Entre o Agora e o Nunca
— Tem Certeza que a gente ainda…
21
— TEM CERTEZA QUE a gente ainda tá na 55? — pergunto bem m ais tarde, depois que escurece e parece que não vej o nenhum carro indo nem vindo há um a eternidade.
Só cam pos, árvores e um a vaca aqui e ali.
— Sim , gata, esta ainda é a 55, eu verifiquei.
Quando ele diz isso, passam os por m ais um a placa que realm ente diz: 55.
Me levanto do braço de Andrew, sobre o qual m inha cabeça esteve encostada por um a hora, e com eço a espreguiçar os braços, as pernas e as costas. Me curvo e m assageio as panturrilhas, em seguida; acho que cada m úsculo do m eu corpo endureceu feito cim ento em volta dos ossos.
— Precisa sair e esticar um pouco as pernas? — Andrew pergunta.
Olho para o rosto dele nas som bras; um tom levem ente azulado tinge sua pele. Seu m axilar esculpido parece m ais pronunciado no escuro.
— Preciso — respondo, e m e debruço sobre o painel para ver m elhor pelo para-brisa com o é a paisagem . Claro. Cam pos e árvores e (lá vai outra vaca) eu j á devia saber. Mas então noto o céu. Me esprem o m ais contra o painel e olho para cim a, para as estrelas envelopadas na escuridão infinita, notando com o é fácil enxergá-las e quantas são, sem nenhum a luz artificial num raio de quilôm etros.
— Quer sair e andar um pouco? — ele pergunta, ainda esperando o resto da m inha resposta.
Tenho um a ideia, sorrio am plam ente para ele e balanço a cabeça.
— Acho um a ótim a ideia. Tem um cobertor no porta-m alas?
Ele m e olha por um m om ento, curioso.
— Tenho, sim , naquela caixa com coisas pra em ergências na estrada. Por quê?
— Sei que pode parecer clichê — com eço —, m as é um a coisa que eu sem pre quis fazer... Você j á dorm iu sob as estrelas? — Me sinto m eio boba perguntando, porque acho que é m eio clichê, e nada em Andrew, até agora, chegou perto de ser clichê.
Seu rosto se abre num sorriso terno.
— Na verdade, não, nunca dorm i sob as estrelas; tá ficando rom ântica de repente, Cam ry n Bennett? — Ele m e olha com um a expressão brincalhona.
— Não! — Eu rio. — Vai, falando sério; acho que é a oportunidade perfeita. — Gesticulo na direção do para-brisa. — Olha o tam anho desses cam pos.
— É, m as a gente não pode estender um cobertor num a plantação de algodão ou de m ilho — ele diz —, e a m aior parte do tem po esses cam pos têm água pelo tornozelo.
— Mas nos pastos só tem gram a e bosta de vaca — retruco.
— Você quer dorm ir no lugar onde as vacas cagam ? — ele diz casualm ente, m as com o m esm o hum or.
Dou um a risadinha.
— Não, só na gram a. Ah, vai... — Então lhe endereço um olhar provocador. — Que foi, tá com m edo de um pouco de bosta de vaca?
— Ha-ha! — Andrew balança a cabeça. — Cam ry n, não existe “um pouco” de bosta de vaca.
Volto para perto dele, deito a cabeça no seu colo e olho para cim a fazendo bico.
— Por favor? — Eu pisco várias vezes.
E tento sem sucesso não pensar no que a m inha cabeça está apoiada.
ANDREW
DERRETO COMPLETAMENTE QUANDO ELA m e olha desse j eito. Com o posso dizer não pra ela? Pode ser perto de um m onte de bosta de vaca ou debaixo de um a ponte, j unto com um sem -teto bêbado — eu dorm iria em qualquer lugar com ela.
Mas esse é o problem a.
Acho que se tornou um problem a assim que ela decidiu se sentar perto de m im no carro. Porque foi aí que ela m udou, que acho que com eçou a acreditar que quer m ais de m im do que sexo oral. Até fiz isso por ela em Birm ingham , m as não posso deixar que ela queira m ais. Não posso deixar que m e toque e não posso dorm ir com ela.
Eu quero Cam ry n, quero de todas as form as im agináveis, m as não consigo nem pensar em partir seu coração — aquele corpinho dela é outra história; eu adoraria j udiar dele.
Mas, se ela se entregar pra m im , é o que vai acontecer no final: vou partir o coração dela (e o m eu).
Ficou m ais difícil depois que ela m e falou do ex...
— Por favor — Cam ry n diz m ais um a vez.
Apesar de esbravej ar com igo m esm o m entalm ente, passo o dedo no contorno do seu rosto e digo bem baixinho:
— Tá.
Nunca fui o tipo de cara que ouve a voz da razão quando quero algum a coisa, m as com Cam ry n estou m andando a razão se foder m uito m ais do que de costum e.
Mais dez m inutos dirigindo e encontro um pasto que parece um m ar de gram a infinito e plano, e paro o carro na beira da estrada. Estam os literalm ente no m eio do nada.
Saím os e eu tranco as portas, deixando tudo dentro do carro. Abro o porta-m alas e m exo na caixa de em ergência, procurando o cobertor enrolado, que cheira a carro velho e um pouco tam bém a gasolina.
— Tá fedendo — digo, dando um a fungada.
Cam ry n se curva e inspira, torcendo o nariz.
— Tudo bem , eu não ligo.
Nem eu. Sei que ela vai deixar um cheiro m elhor nele.
Sem nem pensar a respeito, dou a m ão para ela, descem os um a pequena encosta para um a vala e subim os pelo outro lado até um a cerca baixa que nos separa do pasto.
Com eço a procurar a m aneira m ais fácil de Cam ry n passar pela cerca. Quando dou por m im , ela soltou m inha m ão e está escalando aquela porra.
— Rápido! — ela diz, pousando agachada do outro lado.
Não consigo parar de sorrir.
Salto por cim a da cerca, pouso ao lado dela e saím os correndo pelo cam po; ela com o um a gazela graciosa, eu com o um leão que a persegue. Ouço os chinelos de dedo de Cam ry n batendo em seus pés quando ela corre, e vej o m echas de cabelo louro se ilum inando ao redor da sua cabeça quando a brisa os agita. Seguro o cobertor com um a m ão enquanto corro atrás dela, deixando-a ficar alguns passos à m inha frente; assim , se ela cair, vou poder prim eiro rir de sua cara e depois aj udá-la a levantar. Está tão escuro, só com o luar ilum inando a paisagem . Mas há luz suficiente para enxergarm os onde estam os pisando sem cair em algum a vala ou tropeçar num a árvore.
E não vej o nenhum a vaca, o que significa que pode ser um cam po sem bosta, o que é um a vantagem .
Nos afastam os tanto do carro que a única parte dele que consigo ver é o brilho refletido pelas rodas crom adas.
— Acho que aqui tá bom — Cam ry n diz, parando, sem fôlego.
As árvores m ais próxim as ficam a uns 30 ou 35 m etros em qualquer direção.
Ela ergue os braços bem acim a da cabeça e levanta o queixo, deixando a brisa acariciar seu corpo. Está sorrindo tanto, de olhos fechados, que não quero dizer nada para não perturbar seu m om ento com a natureza.
Desenrolo e estendo o cobertor no chão.
— Fala a verdade — ela diz, segurando m eu pulso e m e fazendo sentar no cobertor ao lado dela —, nunca passou m esm o a noite sob as estrelas com um a garota?
Balanço a cabeça.
— É verdade.
Ela parece gostar de saber disso. Eu a observo sorrir para m im enquanto um vento leve passa entre nós e espalha fios de cabelo sobre o seu rosto. Ela tira algum as m echas de cim a dos lábios, passando os dedos com cuidado.
— Não sou o tipo de cara que espalha pétalas de rosa na cam a.
— Não? — ela diz, um pouco surpresa. — Na verdade, acho que você deve ser um cara bem rom ântico.
Dou de om bros. Ela está j ogando um verde? Acho que está.
— Bom , depende da tua definição de rom ântico — respondo. — Se um a garota espera um j antar à luz de velas com Michael Bolton tocando ao fundo, com certeza escolheu o cara errado.
Cam ry n ri.
— Bom , isso é um pouco rom ântico dem ais — ela diz —, m as aposto que você j á foi capaz de gestos rom ânticos.
— Acho que sim — respondo, sinceram ente não m e lem brando de nenhum , no m om ento.
Ela m e olha com a cabeça inclinada para um lado.
— Você é um daqueles — diz.
— Um daqueles o quê?
— Caras que não gostam de falar das suas ex.
— Você quer saber das m inhas ex?
— Claro.
Cam ry n se deita de costas, com os j oelhos nus levantados, e bate a m ão no lugar ao seu lado no cobertor.
Deito ao lado dela na m esm a posição.
— Me fala do teu prim eiro am or — ela pede, e eu j á sinto que não deveríam os ter essa conversa, m as se é disso que Cam ry n quer falar, vou fazer o m elhor que posso para contar o que ela quer saber.
Acho que é j usto, j á que ela m e falou do seu.
— Bom — digo, olhando para o céu estrelado —, ela se cham ava Danielle.
— E você a am ava? — Cam ry n olha para m im , deitando a cabeça de lado.
Continuo olhando as estrelas.
— Am ava, sim , m as não era pra ser.
— Quanto tem po vocês ficaram j untos?
Me pergunto por que ela quer saber; a m aioria das garotas que conheço entra naquele m odo de ciúm e m ercurial que m e faz querer proteger m inhas bolas sem pre que com eço a falar das m inhas ex.
— Dois anos — respondo. — O fim foi m útuo; a gente com eçou a se interessar por outras pessoas, e acho que chegam os à conclusão de que o am or não era tão grande assim .
— Ou então o am or sim plesm ente acabou.
— Não, a gente nunca chegou a se apaixonar m esm o.
Só olho para ela, desta vez.
— Com o você sabe a diferença? — ela pergunta.
Penso nisso por um m om ento, exam inando seus olhos, que estão a uns 30 centím etros dos m eus. Posso sentir o cheiro de canela da sua pasta de dentes quando ela respira.
— Acho que o am or nunca acaba de verdade quando a gente am a alguém — digo, e vej o um pensam ento passar por seus olhos. — Acho que quando você se apaixona, quando am a de verdade, é am or pra vida inteira. Todo o resto são só experiências e ilusões.
— Não sabia que você era tão filosófico. — Ela sorri. — Preciso te avisar que isso tam bém é rom ântico.
Norm alm ente é Cam ry n quem fica verm elha, m as desta vez a danada m e pegou.
Tento não olhar para ela, m as não é fácil.
— Então quem você am ou de verdade? — ela pergunta.
Estico as pernas à m inha frente, pondo um tornozelo sobre o outro e cruzando os dedos na barriga. Olho para o céu, e com o canto do olho, vej o Cam ry n fazer o m esm o.
— Sinceram ente?
— Sim — ela diz —, tô curiosa, só isso.
Olho para um grupo brilhante de estrelas no céu e digo: — Bom , ninguém .
Ela solta ar pelos lábios, bufando um pouco.
— Ah, por favor, Andrew; você não disse que ia ser sincero?
— Eu tô sendo sincero — digo, olhando para ela —, algum as vezes achei que tava apaixonado, m as... por que a gente tá falando disso, afinal?
Cam ry n deita a cabeça de novo e não está m ais sorrindo. Parece um pouco triste.
— Acho que eu tava te usando com o m eu analista de novo.
Meus olhos se aproxim am .
— Com o assim ?
Ela desvia o olhar; sua linda trança loura cai do om bro sobre o cobertor.
— Porque tô com eçando a achar que talvez eu não estivesse... Não, não posso dizer um a coisa dessas. — Ela não é m ais a Cam ry n feliz e sorridente que correu para cá com igo.
Ergo as costas do cobertor e m e apoio nos cotovelos. Olho para ela, curioso.
— Você pode dizer tudo o que sente, sem pre que precisar. Talvez dizer sej a exatam ente o que você precisa.
Ela nem m e olha.
— Mas m e sinto culpada só de pensar nisso.
— Bom , sentim ento de culpa é foda, m as, se você tá pensando nisso, não acha que pode ser verdade?
Ela deita a cabeça de novo.
— Diz e pronto. Se depois de dizer você achar que não foi certo, aí pode trabalhar isso, m as se ficar segurando essas coisas, a incerteza vai ser ainda m ais foda do que a culpa.
Cam ry n olha para as estrelas de novo. Tam bém olho, só para lhe dar tem po de pensar.
— Talvez eu nunca tenha sido apaixonada pelo Ian — ela confessa. — Eu o am ava, m uito, m as se estivesse apaixonada por ele... acho que talvez ainda estaria.
— É um a boa observação — digo, e sorrio discretam ente, esperando que ela tam bém possa sorrir de novo. Odeio vê-la de testa franzida.
Seu rosto está neutro, contem plativo.
— E o que faz você achar que nunca foi apaixonada por ele?
Ela m e olha de frente, analisando m eu rosto, e depois responde: — Porque quando tô com você, j á não penso m ais tanto nele.
Me deito de novo im ediatam ente e dirij o o olhar para o céu negro. Provavelm ente conseguiria contar todas aquelas estrelas se tentasse, só para m e distrair, m as tem um a distração m uito m aior do que todas as estrelas do universo deitada ao m eu lado.
Preciso dar um fim nisso, e logo.
— Bom , eu sou ótim a com panhia — digo, com um sorriso na voz. — E fiz você arrastar essa bundinha pra todo lado na cam a naquela noite, então acho norm al que estej a m ais inclinada a pensar na m inha cabeça no m eio das tuas pernas do que em qualquer outra coisa. — Só estou tentando fazê-la voltar ao seu hum or brincalhão, ainda que isso signifique que ela vai m e dar um soco e m e acusar de quebrar a prom essa do “com o se nunca tivesse acontecido”.
E eu levo m esm o um soco, depois que Cam ry n se apoia nos cotovelos, com o fiz.
Ela ri.
— Seu babaca!
Rio m ais alto; eu j ogaria a cabeça para trás, se j á não estivesse encostada no chão.
Então ela chega m ais perto de m im , apoiada num cotovelo e m e olhando. Sinto a m aciez do seu cabelo roçando o m eu braço.
— Por que você não m e beij a? — ela pergunta, e isso m e surpreende. — Quando você m e chupou ontem , não m e beij ou nenhum a vez. Por quê?
— Beij ei você sim .
— Não beij ou-beij ou — ela discorda, e está tão perto dos m eus lábios que quero beij á-
la agora, m as não faço isso. — Não sei o que achar disso; não gosto do que acho, m as não tenho certeza do que deveria achar.
— Bem , você não devia achar ruim , isso eu sei — respondo, sendo tão vago quanto possível.
— Mas por quê? — ela sonda, e sua expressão com eça a ficar m ais dura.
Capitulo e confesso:
— Porque beij ar é m uito íntim o.
Ela inclina a cabeça.
— Então você não m e beij a pelo m esm o m otivo que não m e com e?
Fico de pau duro na hora. Torço m uito para que ela não perceba.
— Sim — respondo, e antes que eu possa dizer m ais algum a coisa, ela sobe no m eu colo. Porra, se ela ainda não sabia que m eu pau está duro com o um ferro, agora com certeza sabe. Seus j oelhos nus estão apoiados no cobertor dos dois lados do m eu corpo e ela se abaixa, sustentando seu peso com os braços, e praticam ente m orro quando seus lábios roçam os m eus.
Ela m e olha nos olhos e diz:
— Não vou tentar te forçar a dorm ir com igo, m as quero que m e beij e. Só um beij o.
— Por quê? — pergunto.
Ela precisa m esm o sair do m eu colo. Puta m erda... não tá aj udando nada saber que m eu pau tá encaixado bem no m eio da bunda dela, agora. Se ela deslizar 2 centím etros pra baixo...
— Porque quero saber com o é o teu beij o — ela suspira na m inha boca.
Minhas m ãos sobem pelas pernas e pela cintura dela, e eu cravo os dedos no seu corpo. Seu cheiro é bom pra caram ba. A sensação é incrível, e ela só está sentada em cim a de m im . Não consigo nem com eçar a im aginar com o ela é por dentro; a ideia m e deixa louco.
Então sinto que ela se aperta contra m im por cim a das roupas, sua bundinha se m exendo suavem ente, só um a vez para m e convencer, e aí ela para e fica im óvel no lugar. Estou latej ando tanto que dói. Seus olhos vasculham m eu rosto e m eus lábios, e tudo o que quero é arrancar suas roupas e enterrar m eu pau nela.
Cam ry n se curva e encosta os lábios nos m eus, enfiando a língua quente na m inha boca relutante. Minha língua se m ove devagar sobre a dela, saboreando-a prim eiro, sentindo sua um idade quente quando com eça a se enroscar na m inha. Respiram os fundo um dentro da boca do outro e, incapaz de resistir ou negar aquele beij o, seguro seu rosto com as duas m ãos e a pressiono com força contra m im , fechando m eus lábios sobre os dela com um ím peto selvagem .
Ela gem e na m inha boca e eu a beij o com m ais força, passando um braço em suas costas e puxando o resto do seu corpo m ais para perto.
E então o beij o se interrom pe. Nossos lábios ficam próxim os por um longo m om ento, até que Cam ry n se afasta e m e olha com um a expressão enigm ática que nunca vi, que faz algo com m eu coração que nunca senti.
E então seu rosto fica triste e seu sem blante m urcha na escuridão, substituído por algo confuso e m agoado, que ela tenta esconder sorrindo para m im .
— Beij ando assim — ela diz, com um sorriso brincalhão que parece m ascarar algo m ais profundo —, acho que você nem precisa dorm ir com igo.
Não posso deixar de rir; é m eio ridículo, m as vou deixar que ela acredite no que quiser.
Ela desce do m eu colo e se deita ao m eu lado de novo, apoiando a nuca sobre seus dedos cruzados.
— São lindas, não são?
Sigo seu olhar para as estrelas, m as não as vej o, na verdade; só consigo pensar nela e naquele beij o.
— É, são lindas.
E você tam bém ...
— Andrew?
— Sim ?
Continuam os a olhar para o céu.
— Eu queria te agradecer.
— Por quê?
Cam ry n responde depois de um a pausa.
— Por tudo: por m e fazer socar tuas roupas na m ochila em vez de dobrá-las, por abaixar o volum e no carro pra não m e acordar e por cantar alto na Waffle House. — Ela deita sua cabeça e eu tam bém . Me olhando nos olhos, diz: — E por m e fazer sentir que estou viva.
Um sorriso aquece m eu rosto, desvio o olhar e digo: — Bom , todo m undo precisa de aj uda pra se sentir vivo de novo, de vez em quando.
— Não — Cam ry n corrige, séria, e m eu olhar volta para ela —, eu não disse de novo, Andrew; por m e fazer sentir que estou viva pela prim eira vez.
Meu coração reage às palavras dela, e não consigo responder. Mas tam bém não consigo desviar o olhar. A razão está gritando com igo de novo, m e m andando parar com isso antes que sej a tarde dem ais, m as não consigo. Sou egoísta dem ais.
Cam ry n sorri delicadam ente, retribuo o sorriso e voltam os a olhar para as estrelas. A noite quente de j ulho está perfeita, com a brisa leve soprando pelo espaço aberto e nenhum a nuvem no céu. Milhares de grilos, sapos e alguns bem -te-vis cantam pela noite.
Sem pre gostei de ouvir esses pássaros.
A calm a é destruída de repente pela voz estridente de Cam ry n, e ela salta de pé do cobertor m ais depressa do que um gato de dentro de um a banheira.
— Um a cobra! — Ela está apontando com um a m ão, e a outra cobre sua boca. — Andrew! Tá ali! Mata ela!
Eu pulo de pé quando vej o um a coisa preta rastej ando sobre o pé do cobertor. Salto para trás para m anter a distância, e então m e preparo para pisoteá-la.
— Não, não, não, não! — Cam ry n grita, agitando as m ãos à sua frente. — Não m ata ela!
Eu pisco, confuso.
— Mas você falou pra m atar.
— Bom , eu não quis dizer literalm ente!
Ela ainda está descontrolada, com as costas levem ente encurvadas para frente, com o se estivesse protegendo o resto do corpo da cobra, o que é um a com édia.
Levanto as m ãos com as palm as para cim a.
— O que você quer que eu faça? Quer que eu finj a que tô m atando? — Eu rio, balançando a cabeça ao vê-la tão engraçada.
— Não, é que... agora não vou conseguir dorm ir aqui de j eito nenhum . — Ela segura o m eu braço. — Vam os em bora. — Ela está literalm ente trem endo, e tentando não rir e chorar ao m esm o tem po.
— Tá — digo, e m e abaixo para recolher o cobertor, agora que a cobra foi em bora. Eu o agito só com um a das m ãos, j á que Cam ry n está segurando a outra com o se sua vida dependesse disso. Depois, com eçam os a voltar para o carro.
— Odeio cobras, Andrew!
— Percebi, gata.
Estou fazendo um a força danada para não rir.
Enquanto andam os pelo cam po, Cam ry n com eça a m e puxar um pouco, apertando o passo. Ela dá um gritinho quando seu pé quase descalço pisa num inofensivo torrão de terra m acia, e percebo que talvez não consigam os voltar para o carro antes que ela desm aie.
— Vem cá — digo, parando sua m archa. Eu a puxo para trás de m im e a aj udo a subir nas m inhas costas, segurando-a de cavalinho na m inha cintura pelas coxas.