Milton Neves: uma biografia
Uma grande história
Uma grande
história
Alberto Helena Jr.
P ode-se dizer que o rádio é o pai do cinema, avô da televisão e bisavô da internet no Brasil. Sim, porque a comunicação de massa no Brasil começa lá no início dos anos 30, com o Programa Casé, na Rádio Phillips do Brasil, um desfile de cantores, intercalado por sketchs humorísticos.
E o que foram os primeiros filmes da Cinédia, na mesma década? Uma longa
sequência de números musicais pontilhada por breves situações cômicas
Nos anos 40, cristalizam-se duas outras vertentes – a das novelas, que tomaria
conta da TV a partir da década seguinte, e as transmissões esportivas, sobretudo o futebol.
A tal ponto, que, em São Paulo, essas duas expressões radiofônicas ganharam
prefixos próprios e exclusivos – a Rádio São Paulo, o Vale de Lágrimas, como a denominava o saudoso Moraes Sarmento, e a Panamericana, Emissora dos Esportes, ambas propriedades de Paulo Machado de Carvalho, o Marechal da Vitória, chefe da delegação brasileira nas Copas de 58 e 62.
A Panamericana transmitia eventos e programas de todos os esportes, dia e
noite, até a virada para os anos 60, quando a disseminação da TV nas camadas mais desvalidas da população decretou a morte precoce do rádio.
Foi quando o Tuta, filho do Dr. Paulo, assumiu a direção da emissora, e a fez
transitar, no início, na esteira do sucesso dos musicais da TV Record. Mas, logo mudou de rumo e encontrou nos serviços jornalísticos (trânsito, Bolsa, notícias em geral) e no esporte a salvação da lavoura.
É nesse período, já nos anos 70, que surge das sombras um nome que ganharia
a luz da fama, subitamente – Milton Neves.
Um mineirinho vindo da pequena Muzambinho que bem poderia ser
personagem de uma rádio novela tendo o futebol como trama central. É a história do menino do interior desse mundão de Deus, criado ao pé do rádio e o cabeção atuando como um enorme repositório de situações e nomes, enfim, toda essa maravilhosa mitologia do futebol, que veio para a cidade grande tentar a sorte.
Sorte? Talvez. Mas, imagine o leitor que o Miltinho de Muzambinho chegou à
Jovem Pan, e transformou o plantão esportivo, um espaço tradicionalmente, desprovido de brilho e repercussão, num ícone da radiofonia brasileira.
Com seu Terceiro Tempo, Milton Neves expandiu-se de tal maneira, pela TV,
pela internet, por onde passa, que posso dizer sem medo ter se transformado simplesmente no maior comunicador de esportes do Brasil.
Como se deu esse sortilégio? Bem, é isso que o amigo ficará sabendo daqui
pra frente, pela voz potente, timbrada de humildade e, ao mesmo tempo, altamente personalista, provocativa, quando não evocativa, de Milton Neves.
Boa viagem.
Nos bastidores da rádio Bandeirantes antes de entrar no ar: a alegria diante do
microfone
Em 2004, na Record, em participação especial na Escolinha do Barulho