Encontros no Parque
Epílogo
Jeanie levou algum tempo para se lembrar. Não navegava havia quarenta anos e nunca tinha ido muito além da costa de Norfolk, mas Ray foi um professor paciente e, na verdade, teve um prazer enorme em ajudá-la a se entender com o barco a vela. O Magda era bonito: branco, elegante e forte — uma maravilha para navegar e o orgulho e a alegria de Phil. Eles pegaram o barco em Brindisi e seguiram através do Adriático. Paravam aqui e ali na costa da Dalmácia. Ancoravam em pequenas enseadas e nadavam na água cristalina, ainda fria em abril, mas que Ray qualificava, rindo, como “refrescante”, ou levavam o pequeno barco para terra firme para explorar os portos e as pequenas vilas que existiam ao longo do caminho. Ray, em boa condição física, era ágil com o barco, muito mais do que Jeanie, mas, com o passar dos dias, ela começou a se habituar.
Jeanie estava sentada no deque, no calor do fim de tarde, e olhava as fotos de Ellie e de Becca que Chanty enviara por e-mail. Nos três meses de viagem, a bebê tinha mudado muito.
Ray surgiu na escada.
— Um drinque?
Os últimos três meses tinham sido os mais estranhos da vida de Jeanie, mas também os mais simples. Estar com Ray era como chegar em casa.
No início, Chanty mantivera silêncio sobre o assunto. Apesar de não ser exatamente hostil, não era receptiva a Ray. Duas semanas antes da viagem, aparentemente persuadida por Alex, que a convenceu de que as coisas não seriam mais fáceis com o passar do tempo, ela os convidara para jantar. Tudo correra razoavelmente bem. Chanty aos poucos havia relaxado diante do charme natural de Ray e de sua evidente falta de interesse em conquistar a família. No fim da noite, Jeanie notou que a desaprovação da filha cedera um pouco.
Ela tinha certeza de que o timing e a hesitante boa vontade de Chanty tinham sido instigados pelas novidades de seu pai.
— Sally agora passa mais tempo aqui em casa — anunciara ele um dia para a filha. Chanty não comentou o que parecia ser um relato sem importância sobre a vida do pai. George concluiu que ela não captara a mensagem e repetiu, desta vez sendo mais explícito.
— Nós estamos passando mais tempo juntos... Sally, da vila, e eu.
— Você e Sally? — Chanty ainda não havia entendido. — Que bom. O que quer dizer com isso, pai?
— Ah, ela está ficando para o jantar e... outras coisas.
Chanty repetira essa conversa para a mãe, admirada, mas Jeanie não se surpreendeu. Sally cuidaria de George sem fazer perguntas e sem conhecer sua história. Era uma mulher forte e compreensiva, com um senso de humor contagiante, capaz de oferecer a George a tranquilidade que Jeanie já não proporcionava. Jeanie ficara feliz por ele. Todos se preocupavam com a vulnerabilidade de George, mas, como Rita costumava dizer, ele sabia conseguir o que queria.
— Pobre Chanty... — comentara Jeanie com Ray. — Provavelmente ela tinha certeza de que os pais passariam o fim da vida perambulando por lojas de plantas no sudoeste do país.
— Jeanie. — Ray tentava acordá-la. A cabine quase não tinha luz.
— O que aconteceu?
— Não é nada, não fique preocupada. — Ele sorriu para ela. — Mas precisa levantar. O sol já vai nascer, e é um belo espetáculo!
Jeanie levantou-se em um instante, vestiu o short e a camiseta e seguiu Ray pela escada que levava ao deque. Eles tinham ancorado na noite anterior, após escurecer, em uma pequena enseada ao norte de Rogoznica. Quando chegaram ao deque, os primeiros raios de sol já surgiam de trás das montanhas, estendendo-se como uma trilha dourada sobre a água e abandonando as rochas íngremes que se precipitavam para o mar, ainda sombreadas em um tom púrpura, mas prestes a assumir uma cor mais clara durante o dia. O deque estava frio e tranquilo; ela sentiu a madeira lisa sob seus pés descalços. Só se ouvia o suave bater da água nas laterais do barco e o grito das aves marinhas.
Ray envolveu-a num abraço. Quando o sol os banhou, ele se virou para ela e acariciou-lhe o rosto, com um olhar puro e intenso na luz da manhã.
— Eu me sentia muito mal na última vez que estive aqui. Pensava que jamais a veria de novo. Esse paraíso parecia zombar de mim. — Seus olhos azuis encheram-se de lágrimas. — Mas o problema nunca é o lugar, não é? — observou, baixinho.
Jeanie não disse nada e apenas o beijou, sentindo o sabor do sal nos lábios de Ray e o vigor do corpo dele contra o seu. Depois, olhou para o céu e jogou um beijo imaginário pelo mar cintilante. Obrigada, Ellie. Obrigada, Dylan, murmurou.
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Hilary Boyd
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