Antes que Você Diga Sim

Clare Lydon · Capítulo 3 de 35

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Antes que Você Diga Sim

Três

Se vocês não se derem bem, não tem problema. Deixaremos essa ideia de lado. Mas se ela conseguir facilitar sua vida, por que não?

Seu interior estava borbulhando. Como ele ousava fazer isso? Mas Marcus era assim. Estava fazendo isso por amor, não para controlá-la.

Diferente de sua mãe.

Além disso, se essa mulher conseguisse lidar com Marjorie, poderia não ser uma ideia tão louca assim.

— Ainda estou brava por ter feito isso sem me consultar.

— Você jamais teria concordado se eu te dissesse. — Ele deu seu sorriso especial, aquele que reservava somente para ela.

Abby suspirou.

— Você já fez contato?

Ele assentiu.

— Mandei um e-mail ontem, então ela vai te ligar. Seu nome é Jordan.

— Jordan.

Que tipo de nome era aquele?

Três

— POR QUE ESTAMOS fazendo isso mesmo? — Jordan estava tão sem fôlego que mal conseguia falar, mas continuou se movendo. Sabia, por experiência própria, que se parasse, seria duas vezes mais difícil recomeçar.

Ao seu lado, Karen flutuava como se usasse patins. Havia uma clara diferença entre fazer treinos regulares e correr pela primeira vez em um mês.

— Porque há outra garota rica querendo que você finja ser sua melhor amiga perdida e madrinha de casamento. Para cumprir com o desejo dos seus clientes, você precisa estar em forma. E gostosa. Ninguém quer uma madrinha de casamento gorda, quer?

Como a amiga conseguia conversar sem demonstrar que esteva correndo durante os últimos vinte minutos?

— Você está sendo gordofóbica — Jordan falou, sem fôlego. À sua esquerda, o mar fazia o movimento de vai e vem. O céu estava cinza, com nuvens brancas esparramadas. Era igual a uma camiseta velha que havia manchado quando confundiu o alvejante com o tira-manchas, e agora só a usava quando ia limpar a casa. Ou seja, quase nunca.

— Estou sendo realista. Mas talvez não seja bom ficar gostosa demais, porque as noivas não querem disputar atenção com a madrinha no dia do casamento. É um equilíbrio difícil, não é?

Jordan ficou em silêncio. Principalmente porque estava sem fôlego.

Karen a olhou.

— Você não está muito gostosa agora, com a língua para fora como se fosse um cachorro. Mas no geral, você é, sim. — Ela sorriu. — Você pode ser inspiração para noivas ao redor do mundo. Lembre-se das palavras de Kate Moss: nada no mundo é tão bom quanto estar magra.

— Talvez eu deva desenvolver o hábito de cheirar cocaína para ajudar nessa empreitada.

— Todas as suas clientes já devem ter feito isso.

Um vento frio soprou, quase roubando o ar de Jordan. Elas estavam em maio, mas as estações não importavam na costa sul do Reino Unido. À

beira-mar, todos os dias eram de vendavais. Ela avistou o Walton’s, o café

que indicava a metade do caminho que tinham a percorrer. Era o ponto onde elas viravam e voltavam para casa. Mas hoje, com o sol lutando para aparecer e as nuvens ameaçadoras, Jordan queria um descanso. Conforme se aproximaram do café de paredes brancas e madeira velha, ela piscou para Karen.

— Vamos parar para um café? — Jordan colocou as mãos na cintura.

— Estou com um músculo repuxando e não dormi direito ontem. Deve ser pela adrenalina acumulada do mês passado. O que acha? Posso voltar devagar?

Karen olhou para ela por um instante antes de assentir.

— Desde que a gente continue a corrida até chegar em casa.

— Juro pela minha vida. — Mas Jordan estava com os dedos cruzados.

Elas entraram no café, e Karen foi direto ao banheiro. Jordan pegou um espresso com leite vaporizado para cada uma, então se sentou perto da janela com vista para o mar. O lugar cheirava a bacon frito e linguiças, e seu estômago roncou. Mas não podia ceder aos desejos. Mesmo sabendo que era errado, Karen havia dito uma verdade: precisava cuidar da aparência.

Não seria menos competente se estivesse fora de forma, mas seus clientes exigiam que se encaixasse em um padrão. Jordan conhecia bem o mercado em que estava inserida.

Karen se sentou do lado oposto, com o cabelo escuro e curto, e olhos azuis brilhando como sempre. A amiga era aquele tipo de pessoa que vivia feliz. Ela bebeu o café antes de falar.

— Como foi o fim do evento? Nem conversamos direito ontem à noite.

Alguma história interessante para contar enquanto eu estava me certificando de que não falte calcinhas no país?

Karen era compradora de lingerie na Marks & Spencer, um trabalho que sempre chamava atenção de todos quando descobriam.

Jordan repassou os acontecimentos da semana na cabeça como se fossem um filme. Considerando tudo, até que foi bem. Já havia experimentado coisa bem pior que Emily.

— Foi tudo bem.

— Ninguém te reconheceu?

Balançou a cabeça. Ainda se surpreendia por isso não ter acontecido.

Afinal de contas, as pessoas que podiam pagar por seus serviços eram ricas, e essas pessoas costumavam andar juntas. Ela tinha certeza de que já havia

encontrado rostos familiares, mas aperfeiçoou a arte de se misturar. Além disso, ninguém ficava procurando por uma madrinha de casamento em série.

— Pelo contrário, fui convidada para mais dois casamentos. — Ela deu de ombros. — A noiva teve um surto enquanto fazia a maquiagem, mas consegui levá-la até o altar. Um pequeno milagre.

— E dizem que o romance está morto.

Jordan riu.

— Casamentos quase nunca são românticos.

Karen se afastou, olhando para o mar através da janela.

— Mas você está de férias agora, não é? — Ela se virou para Jordan.

— Depois do último cancelamento?

Jordan negou, tomando um gole do café.

— Não tenho certeza. Há outra cliente para quem preciso ligar, então talvez isso tenha que esperar. Estamos na temporada de casamentos. Pelo menos até setembro, vou trabalhar direto.

Karen fez bico.

— Tenho que começar a reservar horários na sua agenda? Estou com saudades.

— Você sabe como é. Além disso, você tem o Dave.

— Dave? Ele é só meu namorado. Você é a minha melhor amiga.

Jordan sorriu para ela.

— E ainda vou ser quando setembro chegar. Sua melhor amiga mais gostosa e mais rica, se der sorte. Tenho que dar meu máximo nessa temporada. Já estou com trinta e cinco anos e só tenho mais algumas. As pessoas não querem uma madrinha velha.

— O mundo é horrível.

Jordan sorriu.

— Não enquanto ainda sou jovem e bonita. A Emily pode ter sido um horror, mas me rendeu um bom dinheiro. Vamos torcer para que eu consiga mais alguns trabalhos assim durante o verão.

— Pessoas com mais dinheiro do que bom senso?