Geriatria: Guia Prático
15 Osteoporose
Introdução
A osteoporose (OP) é um problema de saúde pública crescente e uma condição que ocorre predominantemente em idosos. É uma doença osteometabólica sistêmica caracterizada por diminuição da massa óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, o que resulta em aumento da fragilidade dos ossos e, em consequência, maior suscetibilidade a fraturas.
Fisiopatologia
Fatores como sexo e pico de massa óssea, entre outros, determinam a perda óssea. A partir da 4a década de vida, inicia-se um lento processo de perda óssea, que é diferente para o osso trabecular e o osso cortical.
Nos primeiros 10 anos após a menopausa, a perda óssea é, em média, de
0,3 a 2% ao ano, o que resulta em uma redução de 20 a 30% do osso trabecular e 5 a 10% do osso cortical.
A partir dos 60 anos, observa-se uma desaceleração da perda trabecular
e um aumento da velocidade de perda semelhante de osso trabecular e cortical. Ocorre um desequilíbrio entre reabsorção e formação óssea, e aquela passa a superar esta. Isso pode estar relacionado com formação deficiente ou atividade aumentada dos osteoclastos. A quantidade de osso formada pelos osteoblastos diminui progressivamente, e o adelgaçamento das trabéculas, que evoluem para perfuração e perda de conectividade, seria o produto final desse desequilíbrio, com aumento da fragilidade óssea e do risco de fraturas. A fisiopatologia da perda óssea está ilustrada em um
fluxograma na Figura 15.1.
Com o envelhecimento, instala-se gradualmente redução do cálcio
sérico, relacionada com queda de 25-hidroxivitamina D (25 [OH] vitamina D), secundária à redução da exposição aos raios solares, e piora do metabolismo de 25 (OH) para 1,25 (OH) vitamina D, por declínio da função renal. A redução da calcemia leva a hiperparatireoidismo secundário. A essas alterações somam-se os efeitos do hipoestrogenismo e a diminuição da função osteoblástica, fatores de risco importantes para OP.
Figura 15.1 Fisiopatologia da perda óssea associada ao envelhecimento. CA: cálcio; PTH: hormônio da paratireoide.
Trabalhos recentes mostram uma diminuição de IGF-I e TGF-b na
matriz óssea em idosos, que poderia justificar a redução do número e/ou da atividade dos osteoblastos.
Os principais reguladores locais da remodelação óssea são:
■ Receptor ativador do fator nuclear kappa beta (RANK) ■ RANK ligante (RANKL)
■ Osteoprotegerina (OPG).
A interação do RANKL com RANK induz a osteoclastogênese. A OPG
compete com RANKL. A regulação da atividade osteoclástica depende do
equilíbrio entre RANKL e OPG (Figura 15.2).
Classificação
A OP pode ser classificada como primária, ou fisiológica, e secundária.
Osteoporose primária ou fisiológica
Ocorre pelo processo de envelhecimento, classificada em tipo 1 (pós menopausa) e tipo 2 (senil).
Tipo 1
■ Conhecida como OP pós-menopausa, geralmente apresentada por
mulheres menos idosas, a partir dos 50 anos
■ Associada a insuficiência estrogênica do climatério ou condições que
induzem precocemente hipoestrogenismo
■ Caracterizada por alta reabsorção óssea, decorrente de atividade
osteoclástica acelerada e maior velocidade de perda no osso trabecular do que no osso cortical (efeitos mais evidentes na coluna do que nos ossos periféricos).
Figura 15.2 Situações que aumentam a osteoclastogênese por aumento da relação entre RANKL e OPG.
Tipo 2
■ Conhecida como OP senil ou de involução, é mais frequente em
mulheres mais idosas, a partir dos 70 anos, e ocorre também em homens
■ Caracterizada por reabsorção óssea normal ou ligeiramente aumentada e
atividade osteoblástica diminuída, com formação óssea reduzida
■ Tanto os ossos trabeculares quanto os corticais são acometidos, podendo
ocorrer fraturas na coluna vertebral, na pelve, em ossos longos, costelas, quadril e punho.
Osteoporose secundária
Ocorre quando outras doenças que comprometem a massa óssea são a causa
do surgimento da OP. A Tabela 15.1 lista resumidamente os fatores que podem acelerar a perda óssea.
Tabela 15.1 Fatores que podem acelerar a perda óssea.
Doenças endocrinológicas Hipertireoidismo
Hipopituitarismo
Hipogonadismo
Doença de Cushing
Hiperparatireoidismo primário
Distúrbios gastrintestinais Doença celíaca
Síndrome do intestino curto
Distúrbios hematológicos Mieloma múltiplo
Mastocitose sistêmica
Distúrbios renais Insu ciência renal crônica
Hipercalciúria idiopática
Distúrbios neuromusculares Distro a muscular
Paraplegia, quadriplegia
Miopatia proximal
Medicações Corticosteroides
Inibidor da bomba de prótons
Anticonvulsivantes
Acetato de medroxiprogesterona
Inibidor seletivo da recaptação de
serotonina
Tiazolidinedionas
Tiroxina em doses supra siológicas
Excesso de vitamina A
Inibidores da aromatase
De ciências nutricionais Cálcio, vitamina D e proteína
Manifestações clínicas e complicações
A OP é uma doença assintomática até que se complique com a ocorrência de fraturas. O risco de fratura em pacientes com OP aumenta em 40%. Pode ocorrer fratura com traumatismo mínimo, o que é muito importante no desfecho de saúde desses pacientes.
Os locais em que é mais comum a ocorrência de fraturas em idosos que
têm OP são vértebras e fêmur proximal.
Em relação às fraturas vertebrais, 2/3 são assintomáticas, e o restante
pode se manifestar como dor nas costas, perda de peso, cifose e limitação das atividades por alterações posturais.
Fraturas torácicas podem ocasionar doença pulmonar restritiva e as de
vértebras lombares, além de constipação intestinal, dor abdominal, distensão, redução do apetite e saciedade precoce.
Quando ocorrem no punho, as fraturas podem interferir no desempenho
de atividades específicas da vida diária. Já as fraturas de quadril podem levar a internação prolongada, imobilização, dependência funcional e aumento da mortalidade.
Após a ocorrência de uma fratura, pode haver: recuperação completa,
aumento do risco de novas fraturas, dor crônica, comprometimento funcional, sintomas psicológicos (depressão, perda da autoestima, ansiedade, medo de quedas) e aumento da mortalidade.
Diagnóstico
O diagnóstico é realizado pela mensuração da densidade mineral óssea (DMO) por meio de densitometria óssea. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), define-se OP quando T score < –2,5 DP na densitometria
óssea da coluna, do quadril e/ou do antebraço (Tabela 15.2). O diagnóstico também pode ser clínico, por fratura após traumatismo de baixa energia ou fratura por fragilidade.
Tabela 15.2 Classificação diagnóstica da osteoporose segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Categoria T score
Normal ≥ –1,0
Osteopenia Entre –1,0 e –2,5
Osteoporose ≤ –2,5
Osteoporose grave ≤ –2,5 + fratura por fragilidade*
*Fratura de fragilidade é definida como fratura de baixo impacto ou atraumática.
Densitometria óssea | Indicações
Há indicação para realização de densitometria óssea para:
■ Mulheres ≥ 65 anos
■ Homens ≥ 70 anos
■ Indivíduos a partir de 50 anos com fatores de risco clínicos para fratura,
como:
• Baixo peso corporal
• História de fratura
• História familiar de OP
• Tabagismo
• Etilismo
• Uso prolongado de determinados medicamentos, como
glicocorticoides e anticonvulsivantes.
Avaliação de pacientes
A avaliação dos pacientes com OP deve englobar: história clínica detalhada e exame físico para avaliação do risco de fratura e de outras condições que contribuem para perda de massa óssea, além de exames laboratoriais
básicos apresentados na Tabela 15.3.
Recomenda-se investigação de causas secundárias de perda óssea nos
pacientes com achados iniciais anormais e naqueles com escore Z baixo, a fim de detectar causas potencialmente reversíveis ou outros fatores contribuintes.
Recentemente, o trabecular bone score (TBS), método que estima a
microarquitetura óssea a partir de uma imagem de densitometria óssea da coluna lombar, foi associado a fraturas por fragilidade em indivíduos com diversas causas secundárias de OP, e dados preliminares sugerem que o uso do TBS pode melhorar a previsão de fratura quando incorporado à avaliação do risco de fratura (FRAX®, do inglês fracture risk assessment). Estudos transversais e prospectivos envolvendo um grande número de indivíduos mostraram que o TBS é associado com fratura vertebral, de colo de fêmur e com outros tipos de fraturas osteoporóticas em mulheres na pós-menopausa. Dados em homens, apesar de escassos, mostram resultados semelhantes. Apesar de não ser uma medida física direta da microarquitetura trabecular, correlaciona-se com volume ósseo, densidade da conectividade trabecular, número de trabéculas e separação trabecular medidos por microtomografia computadorizada (µCT), e com medidas mecânicas da resistência óssea vertebral em estudos ex vivo. Associa-se, ainda, a microarquitetura trabecular e resistência óssea medidas por tomografia computadorizada quantitativa periférica de alta resolução (HRpQCT).
Tabela 15.3 Exames laboratoriais para avaliação de pacientes com osteoporose.
Hemograma
Provas in amatórias (VHS e PCR)
TSH
Funções renal e hepática
*Cálcio sérico, 25 (OH) vitamina D, fósforo, calciúria na urina de 24 h ou na urina em jejum
(corrigida pela creatinúria)
Paratormônio (PTH) intacto
Eletroforese de proteínas
Biomarcadores ósseos de formação: fosfatase alcalina (especí ca de osso seria melhor),
osteocalcina, propeptídio aminoterminal do procolágeno tipo 1 (P1NP) e propeptídio
carboxiterminal do procolágeno tipo 1 (P1CP)
Biomarcadores ósseos de reabsorção: hidroxiprolina urinária, fosfatase ácida resistente a
tartarato, hidroxiprolina glicosilada urinária, N telopeptídio (NTX) e C telopeptídio (CTX),
piridinolinas
*As medidas de excreção urinária de cálcio sofrem grande influência da dieta, da função renal e dos hormônios reguladores do cálcio. Embora muito utilizadas, sua interpretação exige cautela, pois as variações individuais são muito elevadas. Hipercalciúria urina de 24 h: > 4 mg/kg/24 h; Hipercalciúria: cálcio urin./creat. urin. jejum ≥ 0,11 e pós-sobrecarga ≥ 0,20. VHS: velocidade de hemossedimentação; PCR: proteína C reativa, TSH: hormônio estimulante da tireoide.
Tratamento
O tratamento da OP é indicado nos seguintes casos:
■ T score ≤ –2,5 na coluna lombar, no colo do fêmur, no quadril ou no
terço distal do rádio
■ Fratura vertebral ou de quadril de baixo impacto ■ Osteopenia e uma probabilidade em 10 anos ≥ 3% de fratura de quadril
ou ≥ 20% de fratura maior relacionada com OP, por meio da FRAX®, versão validada para o Brasil.
O modelo FRAX® foi desenvolvido pela OMS a partir de estudos de
coortes de populações da Europa, América do Norte, Ásia e Austrália para avaliação do risco de fraturas em pacientes. É individualizado para cada um e integra os riscos associados aos fatores de risco clínicos com a DMO do colo do fêmur. Na sua forma mais sofisticada, o instrumento FRAX® é direcionado para o computador e está disponível no site
www.shef.ac.uk/FRAX/?lang=pt.
O algoritmo de FRAX® fornece informação sobre a probabilidade de
fratura nos próximos 10 anos. O resultado é a probabilidade de fratura de quadril e a probabilidade nos próximos 10 anos de uma fratura maior (fratura vertebral clínica, antebraço, quadril e ombro).
Probabilidade em 10 anos de fratura de fêmur > 3% e/ou fratura maior >
20% corresponde a risco aumentado de fratura.
Tratamento não farmacológico
Estratégias não farmacológicas são uma ferramenta essencial para prevenção de fraturas em idosos e programas de prevenção de quedas, nutrição, protetores de quadril e exercícios são importantes medidas não farmacológicas. A prevenção de fraturas secundárias deve ser uma prioridade nos pacientes que já tiveram fratura por fragilidade.
Prevenção de quedas
Todos os idosos devem ser avaliados anualmente para quedas, e devem ser implementadas estratégias para reduzir esse risco nessa população. Qualquer paciente que relatar uma queda deve ser submetido a uma avaliação de marcha e equilíbrio. É importante indagar sobre o medo de cair, por ser não apenas consequência de uma queda, mas também um fator
de risco para tal. A Tabela 15.4 lista algumas recomendações para prevenção de quedas.
Recomendação nutricional
É importante manter alimentação balanceada em idosos com OP.
O papel da ingestão de proteínas permanece controverso, pois seu
excesso pode ser responsável pelo aumento da produção de ácido metabólico e excreção renal de ácidos, com aumento da calciúria, que favorece perda óssea e fratura de quadril. Porém, estudo prospectivo realizado por Munger et al. (1999) observou que o risco de fratura de quadril não foi associado à ingestão de cálcio ou de vitamina D, mas foi negativamente relacionado com a ingestão de proteína total (risco relativo de redução de fratura de quadril em paralelo com a ingestão de proteína animal).
Os efeitos negativos da ingestão de proteínas (indução de maior taxa de
perda óssea no colo do fêmur e maior risco de fraturas de quadril em mulheres acima de 65 anos) parecem ser contrabalançados pelo consumo adequado de cálcio na dieta ou por suplementação. Uma ingesta inadequada de proteína na dieta, mesmo associada a ingesta adequada de cálcio, parece não conferir proteção contra fraturas.
Tabela 15.4 Recomendações para prevenção de queda em idosos.
Prática de atividade física
Modi cações no ambiente
Correção visual
Intervenção cardiovascular
Ajuste medicamentoso
Suplementação de vitamina D (idosos frágeis)
A ingesta adequada de cálcio é fundamental. O incentivo ao consumo
de alimentos ricos em cálcio é uma das melhores maneiras de preservar o cálcio corporal. Quando o consumo de laticínios for baixo, deve-se cogitar a suplementação de cálcio.
Recomenda-se que a ingesta diária de cálcio seja de 1.000 mg para
homens na faixa etária de 50 a 70 anos, e de 1.200 a 1.500 mg para homens com 71 anos ou mais e mulheres com 51 anos ou mais.
A vitamina D desempenha importante papel na prevenção de quedas e
na resistência óssea. A hipovitaminose D resulta principalmente de baixa exposição aos raios solares e insuficiente síntese da vitamina D na pele dos idosos. Diante de um paciente com baixa exposição ao sol e dieta inadequada, é preciso considerar suplementação também de vitamina D.
Exercício
Uma meta-análise de 10 ensaios clínicos realizada por Kemmler et al. (2013) evidenciou que a prática de exercício reduziu a ocorrência de fraturas em geral em idosos.
Outra meta-análise de 43 ensaios clínicos randomizados (4.320
participantes), publicada em 2011, mostrou significativo efeito positivo do exercício sobre a DMO da coluna lombar e do trocânter em mulheres na pós-menopausa que praticaram exercício, em comparação aos controles. Treinamento de resistência, corrida, salto e caminhada foram eficazes.
Revisão sistemática realizada por Kam et al. (2011), com indivíduos
com maior risco de fratura, concluiu que a resistência óssea é aprimorada com a prática de exercício aeróbico, associado ou não a exercício de fortalecimento muscular, em um intervalo de pelo menos 1 ano.
Para se estabelecer um programa de exercício resistido para idosos, é
necessária uma avaliação cuidadosa por profissionais especializados. O maior benefício do exercício em pacientes com osteoporose é melhorar a força muscular e a coordenação, o que reduz a frequência de quedas.
Recomenda-se que os exercícios sejam realizados 3 vezes por semana e
incluam 30 a 60 min de atividades aeróbicas associadas a treino de força. A intensidade do exercício deve ser de 70 a 80% da capacidade funcional ou da resistência máxima.
Cessação do tabagismo e do etilismo
Tabagismo atual e consumo excessivo de álcool estão associados a maior risco de fratura. A cessação do tabagismo e a redução do consumo de álcool podem aumentar a taxa de perda óssea.
Apesar de não existirem evidências em idosos e de os benefícios da
cessação do tabagismo para indivíduos com OP serem a longo prazo, os outros benefícios à saúde tornam esse ato importante para todos os idosos.
O álcool pode interferir no metabolismo ósseo através de efeitos tóxicos
diretos sobre osteoblastos e, indiretamente, no esqueleto, através de efeitos adversos de deficiências nutricionais de cálcio, vitamina D e proteínas, frequentes em etilistas.
Protetor de quadril
O protetor externo de quadril é usado para reduzir o impacto no quadril durante quedas. No entanto, uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados realizada por Sawka et al. (2005) não demonstrou qualquer benefício do uso de protetores de quadril em idosos da comunidade. Porém, o uso de dispositivos bilaterais parece reduzir o risco de fratura de quadril em idosos institucionalizados.
Embora as evidências disponíveis não permitam conclusões nem
recomendações, parece apropriado não descartar o potencial benefício dessa intervenção em um ambiente de cuidados por longo prazo.
Baixa adesão é a principal desvantagem desse dispositivo; os pacientes
tendem a considerá-lo desconfortável e esteticamente desagradável.
Tratamento farmacológico
O tratamento farmacológico compreende a suplementação de vitamina D e cálcio, quando não for alcançada quantidade adequada com a ingesta oral e a terapia específica para OP. Atualmente, muitas terapias estão disponíveis para o tratamento específico da doença, mas as existentes apresentam alguns problemas relacionados com eficácia e segurança a longo prazo.
Suplementação de cálcio e vitamina D
A Sociedade Europeia de Aspectos Clínicos e Econômicos da Osteoporose e Osteoartrite (ESCEO) recomenda para idosos e mulheres na pós-menopausa manutenção do nível de vitamina D igual ou acima de 50 nmol/ ℓ (ou seja,20 ng/mℓ).
Níveis de 25 (OH) vitamina D < 50 nmol/ ℓ associam-se a aumento da
remodelação óssea, perda de massa óssea e, possivelmente, defeitos de mineralização em comparação com pacientes com níveis > 50 nmol/ℓ.
Para idosos frágeis, a ESCEO recomenda nível mínimo de 75 nmol/ ℓ
(30 ng/mℓ) de 25 (OH) vitamina D, devido ao alto risco de fraturas.
Meta-análise realizada por Bischoff-Ferrari et al. (2009) de estudos
clínicos randomizados mostrou redução do risco de quedas em idosos com suplementação de vitamina D.
Outra meta-análise de estudos clínicos randomizados, realizada por
Boonen et al. (2007), sobre suplementação oral de cálcio e cálcio associado à vitamina D (1.200 mg de cálcio e 800 UI de vitamina D por dia), concluiu que a vitamina D reduz o risco de fraturas de quadril e de perda óssea, mas somente quando associada à suplementação de cálcio. Análise de subgrupo com base na idade evidenciou redução do risco de fratura de 11% no grupo etário de 70 a 79 anos e de 24% naqueles com 80 anos, em comparação a 3% no grupo etário de 50 a 69 anos.
Recomenda-se reposição de vitamina D quando houver deficiência
dessa vitamina. Alguns autores sugerem suplementação de 800 a 1.000 UI/dia de vitamina D para pacientes com OP ou alto risco de quedas.
Em relação à suplementação de cálcio, alguns estudos sugerem que a
monoterapia e/ou cálcio com vitamina D aumentam o risco cardiovascular; porém, não são ensaios válidos, porque não foram elaborados essencialmente para avaliar eventos cardiovasculares.
Quando se fizer necessária a suplementação de cálcio, deve-se utilizar
carbonato de cálcio ou citrato de cálcio. O citrato de cálcio pode ser melhor para os idosos, uma vez que sua absorção não depende de ácido gástrico, como o carbonato de cálcio, e os idosos podem sofrer de acloridria. Além disso, os pacientes que tomam inibidores da bomba de prótons podem beneficiar-se do uso do citrato de cálcio.
Medicamentos específicos para osteoporose
Os grupos terapêuticos para tratamento da OP são divididos em: ■ Antirreabsortivos ósseos
• Bifosfonatos
• Modulador seletivo do receptor de estrogênio (SERM): raloxifeno
• Denosumabe
• Calcitonina
• Terapia de reposição hormonal (TRH)
■ Osteoformadores
• PTH recombinante (teriparatida)
■ Mistos (ação osteoformadora e antirreabsortiva)
• Ranelato de estrôncio.
Revisão sistemática de estudos publicados entre 2005 e 2014 confirmou
a eficácia de vários agentes na prevenção de fraturas em comparação com placebo. Bifosfonatos (alendronato, risedronato, ácido zoledrônico, ibandronato), denosumabe, raloxifeno e teriparatida reduziram o risco de fraturas vertebrais. Alendronato, risedronato, ácido zoledrônico, teriparatida e denosumabe reduziram o risco de fraturas não vertebrais. Ranelato de estrôncio reduziu o risco de fratura vertebral e, em menor grau, fratura não
vertebral. Essas medicações são detalhadas na Tabela 15.5.
Como não existem, até o momento, ensaios clínicos que comparem a
eficácia relativa dos fármacos utilizados no tratamento da OP entre si, a escolha da terapêutica deve ser baseada na eficácia, na segurança, no custo, na comodidade e em outros fatores relacionados com o paciente. Para a maioria das mulheres na pós-menopausa que têm OP, recomendam-se os bifosfonatos orais como terapia de primeira linha, devido à sua eficácia, ao custo favorável e à disponibilidade de dados de segurança a longo prazo. Como ainda não foi demonstrada redução do risco de fratura de quadril pelo ibandronato em ensaios randomizados, sugere-se alendronato ou risedronato como primeira escolha entre os bifosfonatos. O ácido zoledrônico (fármaco de uso intravenoso) é uma boa alternativa para indivíduos com intolerância gastrintestinal aos bifosfonatos orais.
Já o denosumabe pode ser utilizado como terapia inicial em pacientes
com alto risco de fratura ou naqueles com intolerância ou que não respondem a outros tratamentos, e em doentes com insuficiência renal.
O teriparatida é recomendado para mulheres na pós-menopausa ou
homens com OP grave e fratura, ou a pacientes para os quais outras opções terapêuticas tenham falhado.
Resumidamente, as Tabelas 15.6 e 15.7 descrevem os efeitos adversos
dos medicamentos prescritos para tratamento da OP e as informações relevantes sobre possíveis efeitos adversos do uso de bifosfonatos, respectivamente.
Tabela 15.5 Medicações específicas para tratamento da osteoporose, posologia, mecanismo de ação e considerações gerais.
Medicamento Posologia Mecanismo de ação e considerações
importantes
Bifosfonatos Antirreabsortivos. Bloqueiam a adesão dos
osteoclastos à superfície de reabsorção
óssea e aumentam a apoptose dos
osteoblastos
Alendronato VO: 70 mg 1 Reduz a incidência de fraturas de quadril e
vez/semana, cedo, em coluna em 50% nos pacientes com fratura
jejum, com 1 copo de
água; não deitar nem prévia; reduz em 48% a incidência de comer por 30 min após fratura vertebral em pacientes sem fratura
tomar a medicação
Reduz risco de novas fraturas vertebrais em
38% em mulheres com ≥ 75 anos (fracture intervention trial).
Aumenta a DMO em coluna e quadril
Após 5 anos de tratamento (OP não grave),
considerar drug holiday por 1 a 2 anos
Risendronato VO: 35 mg 1 Reduz a incidência de fraturas vertebrais em
vez/semana ou 150 mg 41 a 49% e não vertebrais em 36% em 3
1 vez/mês, cedo, em anos, com redução signi cativa após 1 ano
jejum, com 1 copo de de tratamento em pacientes com fratura
água; não deitar nem vertebral prévia comer por 30 min após
Estudo com mulheres ≥ 80 anos evidenciou
tomar a medicação
redução de 44 % no risco de fraturas
vertebrais, sem diferença signi cativa na
incidência de fraturas não vertebrais
Reduz signi cativamente o risco de fratura
de quadril em 46% em mulheres com idade
até 100 anos com OP
Aumenta a DMO em coluna e quadril
Considerar drug holiday após 3 anos de tratamento
Ibandronato VO: 2,5 mg 1 vez/dia ou Reduz a incidência de fraturas vertebrais em
150 mg 1 vez/mês, 50% em mulheres na pós-menopausa.
cedo, em jejum, com 1
Aumenta a DMO em coluna e quadril
copo de água; não
deitar nem comer por
60 min após tomar a
medicação
IV: 3 mg a cada 3 meses
Ácido IV: 5 mg (infusão por 15 Reduz a incidência de fraturas vertebrais em
zoledrônico min) 1 vez/ano 70% (com redução signi cativa em 1 ano),
fratura de quadril em 41% e fraturas não
Antes do tratamento,
vertebrais em 25% em 3 anos
realizar hidratação
adequada e avaliar Demonstrou e cácia em termos de reduzir o
níveis de cálcio e risco de fratura de quadril em mulheres pós-
creatinina no soro menopáusicas mais idosas, com idade entre
65 e 89 anos
Aumenta DMO na coluna e quadril e previne
perda óssea em homens, mulheres na pós-
menopausa e pacientes tratados com
corticosteroides
Modulador seletivo do receptor de Agonista estrogênico antirreabsortivo
estrogênio (SERM)
Raloxifeno VO: 60 mg 1 vez/dia Agonista estrogênico no per l lipídico e na
massa óssea, não interferindo na mama
nem no endométrio
Diminui a reabsorção óssea, pois:
■ Reduz a quantidade de osteoclastos e
sua atividade
■ Reduz a quantidade de locais de
reabsorção
■ Torna a taxa de remodelação óssea
semelhante à da pré-menopausa
Reduz o risco de fraturas vertebrais em 30%
nos pacientes com fratura prévia; reduz em
55% o risco em pacientes sem fratura
NÃO foi demonstrada redução de fratura
não vertebral e de quadril
Apesar de mulheres muito idosas serem
incluídas em alguns estudos, o número é
pequeno e não há dados publicados de
coortes envolvendo pacientes mais idosas
Não se acumula no osso
Diminui a incidência de neoplasia de mama
Sem risco de hiperplasia de endométrio ou
câncer de útero
Redução do colesterol total e LDL
Indicações pela Food and Drug
Administration (FDA): prevenção e
tratamento da OP na pós-menopausa,
redução do risco de neoplasia de mama em
mulheres na pós-menopausa com OP ou
com alto risco de neoplasia de mama
Terapia com Estrogênio conjugado, Não é a terapia de primeira escolha
estrogênio ou 0,625 mg/dia VO
Indicações: sintomas climatéricos
progesterona
Valerato de estradiol, 1 persistentes ou mulheres com indicação de
a 2 mg/dia VO terapia antirreabsortiva que não toleram os
outros fármacos
Estradiol transdérmico,
25 a 50 mcg a cada 3 Associar progesterona nas mulheres com
dias útero reduz risco de fraturas vertebrais, não
vertebrais e de quadril
Aumenta DMO em coluna, quadril e
antebraço
Estudo WHI evidenciou: com uso de
estrogênio e progesterona, aumenta o risco
tromboembólico, cerebral e cardiovascular e
de neoplasia de mama
PTH recombinante Osteoformador
Teriparatida SC: 20 µg 1 vez/dia Estimula a formação óssea mais do que a
reabsorção, sendo efetivo para redução de
fratura em pacientes com osteoporose
Reduz risco de fraturas vertebrais e não
vertebrais
Aumenta dramaticamente DMO na coluna
Indicado pela FDA para uso nas seguintes
situações:
■ Tratamento de mulheres com OP na
pós-menopausa que tiveram falha ou
foram intolerantes a terapia prévia
■ Aumento da DMO em homens com OP
idiopática ou secundária ao
hipogonadismo
■ OP induzida por glicocorticoides
Deve ser usado no máximo até 2 anos
(segurança e e cácia não foram
demonstradas após esse período)
Tem alto custo
Ranelato de VO: 2 g/dia (sachê) Tem ação mista anabólica e
estrôncio antes de dormir antirreabsortiva. Reduz incidência de
fraturas vertebrais em 40% nas mulheres
pós-menopausa, fraturas não vertebrais em
16% e fraturas de quadril em 36%
Reduz em 19% fraturas por fragilidade
(quadril, punho, pelve, sacro, costela,
esterno, clavícula e úmero) depois de 3 anos
de tratamento com 2 g/dia
Estudo SOTI (Spinal Osteoporosis
Intervention Therapy) com idade média de
70 anos (50 a 96 anos) e estudo TROPOS
com idade média de 77 anos (70 a 100 anos)
evidenciaram redução do risco de fratura
vertebral, não vertebral e qualquer fratura
clínica em 32, 31 e 22%, respectivamente,
após 3 anos em mulheres no subgrupo com
80 anos ou mais
Único fármaco antiosteoporótico que
apresentou redução precoce e sustentada de
risco (até 5 anos) de fraturas vertebrais e
não vertebrais em uma população de muito
idosos
Denosumabe Dose: 60 mg SC a cada 6 Anticorpo contra o RANKL
meses
Aumenta a massa óssea na coluna lombar
em 3 a 6,7 % e no quadril em 1,9 a 3,6%
Vantagens: reversibilidade por causa do alvo
RANKL; sem efeitos colaterais
gastrintestinais; potencial uso em
insu ciência renal devido a não eliminação
renal; porém, em pacientes com clearance
de creatinina < 30 ml/min ou em hemodiálise, há maior risco de hipocalcemia
Estudo FREEDOM mostrou aumento
progressivo e sustentado da DMO em
mulheres com ≥ 75 anos, declínio na
remodelação óssea, com baixas taxas de
fratura e um per l de risco/benefício
favorável
VO: via oral; IV: via intravenosa; LDL: lipoproteína de baixa densidade; DMO: densidade mineral óssea; SC: via subcutânea; RANKL: receptor ativador do fator nuclear kappa beta ligante; TROPOS: Treatment of peripheral osteoporosis; FREEDOM: Fracture reduction evaluation of denosumab in osteoporosis every 6 months.
Tabela 15.6 Efeitos adversos ou complicações dos medicamentos usados no tratamento da osteoporose.
Medicamento Efeitos adversos/complicações
Bifosfonatos (BP) Efeitos adversos comuns:
■ BPs orais: intolerância gastrintestinal, esofagite, úlcera
gástrica
■ BPs intravenosos: hipocalcemia, reação de fase aguda,
toxicidade renal
Efeitos adversos raros (1/1.000 a 1/10.000):
■ Fibrilação atrial
■ Osteonecrose de mandíbula
■ Fratura atípica
■ Retardo da consolidação de fraturas
Efeitos adversos muito raros:
■ Câncer de esôfago
■ Hepatotoxicidade
■ In amação ocular
• Osteonecrose da mandíbula é complicação rara;
maioria dos casos descrita em pacientes com câncer
tratados com altas doses de BP intravenoso
• Contraindicações: hipersensibilidade ou
hipocalcemia
• Uso com cautela em casos de insu ciência renal;
anormalidades esofágicas anatômicas ou funcionais;
doenças do trato gastrintestinal superior (BPs por via
oral)
Raloxifeno Efeitos adversos: náuseas, câimbras, fogachos, aumento do risco
de tromboembolismo venoso
Contraindicações: hipersensibilidade ao medicamento,
antecedente de tromboembolismo venoso, mulheres com
potencial de engravidar
Terapia com Aumenta o risco de câncer de mama, acidente vascular cerebral,
Estrogênio/Progesterona tromboembolismo venoso, doença coronariana
PTH recombinante Efeitos adversos: náuseas, hipotensão ortostática, câimbras,
humano Teriparatide hipercalcemia assintomática transitória
Aumento da incidência de osteossarcoma em ratos tratados com altas doses de teriparatida
Contraindicações: pacientes com alto risco de osteossarcoma
(doença de Paget, história de irradiação óssea, elevação
inexplicada da fosfatase alcalina óssea, neoplasia ou metástases ósseas); hiperparatireoidismo
Ranelato de estrôncio Efeitos adversos: náuseas, diarreia, cefaleia, dermatite, eczema,
efeitos gastrintestinais (geralmente melhoram após 3 meses de tratamento)
Em geral, é uma medicação bem aceita e tolerada
Contraindicação: hipersensibilidade
Uso não recomendado por pacientes com clearance de creatinina < 30 mℓ/min e quando há risco de tromboembolia venosa
Denosumabe Efeitos adversos: infecções cutâneas, dermatite, eczemas
Uso deve ser suspenso diante de sintomas graves
Foram relatadas osteonecrose de mandíbula e fratura atípica
Tabela 15.7 Informações relevantes sobre algumas possíveis complicações graves do tratamento com bifosfonatos.
Fratura atípica de fêmur
De nição: todos os critérios principais devem estar presentes. Não é necessário ter critérios
secundários. Estão excluídas as fraturas do colo do fêmur, da região intertrocantérica com
extensão espiralada à região subtrocantérica, fraturas patológicas associadas a lesão
neoplásica primária ou metastática e fraturas periprótese
Critérios principais:
■ Em qualquer localização na região subtrocantérica ou dia sária do fêmur
■ Sem história de traumatismo ou traumatismo menor (queda da própria altura ou menor)
■ Fratura de traço transverso ou oblíquo curto
■ Não cominutiva
■ Fraturas completas envolvem as duas corticais e apresentam uma espícula medial; as
incompletas envolvem apenas o córtex lateral
Critérios secundários:
■ Reação periosteal no córtex lateral
■ Espessamento cortical da diá se
■ Sintomas prodrômicos (dor na região inguinal ou na coxa)
■ Sintomas e fraturas bilaterais
■ Atraso de consolidação
■ Comorbidades associadas: artrite reumatoide, diabetes
■ Uso de medicamentos: bifosfonatos, glicocorticoides, inibidores da bomba de prótons
Fatores de risco:
■ Início de bifosfonatos em pacientes mais jovens
■ Uso de corticosteroides por mais de 6 meses
■ Uso de inibidores da bomba de prótons
■ Tratamento prévio com antirreabsortivos
■ Artrite reumatoide
■ 25 (OH) D < 16 ng/mℓ
Fisiopatologia:
■ Alteração da ligação do colágeno
■ Acúmulo de microdanos
■ Heterogeneidade da mineralização diminuída
■ Variação na taxa de remodelação óssea
■ Ação antiangiogênica
Diagnóstico: radiogra as do fêmur, cintigra a, ressonância magnética ou tomogra a
computadorizada apresentam maior sensibilidade e especi cidade em estágios precoces
Conduta:
■ Drug holiday em pacientes com baixo risco
■ Pacientes com sintomas: suspensão imediata do bifosfonato, retirada da carga no
membro afetado
■ Sempre adequar cálcio e vitamina D
■ Teriparatida e ranelato de estrôncio: efeito anabólico rápido no osso em fraturas atípicas
associadas ao uso prolongado de bifosfonato
■ Muito mais fraturas de quadril são prevenidas pelo tratamento com bifosfonatos do que
causadas por essas medicações
Osteonecrose de mandíbula (ONM)
De nição: exposição óssea na região maxilofacial ou osso necrótico, sem melhora após 8
semanas, em pacientes que usam ou usaram antirreabsortivo e sem história de radioterapia
craniofacial
Considerações importantes: 95% dos casos ocorrem após procedimentos dentários
invasivos durante tratamento oncológico com altas doses de bifosfonatos intravenosos em
pacientes imunocomprometidos
Recentemente, identi cou-se ONM em pacientes em uso de denosumabe
A prevalência de ONM em pacientes que fazem uso de bifosfonatos é muito baixa, variando de
0 a 0,04%. Essa incidência real é maior em pacientes oncológicos (1 a 15%)
Fatores de risco: potência do bifosfonato, duração da terapia (mais de 2 anos aumenta o
risco), procedimento cirúrgico dentoalveolar, extração dentária, cirurgia periapical, implante
dentário e cirurgia periodontal, doença oral ou higiene oral precária, insu ciência renal
dialítica, anemia, idade avançada, imunossupressão, artrite reumatoide, diabetes, tabagismo
Fisiopatologia
■ Supressão exagerada da remodelação óssea
■ In amação mediada por citocinas
■ Ação antiangiogênica: reduz uxo sanguíneo
■ Toxicidade da mucosa: mais bactérias ao osso
Diagnóstico: clínico, baseado na história e no exame físico. Pode ser assintomático ou
sintomático (dor, infecção local, parestesia ou anestesia). Os exames de imagem auxiliam
principalmente quando há sintoma sem exposição óssea. A radiogra a panorâmica detecta
ONM; porém, na fase precoce, apenas cintilogra a óssea, tomogra a computadorizada,
ressonância magnética ou PET-scan
Estágios:
■ 1: assintomático, exposição óssea e necrose, sem evidência de infecção
■ 2: Estágio 1 associado a dor, in amação ou infecção
■ 3: Estágio 2 associado a um dos seguintes achados: extensão para além da região do osso
alveolar com fratura patológica; fístula extraoral ou comunicação nasal; osteólise estendendo-se até a borda inferior da mandíbula
Conduta:
■ Conservadora: higiene oral adequada, tratamento da doença dentária ou periodontal
ativa, antibiótico tópico e/ou sistêmico. Teriparatida faz parte do tratamento de pacientes com OP, sendo contraindicado nos casos de neoplasia
■ Cirúrgica: nos casos não responsivos ao tratamento conservador, com dor não controlada
ou progressão da doença e estágio 3
A suspensão do antirreabsortivo deve ser realizada de acordo com o julgamento clínico,
considerando-se o risco de fratura e suas implicações. É recomendada nos casos de cirurgia oral
invasiva e extensa e nos pacientes com vários fatores de risco (p. ex., diabetes, uso de
corticosteroide, doença periodontal, tabagismo, imunossupressão)
Não há necessidade de interromper o uso nos casos de baixo risco
Após cirurgia, não se deve prescrever bifosfonato até a cicatrização óssea
Os dados sobre essas indicações ainda são controversos na literatura. Segundo a American
Dental Association (ADA), deve-se considerar o risco de fratura para suspensão do uso do
bifosfonato. Não se indica o C telopeptídio (CTX)
Em pacientes com OP, o benefício em termos de redução do risco de fraturas supera o risco
potencial remoto de ONM
Prevenção:
■ Deve-se rever indicação de manter tratamento para osteoporose em usuários de
bifosfonatos por mais de 3 anos, principalmente em usuários crônicos de corticosteroides
■ Avaliação odontológica regular é recomendada
■ Se possível, realizar extração dentária, tratamento dentário invasivo ou implantes antes
de iniciar o uso de bifosfonato ou denosumabe
Câncer de esôfago
Considerações importantes: Existem raros relatos de casos de câncer de esôfago em
pacientes em uso de bifosfonatos orais. De acordo com a Food and Drug Administration (FDA),
até o momento não há informação su ciente para que sejam feitas conclusões de nitivas
sobre a possível associação entre bifosfonato oral e câncer de esôfago
Monitoramento do tratamento
Os pacientes devem ser monitorados:
■ A cada 12 a 24 meses com densitometria óssea
Anualmente, com radiografia da coluna toracolombar para avaliação de
■ fratura
■ Marcadores de reabsorção óssea antes do início do tratamento com
bifosfonatos ou outros fármacos antirreabsortivos e após 3 a 6 meses de tratamento. Redução superior a 50 ou 30% de NTX urinário (fasting urinary N-telopeptide) ou CTX plasmático (serum carboxy-terminal collagen crosslinks), respectivamente, evidenciam eficácia do fármaco. No entanto, diminuição dos marcadores inferior a 30% não indica necessariamente falha terapêutica. Quando ocorrer, devem ser investigadas adesão ao tratamento e má absorção.
Pausa no tratamento com bifosfonato (drug holiday)
Considerar a interrupção do uso do bifosfonato por 1 a 2 anos ou mais quando, após 3 a 5 anos de uso, a DMO mostrar situação estável ou aumento sem fratura incidental.
No caso de fratura, usuário crônico de corticosteroide ou baixa DMO (<
–2,5), deve-se manter o bifosfonato e considerar drug holiday novamente após 10 anos.
Deve-se reintroduzir o tratamento com bifosfonato ou outro fármaco se
a DMO evidenciar declínio, se houver aumento dos níveis dos marcadores de reabsorção óssea ou na ocorrência de fratura por fragilidade.
Falha terapêutica
De acordo com a International Osteoporosis Foundation (IOF), considera-se falha terapêutica a presença de um dos critérios a seguir, desde que se tenha descartado má adesão ao tratamento e causas secundárias de OP:
■ Duas ou mais fraturas por fragilidade ■ Uma fratura incidental com ausência de redução significativa do bCTX
durante o tratamento ■ Uma fratura incidental com diminuição significativa da DMO ■ Diminuição significativa na DMO com ausência de redução
significativa do do beta bCTX.
Observações importantes
■ Só se pode considerar que houve falha terapêutica após 1 ano de
tratamento medicamentoso, devido à janela terapêutica
■ Fraturas de mão, dedos, pés e tornozelos não são definidas como
fraturas por fragilidade
■ O declínio considerável da DMO deve ser ≥ 5% em densitometrias
ósseas seriadas na coluna lombar ou de 4% no fêmur proximal
■ Avaliações seriadas dos marcadores de reabsorção óssea devem basear-
se no mesmo ensaio. São considerados resposta significativa o declínio de 25% dos níveis basais no tratamento antirreabsortivo e o aumento de 25% com agentes anabólicos após 6 meses. Para o tratamento antirreabsortivo, se os níveis basais forem desconhecidos, considera-se resposta positiva a presença de declínio abaixo dos valores normais para adultos jovens saudáveis.
Conduta
■ Troca de fármaco antirreabsortivo fraco por outro mais potente da
mesma classe
■ Troca de fármaco oral por injetável ■ Troca de antirreabsortivo forte por agente anabólico.
Terapias emergentes
■ Inibidor de catepsina K (osteoclasto): atua reduzindo a reabsorção óssea
(p. ex., Odanacatib)
■ Inibidor da Src quinase: Scr quinase é uma tirosinoquinase que tem
papel importante na atividade e sobrevida dos osteoclastos (p. ex., Saracatinib)
■ Inibidor da sinalização Wnt (secretado pelo osteócito): inclui
esclerostina e proteína Dickkopf 1 (DKK1), que bloqueiam a ligação de Wnt à proteína 5 relacionada a receptor de lipoproteína (LRP5), inibindo assim, a estimulação osteoblástica (p. ex., romosozumab; anticorpo monoclonal com ação inibidora da esclerostina).
Considerações finais
Diante do diagnóstico de osteopenia ou OP, sempre devem ser descartadas causas secundárias.
O manejo terapêutico para OP deve ser individualizado e é importante
estimular a adesão do paciente, podendo-se adotar as seguintes estratégias:
■ Reduzir a frequência de administração de fármacos ■ Monitorar os pacientes com marcadores ósseos e DMO ■ Fornecer informações sobre a doença, possíveis complicações e a
importância do tratamento adequado.
Deve-se sempre avaliar os riscos e os benefícios do tratamento, levando
em consideração a presença de comorbidades, a funcionalidade e a expectativa de vida.
Cogita-se suspensão do tratamento da OP em pacientes com expectativa
de vida inferior 2 anos.
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