Entre o Agora e o Nunca

J. A. Redmerski · Capítulo 27 de 33

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Entre o Agora e o Nunca

Minutos Depois, Andrew volta para o quarto…

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MINUTOS DEPOIS, ANDREW volta para o quarto trazendo suas m ochilas e o violão do irm ão.

Ele está m esm o em polgado com a ideia.

Eu estou com pletam ente apavorada e j á querendo m e estapear por ter concordado.

Mas preciso adm itir que tam bém sinto um a pontinha de em polgação. Não fico totalm ente em pânico diante de um a plateia — não tive problem as para fazer um discurso sobre espécies am eaçadas de extinção no colegial, nem para fazer o papel da enferm eira Ratched em Um Estranho no Ninho na peça do últim o ano. Mas cantar é diferente. Não sou tão m á atriz. Minha voz, especialm ente em dueto com alguém com o Andrew, que canta com o um deus do blues-rock que derrete calcinhas, é outra história.

— Pensei que você não quisesse ouvir o tipo de m úsica que eu gosto.

Andrew deixa as m ochilas no chão e vai para a cam a com o violão.

— Bom , essa canção que você tava cantando e dançando tão bonitinha, sej a qual for, passa. Eu tava gostando.

— The Civil Wars; m inha banda preferida do m om ento, acho — digo, saindo do banheiro de cabelo m olhado, enxugando as pontas com um a toalha (decidi lavar o cabelo de novo depois que Andrew chegou com os produtos). — O nom e da canção é Barton Hollow.

— É tipo um folk m oderno — ele diz, dedilhando o violão algum as vezes. — Gostei.

Ele continua, olhando para m im :

— Cadê o seu celular?

Vou pegá-lo da sacada da j anela, volto a m úsica para o início e entrego para ele. Ele o coloca sobre a cam a ao seu lado e aperta play . Continuo enxugando m eu cabelo enquanto ele aprende a m elodia de ouvido, parando e com eçando a m úsica inúm eras vezes, fechando os dedos ao redor do braço do violão e testando o som das cordas até encontrar as certas, que correspondem às notas da canção. Em questão de m inutos, depois de alguns acordes desafinados, ele com eça a tocar o prim eiro com passo facilm ente.

E quando anoitece, j á tirou praticam ente toda a canção, com exceção de um trecho curto que ele sem pre confunde com outro. Querendo aprender o m ais rápido possível, ele acabou procurando as cifras na internet, e, quando as encontrou, isso certam ente acelerou o processo.

A letra foi m ais fácil.

— Acho que j á quase aprendi — Andrew diz, sentado no parapeito diante de um a paisagem escura e nublada, chuvosa. Com eçou a chover por volta das oito da noite e não parou m ais.

De vez em quando, m e j unto a ele e canto um pouco, m as estou nervosa dem ais. Não sei m esm o com o vou conseguir fazer um a loucura dessas, se j á fico nervosa só com ele no quarto. Lá se vai m inha coragem diante de qualquer plateia. Prevej o um caso extrem o de pânico do palco, no fim das contas.

— Vem , gata — ele diz com um aceno, com os dedos no braço do violão —, só porque você conhece a letra, não significa que não tenha que ensaiar com igo.

Me sento no pé da cam a, em burrada.

— Prom ete que não vai fazer nenhum a cara engraçada, nem rir, nem sorrir, nem ...

— Não vou nem respirar — ele diz, rindo. — Juro! Vam os lá.

Suspiro e m e levanto, deixando m eu stick de carne-seca sem idevorada em cim a do criado-m udo. Andrew posiciona o violão sobre a coxa e tom a um golinho de chá gelado, preparando a boca para cantar.

— Não se preocupe — diz, enquanto m e aproxim o lentam ente —, o cara tem m ais versos sozinho do que a garota; ela só faz um solo, o resto você vai cantar j unto com igo.

Dou de om bros, nervosa.

— É verdade — adm ito. — Pelo m enos, na m aior parte da canção, tua voz vai aj udar a encobrir a m inha.

Ele coloca a palheta nos lábios e estende a m ão para m im .

— Am or, vem cá.

Ando até lá, pego sua m ão e ele m e puxa entre suas pernas, o violão entre nós.

Quando fico parada e estou onde ele quer, Andrew tira a palheta da boca.

— Adoro a tua voz, tá? Mas m esm o se você não soubesse cantar, eu ia querer que você fizesse isso. O que os outros pensam não im porta.

Meus lábios se erguem num sorriso inseguro e tím ido.

— Tá — digo. — Vou fazer isso por você, m as é só por você; trate de se lem brar disso.

— Aponto severam ente para ele. — Vai ficar m e devendo um a.

Ele balança a cabeça.

— Antes de m ais nada, não quero que faça isso só por m im , m as, com o ensaiar é m ais im portante do que discutir com você sobre isso, vou esperar até depois de cantar no Old Point pra perguntar se você aproveitou algum a coisa, além de m e contentar.

— Acho que é j usto.

Ele balança a cabeça um a vez, se posiciona novam ente, e então com eça a encostar a palheta nas cordas.

— P-peraí... talvez se você tam bém ficar de pé, não vou m e sentir tão isolada.

Andrew ri e se levanta da sacada.

— Caram ba, garota, tá, vam os fazer do j eito que você quiser. Se resolver cantar com um saco de papel na cabeça, você pode.

Olho para ele com o se estivesse apreciando a ideia idiota.

— Não, Cam ry n, nada de saco na cabeça. Agora vam os fazer isso de um a vez.

Ensaiam os até bem tarde, até que fom os obrigados a parar porque, aparentem ente, estávam os incom odando os hóspedes dos dois lados. E bem na hora que eu estava com eçando a pegar o j eito de verdade e m e soltando m ais, sem m e preocupar com o que Andrew poderia pensar da m inha voz.

Acho que eu estava cantando bastante bem .

Vam os para a cam a m ais cedo, j á que o ensaio foi interrom pido, nos deitam os enroscados um ao lado do outro e ficam os conversando.

— Fico feliz por você ter se enchido das m inhas besteiras — digo, deitada na dobra do braço dele. — Senão eu poderia estar de volta à Carolina do Norte, agora.

Sinto seus lábios pressionando o m eu cabelo.

— Preciso confessar um a coisa — ele diz.

Aguço os ouvidos.

— Hã?

— É — ele diz, olhando para o teto, onde luzes do m ovim ento da cidade lá fora traçam estranhos desenhos de vez em quando. — Em Wellington, no Kansas, no prim eiro m otel que a gente parou, quando você tava no banheiro de m anhã e eu dei dois m inutos pra você se aprontar... — Andrew para e sinto sua cabeça se m over um pouco, com o se ele estivesse olhando para m im .

Afasto a cabeça do braço dele para poder olhá-lo.

— Lem bro, sim ; o que você fez?

Ele abre um sorriso nervoso.

— Eu m eio que fotografei tua carteira de m otorista com m eu celular.

Eu pisco, levem ente atordoada.

— Por quê? — Levanto um pouco m ais o corpo para poder olhar para ele sem correr o risco dos m eus olhos virarem nas órbitas.

— Você tá brava?

Eu bufo.

— Acho que depende do que você pretendia fazer com essa inform ação um tanto pessoal.

Ele desvia o olhar, m as vej o seu rosto corando, m esm o na escuridão do quarto.

— Bom , com certeza não foi pra poder te encontrar depois e te picar em pedacinhos, nada disso.

Meu queixo cai.

— Nossa, que alívio! — Rio. — Mas, falando sério, por que você tirou a foto?

Ele olha para o teto de novo, aparentem ente perdido em pensam entos.

— Eu só queria ter certeza de que poderia te achar novam ente — ele confessa —, sabe... pro caso de cada um decidir seguir seu cam inho.

Meus olhos sorriem para ele, m as m inha boca não. Não estou brava por ele ter tirado a foto por esse m otivo — isso m eio que m e faz querer beij á-lo —, m as não sei se gosto dessa parte do “pro caso de cada um ” tam bém . Isso m e faz achar, m ais do que eu j á achava, que ele planej ava ir em bora em algum m om ento, independente do que acontecesse.

— Andrew?

— Sim , gata?

— Tem m ais algum a coisa que você não tá m e contando?

Ele fica em silêncio.

— Não. Por que tá perguntando isso?

Olho para o teto tam bém .

— Não sei, m as sem pre senti um a estranha... relutância em você.

— Relutância? — Andrew exclam a, surpreso. — Eu relutei pra te convencer a fazer esta viagem com igo? Ou pra te chupar?

— Não, acho que não.

— Cam ry n, a única coisa que j á m e fez relutar foi m e perguntar se era certo a gente ficar j unto.

Ergo o corpo da cam a e m e viro com pletam ente para olhá-lo. A som bra no seu rosto deixa seus olhos m ais ferozes. Ele está sem cam isa, com um braço dobrado atrás da cabeça.

— Você acha que não estam os certos?

Essa conversa está com eçando a revirar m eu estôm ago.

Ele estende a m ão que não está atrás da sua cabeça e segura m eu pulso com delicadeza.

— Não, gata, eu... eu acho que estam os certos de todas as m aneiras... e por isso penso... por isso pensei que fosse m elhor a gente não se envolver.

— Mas isso não faz o m enor sentido.

Ele m e puxa para si e m e deito nele, com as m ãos no seu peito.

— Eu só não tinha certeza se a gente devia ir em frente — ele diz, passando os dedos no cabelo atrás das m inhas orelhas. — Mas, gata, você tam bém não tinha m uita certeza de nada.

Volto a m e deitar ao seu lado. Nisso ele tem razão.

A única coisa que ainda não entendo é: quais eram as razões dele para tom ar tanto cuidado para não se envolver, afinal? Ele sabe por que saí de casa, e sabe tudo sobre a m orte de Ian. Tenho um a lista quilom étrica de m otivos válidos presa na porta da geladeira com um ím ã em form a de banana, pra todo m undo ver. Os m otivos de Andrew ainda estão escondidos em algum lugar, dentro de um a caixa de sapatos com “Cartões de Natal” escrito na tam pa.

E eu acho que não é só o pai dele.

Andrew tira o braço de baixo da m inha cabeça e sobe em m im , com um a perna de cada lado, seu corpo apoiado nos braços m usculosos.

— Fico feliz por você não conseguir dorm ir com m úsica — ele diz, aparentem ente lem brando a prim eira coisa que falei para ele, e então se abaixa e m e beij a.

Levanto os braços e aninho seu rosto lindo nas m inhas m ãos, puxando-o para baixo para m e beij ar de novo.

— E eu fico feliz por Idaho ser fam oso por suas batatas.

Ele franze o cenho.

Apenas sorrio e o puxo para os m eus lábios de novo. Ele m e beij a profundam ente, enroscando sua língua na m inha. E então com eça a m e beij ar descendo para a barriga.

Faz um círculo ao redor do m eu um bigo com a língua e enfia os dedos por baixo do elástico da m inha calcinha.

— Acho que não consigo... — digo baixinho, olhando para ele.

Andrew lam be m inha barriga e beij a m eus dedos quando m inhas m ãos alcançam seu rosto e depois seu cabelo.

— Nada de sexo — diz —, e prom eto que vou te chupar com cuidado. — Ele tira m inha calcinha e eu levanto um pouco a bunda para facilitar.

Ele beij a a parte de dentro da m inha coxa. Depois, a outra.

— Vou m anter m inha língua bem úm ida pra não arder — ele diz com delicadeza, e beij a m inhas coxas de novo, chegando m ais perto do m eu calor.

Gem o um pouco quando seus dedos m e tocam bem cuidadosam ente e abrem m eus lábios.

— Cacete, am or, você tá inchada m esm o. — Seu com entário é sincero, sem nenhum sinal de provocação.

Arde um pouco, m as, m eu Deus, quero tanto isso...

Sinto seu hálito quente no m eio das m inhas pernas.

— Vou tom ar bastante cuidado — ele diz, e fico sem ar quando sua língua m uito úm ida m e lam be um a vez lentam ente, seus dedos ainda m e m antendo aberta, m as sem exercer pressão sobre a área.

Meu corpo derrete nos lençóis quando ele m e lam be várias vezes, usando só pressão suficiente para que eu não sinta dor, apenas um êxtase com pleto e desinibido.

Estam os ensaiando Barton Hollow há dois dias, sobretudo no nosso quarto no Holiday Inn, m as j á fom os andando até o Mississippi no final da Canal Street e ensaiam os um pouco ali tam bém . Acho que Andrew teve essa ideia para tentar discretam ente m e deixar m ais à vontade para cantar em público. Não havia m uita gente lá quando fom os, m as m esm o assim eu estava nervosa pra caram ba. A m aioria passava sem parar para ouvir (não estávam os dando um espetáculo com pleto, m uitas vezes parávam os e com eçávam os de novo em várias partes da m úsica, então não havia m uito para se ouvir m esm o), m as um a ou outra pessoa ficava um pouco, ao passar. Um a m ulher sorriu para m im . Mas não sei se foi um sorriso de pena porque sou péssim a, ou se ela realm ente gostou da m inha voz.

Acho que podia ser um a coisa ou outra.

No terceiro dia, Andrew tem certeza de que j á estam os prontos e está preparado para ir ao Old Point logo e se apresentar.

Eu, nem tanto. Preciso de m ais um a ou duas sem anas, m eses ou anos.

— Você vai conseguir — ele diz, am arrando as botas. — Na verdade, vai arrasar.

Quando term inar, vou precisar bater nos caras querendo te agarrar.

— Ah, para — digo, vestindo um top preto com alças de corrente bem lindinhas. De j eito nenhum vou usar tom ara que caia num a noite com o esta. — Eu vi com o as garotas te olhavam naquela noite; acho que cantar j unto com você é a única vantagem pra m im , porque todo m undo vai prestar atenção dem ais em você pra notar m eus erros.

— Am or, você conhece a canção m elhor do que eu — ele diz. — Para de ser tão pessim ista. — Sua cam iseta preta cobre seus m úsculos abdom inais. Ele está usando um cinto preto e prateado, m as só enfia a cam iseta um pouco em volta da fivela, deixando o resto por cim a dos seus quadris esculturais. Jeans escuro, o topete m eio arrepiado.

O que ele estava dizendo?

— A única coisa que você precisa lem brar — ele continua, enquanto passa desodorante — é de não cantar toda a letra; você poderia cantar m enos, m as continua cantando nas m inhas partes tam bém . — Ele ergue a sobrancelha, olhando para m im . — Não que isso m e incom ode, só achei que você ia ficar m ais tranquila tendo que cantar m enos.

— Eu sei, é que tô tão acostum ada a cantar j unto a m úsica toda... m eio difícil pegar o j eito de não cantar algum as partes.

Andrew balança a cabeça.

Enfio os pés nas m inhas sandálias novas e vou m e olhar no espelho alto ao lado do balcão da TV.

— Você tá tão sexy — Andrew diz, chegando por trás de m im .

Ele enfia as m ãos na m inha cintura e beij a m eu pescoço, depois dá um tapa na m inha bunda coberta pelo j eans j usto, quase aderente, e eu dou um gritinho, porque dói.

— E com o sem pre, gata, adoro as tranças. — Ele passa os polegares pelas duas tranças sobre m eus om bros e m e beij a alegrem ente na bochecha.

Eu m e encolho e o em purro, provocante.

— Vai borrar m inha m aquiagem .

Andrew se afasta sorrindo, pega a carteira do criado-m udo e enfia no bolso de trás.

— Bom , acho que é isso — ele diz.

Ele vai para o m eio do quarto e estende um a m ão para m im , com o outro braço dobrado às costas, e faz um a reverência, sorrindo. As pontas dos m eus dedos se aproxim am dos seus e ele pega a m inha m ão e m e puxa para a porta.

— E o violão?

Param os antes de abrir a porta e ele m e olha, agradecido.

— É, pode ser útil — diz, pegando o violão pelo braço. — Se Eddie não estiver lá, a gente pode dar azar e ficar sem um violão pra tocar.

— Ah, então eu não devia ter falado nada.

Ele balança a cabeça e m e puxa para a porta.