As Extraordinárias Cores do Amanhã

Emily X. R. Pan · Capítulo 68 de 109

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As Extraordinárias Cores do Amanhã

Capítulo 69

 

Pouco antes do amanhecer, adormeço.

O mais estranho é que sei que é assim mesmo. A fresca escuridão me envolve. A dor em minhas têmporas, finalmente, reduz. A felicidade do nada.

E, então, meus olhos se abrem e me vejo envolta em uma névoa cinzenta, numa tempestade de redemoinhos, o vento ganhando força. Posso ouvir as batidas desordenadas de asas.

É um sonho é um sonho é um sonho.

Eu sei que é como o sonho que tive antes, mas ainda assim não consigo detê-lo. Não consigo acordar.

– Mãe? – grito.

– Leigh! – Sua voz está aflita. As asas batem desordenadamente. Ela grita.

– Mãe! – Eu não posso vê-la, mas tento tocá-la mesmo assim.

Há um lampejo vermelho, penas batem contra o meu rosto. A tempestade faz com que elas se afastem.

O clarão de um relâmpago. Um estrondo ensurdecedor. O trovão estoura bem na minha frente. Tudo se ilumina em uma branca facada cega. Eu vejo sua silhueta contra as nuvens.

Ela grita. É um som frio, terrível e animal. Isso me dilacera. Posso sentir o cheiro de sua carne queimando. Na minha inspiração seguinte, engulo um pouco da nuvem da tempestade.

A cinza empoeirada recobre minha boca.