Azeitona

Bruno Miranda · Capítulo 8 de 23

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Azeitona

Capitulo 8

8.

 

Ian estava um pouco afobado com a demora de Emília. Verificava seu celular de minuto em minuto, mas a operadora não dava sinal por nada naquele local. Mesmo se ela já estivesse na porta da emissora, onde deveriam estar àquela hora, ele não teria como saber.

Depois de esperar por pouco mais de vinte minutos, Ian

avistou a garota dobrando a esquina, andando apressada. No tempo em que tinha ficado ali na porta do metrô, observou as pilhas de frutas no carrinho de um vendedor ambulante diminuindo aos poucos.

– Desculpa, mas é que – Emília fez uma pausa para

umedecer a garganta com saliva enquanto os dois desciam as escadas – minha mãe me deixou na escola e tive que pegar um táxi de lá até a entrada do metrô. Mas acabei indo para a entrada errada e não consegui avisar você. Não sei usar direito esses metrôs. Tive que vir a pé pela rua mesmo.

Para não chegar à emissora com uma mochila, Emília a

substituíra naquele dia por uma bolsa de pano. Disse para a mãe que uma caneta havia estourado dentro da mochila, o que de fato ela teve de providenciar, porque sabia que a mãe iria verificar.

Ian a esperou ir ao banheiro antes de seguirem para a área

de embarque. Emília saiu com uma roupa diferente – não mais o uniforme escolar – e, enquanto seguiam em direção à plataforma, ele percebeu que alguma coisa estava diferente na barriga dela.

– O que é isso? – Ian perguntou, apontando para o

abdome de Emília, confuso. Ela colocou a mão por cima da bata clara, acariciando em movimentos circulares.

Ian notou que a barriga dela estava cheia de ondulações,

como se estivesse grávida de um porco-espinho.

– Não faça mais isso, por favor. – Ian colocou o dedo em

cima de uma das elevações, tentando abaixá-la. A ondulação voltou assim que ele afastou o dedo. – isso é um botão?

– Droga! – Emília colocou a mão por baixo da bata, como

se não houvesse ninguém ao seu redor. Com um movimento violento, virou o botão para a parte de dentro.

– O que você colocou aí?

– Eu vou ter que voltar para a escola. O Gael vai me

buscar, não posso aparecer com uma pança maior do que eu já tenho – ela deu um passo para o lado, chegando mais perto de Ian, e puxou a bata para cima disfarçadamente. – Coloquei uma cinta de aperto. Mas dentro tem uma jaqueta, que posso colocar quando voltar.

Ian tinha vasculhado o perfil de Gael na internet uns dias

antes. Ele não sabia se sua pré-disposição para não gostar do namorado de Emília influenciara seu julgamento, mas a cada post que lia achava o rapaz mais babaca. Dá para conhecer muito de uma pessoa pelo que ela compartilha.

– Mas... – Ian balbuciou, enquanto tentava lembrar o que

tinha pesquisado sobre o assunto. Pelo jeito, tinha mais informações que Emília. – lembra que o bebê era do tamanho de uma azeitona? Ele não iria ficar grande como uma... jaqueta em três semanas!

– Hum, o.k., acho que você está certo – a garota disse. –

nunca acompanhei uma gravidez de perto, a minha referência era a Bella swan, desculpa.

– Agora você só precisa estufar a barriga. Tomar muita

água, sei lá. Vai demorar uns dois meses pra ela realmente começar a crescer. Quando o metrô chegou, os dois seguiram sem trocar muitas palavras. Um senhor no assento preferencial se ofereceu tantas vezes para ceder o lugar a Emília que a deixou irritada. Como ele não parava de olhar, Emília, que pretendia tirar o enchimento improvisado assim que descesse do vagão, levantou a bata e arrancou a jaqueta de dentro da cinta de aperto. O velho arregalou os olhos e permaneceu calado pelo resto da viagem.

Já havia se passado mais de duas semanas desde que os

dois receberam a confirmação da participação no programa. Emília cogitou desistir em alguns momentos, quando parava para pensar melhor, antes de dormir. Os dois passaram a conversar mais pelo celular – mesmo mantendo distância na escola – e agora estavam mais certos do que nunca.

Quando chegassem à emissora, iriam conhecer todos os

participantes. Eles iriam entender melhor como o programa funcionava e receber todas as instruções. A emissora ofereceu um carro para buscá-los, mas seria muito arriscado pegar carona “para a escola” na frente de casa num carro cheio de adesivos da TV.

As mãos dos dois estavam suando enquanto seguravam

nas barras de ferro do vagão.

– Acho que eu vou ter que fingir que eu sou uma louca –

Emília falou assim que viram a luz do dia, enquanto subiam as escadas do metrô. – não posso deixar ninguém tocar na minha barriga. Estava pensando em falar que traz energias negativas.

– Já pensou quando começar o verão, se eles quiserem

mostrar a gente na praia? Você vai usar um maiô com uma melancia partida dentro? – Ian falou rindo, mas foi ficando sério quando percebeu que isso realmente seria um problema.

Assim que atravessaram a rua, ficaram de frente para o

prédio. Olhando de cima a baixo, respiraram fundo e entraram.

Antes de trocar qualquer palavra com a recepcionista,

ouviram a voz estridente de Catarina cruzando o local com o salto ecoando no piso de mármore em direção a eles.

– Crianças, não podem se atrasar! Por isso que têm que

pegar o carro da produção. – Ela checou alguma coisa no celular e, como num surto de bipolaridade, voltou o olhar para os dois, agora sorrindo. – Bom diaaa! Vamos lá pra cima, todos já chegaram.

O coração de Ian estava saindo pela boca. Emília parecia

mais calma, mas era só sua forma de se comportar. Por dentro estava tão nervosa quanto o rapaz. Já seria desconfortável os dois ficarem no meio de vários garotos e garotas que realmente estavam esperando um bebê, mas chegar atrasados e todo mundo ficar olhando era pior ainda.

Assim que a porta do elevador se abriu, duas câme ras já os esperavam apontadas para a cara deles. Ian e Emília seguiram Catarina, atravessando o corredor e entrando pela porta de ferro do estúdio.

– Não olhem pra câmera – Catarina cochichou para os

dois. Ian tentou ver se eram as mesmas pessoas da equipe que tinha ido até a sua casa, mas não conseguiu se lembrar.

O estúdio era grande e as luzes estavam tão fortes quanto

as montadas na sala de Ian, o que os obrigou a franzir os olhos para se acostumar com a iluminação. De um lado estavam os equipamentos rodeados de fios – câmeras enormes e estruturas de ferro no teto. Do outro, um cenário que imitava a sala de uma casa com várias cadeiras formando um grande semicírculo, duas delas vazias.

Emília percebeu que, como ela, algumas das garotas ali

nem tinham barriga. Uma delas chamou a atenção – era impossível imaginar que aquela garota baixinha conseguisse equilibrar o peso sem pender para a frente enquanto andava.

Emília e Ian apenas conseguiram passar um olhar rápido

nos participantes. Catarina mandou que os dois se sentassem nas duas cadeiras restantes. Eles perceberam que as câmeras não paravam de filmá-los. Será que vai ser sempre assim?, Ian pensou, assustado.

– Finalmente vamos começar! Antes de nos conhecermos

um pouquinho melhor, preciso explicar para vocês como o programa funciona. – Ela olhou para trás, procurando uma cadeira que ficava de frente para todos para se acomodar. O assento ficava fora do limite do cenário.

Emília acompanhou a luz que incidia sobre Catarina até o

teto preto, onde estava presa, e quase ficou cega com os outros refletores apontados para ela. Uma câmera também capturava o que a produtora dizia, mostrando os bastidores do cenário.

– Vocês são os doze casais selecionados para participar

desta temporada do Novos Pais. – Catarina disse, sorridente, em uma voz impostada. – Eu presumo que todos já devem ter visto o programa, por isso se inscreveram.

Ian e Emília se olharam.

– Então, a primeira coisa que vocês devem querer saber é

“será que eles vão ficar na nossa cola o tempo inteiro?”. A resposta é sim – Ian soltou um suspiro que foi ouvido por todos no estúdio, mas ninguém chegou a procurar de onde viera. – Mas só nos momentos importantes. Nós vamos acompanhar vocês alguns dias na semana, gravando as atividades que vocês costumam fazer. Numa semana vocês podem gravar três dias e na outra só um. Ou nenhum. Isso eu que vou decidir.

Tudo aquilo não era novidade para alguns dos

participantes, que já estavam sendo acompanhados. Mas essa gravação só podia ser feita agora que o time estava completo.

– Uma vez por mês vocês virão aqui – Catarina apontou,

indicando o estúdio –, todos juntos, para conversar sobre como está sendo a experiência. Os problemas e as coisas legais que aconteceram. E partes desses bate-papos entre vocês vão entrar no programa.

Aproveitando que estavam todos prestando atenção em

Catarina, Emília tentou dar uma espiada nos outros participantes, chegando a cabeça um pouco para a frente. Por um momento, ela se sentiu mal de estar ali e não estar grávida. Provavelmente algumas daquelas meninas também queriam não estar.

Ela tentou identificar quem seria quem naquela edição. A

barraqueira do programa foi identificada de primeira – estava com os braços cruzados e tinha a cara fechada como a de um segurança de boate. A baixinha com barriga maior tinha os cabelos claros e um vestido de bolinhas, o que a deixava com uma aparência adorável. Emília constatou que ela seria a favorita do público, a menos que fosse bobinha demais.

A garota teve de desviar o olhar rapidamente das duas

participantes, que perceberam que ela as observava. Então decidiu voltar a prestar atenção na fala da produtora.

– …vocês sabem, cada episódio mostra um pouquinho de

todas vocês. É claro que, quando chegar a hora do parto de uma ou de outra, essa participante será o centro do episódio. Aliás, temos alguém que está quase lá, hein Rosa?

A baixinha sorriu, concordando, e os olhos quase se

fecharam ao ser pressionados pelas bochechas.

– No caso daquelas que ganharem os bebês mais para o

começo do reality, vamos continuar acompanhando o dia a dia como mãe também – Catarina contou. – Tudo conforme o contrato que todos vocês assinaram. Aliás, não todos. – Ela lançou o olhar para Ian e Emília, e em seguida a outros dois casais.

Ian tentava secar o suor da mão na calça. Ele e Emília se

olharam de novo e ouviram umas risadinhas de outros casais. Um dos rapazes que acompanhava a namorada, com uma quantidade estranha de gel no cabelo, formando um topete fino e caído, cumprimentou Ian com um aceno de cabeça quando seu olhar passou por ele.

– Agora quero que vocês se apresentem uns para os

outros – Catarina se ajeitou na cadeira –, nós vamos gravar algumas partes. Hoje não vai ter nenhum bate-papo de verdade aqui no estúdio. Vamos esperar as gravações avançarem um pouco mais. Você pode começar, Priscila. A emburrada contou que ela e isaac sempre se preveniam, mas haviam passado um feriado na casa de praia do rapaz e não encontraram nenhum estabelecimento que vendesse preservativos. Nem passara pela cabeça deles invadir o quarto dos pais do garoto à noite para pedir uma coisa dessas.

– E nós queremos dar o bebê para uma família que

consiga criá-lo melhor – Priscila terminou e olhou para o chão, indicando que havia terminado, já esperando o próximo casal.

Cada um deles contava um pouco da sua história. Quatro já

haviam falado. Emília e Ian eram os próximos. Alguns dos namorados contaram suas histórias no lugar das meninas, mas, quando ela olhou para Ian, o rapaz fez um gesto para que ela falasse.

Um cavalheiro.

– Meu nome é Emília e o dele Ian, e a gente tá junto há…

um ano e… quer dizer, três meses. Só três meses – Emília quase soltara a data de seu namoro de verdade com Gael. – E aconteceu. Vocês sabem como é. – Ela olhou para Ian e fez um carinho desajeitado em seu rosto, sentindo espetar nos dedos sua barba por fazer.

– Vocês pretendem ficar com o bebê? – A produtora

ajudava fazendo algumas perguntas quando o casal não falava muito.

– Hum… aham.

– Tudo bem. Próximo.

A história mais engraçada foi a de iara e Bela, que tinham

engravidado do mesmo cara. E ele estava acompanhando as duas no programa, assim como duas temporadas antes dois pais haviam acompanhado os filhos de liana. As duas eram melhores amigas antes de tudo acontecer, mas não pareciam se odiar agora.

– Eu só quero que o Valentim escolha com quem ele quer

ficar, porque eu o amo e preciso saber – disse iara.

– Eu também – completou Bela.

– Você também quer que ele escolha uma de vocês ou você

o ama? – Catarina perguntou à última garota.

– Os dois.

Valentim disse que não sabia com quem iria ficar porque

gostava das duas. Emília olhou para os sapatos do garoto – sua mãe sempre disse que dava para saber se a pessoa era rica pelos sapatos. Depois se sentiu mal por pensar isso das meninas e por seguir a dica oportunista da mãe. Mas ele tinha um belo par de tênis que nem era vendido no Brasil.

Emília ainda estava rindo de uma das participantes, que

estava com vergonha de falar sobre sexo e começou uma analogia estranha sobre sementinha e cegonha e toca de coelho, quando foi surpreendida por uma voz conhecida.

– Meu nome é lisa e eu estou grávida de um cara que, na

verdade, nunca foi meu namorado. – Emília se esticou mais uma vez na cadeira para ver quem estava falando e era realmente ela! – Estou participando do programa sozinha porque tive uns desentendimentos com esse cara e a gente não se fala mais.

– Que foi? – Ian sussurrou quando viu que Emília estava agitada.

– Aquela menina que falou agora – ela cochichou de volta

–, ela estudou comigo. Eu lembro! o nome dela é Elisa. A gente estudou junto no ensino fundamental. Nós éramos melhores amigas, mas trocamos de turno na escola e acabamos perdendo contato.

– Será que ela se lembra de você?

– Provavelmente. Andávamos juntas o tempo todo. –

Emília voltou a olhar para a colega. – Meu Deus, ela tá grávida!

Ian encarou Emília e revirou os olhos. Em seguida, passou

os olhos ao redor, para cada uma das garotas com a barriga protuberante.

– Como você pode ter tanta certeza? – Ian perguntou. – Caramba… – Emília pareceu não perceber a brincadeira

de Ian. Eu a conhecia quando nós éramos crianças, e agora ela vai ter uma!, pensou.

Por mais que Emília estivesse ali fingindo estar grávida,

ela começou a perceber que não sabia nada e não estava nem perto de entender o sentimento de realmente estar. Vai sair um bebê de dentro dela do qual ela vai ter que cuidar pra sempre, Emília não parava de pensar, assustada.

A última garota da fila foi Rebeca, que falava tão baixo que

mal dava para ouvir. Mas não parecia tímida. Suas sobrancelhas arqueadas e sua postura ereta na cadeira davam a impressão de que analisava a tudo e todos. Ela apenas se apresentou, disse que não foi planejado – Emília percebeu que nenhuma delas havia planejado aquilo.

– Ótimo, agora que todos se conhecem – Catarina

levantou –, queria dizer que nós ainda vamos nos ver muito durante os próximos meses e vai ser ótimo acompanhar essa experiência tão nova de vocês!

Desde a segunda temporada a produtora deixara de usar

palavras como “experiência mágica” e “momento lindo” e “esse presente de Deus”. Afinal, aquelas expressões não combinavam com o que muitas das grávidas que participavam sentiam.

– Vocês estão dispensados por hoje. – A produtora bateu

uma palminha. – Mas a gente vai conversando pelo celular para marcar as próximas gravações. Emília, Mel, Rebeca e pais, venham aqui um momento.

Os seis foram até Catarina.

– Aqui estão os contratos – ela entregou para cada casal. –

Vocês precisam assinar uma via de cada e me entregar pra ontem! Essa é a autorização que permite a vocês participar. Por serem menores de idade, é muito importante que me entreguem na próxima vez que nos virmos, 1.k 1.k .? – os três concordaram. Catarina se despediu e seguiu para a mesa do estúdio, fechou sua pasta e a colocou dentro da bolsa antes de sair. Ian e Emília se afastaram.

– Eu posso falsificar o meu e o seu. Me manda uma foto da

assinatura da sua irmã. – Emília disse, enquanto abria a bolsa e retirava uma pasta para guardar os contratos.

– Olha quem parece uma mafiosa, agora... – Ian provocou.

Emília deu de ombros, com um sorriso no canto dos lábios. – se a gente não estava fora da lei até agora, depois que falsificarmos esse contrato... Aí, sim, já era.

– Você não quer mais que eu participe? – ela sussurrou,

em tom de ameaça. – Porque foi você quem me convidou, e a grande responsabilidade disso ainda é sua.

– É claro que não. A menos que você não queira. Só estou

deixando bem claro esse risco, que acredito ser o único... Emília parou de prestar atenção no que Ian dizia quando se lembrou de procurar lisa. Elas tinham passado por tantas coisas legais na infância. Era muito estranho saber que a menina com quem ela dividira seus maiores segredos de infância agora era quase uma estranha para ela.

Assim que viu a garota atravessando a porta, deixou Ian

falando sozinho. Quando a alcançou, tocou no seu ombro. Lisa levou um susto.

– Me desculpa – Emília disse, assustada, achando a

situação engraçada ao mesmo tempo. – Você se lembra de mim?

Lisa esperava o elevador. Parecia meio perdida, mas,

assim que viu o rosto da colega, abriu um sorriso tímido.

– Sim, eu a reconheci assim que você entrou. Emília sentiu que a amiga estava um pouco diferente.

Quando criança, as duas brincavam, correndo pelo pátio de concreto da escola com os meninos, no intervalo das aulas. Eram das que mais conversavam na sala e por isso sempre eram obrigadas e sentar separadas.

Ninguém parava as duas. Emília nunca esquecera a colega

e como ela fora importante para construir sua personalidade. Lisa agora nem olhava em seus olhos enquanto falava. Sem contar a timidez. Ela nunca fora tímida.

– E você ia embora sem falar comigo? – Emília disse,

simulando uma bronca.

– Eu não sabia se você ia me reconhecer – lisa sorriu de

volta, sem mostrar os dentes. – Mas eu tô muito feliz de falar com você de novo. Sinto muita falta de quando éramos crianças, foi a melhor época de todas.

– A gente precisa voltar a se falar. Ainda mais agora que…

– Emília apontou para o estúdio. – Eu quero saber tudo o que aconteceu desde que a gente perdeu contato. Ela viu que lisa parecia um pouco desconfortável. A garota acompanhou todo mundo entrando no elevador e, assim que a porta se fechou, ela olhou para o chão.

– Eu não quero atrasar você. – Emília disse. – Você quer

me passar o seu número pra gente combinar alguma coisa?

Quando Emília retirou o celular e o visor acendeu, o

fundo de tela mostrou Gael e ela abraçados. A garota engoliu em seco e digitou a senha rapidamente.

Emília levantou os olhos em direção à colega, apenas para

garantir que ela não tivesse percebido. Lisa segurava a alça da bolsa com o punho fechado próximo ao quadril.

Seu peito subia e descia mais rapidamente, mas, assim

que percebeu que Emília a observava, tratou de suavizar sua expressão preocupada com um sorriso amarelo.

Lisa ajeitou a bolsa no ombro e apertou o botão para

chamar o elevador três vezes. Todos os outros participantes já tinham descido no anterior.

Elas trocaram telefone e se abraçaram antes de lisa descer.

Emília sentiu uma nostalgia e uma felicidade em reencontrar a sua melhor amiga de infância, mas teve a impressão de que lisa guardava ainda mais segredos do que ela.