Entre o Agora e o Nunca
Jogamos Outra Partida, que ele ganha honestam…
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JOGAMOS OUTRA PARTIDA, que ele ganha honestam ente, e em seguida decido m e sentar à nossa m esa antes que estas sandálias novas com ecem a fazer bolhas nos m eus pés. Estou na m inha segunda Heineken, e ainda sinto o efeito só nos dedos dos pés e no fundo do estôm ago. Vou tom ar m ais um a pra dar um a onda legal.
— Quer j ogar, cara? — Um suj eito pergunta para Andrew quando ele está voltando para a nossa m esa.
Andrew m e olha e eu o libero com um gesto.
— Pode ir, tô legal. Vou ver m inhas m ensagens de texto e descansar um pouco os pés.
— Tudo bem , gata — ele diz —, só m e avisa se quiser ir em bora antes de eu acabar, que a gente vai.
— Tô de boa — digo, incentivando-o —, pode ir j ogar.
Ele sorri para m im e volta para a m esa, a m enos de cinco m etros dali. Pego m inha bolsa debaixo da m esa e a coloco na m inha frente para procurar o celular.
Com o eu suspeitava: Natalie encheu m eu telefone de m ensagens de texto, 16 ao todo, m as pelo m enos não tentou m e ligar. Minha m ãe tam bém não ligou, m as lem bro que ela ia fazer aquele cruzeiro com o novo nam orado neste fim de sem ana. Espero que estej a se divertindo. Espero que estej a se divertindo tanto quanto eu.
Um a nova canção com eça a sair dos alto-falantes no teto, e noto que a quantidade de pessoas no bar triplicou desde que chegam os. Em bora Andrew não estej a tão longe, só consigo ver seus lábios se m ovendo quando diz algum a coisa para o cara que está j ogando com ele. A garçonete volta, peço m ais um a cervej a e ela vai pegar, m e deixando com a Rainha das Mensagens de Texto. Natalie e eu trocam os algum as sobre o que ela fez hoj e e aonde irá esta noite, m as sei que é só encheção de linguiça, porque ela está m orrendo de vontade de saber m ais sobre m im em Nova Orleans com esse “cara m isterioso”, com quem ele se parece (não “com o ele é”, porque ela sem pre com para os caras com algum fam oso), e se eu j á “fiquei de quatro pra ele”. Dou só respostas vagas para torturá-la. Ela continua m erecendo, afinal. Além disso, ainda não estou pronta para falar de Andrew com ela. Com ninguém , na verdade. É com o se, falando dele, ainda que apenas para confirm ar que ele existe e que estam os j untos, toda esta experiência vá virar fum aça. Parece que vou quebrar o encanto. Ou acordar e descobrir que Blake pôs algum a coisa num dos drinques que m e serviu naquela noite antes de subirm os no telhado, e que toda esta viagem com Andrew foi apenas um a alucinação.
— Meu nom e é Mitchell — um a voz acim a de m im diz, acom panhada de um cheiro forte de uísque e colônia barata.
O cara tem físico m édio, tipo sarado-m as-não-sarado-dem ais. Seus olhos estão verm elhos, com o os do cara louro ao lado dele.
Sorrio encabulada e olho de relance para Andrew, que j á está vindo.
— Tô acom panhada — digo delicadam ente.
O cara sarado olha para a cadeira vazia e depois para m im , com o que para ressaltar o quanto ela está vazia.
— Cam ry n? — Andrew indaga, parando ao lado deles. — Tá tudo bem ?
— Tá, sim — digo.
O cara sarado se vira para olhar Andrew.
— Ela falou que tá tudo bem — argum enta, e posso ouvir o desafio em sua voz.
Eu não quis dizer “tá tudo bem , m e deixa em paz, Andrew”, e ele sabe disso, m as esses caras, pelo visto, não sabem .
— Ela tá com igo — Andrew diz, tentando perm anecer calm o, em bora provavelm ente só por m inha causa; ele j á está com aquela agressividade inconfundível no olhar.
O outro cara, o louro, ri.
O cara sarado olha para m im de novo, com um a garrafa de Budweiser na m ão.
— Ele é teu nam orado ou algo assim ?
— Não, m as a gente tá...
O cara sarado sorri provocativam ente e olha de novo para Andrew, m e interrom pendo.
— Você não é nam orado dela, então fica na sua, cara.
A agressividade acaba de se transform ar em fúria assassina. Andrew não vai conseguir se segurar por m uito tem po m ais.
Eu fico de pé.
— Vai ver que ela quer falar com a gente — o cara sarado provoca, e tom a m ais um gole de cervej a. Ele não parece bêbado, só um pouco alto.
Andrew chega m ais perto e inclina a cabeça para um lado, encarando o cara. Depois olha para m im :
— Cam ry n, você quer falar com eles?
Ele sabe que eu não quero, m as esse é o j eito de pôr sal na ferida que ele j á vai abrir nesse cara.
— Não, não quero.
Andrew coça o queixo e vej o suas narinas se abrindo quando ele chega perto do cara sarado e diz:
— Fica na sua você, senão tu vai engolir os dentes.
A pequena m ultidão que estava j ogando sinuca está se reunindo a distância.
O cara louro, o m ais esperto dos dois, põe a m ão no om bro do outro.
— Vem , cara, vam os voltar pra lá. — Ele acena para o lugar onde estavam antes.
O cara sarado afasta a m ão dele e chega m ais perto de Andrew.
Bastou isso.
Andrew levanta o taco de sinuca e bate com ele no peito do cara, derrubando-o e deixando-o sem fôlego. O cara cam baleia para trás, por pouco não derrubando m inha m esa, m as estende a m ão para se segurar na borda e m anter o equilíbrio. Dou um gritinho e pego m inha bolsa pouco antes de a m esa se estatelar no chão j unto com ele.
Minha cervej a se espatifa. Antes que o cara possa levantar, Andrew j á está em cim a dele, de pé, fazendo chover socos em seu rosto.
Me afasto m ais, fico m ais perto da escada, m as outras pessoas j á estão chegando para ver e criam um a barreira atrás de m im .
O cara louro pula em cim a de Andrew por trás, segurando-o pelo pescoço para tirá-lo de cim a do am igo. Aí eu pulo nele, batendo no seu rosto pelo lado com m eus punhos ridículos e a bolsa no om bro atrapalhando m eus golpes, balançando atrás de m im . Mas Andrew se desvencilha do cara louro facilm ente, fica atrás dele e lhe dá um pontapé nas costas, j ogando-o no chão.
Andrew segura o m eu pulso.
— Sai da frente, garota! — Ele m e em purra contra a m ultidão atrás de m im e volta para os dois caras num a fração de segundo.
O cara sarado finalm ente se levantou, m as não por m uito tem po, pois Andrew encaixa dois golpes nos dois lados de seu m axilar e um uppercut sanguinolento no queixo. Vej o um dente ensanguentado caindo no chão. Me encolho toda. O cara cai para trás sobre outra m esinha, derrubando-a tam bém . E quando o louro ataca Andrew de novo, o cara com quem Andrew estava j ogando entra na briga e o enfrenta, deixando Andrew com o cara sarado.
Quando os seguranças conseguem passar pela m ultidão para apartar a briga, Andrew j á deixou o cara sarado com os dois olhos roxos e as narinas j orrando sangue. O cara sarado cam baleia, com a m ão sobre o nariz, enquanto o segurança o puxa pelo om bro na direção da m ultidão.
Andrew afasta a m ão do outro segurança que veio atrás dele.
— Tô legal — ele am eaça, erguendo um a m ão e m andando o segurança se afastar enquanto lim pa um rastro de sangue do nariz com a outra. — Tô saindo, não precisa m e levar até a porta.
Eu m e aproxim o e ele pega a m inha m ão.
— Cam ry n, você tá bem ? Se m achucou? — Ele está m e olhando de alto a baixo com um olhar feroz e descontrolado.
— Não, tô bem . Vam os em bora.
Andrew aperta m inha m ão e m e puxa para o seu lado, atravessando a m ultidão, que se abre para ele.
Quando saím os para o ar noturno, a m úsica que em ana do bar desaparece com a porta se fechando. Os dois idiotas da briga j á estão do lado de fora, andando pela rua, o cara sarado ainda com a m ão no rosto ensanguentado. Andrew quebrou o nariz dele, tenho certeza.
Ele m e para na calçada e segura m eus antebraços.
— Não m ente pra m im , am or, você tá m achucada? Juro por Deus que se estiver vou atrás deles.
Ele está derretendo m eu coração m e cham ando de “am or”. E aquele seu olhar preocupado, feroz... só quero beij á-lo.
— É sério — insisto —, tô bem . Na verdade, até bati um pouco naquele cara quando ele te pegou por trás.
Ele tira as m ãos dos m eus braços e segura m eu rosto com as duas m ãos, m e exam inando com o se ainda não acreditasse.
— Não tô m achucada — digo um a últim a vez.
Ele aperta os lábios com força contra a m inha testa.
Depois segura a m inha m ão.
— Vam os voltar pro hotel.
— Não — discordo —, vam os nos divertir, e, que porra, fiquei sóbria por causa disso.
Ele inclina a cabeça para o lado e suaviza o olhar.
— Aonde você quer ir, então?
— Vam os pra outro clube — sugiro. — Sei lá, talvez algum m ais sossegado?
Andrew suspira profundam ente e aperta m inha m ão. Depois m e olha de alto a baixo de novo: prim eiro m eus pés, com as unhas pintadas despontando das sandálias, e depois o m eu corpo, até o top tom ara que caia, que precisa de uns aj ustes.
Solto a m ão dele, pego o tecido em cim a dos m eus peitos e puxo o top para que fique um pouco m elhor.
— Adorei tua roupa — ele diz —, m as vam os com binar que é um a distração pros babacas.
— Bom , não quero andar até o hotel só pra trocar de blusa.
— Não, não precisa fazer isso — ele diz, pegando m inha m ão de novo. — Mas, se quiser ir pra outro clube, vai ter que fazer um a coisa pra m im , tá?
— O quê?
— Só fingir que você é m inha nam orada — ele diz, e um sorrisinho aparece em m eus lábios. — Pelo m enos assim ninguém vai falar bosta pra você ou isso vai se sentir m enos encoraj ado.
Ele para, m e olha e diz:
— A não ser que você queira ser paquerada?
Im ediatam ente com eço a balançar a cabeça.
— Não. Não quero nenhum cara m e paquerando. Um flerte inocente, tudo bem ; é um a m aravilha pra m inha autoconfiança; m as nada de babacas.
— Que bom , com binado, então. Você é m inha nam orada sexy por esta noite, o que significa que posso te levar pro quarto m ais tarde e te fazer gem er um pouco. — Lá está novam ente aquele sorriso m aroto dele que adoro tanto.
Agora estou form igando no m eio das pernas. Engulo em seco e disfarço, apertando os olhos para ele, brincalhona.
Fico feliz só de ver suas covinhas de novo, em vez daquela expressão irada — em bora incrivelm ente sexy — que tom ava o seu sem blante agora há pouco.
— Por m ais que eu goste; bom , “gostar” é um a palavra bem leve; não vou m ais te deixar fazer isso.
Ele parece m agoado e um pouco chocado.
— Por que não?
— Porque, Andrew, eu... bom , não vou deixar e pronto. Agora vem cá. — Seguro seu pescoço com as duas m ãos e o puxo na m inha direção.
E então eu o beij o suavem ente, deixando m eus lábios colados aos dele depois.
— O que você tá fazendo? — ele pergunta, m e olhando nos olhos.
Sorrio docem ente para ele.
— Entrando na personagem .
Um sorriso puxa os cantos de sua boca. Ele m e vira e passa o braço na m inha cintura enquanto seguim os para a Bourbon Street.
ANDREW