Antes que Você Diga Sim

Clare Lydon · Capítulo 12 de 35

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Antes que Você Diga Sim

Doze

Jordan assentiu. Estava evidente.

— Assim como Marcus — ela respondeu.

Ao som de suas palavras, Abby ficou imóvel e a olhou. Alguma coisa na expressão dela a fez estremecer.

Abby assentiu.

— É. Exatamente.

Doze

ERA A NOITE anterior ao voo, e Jordan estava na sala fazendo flexões. Também foi à academia de manhã. E no dia anterior. Ver os músculos torneados de Abby mais de perto a fez entrar em ação. Se a noiva estava tão em forma, o mínimo que a madrinha poderia fazer era apoiá-la.

Apesar de que, sinceramente, dez dias não era tempo suficiente para conseguir ficar torneada. Mesmo assim, ela ia tentar.

Karen entrou, segurando dois crumpets, uma espécie de panqueca, em um prato. Jordan nem precisava olhar para saber que estavam cobertos de manteiga. Eram os favoritos de Karen. Sua perdição, como ela gostava de dizer. A moça se sentou em cima de uma das pernas no sofá, analisando Jordan em silêncio. O único som na sala eram os grunhidos que fazia durante as flexões. Quando Karen terminou, colocou o prato na mesa de madeira ao lado. Esperou que a melhor amiga se deitasse no chão antes de falar.

— Me diga mais uma vez que você não gosta dela.

— Cale a boca.

As tábuas de madeira não eram confortáveis. Ela se sentou e esfregou as mãos antes de se levantar. Esticou os braços, esperando que o gesto encerrasse a conversa.

— Acho que eu deveria ir junto na viagem, só para te proteger de si mesma.

— Eu vou conseguir, sou profissional.

— Você está se exercitando sem que eu precise te pressionar. Está indo à academia por vontade própria. Essa não é a Jordan que conheço e amo. E

você começou a comprar couve. Foi aí que percebi que as coisas estavam ruins.

Jordan se alongou, tocando os pés com a ponta dos dedos.

— Só estou tentando ser saudável. Há anos você me diz para fazer isso. Achei que ficaria feliz. — Ela olhou para Karen quando se levantou novamente.

— Estou. Sou completamente a favor. Só estou questionando os motivos. — Ela fez uma pausa, empurrando a franja para longe dos olhos.

— Quanto tempo vai ficar fora?

— Quatro dias. De sexta a segunda. E o roteiro está cheio. Vou praticar meu francês em Cannes, e todos na festa vão se apaixonar por minhas habilidades organizacionais.

Karen hesitou antes de falar.

— Quatro dias é bastante tempo para ficar em um espaço confinado com alguém por quem você está começando a se apaixonar.

Jordan se jogou no sofá ao lado da amiga, cobrindo o rosto com a mão conforme respirava fundo.

— Não estou me apaixonando pela Abby. Além disso, não sou um animal selvagem. Não vou fazer nada sobre esses sentimentos. Já gostei de muitas mulheres e nunca fiz nada a respeito. Aliás, é o resumo da minha vida. Você sabe disso, já que participou da maior parte dela.

Isso fez com que Karen sorrisse.

— Bem, isso é verdade.

— Não sei porque está tão preocupada. Sou a pior pessoa em confessar sentimentos. Em fazer qualquer coisa que possa iniciar um romance. Tudo que aconteceu na minha vida romântica foi por acidente, ou porque outra pessoa decidiu tomar a dianteira. E isso não vai acontecer nesse final de semana. Não na despedida de solteira da Abby.

— Seu argumento é bom. — Karen a cutucou com o cotovelo.

— Na verdade, ainda estou confusa do porquê ela vai se casar com o Marcus. Ele é fofo, mas eles não combinam, sabe?

— Ele é rico.

Jordan assentiu.

— É, mas o dinheiro também traz problemas. Além do mais, não diria que a Abby é interesseira. Ela tem um ótimo trabalho.

Karen deu de ombros.

— Será que o relógio biológico não está chamando?

— É mais provável. — Jordan expirou mais uma vez. — Só é uma pena que ela esteja se casando sem estar completamente apaixonada por ele.

Karen a olhou de soslaio.

— Quantas noivas realmente estavam perdidamente apaixonadas pelos caras com quem estavam se casando? Pelo que você falou, não muitas.

Pode ser que você ache a Abby diferente das outras, mas nessas circunstâncias, não é. Está procurando por status, segurança financeira e um

pai para seus filhos. As mulheres ainda têm que pensar nessas coisas, mesmo hoje em dia.

Jordan balançou a cabeça.

— É verdade. Que deprimente.

— Nem me fale. — Karen bocejou, cobrindo a boca com a mão. —

Bom, vamos mudar de assunto e parar de falar de quem está fora do seu alcance e vamos falar de você. Qual foi a última vez que transou? Com aquela moça do Tinder?

Jordan franziu o cenho.

— Não que isso influencie em nada, mas foi. Não estou planejando dormir com ninguém em Cannes. Estarei trabalhando.

— Sei que sim. Mas talvez quando voltar, poderia se abrir a outras possibilidades. — Ela ergueu as mãos. — Antes de você me atacar, sei que não gosta de relacionamentos. Que já se magoou antes. Encontros casuais são mais fáceis para seu trabalho. Eu entendo. Mas o tempo vai passando.

Vai por mim, é legal ter um relacionamento. Tenho certeza de que já teve bons momentos com alguém no passado, não é?

Jordan relaxou no sofá.

— Alguns. Mas todos acabaram do mesmo jeito. Fiquei magoada, sem casa e perdi algumas das minhas posses. Eles tomam muito tempo e é dor de cabeça demais. Vou continuar com meus encontros casuais. Mas só depois que esse trabalho acabar.

A ideia de ter um encontro com Abby fez com que todos os pelos do seu pescoço se arrepiassem.

Não poderia imaginar isso. Abby não era do tipo que se transava só uma vez.

Jordan também não era quando estava perto dela. Afastou esse pensamento.

Karen se levantou e reapareceu alguns minutos depois, jogando uma sacola da Marks & Spencer no colo dela.

— O que é isso? — Jordan abriu a sacola e pegou um biquíni vermelho. Conforme o desdobrava, arregalou os olhos. — Para quem é isso?

— Para você. Eu sabia que não o compraria, mas o adorou quando estava na loja, então peguei para você. Não quer estar adequada na casa chique em Cannes?

Jordan engoliu em seco. Não tinha parado para pensar nas atividades perto da piscina, mas agora percebeu que provavelmente também veria Abby usando biquíni. O pensamento fez com que seu ritmo cardíaco acelerasse.

— Que bom que estou fazendo todos esses abdominais, porque isso aqui não deixa nada para imaginação.

— É um biquíni. É esse o objetivo.

Jordan olhou para dentro da sacola e pegou uma calcinha de renda preta com um sutiã combinando.

— São para mim também? — Ela os segurou como se fossem a evidência de um crime em uma investigação policial.

Karen assentiu.

— São. Ganhamos no trabalho, então peguei um para mim e um para você. — Ela se aproximou da amiga. — Use-os e vai se sentir invencível.

Ninguém precisa ver. Mas se virem, vão ficar com inveja. Ou vão querer arrancá-los. Só tome cuidado para que não seja a noiva. Você não disse que a madrinha é gay?

— É, e está sofrendo por um término. Sei no que está pensando, mas pode parar.

— Você diz que ela está sofrendo, e eu digo que ela está solteira. —

Karen usou aspas para a palavra “sofrendo” e “solteira”.

— É por isso que você não deveria bancar o cupido. — Jordan ergueu uma sobrancelha na direção da amiga.

— Uma melhor amiga gay. Deveriam fazer um filme sobre isso. Ela é gata?

— Não faz meu tipo.

— Você tem um tipo?

Jordan lançou um olhar cortante.

— Meu tipo é emocionalmente disponível. A Delta não é. Ainda está choramingando pela ex-namorada. E eu também não sou a pessoa favorita dela.

Karen encostou o dedo indicador no nariz de Jordan.

— Mas não é assim que os melhores romances começam? Vocês se odeiam e depois se amam. É promissor. Ela poderia ser sua amante francesa. — Karen riu da própria piada.

— Você ficou na cama pensando em todas essas besteiras? — Ainda assim, sorriu. Não tinha como continuar séria.