As Extraordinárias Cores do Amanhã

Emily X. R. Pan · Capítulo 27 de 109

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As Extraordinárias Cores do Amanhã

Capítulo 27

 

Os ponteiros do relógio brilham um verde alienígena: são 4h12 da manhã. Existe algum sentido em tentar dormir? Os segundos passam, cada vez mais altos, ecoando nos meus ouvidos.

Então, sobre o som do relógio, ouço de novo. O bater das asas, fraco, ao longe. Acendo a luz. Coloco as pernas para fora da cama.

O ruído se foi.

Meus pés me levam pelo piso frio como a lua para abrir a mesma gaveta que eu abrira antes. Procuro a caixa de incenso abaixo da sacola de doces dobrada. A pena ainda está lá, ligeiramente enrolada, como se estivesse adormecida. Também a tiro de lá, apertando-a entre o polegar e o indicador.

Ainda estou tentando descobrir por que o pássaro me trouxe o incenso – se isso me conduzirá até ela. Ou se é para me ajudar a entender.

Eu quero que vocês se lembrem

Acendo o fósforo. Toco a vareta de incenso – sua ponta acesa e calma em brasa – na ponta da pena.

O que se segue é um chiado que começa em minhas mãos e sobe como uma nuvem. O ruído me rodeia e enche o quarto. A pena de repente fica quente como se estivesse no forno, mas não posso soltá-la, meus dedos estão presos.

Fios de fumaça negra, consistentes como caramelo, seguem uma brisa que não consigo sentir…

Começam os redemoinhos. Começam as voltas. A mudança da luz e das cores.

O quarto fica escuro.