Antes que Você Diga Sim

Clare Lydon · Capítulo 20 de 35

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Antes que Você Diga Sim

Vinte

O corpo de Jordan se aqueceu com o desejo.

Deu um passo para trás e ofereceu a mão para Abby, que a segurou, encarando-a.

Jordan não a deixaria pensando naquilo. Puxou Abby para que ela ficasse em pé.

— Vamos. Vamos voltar para a degustação de vinhos antes que comecem a nos procurar.

Vinte

ABBY ACORDOU ASSUSTADA e fechou os olhos com força.

Droga, sua cabeça doía. Colocou a mão na testa, pressionando para ver se melhorava.

Não melhorou. Soltou um suspiro e pegou o celular no edredom ao seu lado. Eram duas e meia da manhã. Bebeu demais ontem. Fazer isso durante o dia nunca era uma boa ideia. Podia usar um passeio a vinhedos como desculpa, dizendo que era uma atividade cultural, mas no fim das contas, ainda era isso: um pretexto para se embebedar. Não que tivesse reclamado na hora. O problema era acordar desesperada por água, questionando suas escolhas.

Rolou para fora da cama, cambaleando e vestindo uma camiseta e shorts jeans. A peça manchada de vinho estava em cima de uma cadeira.

Ah, Deus. A mancha. O banheiro com Jordan. Se lembrava vagamente, mas não conseguia saber direito o que tinha dito. Se recordava de que tentou tocá-la. Seu rosto. Seu cabelo.

Puta merda.

Fechou os olhos quando outra onda de náusea a atingiu.

Um copo de água ajudaria. Talvez até dois.

Calçou os chinelos e desceu até a cozinha escura, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Não tinha certeza se estava conseguindo enquanto tateava as paredes. Encontrou o interruptor da cozinha, acendendo o lustre em cima da mesa de jantar e decidiu que isso bastava. Não precisava de tanta luz, só ia pegar um copo de água.

Os destroços da noite passada ainda estavam cobrindo as superfícies: taças, garrafas de vinhos vazias, salgadinhos e nozes em tigelas. Seu estômago roncou. Tiveram um jantar feito por um chef convidado, mas poderia comer ainda mais. Abriu a geladeira e viu algumas batatas.

Hasselback, será que se chamava assim? Ou esse era o nome do cara do SOS Malibu? Não, esse era Hasselhoff. Será que eram batatas Hasselhoff?

Balançou a cabeça, sorrindo para si mesma, e enfiou a batata na boca.

Enquanto mastigava, abriu alguns armários em busca de copos. Não sabia onde ficavam as coisas ali. Princesa Abby. Não deixaram ela fazer nada no

final de semana. Toda a tripulação, liderada de forma competente pela Capitã Jordan cuidaram de tudo.

Imaginou Jordan com uma roupa de marinheira, com cinto apertado e tecido branco. Engoliu em seco e focou em beber a água. Se não estivesse tão obcecada com Jordan, talvez não tivesse bebido tanto. Mas era isso que a noiva deveria fazer na despedida de solteira, não era? Só estava seguindo o protocolo. Assim como teria feito se Jordan estivesse na sua frente de uniforme e dando ordens.

Quando olhou para cima, seu coração se sobressaltou, e ela quase parou de respirar. Jordan estava parada no batente da cozinha, mas graças a Deus não estava vestida de marinheiro. Isso teria sido um pouco demais.

Ela usava uma blusa cor de laranja solta e shorts azul marinho que adornavam a silhueta.

— O que está fazendo acordada? — Abby olhou para o relógio. —

Está de madrugada.

Ela parecia ainda mais atraente na penumbra. Notou a marca do travesseiro em sua bochecha. Sua pele ainda deveria estar quente.

— Sei disso. — Jordan foi direto para o armário à direita. — Vim pegar água — disse, enchendo o copo. Ela bebeu antes de se apoiar na ilha da cozinha.

A uma distância segura.

— Como está sua cabeça? — Jordan semicerrou os olhos para Abby.

— Já esteve melhor. Ainda bem que bebi bastante água quando voltamos, ou acho que estaria pior.

— Como a Delta e Nikita? — perguntou. Encontrou um pano e limpou algo no balcão.

Abby sorriu.

— É. — Ela fez uma pausa. — As duas foram para quartos separados?

Sempre foram estepe uma da outra na época da faculdade, apesar de fazer alguns anos que não ficavam juntas.

— Ficaria surpresa se isso acontecesse.

Ela abriu um sorriso. Pelo menos, alguém teve sorte no final de semana. Bom para elas.

— Acordei pensando no quanto fui idiota com você no banheiro do vinhedo depois que derrubei o vinho.

Seu estômago se contorceu assim que olhou nos olhos de Jordan.

Ficou imóvel enquanto seu coração acelerava. Só conseguia ouvir o barulho do relógio, assim como sua pulsação.

Jordan balançou a cabeça, fazendo o cabelo loiro cair sobre a clavícula. Como seria lamber aquela...

Pare com isso.

— Você não foi idiota. Só estava um pouco bêbada. — Jordan hesitou.

— E um pouco fofa, para ser sincera. — A moça estremeceu. — O que estou tentando não ser.

Abby umedeceu os lábios. Jordan achava que ela era fofa. Do tipo sexy ou irritante?

— Nós duas somos sinceras, acho que esse é o problema. A maioria dos britânicos conseguiria ter evitado toda essa situação, não é?

Jordan deu um meio-sorriso.

— Sem dúvidas. Não é da nossa natureza. Me pergunto o que franceses fariam.

Abby deu um tapa no balcão.

— Transariam bem aqui e depois fumariam um cigarro.

A risada de Jordan era como uma bala que atravessava as defesas de Jordan.

— Acho que você está certa. O país é um pouco mais carpe diem, não é? Enquanto isso, varremos tudo para debaixo do tapete e torcemos para que desapareça.

Abby assentiu. Tudo isso era terrivelmente familiar.

— O problema é que tenho feito isso durante a maior parte da minha vida.

Foi só quando disse essas palavras que percebeu a verdade.

Tomou mais água. Sua cabeça ainda parecia estar enevoada.

— Vou sentir sua falta quando voltarmos para casa.

Jordan sorriu.

— Não vai. Ainda vou trabalhar para você até o casamento.

— Eu sei. Mas não é a mesma coisa que nadar de manhã com você.

Drinques tarde da noite. Conversas na banheira.

Jordan ergueu uma sobrancelha.

— Não podemos esquecer das sessões de hidratação no meio da noite.

— Ela encarou Abby. — Provavelmente é melhor assim.

Abby deveria pensar o mesmo.

Mas não pensava.

Jordan encheu o copo de novo e foi na direção de Abby, parando quando ficou ao lado dela.

— Você vem?

A noiva olhou diretamente para os olhos da outra moça. Naquele momento, uma explosão de desejo a atingiu. Os olhos de Jordan não eram mais um convite para mergulhar dentro do mar. Ainda assim, estavam vivos e vibrantes, falando diretamente com ela. Assim como seu corpo. Ela conseguia sentir o calor e a eletricidade que faiscavam entre elas.

Esticou a mão. Estava agindo por impulso. Não conseguiria descartar a possibilidade. Tinha que saber. Precisava descobrir que gosto Jordan tinha.

Saber qual era a sensação de tê-la nos braços. Segurou a moça pela cintura e a puxou para mais perto.

Carpe diem.

Jordan estava atônita. Ela não disse uma palavra.

Abby a encarou e depois focou em seus lábios. Antes que pudesse se impedir, se inclinou e a beijou.

O efeito foi como um trovão ressoando dentro dela. Conforme seus lábios deslizavam pelos de Jordan e a provavam, seu corpo inteiro estremeceu como em uma tempestade.

Abby sonhou com isso. A realidade era dez vezes melhor.

Jordan a segurou pela cintura, puxando-a para mais perto.

Os seios de Jordan se apertaram contra os seus.

Ela grunhiu conforme o desejo atingiu seu centro. Quando a língua de Jordan deslizou para dentro da sua boca, ela se derreteu ainda mais.

Não tinha certeza do que queria com aquilo. Na sua cabeça, só precisava terminar o que tinham começado na banheira. Um beijo. Só um.

Para deixar essa possibilidade de lado.

Mas agora sabia que era mentira. As brasas faiscaram antes, mas agora o fogareiro estava aceso.

Seu coração deu um sobressalto e o seu corpo foi assolado por uma vontade incontrolável. O beijo era pura dinamite. Pura luxúria. Puro desejo.

Deslizar a língua para dentro da boca de Jordan era tudo.

Seus dedos se engancharam no peito da outra moça, massageando os mamilos através do tecido leve de algodão. Sentiu o aroma quente de

Jordan. Não queria mais ir embora.

O beijo poderia ter durado dois minutos ou um dia inteiro. Abby não tinha ideia. Toda a percepção de tempo e espaço a deixou quando suas bocas se encontraram.

A intensidade inicial abriu espaço para um beijo sensual e deliberado.

Abby estava se destruindo. O som dos lábios, a batida do coração, a intensidade lenta e certeira de tudo. Era quase demais.

Jordan deve ter sentido o mesmo, porque se afastou.

As duas ficaram em pé, arfando enquanto se encaravam pelo que pareceu outra eternidade.

Até que Jordan piscou e se afastou um pouco. A magia se desfez quase de imediato. Estavam de volta à cozinha. No balcão. Com as tigelas de salgadinhos e os copos de água abandonados.

Abby olhou para o chão enquanto se desvencilhavam uma da outra. Seus pés repentinamente eram as coisas mais interessantes do mundo. Ela engoliu em seco, sentindo o coração batendo forte e o frio na barriga.

Quando finalmente olhou para cima, o rosto de Jordan estava corado e a marca do sono ainda evidente.

No que ela estava pensando? Abby não tinha certeza se queria saber.

Encarou aqueles olhos por alguns segundos antes que fosse demais. Se continuasse, chegaria mais perto. Se chegasse mais perto... isso não poderia acontecer de novo.

O estrago já havia sido feito.

Provou o que queria.

Era nisso que precisava concentrar.

— Não sei o que dizer. — Esfregou o pé no chão.

Jordan estava descalça. Até seus pés eram bonitos.

Abby revirou os olhos internamente.

— Deveríamos ir para cama. — Jordan mordeu o lábio. — Acho que conversar não vai ajudar. Concorda?

Abby assentiu. Já tinha passado a hora de conversas. Tinham entrado em um território completamente novo.

Jordan começou a andar, mas Abby colocou uma mão em seu braço. O

corpo inteiro pareceu formigar com o contato.

— Me desculpe. Foi culpa minha. Vamos resolver isso quando chegarmos em casa.