nada.

Mas agora, Delta sabia. Sua melhor amiga estava muito brava por ela não ter dito nada antes. A amiga tentou fazer com que ela falasse na noite anterior, mas Abby grudou em Marcus como se fosse cola instantânea e evitou o celular a tarde toda. Mas agora que faltavam menos de vinte e quatro horas para se casar, não podia fugir de Delta ou Taran. Era isso que as madrinhas e noivas faziam na noite anterior ao casamento: bebiam vinho e fofocavam. Mas as fofocas de Abby eram completamente fora do normal.

Delta encheu mais uma taça de champagne e então se deitou no sofá dourado aos pés da cama. Taran estava ali, então Abby lançou olhares significativos para Delta, como se implorasse para que abrisse a boca sobre Jordan. A amiga concordou em um acordo tácito.

Passou creme para espinhas no rosto de Abby — outro efeito colateral incrível do estresse que estava passando era o queixo cheio de espinhas.

Depois disso, Delta comentou com as duas sobre como andavam as coisas com Nikita. A resposta era: bem. Em uma única semana, progrediram para uma conversa sobre serem oficialmente um casal. Isso era algo bem importante para Delta, pois a ajudou a sair do transe de ter levado um pé na bunda.

— Nós nos damos bem, sabe? Sei que fiquei triste por causa da Nora e a colocava em primeiro lugar. Me desculpe por isso. Mas uma semana com a Nikita me fez ver que os seis meses com a Nora não foram nada. Não é estranho como você pode ficar muito tempo com uma pessoa, colocar tanta energia e esforço naquela relação, e depois ficar se perguntando o que estava fazendo o tempo todo? — A amiga lhe lançou um olhar cortante.

Abby fechou os olhos.

— Nikita chegou na minha vida e foi como se todas as nuvens tivessem ido embora.

As palavras a atingiram profundamente. Era isso o que estava fazendo com Marcus? Seguindo e fingindo? Bastou uma única conversa com Jordan ou um toque na sua mão para que Abby se acendesse de uma forma que nunca aconteceu com Marcus. Um calor a percorreu enquanto se lembrava de tê-la beijado cozinha. Sim, ela causou uma impressão. Quando a moça saiu correndo do jantar de ensaio, Abby queria tê-la seguido, mas estava paralisada.

O celular de Taran tocou. Ela olhou para a tela com um sorriso.

— É o Ryan. — Ela se levantou. — Já volto.

— Claro que volta — Delta gritou quando Taran saiu do cômodo. No instante em que a porta se fechou, ela se virou para Abby. — Agora que somos só nós duas, acho que temos algumas coisas para discutir. — A amiga ergueu uma sobrancelha. — Alguma coisa do que eu disse pareceu verdade? Porque não sei que porra está acontecendo, Abby, mas você precisa encarar isso de frente.

Abby respirou fundo, assentindo.

— Eu sei.

— Alguma coisa aconteceu com o Marcus para causar isso?

Ela balançou a cabeça.

— Não, ele não suspeita de nada. Pelo menos, acho que não. Ele pensa que está tudo bem. Tudo normal.

— Não parece nada normal de onde estou olhando. — Delta fez uma pausa. — Você vai me contar o que aconteceu? Quer dizer, te peguei beijando a Jordan na noite passada, mas é tudo que sei.

Não havia um jeito fácil de falar, então Abby só precisava abrir a boca e confessar.

— Eu beijei a Jordan em Cannes. Depois, transei com ela. E agora a estou ignorando, porque não faço ideia do que fazer.

Delta parou de beber o champanhe imediatamente. Encarou Abby como se ela tivesse enlouquecido.

— O quê? — Ela franziu o cenho. — Você comeu a Jordan? Quando é que você transou com ela?

Abby inclinou a cabeça.

— No avião.

— No avião! — A voz de Delta subiu algumas oitavas.

Ela deixou a taça de lado e balançou as mãos na frente da amiga.

— Fale baixo. Não quero que todo mundo saiba disso.

— Posso imaginar que não. — Delta balançou a cabeça. — E aqui estava eu, pensando que era a única sortuda do final de semana. — Então franziu a testa de novo. — Mas isso não é bom, é?

Abby deixou a cabeça pender de novo.

— Não quando vou me casar.

— Mas você e a Jordan. — Abby não achava que a amiga poderia parecer mais perplexa. — Essa é a razão para ela estar ocupada demais para ficar aqui essa noite?

Ela assentiu.

— Enviei uma mensagem avisando para ela vir só amanhã.

Delta ergueu uma sobrancelha que dizia exatamente o que pensava desse plano.

— Mas como assim? Sei que você transou com uma mulher quando estávamos na faculdade, mas depois disso, você só se sentiu atraída por homens.

Exatamente. Até que Jordan chegou.

— Aconteceu. Quer dizer, conversamos muito no final de semana.

Gosto dela. Então nos beijamos. E depois aconteceu o avião.

— Eu não acredito que você fez isso. Como é que conseguiu fazer isso sem que ninguém descobrisse?

— Estava todo mundo exausto na volta. Agora eu estou exausta. Não estou dormindo direito. Acabaram de me dar um projeto enorme no trabalho. Vou me casar amanhã e deveria estar delirando de felicidade por causa disso. Mas tudo em que consigo pensar é na minha madrinha falsa que estou evitando. Como é que a minha vida virou essa bagunça?

— Não tenho ideia. — Delta se inclinou para trás, balançando a cabeça. — Mas o que isso significa? Achei que você amava o Marcus. —

Ela apontou para o próprio peito com o polegar. — Eu amo o Marcus. Todo mundo o ama.

Abby não precisava que alguém a lembrasse disso.

— Cacete, eu sei que todo mundo ama o Marcus. Porque o Marcus é incrível pra caramba. Acredite em mim, eu amava Marcus. — O temor tomou conta dela. Não, não era isso. — Eu ainda amo o Marcus. — Ela ergueu os ombros e então os deixou cair de novo. — Não acho que ainda sei o que isso significa.

Delta se inclinou para frente.

— Você vai se casar, Abs. Se está com alguma dúvida, precisa falar. —

Ela fez uma pausa. — O que você é agora, lésbica? Bi?

— Não sei. Eu gosto da Jordan. Mas amo o Marcus.

Delta a encarou.

— Você gosta da Jordan ou a ama?

Abby colocou as mãos na cabeça. Não ia chorar. Mas essa era a pergunta que estava evitando a todo custo.

— Não sei. É como se eu estivesse feliz, tudo ia bem e eu ia vivendo minha vida. Aí encontrei a Jordan e algo mudou. Foi como um interruptor, e agora não consigo desligar.

Delta se sentou mais para frente, balançando a cabeça.

— Você sabe que sou a favor de experimentar coisas. Sou a favor de as pessoas descobrirem quem realmente são. Mas isso é sério. Você vai se casar em menos de vinte e quatro horas.

— Não precisa me lembrar disso.

— Parece que preciso, porque você está deixando a maré te levar. Isso não é normal. Geralmente, você sabe o que quer e vai atrás. Você queria se casar e ter filhos. Pelo menos, foi o que sempre me disse.

— Isso não mudou.

— Mas você quer essas coisas com o Marcus? Porque se não quiser, não é justo fazê-lo passar pelo casamento, uma vez que já está fadado ao fracasso.

— Não posso desistir agora.

Delta segurou as mãos da amiga.

— Você ainda ama o Marcus e acha que isso pode dar certo?

Abby ficou imóvel.

— Sim. — Seu estômago embrulhou. — Não. — Ela ergueu as mãos.

— Não sei.

A outra moça balançou a cabeça, se jogando de novo no sofá.

— Abs, o que você diria para mim se estivéssemos no lugar uma da outra?

Esse comentário fez com que ela finalmente enxergasse.

— Eu diria o mesmo que você. Que não é justo fazer isso com o Marcus ou comigo, a não ser que eu tivesse toda a certeza do mundo.

Uma batida na porta as interrompeu.

— Abs? — Era Marcus.

Ela ficou de pé rapidamente.

— Acha que ele ouviu alguma coisa? — O terror pareceu gritar por suas veias. Era como se ela estivesse tropeçando.

Delta balançou a cabeça.

— Não. As paredes são grossas.

Abby torcia para que a amiga estivesse certa. Foi até a porta, mas não abriu.

— Não posso te ver — disse. — Dá azar.

— Eu sei —ele respondeu. — É só que a Jordan está aqui para pegar o carro. Ela está lá embaixo na recepção. Você pode entregar as chaves a ela?

Jordan estava aqui? Abby estremeceu. Suas pernas parariam de funcionar a qualquer minuto.

— Claro.

— Ótimo. — Ele fez uma pausa. — Te vejo amanhã, quase esposa.

Abby esperou por alguns instantes antes de se virar para Delta. Tinha quase certeza de que a expressão no seu rosto dizia exatamente o que estava sentindo por dentro. Delta colocou em palavras antes que ela precisasse.

— Você não pode ir lá embaixo.

— Eu sei.

— Deixe que eu vou.

Abby assentiu.

— Está bem.

Ela foi até a mala, com cada nervo em seu corpo em estado de alerta.

Delta poderia encarar Jordan. Ela a veria rapidamente amanhã. Então se casaria e colocaria toda essa história para trás.

Talvez devesse mesmo aproveitar e cortar Jordan agora. Pegou as chaves, se virando para Delta.

— Pensando melhor, eu levo. Vou resolver isso agora.

Delta se levantou, pegando as chaves da mão de Abby.

— Isso deu muito certo da última vez. — Ela lançou um olhar penetrante. — Deixa que eu resolvo. Para o seu próprio bem.

Abby engoliu em seco.

Delta saiu do quarto.

Encarou a porta como se fosse a chave para o seu futuro. O que era mais ou menos verdade. Mudou o peso de um pé para o outro. Será que

deveria ver Jordan para saber como ia reagir? Não seria melhor agora do que amanhã?

Antes que pudesse duvidar mais de si mesma, escancarou a porta e saiu pelo corredor com o tapete felpudo até chegar no topo das enormes escadarias de madeira. E então desceu por elas correndo.

Chegou lá embaixo, onde Delta estava com Jordan. As duas a encararam. Foi só naquele momento que se lembrou que estava com o rosto cheio de creme para espinhas. Balançou a cabeça. Essa noite estava cheia de incidentes.

— Oi — disse. Observou o rosto de Jordan, procurando por um sinal, mas ela não demonstrou nada.

— Oi — Jordan respondeu. — Só vim pegar o meu carro. Assim, chego aqui amanhã e posso sair rápido sem causar mais problemas.

Ela assentiu.

— Certo. — Podia cortar a tensão com uma faca.

— É bom você vir amanhã? — Delta perguntou. — Com tudo o que aconteceu?