Antes que Você Diga Sim
Dois
Será que ela queria se casar com Marcus? Jordan não sabia, e isso não era parte do seu trabalho.
Sua função era fazer com que o casamento corresse sem nenhum problema para a noiva. O e-mail dizia que Abby gostaria de sua ajuda, que gostaria de marcar uma reunião para conversar e perguntando se Jordan poderia ligar para ela assim que possível.
Ela observou mais uma vez o olhar hipnotizante de Abby antes de jogar o telefone de volta na bolsa. Claro, poderia fazer isso. Mas não essa noite.
Hoje, ela tomaria um suco de uva relaxante para adultos e acalmaria os ânimos da sua melhor amiga.
Amanhã cedo, ela saberia mais sobre a história de Abby Porter.
Por enquanto, a moça podia esperar.
Dois
ABBY PORTER SEGUROU o taco de golfe e olhou para a extensão verde do gramado. O monitor dizia que sua última tacada foi mais longe do que todas as outras. Não estava surpresa. Tinha muita frustração acumulada e as tacadas ajudavam a aliviá-las. Não sabia qual o termo técnico para isso, então descreveria assim.
Ela endireitou a postura, ergueu o taco e depois o baixou, rotacionando o corpo à medida que acertava a bola. Não se surpreenderia se essa fosse ainda mais longe. Estava se sentindo frustrada desde o jantar com os pais de Marcus. Abby sabia que ele a estava observando, examinando tudo do sofá preto da baia que estavam usando. Quando se virou, lá estava ele, sentado com a perna cruzada e um sorriso astuto no rosto bonito.
Escolheu bem, disso tinha certeza. Marcus era alto, tinha cabelos escuros e era lindo. Seus filhos seriam maravilhosos.
— Tem algo que queira compartilhar, Abs?
— Não. — Ela equilibrou o taco na parede da baia, e então se deixou cair ao lado dele. Seu corpo estava próximo ao de Marcus.
Ele estendeu o braço e a puxou para beijar sua têmpora.
— Ótimo. Eu detestaria ser aquela bolinha de golfe. Não há dúvida de quem manda nessa relação.
Ela se virou, erguendo uma sobrancelha.
— E quem manda na nossa relação?
Ele sorriu.
— Você, é claro.
Ele deu um selinho na noiva antes de se levantar e dar algumas tacadas. Suas pernas compridas estavam cobertas por calças pretas e a camisa azul clara estava por dentro. Ela acreditava que Marcus era assim quando estava na escola também. Organizado e certinho. Era o que esperava dele quando se mudassem após o casamento. Mas tudo isso ainda estava no futuro. Abby esperava aguentar. Ela não era tão arrumada assim, então talvez a pergunta certa seria se Marcus a aguentaria. O casamento aconteceria em algumas semanas e se mudariam logo depois. Então ela descobriria logo.
Marcus se virou para ela, se apoiando no taco.
— A bolinha era a minha mãe?
Ele balançou o taco e errou. Conseguiu da segunda vez, lançando a bola pelos ares. Quando se virou novamente, ainda estava esperando uma resposta.
Abby balançou a cabeça. Não era. Jamais acertaria um taco de golfe na mãe dele.
— É só uma válvula de escape. Não posso ter uma?
— Claro que pode. — Ele pegou a próxima bola de uma caixa à sua direita e se abaixou para colocá-la no pino branco surrado antes de se virar novamente. — Mas também sei que ela passou do ponto no jantar. Foi um pouco... intensa. Nós podemos fazer do seu jeito, claro. Do nosso jeito. Não precisamos dos discursos nem nada daquilo.
Abby abriu as mãos, tentando conter a raiva que borbulhava. Não era culpa de Marcus. Ele era o oposto da mãe. Como aquela mulher agitada e hipócrita conseguiu dar à luz a um filho calmo e comedido como ele, era um mistério. E seu pai não era um modelo a ser seguido. Da última vez que contou, Gordon tinha três amantes diferentes.
Marcus era bom, apesar de sua criação. Era por isso que envolver sua família no casamento era muito mais que um incômodo.
— Não é tão simples. De acordo com sua mãe, há diversas tradições de família que devemos seguir. “O jeito certo de fazer” como ela disse, não é?
Na quinta vez que ela repetiu a frase, Abby quis gritar que já havia entendido, mas esse não era um comportamento apropriado com sua futura sogra. Não quando esse era o quarto encontro que tinham. Será que Marjorie aprovava Abby? Provavelmente, não.
Abby tinha quase certeza de que a maioria das mães não achava as noras adequadas o suficiente, mas Marjorie parecia ter atingido um novo nível. As próximas semanas seriam exaustivas. Especialmente com todas aquelas coisas que teria que fazer agora que se tornaria uma Montgomery.
Ela não tinha sequer decidido se mudaria seu sobrenome quando se casasse. Ia contra todas as suas ideias feministas. No entanto, tocar nesse assunto poderia ter feito Marjorie entrar em colapso, então se calou. Essa batalha poderia esperar. A sogra já tinha bastante dificuldade para entender seu sotaque escocês.
Marcus caminhou em sua direção, deixando o taco no tapete da baia.
Quando se sentou, pegou as mãos dela.
Abby fechou os olhos. Sempre se sentia segura com o noivo. Era uma das razões pelas quais concordou em se casar com ele. Fora o fato de que havia feito trinta e seis anos no mês anterior e se quisesse uma família, teria que se apressar. Todos diziam que era algo com que deveria sonhar. Marcus era, de longe, o melhor homem com quem já se relacionou. Tanto que quando ele fez o pedido, sentiu como se tivesse ganhado na loteria.
Essa era sua vida agora. Jogando golfe com seu futuro marido. Marcus Montgomery. Ela havia tirado a sorte grande. Sua vida, a partir de agora, seria feliz.
Organizada e certinha.
Mas feliz.
Quando abriu os olhos, Marcus a encarava fixamente. Ele apertou sua mão e suspirou.
— É isso que eu não quero. Estamos em contagem regressiva para o nosso casamento, e você é a pessoa mais importante. — Ele apontou para o próprio peito com o indicador. — Não eu. Sou o cara mais sortudo do mundo por me casar com você. — Ele se inclinou para frente para enfatizar.
— E sei que minha mãe se empolga bastante, mas ela estava certa sobre uma coisa: você precisa de uma ajudante para o casamento. Alguém tão focado quanto você. — Ele fez uma pausa. — Já achava isso da última vez que nos encontramos, mas agora tenho certeza. Você está muito estressada.
— Ele endireitou a postura antes de olhar para ela com firmeza. — Andei pesquisando e encontrei uma solução. Pode parecer pouco ortodoxo, mas acho que pode ser a resposta que estávamos procurando.
Abby conseguia ver sua boca se mexendo e as palavras saindo, mas não conseguia entender o que ele queria dizer.
— Como assim, pouco ortodoxo?
— Encontrei uma mulher que presta serviço de madrinha profissional.
Ela é como uma assistente matrimonial, exatamente o que estamos procurando. Tomei a liberdade de entrar em contato.
— Você fez o quê?
Eles nem haviam se casado, e Marcus já estava tomando decisões por ela? Um alarme percorreu seu corpo. Isso não era bom.
— Se está preocupada com dinheiro, não precisa. Eu vou pagar.
— Estou mais preocupada com os Montgomery se apoderando de tudo. — Abby vacilou. — Você não pode tomar decisões sem falar comigo.
E isso tem se repetido o tempo todo. Às vezes, sinto como se eu fosse uma telespectadora.
Marcus balançou a cabeça, colocando a mão na sua perna.
— Estou fazendo isso para facilitar as coisas para você. Sei que está sem tempo. Você está tentando conseguir aquela promoção no trabalho.
Está ocupada demais. Essa mulher parece muito capaz. Ela pode até ser sua madrinha se você quiser. Isso pode não ser ruim, já que a Delta não está bem depois do término com a Nora — Marcus continuou. — Mas principalmente, o trabalho dela é ficar ao seu lado até o fim da cerimônia.
Abby franziu o cenho. Ela não conseguia acreditar no que estava ouvindo.
— Minha madrinha de casamento? Você enlouqueceu?
Marcus deu um sorriso tímido.
— Ela é uma assistente matrimonial/madrinha. Para o que você precisar. Alguém que vai cuidar de tudo, vinte e quatro horas por dia.
Abby ainda estava balançando a cabeça.
— Eu tenho madrinhas, Marcus. Não preciso de uma falsa. Delta é minha madrinha principal, você sabe disso. E é justamente porque acabou de levar um fora da namorada inútil que ela precisa de algo para ocupar a cabeça. Ser minha madrinha é justamente isso. Não posso deixá-la de lado.
Ela ficaria ainda pior.
Foi a vez de Marcus franzir o cenho.
— Não estou dizendo para você tirar esse cargo dela. Só a responsabilidade. Você precisa admitir que ela está te estressando, perguntando várias coisas sobre o final de semana de despedida de solteira que ela já deveria ter organizado. Entre a Delta e a minha mãe, acho que essa mulher é exatamente o que você precisa.
Ele tinha um bom argumento. Abby havia pedido a Delta para organizar a viagem de despedida de solteira, mas no fim das contas, acabou fazendo tudo sozinha. Delta prometeu ficar com os detalhes, mas levou um fora. Desde então, ficou enclausurada como se o mundo tivesse acabado, esquecendo que sua melhor amiga ia se casar em algumas semanas e que a despedida de solteira estava se aproximando.
— Eu não sei. — Mas Abby já estava processando as informações.
— Acredito que sabe, sim. A Delta vai fazer tudo por você? Ou sua prima, Taran? Pense bem. Alguém em quem possa confiar e que faça tudo que você precisa. Você só tem essa chance, Abs. Quero que chegue no nosso casamento sem estresse. Se isso significa pagar alguém para segurar sua mão pelas próximas semanas, que seja.
— Sou uma mulher adulta, Marcus. Consigo fazer isso sozinha. — Ela conseguia imaginar até o que sua mãe, uma nativa de Glasgow, diria sobre uma madrinha profissional no casamento.
Ele a olhou sem pestanejar.
— Essa mulher vai lidar com a minha mãe pelas próximas semanas.
Ela consegue aguentar.
Abby ficou imóvel.
— Ela vai lidar com absolutamente tudo? E fazer a despedida de solteira?
Marcus assentiu.
— Tudo isso e mais. — Ele se afastou, se encolhendo antes de continuar. — Como eu disse, já mandei um e-mail para ver se ela estava disponível. E ela está. — Ele ergueu as mãos como se estivesse se rendendo. — Só pense um pouco, tudo bem? Por mim. Marque uma reunião e veja o que ela tem a dizer. Os depoimentos sobre seu trabalho são ótimos.