Milton Neves: uma biografia
Torcida brasileira, aquele abraço
Torcida
brasielira,
aquele abraço
C omeço com o inesquecível bordão do emblemático e saudoso mestre Fiori Giglioti. Não posso negar: ele embalou meu primeiro grande sonho profissional e pessoal.
De tanto escutar “o locutor da torcida brasileira”, coloquei na cabeça que um dia trabalharia na Rádio Bandeirantes de São Paulo, na esperança de receber meu batismo definitivo de sua voz imortal:
“Agora Milton Neves, o moço de Muzambinho”!
Dessa forma, acreditava, estaria “consagrado perante o mundo”. Com o aval de Fiori passaria a ser a “figura máxima” de minha terra.
É mole?
Tinha por volta de 17 anos e nessa idade os sonhos são como eles devem ser: um desvario de expectativas sem qualquer referencial mais concreto. Mas algumas veleidades juvenis vêm se confirmar, amém!
Pois assim, preparando o terreno que pavimentaria meu futuro, fiz das rádios Bandeirantes e Tupi, ambas de São Paulo, as minhas primeiras universidades. A outra, oficial, foi a SUPERO (Sociedade Universitária Paulista de Ensino Renovado Objetivo), hoje UNIP, onde me formei jornalista profissional em 1977.
Mas vamos devagar com o andor...
O objetivo de mais essa empreitada, que se soma a tantas outras, é fazer um relato da minha história: são 61 anos de vida, quarenta deles vivendo em São Paulo. Trata-se de uma narrativa, sem dúvida; mas não há pretensão de encerrá-la num “livro”. Talvez fosse muito pedante de minha parte. Procuro só mais uma maneira para dar vazão ao diálogo - franco e direto. Às outras mídias em que milito, se junta mais esssa, por que não? Uma nova plataforma para compartilhar o balanço de uma trajetória dedicada, sobretudo, ao futebol.
Nessa retrospectiva, confesso, não sabia que havia armazenado tantas fotos, tantos causos. Na Era da Informação, foi muito difícil a labuta de girar a memória, recuperar fatos, organizá-los, ditá-los... Enfim, fazer reviver seis décadas de vida e quarenta de profissão em texto e fotos.
Sem delongas, vamos lá...
Em seis de outubro de 2001, com o escritor Roberto Drummond, na entrega do Galo de
Prata. Num Mineirão com 90 mil pessoas, entoando “Doutor, eu não me engano, o
Milton Neves é atleticano!”. O Atlético empatou com o Cruzeiro em 2 a 2
Milton Neves e o irmão Homero, em Muzambinho, meados da década de 1950