Geriatria: Guia Prático

Ana Beatriz Galhardi Di Tommaso · Capítulo 7 de 32

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Geriatria: Guia Prático

2 Prevenção e Rastreamento de Doenças

Introdução

Com o avançar da idade, há maior prevalência de doenças crônicas degenerativas, que aumentam o risco de dependência, incapacidade e morte. No entanto, o declínio funcional e a perda da independência não são consequências inevitáveis do envelhecimento. A adoção de medidas preventivas comprovadamente reduziu o risco de determinados agravos à saúde em idosos, evitando o aparecimento de algumas doenças ou detectando-as precocemente, o que permitiu o tratamento adequado e a redução da ocorrência de complicações. Sendo assim, o conhecimento e a aplicação de medidas preventivas são de grande relevância para reduzir a mortalidade prematura, manter a capacidade funcional, aumentar a expectativa de vida e garantir a qualidade de vida na população idosa, e devem ser indicados de forma individualizada para cada paciente.

 

Prevenção primária

Consiste na adoção de medidas para promoção da saúde, intervindo em fatores de risco potencialmente modificáveis para evitar o aparecimento de determinadas doenças.

 

Tabagismo

Desestimular o uso em todas as consultas, pois a cessação reduz significativamente

■

o risco de várias doenças crônicas não transmissíveis, como as cardiovasculares, pulmonares e neoplasias

■ Para os fumantes que estão dispostos a parar de fumar, recomenda-se que seja

realizada combinação de terapia de apoio comportamental e farmacológica. A terapia combinada mostrou-se superior a qualquer intervenção comportamental ou terapia farmacológica isolada.

 

Álcool

■ Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), indivíduos saudáveis podem

apresentar benefício cardiovascular com a ingestão de bebida alcoólica de uma dose para mulheres e duas para homens por dia (uma dose = 150 mℓ de vinho, 50 mℓ de destilado e 250 mℓ de cerveja)

■ O uso excessivo de álcool, no entanto, aumenta o risco de hepatopatia crônica,

depressão, ansiedade, hipertensão, abuso de outras substâncias, sintomas gastrintestinais, acidentes e problemas sociais ou legais, sendo uma das principais causas de morte evitável no mundo, seguida por condições médicas, mortes no trânsito, afogamento e suicídio

■ Recomenda-se que todos os pacientes sejam questionados sobre o uso nocivo de

álcool

■ Quetionamentos como “você às vezes bebe cerveja, vinho ou outras bebidas

alcoólicas?” e “quantas vezes, no último ano, você ingeriu cinco (quatro para mulheres) ou mais doses de bebidas alcoólicas em um dia?” mostraram-se úteis para o rastreio. O teste é considerado positivo quando a resposta for maior que 0 ou quando o paciente afirmar que está tendo dificuldade em definir o número correto (considera-se, portanto, maior que 0). Um teste positivo tem sensibilidade de 82% e especificidade de 79%

■ Embora o questionário Cut down, Annoyed, Guilty, Eye-opener (CAGE) não seja

recomendado especificamente como ferramenta de triagem para o uso nocivo de álcool, é útil na detecção de abuso de álcool e grau de dependência, sendo amplamente utilizado por ser de aplicação mais simples e rápida, quando comparado a outros questionários validados para esta finalidade (como o AUDIT). O escore é: duas respostas afirmativas apresentam 77 e 79%, respectivamente, de sensibilidade e especificidade para abuso e dependência de álcool, mas apenas 53 e

70%, respectivamente, para uso nocivo de álcool. O CAGE é composto pelas seguintes questões:

• Você já sentiu que deve reduzir a bebida? (Cut down) • As pessoas têm irritado você por criticarem sua bebida? (Annoyed) • Você já se sentiu mal ou culpado por beber? (Guilty) • Você já bebeu, como primeira ação da manhã, para melhorar seus nervos ou se

livrar de uma ressaca? (Eye-opener)

■ São fatores de risco para uso abusivo de álcool: luto, depressão, ansiedade, dor

crônica, incapacidade e história de uso prévio

■ O uso nocivo de álcool deve ser sempre desencorajado, e os pacientes devem

receber intervenções terapêuticas específicas, incluindo apoio psicológico.

 

Alimentação saudável

Considerando as evidências atuais de estudos de coorte e meta-análise, recomenda-se para uma alimentação saudável:

■ Evitar carnes vermelhas e processadas, pois estão associadas ao aumento da

mortalidade; preferir carne branca, pela associação com redução da mortalidade

■ Ingerir cinco ou mais porções de frutas ou vegetais por dia. São ricas fontes de

fibras e seu consumo reduz o risco de doença arterial coronariana, acidente vascular encefálico (AVE) e morte

■ Evitar ou reduzir o consumo de refrigerantes e de outras bebidas açucaradas (p. ex.,

suco de frutas com adição de açúcar)

■ Evitar gordura trans (proveniente principalmente de alimentos processados

industrialmente) e saturada (proveniente de produtos animais, como carne vermelha e manteiga), pelo aumento do risco de doença coronariana; preferir gorduras poli-insaturadas, que reduzem o risco cardiovascular

■ Consumo de colesterol inferior a 300 mg/dia ■ Aumento da ingesta de fibras, pela associação com redução do risco cardiovascular,

redução da incidência de diabetes e de todas as causas de mortalidade

■ Substituir grãos refinados (p. ex., pão branco, arroz branco, cereais doces e

refinados) por grãos integrais (p. ex., pães integrais, arroz integral, cereais integrais), que apresentam maior conteúdo de fibras. Grãos refinados são associados, a longo prazo, com ganho de peso ■ Para mulheres na pós-menopausa e homens idosos, 1.200 a 1.500 mg/dia de cálcio e

≥ 800 UI de vitamina D, devido à grande importância desses nutrientes para a homeostase óssea

■ Não exceder o consumo de 6 g de sódio por dia (1 colher rasa de chá). Menor

ingesta de sódio está associada a redução do risco de eventos cardiovasculares e morte

■ Consumo de 1,5 a 2 ℓ de líquido por dia para idosos sem restrição hídrica.

A dieta do Mediterrâneo apresenta benefícios comprovados para a saúde. Revisões

sistemáticas e meta-análises de coorte e de estudos caso-controle observaram associação positiva com a redução da mortalidade geral e da mortalidade cardiovascular, redução da incidência de câncer, doença de Alzheimer, doença de Parkinson e do risco de eventos cardiovasculares. Consiste na ingestão de grande quantidade de frutas, vegetais, grãos integrais, feijão, sementes e oleaginosas; azeite de oliva, como importante fonte de gordura monosaturada; baixo a moderado consumo de álcool; baixa a moderada ingestão de peixe, frango e produtos derivados do leite; e baixo consumo de carne vermelha (Figura 1.1).

Figura 2.1 Pirâmide alimentar da dieta do Mediterrâneo.

 

Atividade física

■ Identifica-se benefício a partir do início da prática de exercício físico,

independentemente da idade ou funcionalidade

■ O programa ideal inclui exercício aeróbico, resistido, equilíbrio e mobilidade

• Aeróbico: 30 min de exercício com intensidade moderada 5 vezes/semana; 20

min de exercício com intensidade alta 3 vezes/semana

• Resistência: 2 vezes/semana

• Equilíbrio e mobilidade: 2 a 5 vezes/semana

■ A prescrição de exercício físico deve ser individualizada, levando em conta as

preferências do indivíduo, sua aptidão física e comorbidades. O programa de

exercícios deve ser iniciado de forma leve e aumentado gradualmente para aumentar a segurança e a adesão do paciente.

 

Ácido acetilsalicílico

US Preventive Services Task Force (USPSTF) recomenda que seja considerada a quimioprofilaxia com ácido acetilsalicílico (AS) para adultos com risco cardiovascular aumentado (risco em 5 anos ≥ 3%). Deve-se avaliar o risco de sangramento gastrintestinal para decisão terapêutica. Recomenda-se o uso de inibidor da bomba de prótons para todos os indivíduos com 60 anos ou mais em uso crônico de AS.

 

Imunização

A seguir, estão as orientações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) sobre as vacinas indicadas

para idosos. A Tabela 2.1 reproduz o calendário de vacinação do idoso.

 

Influenza

■ Vírus inativado

■ Prevenção da gripe, pneumonia viral primária ou bacteriana secundária,

hospitalização e morte por Influenza

■ Dose anual

■ Podem ocorrer os seguintes eventos sistêmicos:

• Manifestações gerais leves, como febre, mal-estar e mialgia começando 6 a 12 h

após a vacinação e persistindo por 1 a 2 dias

• Reações anafiláticas são raras e ocasionadas por hipersensibilidade a qualquer

componente da vacina

• Síndrome de Guillain Barré (SGB); os relatos de ocorrência são raros, mas o

aumento da incidência dessa síndrome esteve relacionada com alguns lotes específicos da vacina há alguns anos. É importante ressaltar que o risco da SGB causado pela infecção por Influenza é muito maior do que o risco pela vacina influenza

■ Processos agudos respiratórios (gripe e resfriado) que possam eventualmente

ocorrer após a administração da vacina significam processos coincidentes e não estão relacionados com a mesma ■ A administração subcutânea deve ser considerada em pacientes com risco de

sangramento pela via de administração da vacina (intramuscular), como, por exemplo, nos casos de trombocitopenia ou qualquer outro distúrbio de coagulação

■ Contraindicações da vacina:

• História de reação anafilãtica prévia ou alergia grave relacionada com o ovo de

galinha e seus derivados, assim como a qualquer componente da vacina

 

Tabela 2.1 Calendário de vacinação do idoso.

 

Disponibilização das

vacinas

 

Clínicas

Gratuitas privadas

Quando Esquemas e na rede de

Vacinas iniciar recomendações Comentários pública vacinação

In uenza Rotina Dose única anual Os maiores de 60 Sim Sim

(gripe) anos fazem parte

do grupo de risco

aumentado para

complicações e

óbitos por

In uenza. Desde que disponível, a

vacina in uenza

4V é preferível à

vacina in uenza

3V, por conferir

maior cobertura

das cepas

circulantes. Na

impossibilidade de

uso da vacina 4V,

utilizar a vacina 3V

Pneumocócicas Rotina Iniciar com uma Para aqueles que Sim Sim

(VPC13 e dose da VPC13 já receberam a VPP23

VPP23) seguida de uma VPP23, para

dose da VPP23 6 recomenda-se o grupos de a 12 meses intervalo de 1 ano risco depois, e uma para a aplicação de segunda dose de VPC13. A segunda VPP23 5 anos dose de VPP23 depois da deve ser feita 5 primeira anos após a

primeira,

mantendo

intervalo de 6 a 12

meses com a

VPC13

Para os que já

receberam duas

doses de VPP23,

recomenda-se

uma dose de

VPC13, com

intervalo mínimo

de 1 ano após a

última dose de

VPP23. Se a

segunda dose de

VPP23 foi aplicada

antes dos 65 anos,

está recomendada

uma terceira dose

depois dessa

idade, com

intervalo mínimo

de 5 anos da

última dose

Tríplice Rotina Atualizar dTpa A vacina está dT Sim Sim dTpa e

bacteriana independente de recomendada dTpa-VIP

acelular do intervalo prévio mesmo para

tipo adulto com dT ou TT aqueles que

(dTpa) / Para idosos que tiveram a doença,

Difteria, tétano pretendem viajar já que a proteção

e coqueluche para países nos conferida pela

quais a infecção não é poliomielite é permanente endémica, Considerar recomenda-se a antecipar reforço vacina dTpa com dTpa para 5 combinada à anos após a última pólio inativada dose de vacina (dTpa-VIP) contendo o A dTpa-VIP pode componente substituir a dTpa pertussis para Com esquema idosos básico de contactantes de vacinação para lactentes tétano

completo:

reforço com dTpa

a cada 10 anos

Com esquema

básico de

vacinação para

tétano

incompleto:

uma dose de

dTpa a qualquer

momento e

completar a

vacinação bãsica

com uma ou duas

doses de dT

(dupla

bacteriana do

tipo adulto), de

forma a totalizar

três doses de

vacina contendo

o componente

tetânico

Hepatites A e B Hepatite A: Duas doses, no Na população com Não Sim

após esquema 0-6 mais de 60 anos é avaliação meses incomum sorológica encontrar ou em indivíduos situações suscetíveis. Para de esse grupo, exposição portanto, a ou surtos vacinação não é

prioritária. A

sorologia pode ser

solicitada para

de nição da

necessidade ou

não de vacinar. Em

contactantes de

doentes com

hepatite A, ou

durante surto da

doença, a

vacinação deve ser

considerada

Hepatites A e B Hepatite B: Três doses, no Sim Sim

rotina esquema 0-1-6

meses

Hepatite A Três doses, no A vacina Não Sim e B esquema 0-1-6 combinada para as

meses hepatites A e B é

uma opção e pode

substituir a

vacinação isolada

para as hepatites A

e B

Febre amarela Rotina para Uma dose para Contraindicada Sim Sim

residentes residentes ou para em áreas viajantes para imunodeprimidos. de áreas de Quando os riscos vacinação vacinação (de de adquirir a

acordo com doença superam classi cação do os riscos potenciais MS e da OMS). Se da vacinação, o persistir o risco, médico deve fazer uma avaliar sua segunda dose 10 utilização. anos após a

Há relatos de

primeira. Vacinar

maior risco de

pelo menos 10

eventos adversos

dias antes da

graves nos maiores

viagem

de 60 anos;

portanto, na

primovacinação,

avaliar

risco/benefício

Meningocócica Surtos e Uma dose. A Na Não Sim

conjugada viagens indicação da indisponibilidade

ACWY para áreas vacina, assim da vacina

de risco como a meningocócica

necessidade de conjugada ACWY, reforços, substituir pela dependerá da vacina situação meningocócica C epidemiológica conjugada

Tríplice viral Situações É considerado Na população com Não Sim

(sarampo, de risco protegido o mais de 60 anos é

caxumba e aumentado indivíduo que incomum

rubéola tenha recebido, encontrar

em algum indivíduos

momento da suscetíveis a vida, duas doses sarampo, caxumba da vacina tríplice e rubéola. Para viral acima de 1 esse grupo, ano de idade, e portanto, a com intervalo vacinação não é mínimo de 1 mês rotineira entre elas. Porém, a criterio Está indicada em médico (em situações de risco situações de aumentado, já surtos, viagens, que a maioria das entre outros), pessoas nessa pode ser faixa etária não é recomendada. suscetível a essas Containdicada doenças para

imunodeprimidos

Herpes-zóster Rotina Dose única Vacina Não Sim

recomendada

mesmo para

aqueles que já

apresentaram

quadro de herpes-

zóster.

Nesses casos,

aguardar intervalo

mínimo de 1 ano,

entre o quadro

agudo e a

aplicação da

vacina

Em caso de

pacientes com

história de herpes-

zóster oftálmico,

não existem ainda

dados su cientes

para indicar ou

contraindicar a

vacina

A vacina não deve

ser empregada em

indivíduos com

estado de

imunode ciência

primária ou

adquirida ou em

uso de

terapêuticas em

posologias

consideradas

imunossupressoras

MS: Ministério da Saúde; OMS: Organização Mundial da Saúde. Fonte: Recomendações da Sociedade

Brasileira de Imunizações (SBIm) – 2015/2016. Disponível em: http://www.sbim.org.br/wp-

content/uploads/2015/10/calend-sbim-idoso-acima-60-anos-2015-16 a 150909-spread.pdf.

• História pregressa de SGB: avaliação médica criteriosa, observando-se o

risco/benefício da vacina

• A vacinação deve ser adiada na presença de doença febril aguda moderada ou

grave.

 

Pneumocócica

■ Vacina 23-valente

■ Composta pelo antígeno polissacarídico purificado ■ A vacinação é eficaz na prevenção das formas invasivas da infecção pneumocócica

e há evidências de proteção também para a pneumonia adquirida na comunidade

■ Recomendações para todas as pessoas a partir dos 60 anos ou que tenham

patologias crônicas específicas:

• Iniciar com uma dose da vacina conjugada 13-valente VPC13 seguida de uma

dose da vacina polissacarídica 23-valente (VPP23) após 2 meses, e uma segunda dose de VPP23 depois de 5 anos

• Para aqueles que já receberam a VPP23, recomenda-se um intervalo de, pelo

menos, 1 ano para a aplicação de VPC13 e de 5 anos para a aplicação da segunda dose de VPP23, com intervalo mínimo de 2 meses entre as duas

• Para os que já receberam duas doses de VPP23, recomenda-se uma dose de

VPC13, com intervalo mínimo de 1 ano após a última dose de VPP23. Se a segunda dose de VPP23 foi aplicada antes dos 65 anos, é recomendada uma terceira dose depois dessa idade, com intervalo mínimo de 5 anos contados a partir da última dose

■ As duas vacinas são geralmente muito bem toleradas. Os eventos adversos mais

comuns são os locais (dor, eritema), que regridem com rapidez. A febre é incomum

■ Reações mais graves são muito raras (anafilaxia, por exemplo) ■ Há referência a aumento da frequência e intensidade das reações locais quando é

feita a revacinação. Embora isso possa ocorrer, a intensidade é habitualmente pouco expressiva quando a revacinação é realizada com intervalo de 5 anos ou mais com relação à dose anterior

■ A VPP23 e VPC13 ainda não são disponibilizadas de rotina para idosos pelo

sistema público de saúde

■ Contraindicações e precauções:

• A única contraindicação formal é histórico de reação anafilática à dose anterior

da vacina ou a algum de seus componentes

• A vacinação deve ser adiada em caso de doença febril aguda ou quando há

trombocitopenia ou qualquer distúrbio de coagulação pelo risco de sangramento da via de administração intramuscular da vacina (nesses casos, a via subcutânea deve ser considerada).

 

Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto | Difteria, tétano e coqueluche ■ Toxoide tetânico e diftérico e componente pertussis ■ Idosos vacinados para difteria e tétano (três doses, pelo menos, no passado)

deveriam receber uma única dose da vacina dTpa (independente do intervalo transcorrido desde a última dose de TT ou dT) e, a partir daí, uma dose de dTpa a cada 10 anos. Não havendo disponibilidade de dTpa, a indicação para os adequadamente vacinados é de uma dose de dT a cada 10 anos

■ Idosos nunca vacinados (ou com uma história vacinal desconhecida) devem receber

uma dose de dTpa, seguida de duas doses de dT (Uma, dois meses após a aplicação da primeira dose, e a segunda, de 4 a 8 meses depois). Não havendo disponibilidade da vacina dT, utilizam-se três doses de dTpa

■ Reforços a cada 10 anos com dT ou, idealmente, com dTpa ■ Encontra-se disponível na rede pública a vacina dT (dupla bacteriana do tipo

adulto). Atualmente, a vacina dTpa (tríplice bacteriana acelular do tipo adulto) está disponível apenas na rede privada

■ Contraindicações e precauções:

• Reação anafilática prévia às vacinas ou a algum de seus componentes. A administração subcutânea deve ser considerada em pacientes com risco de

sangramento pela via de administração da vacina (intramuscular), como, por exemplo, nos casos de trombocitopenia ou qualquer outro distúrbio de coagulação.

 

Hepatite B

■ Vírus inativado

■ São recomendadas três doses, sendo a segunda 1 mês após a primeira, e a terceira 6

meses após a primeira. Esquemas especiais de vacinação são recomendados para pacientes imunossuprimidos e renais crônicos (dose dobrada em quatro aplicações)

■ Contraindicações e precauções:

• Reação anafilática após dose prévia • A vacinação deve ser adiada quando houver doença febril aguda ou

trombocitopenia ou qualquer distúrbio de coagulação devido ao risco de sangramento pela via de administração da vacina (intramuscular). Nesses casos, a via subcutânea deve ser considerada.

 

Herpes-zóster

■ Vacina de vírus vivo atenuado ■ Recomendada para todos os indivíduos acima de 60 anos, mesmo aqueles que já

apresentaram quadro de herpes-zóster. Nesse caso, é preciso aguardar o intervalo mínimo de 6 meses e preferencialmente de 1 ano entre o quadro agudo e a aplicação da vacina

■ Reduz a incidência de herpes-zóster e de neuropatia pós-herpética ■ A vacina contra o herpes-zóster está disponível apenas na rede privada até o

momento

■ Contraindicações e precauções:

• Imunodepressão grave medicamentosa ou causada por doenças, podendo, no

entanto, ser indicada para pacientes com imunodepressão leve (indivíduos com uso de baixas doses de metotrexato, corticosteroides sistêmicos em baixas doses, vírus da imunodeficiência humana (HIV) com CD4 acima de 200, entre outras situações)

• Reação anafilática após dose anterior da vacina • Alergia à neomicina, que faz parte da composição da vacina.

 

Febre amarela

■ Vacina de vírus vivo atenuado

■ Recomendada para todos os indivíduos que vivem nas áreas de risco classificadas

pelo Ministério da Saúde (MS)

■ A OMS e o MS indicam dose única seguida pelo menos por um reforço após 10

anos

■ Contraindicações e precauções:

• Histórico de reação anafilática após ingestão de ovo de galinha ou à dose

anterior da vacina

• Doenças ou tratamentos imunossupressores, quimioterápico ou radioterápico

• Nos casos de doença febril aguda.

 

Prevenção secundária

Consiste em detectar precocemente e tratar doenças assintomáticas. Podem ser citados como exemplos: rastreio de neoplasias, alterações sensoriais (de visão e audição), doenças metabólicas, osteoporose, hipertensão e aneurisma de aorta.

 

Rastreio de doenças neoplásicas ■ A detecção precoce leva a um tratamento mais efetivo ■ Nos idosos, fatores como comorbidades e fragilidade alteram o balanço entre risco

e benefício na indicação de um procedimento diagnóstico ou terapêutico

■ A decisão deve ser individualizada, levando em consideração fatores como

expectativa de vida, valores pessoais e preferências e local da neoplasia investigada (câncer colorretal, de mama e colo uterino merecem consideração especial porque a intervenção precoce reduz a mortalidade).

 

Mama

■ Screening anual acima dos 40 anos ■ Exame realizado a cada 1 ou 2 anos no caso de a expectativa de vida ser superior a

4 anos, segundo a American Geriatrics Society (AGS)

■ Quando interromper o rastreio é controverso na literatura: USPSTF recomenda

interromper aos 70 anos; a AGS, aos 85 anos.

 

Colo uterino

■ Indicado para todas as mulheres sexualmente ativas, até os 65 anos e com rastreio

adequado ao longo da vida

■ Para interrupção do rastreio, são necessários três exames negativos consecutivos

nos últimos 10 anos e teste negativo nos últimos 5 anos.

 

Próstata

■ Controverso. USPSTF não recomenda o rastreio. O American College of Physicians

(ACP) recomenda decisão individualizada e acordada com o paciente

■ Em geral, recomenda-se rastrear em pacientes entre 50 e 69 anos, pois nessa faixa

etária há maior benefício no rastreio

■ Após os 70 anos a decisão deve ser individualizada ■ Se expectativa de vida for inferior a 10 anos, não é indicado o rastreio.

 

Colorretal

■ Rastreio anual com pesquisa de sangue oculto nas fezes acima dos 50 anos ■ Sigmoidoscopia a cada 5 anos, intercalada com pesquisa de sangue oculto a cada 3

anos acima dos 50 anos

■ Colonoscopia a cada 10 anos acima dos 50 anos ■ USPSTF recomenda que o rastreio seja feito até os 75 anos ■ AGS recomenda que o rastreio seja feito para os indivíduos que apresentem

expectativa de vida de pelo menos 5 anos.

 

Pulmão

Recomenda-se tomografia computadorizada (TC) de tórax anual para indivíduos entre 55 e 80 anos de idade com alto risco de câncer de pulmão (carga tabágica ≥ 30 maços/ano)

Interromper o rastreio quando houver cessação do tabagismo há mais de 15 anos ou

expectativa de vida limitada.

 

Rastreio de doenças crônicas não neoplásicas Diagnóstico precoce de doenças crônicas não transmissíveis.

 

Hipertensão arterial sistêmica

■ Ensaios clínicos e meta-análises de tratamento da hipertensão arterial evidenciaram

redução de todas as causas de mortalidade, eventos cardiovasculares, AVE e doença renal crônica

■ Recomenda-se rastreio anual

■ A meta pressórica deve ser individualizada em idosos, considerando-se a presença

de fragilidade, comorbidades e expectativa de vida

■ Tratamento agressivo dos níveis pressóricos pode ocasionar hipotensão ortostática,

quedas, disfunção renal, distúrbios eletrolíticos e aumento da mortalidade em idosos.

 

Diabetes melito

■ O rastreio deve ser anual em indivíduos de alto risco (obesidade central/sobrepeso,

dislipidemia, hipertensão arterial ou história familiar, por exemplo).

 

Dislipidemia

■ Rastreio anual para indivíduos de alto risco.

 

Tireoidopatias ■ Não é recomendado rastreio de rotina pela AGS ■ O exame de função tireoidiana deve ser feito quando aparecem sintomas.

 

Aneurisma de aorta abdominal

■ Rastreio ineficiente em mulheres

■ Exame de ultrassonografia abdominal deve ser feito em homens entre 65 e 75 anos

tabagistas ou ex-tabagistas.

 

Osteoporose (segundo USPSTF)

■ Densitometria óssea para avaliação da densidade mineral óssea em todas as

mulheres acima de 65 anos e homens acima de 70 anos

■ Densitometria óssea deve ser realizada a partir dos 50 anos, se houver fator de risco

para perda de massa óssea, dentre os quais:

• História de fratura de baixo impacto • História familiar de osteoporose • Mulheres com menos de 45 anos e deficiência estrogênica • Pacientes com perda de 2,5 cm de estatura ou hipercifose torácica • Uso de corticoide por mais de 3 meses (dose equivalente a prednisona 5 mg/dia)

• Baixo índice de massa corporal (IMC) • Tabagismo

• Etilismo

 

Audição

Recomeda-se rastrear anualmente perda auditiva por meio de perguntas ao paciente sobre dificuldade auditiva, teste do sussurro ou audiometria tonal.

 

Visão

Recomenda-se avaliação oftalmológica anual em idosos para rastreio de perda visual.

 

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