Noite e Dia

Virginia Woolf · Capítulo 12 de 35

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Noite e Dia

Capítulo 11

“O que importa é a vida, nada além disso, o processo dedescobrir, o perene, perpétuo processo”, disse Katharine, aopassar debaixo da arcada, entrando assim no vasto espaço de King’s Bench Walk,“não a descoberta em si.”Proferiu as últimas palavras olhando para cima, para as janelas de Rodney, que mostravam uma semiluzente cor vermelha,em sua honra, como sabia. Ele a convidara para o chá. Masela estava com uma tal disposição, que lhe seria quase fisicamente desagradável interromper o curso dos seus pensamentos, e andou de um lado para outro duas ou três vezes,debaixo das árvores, antes de aproximar-se da escadaria.Ela gostava de conseguir um livro que nem o pai nem amãe haviam lido, e guardá-lo só para si mesma, mordiscando seu conteúdo em segredo e ponderando-lhe o senti-do sem partilhar seus pensamentos com qualquer pessoa, ou tendo de decidir sozinha se o livro era bom ou mau. Nessa noite, torcera as palavras de Dostoiewski para adequá-la s à sua disposição – disposição fatalista – e proclamar que o processo da descoberta é vida e que, presumivelmente, a natureza do objetivo de cada um não importa.Sentou-se, por um momento, num dos degraus; sentiu-selevada no torvelinho de muitas coisas; decidiu, com seu jeito brusco,que era tempo de lançar todo esse trem de pensamento pela amurada, e levantou-se, deixando para trás, nodegrau, uma cesta de peixeiro que trazia consigo. Dois minutos depois, batia com autoridade à porta de Rodney.

– Bem, William – disse–, temo estar atrasada.

Era verdade, mas ele ficou tão contente ao vê-la que esqueceu o aborrecimento. Gastara mais de uma hora preparando as coisas para ela, e tinha agora seu prêmio vendo-a olhar à direita e à esquerda, enquanto deixava cair o casaco dos ombros, com evidente satisfação, embora nada dissesse. Ele cuidara de que a lareira estivesse queimando bem; havia potes de geléia na mesa, travessas de estanho tampadas, luziam no guarda-fogo, e o conforto casual do aposento era extremo. Ele vestia seu velho robe de chambre cor de vinho, que desbotara irregularmente, e tinha alguns brilhantes remendos novos, como a grama mais clara que a gente descobre ao levantar uma pedra. Fez o chá, Katharine tirou as luvas e cruzou as pernas com um movimento que era antes masculino, na sua naturalidade. Não chegaram a conversar muito, até ficarem a fumar seus cigarros junto do fogo, depois de have-rem depositado as xícaras do chá no chão, entre eles.

Não se tinham encontrado desde a troca de cartas sobre o seu relacionamento. A resposta de Katharine à sua declaração fora curta e sensata. Metade de uma folha de papel de carta continha-a toda. Pois tivera apenas de dizer que não o amava e que, portanto, não podia casar com ele, mas sua amizade continuaria, esperava, sem alteração.Acrescentara um pós-escrito em que dizia: “Gostei muito do seu soneto”.

Quanto a William, sua aparência de naturalidade erafingida.Três vezes naquela tarde vestira-se com um fraquee três vezes o descartara em favor do velho robe. Três vezes colocara seu alfinete de pérola em posição e três vezes o tirara. O pequeno espelho do seu quarto foi testemunhadessas mudanças de idéia. A questão era: o que prefeririaKatharine nessa tarde específica de dezembro? Leu maisuma vez a nota que ela lhe mandara, e o pós-escrito sobre o soneto decidiu a questão. Evidentemente, ela admiravanele sobretudo o poeta. E como isso, de maneira geral,coincidia com a sua própria opinião, decidiu pender, se fosse o caso, para o lado do despretensioso. Seu comportamento também era regulado com premeditação. Falou pouco e exclusivamente sobre assuntos impessoais. Queriaque ela sentisse que, ao visitá-lo pela primeira vez sozinha,não fazia nada de extraordinário, embora, de fato, esse fosse um ponto sobre o qual não se achasse nada seguro.

Certamente Katharine não parecia turbada por pensamentos incômodos. E se ele se sentisse completamente senhor de si mesmo, poderia, na verdade, queixar-sede que ela estava até um pouco desatenta. A naturalidade, a familiaridade da situação, a sós com Rodney, entrexícaras de chá e velas, surtira mais efeito sobre ela do que transparecia. Pediu-lhe para olhar os livros e, depois,os quadros. E foi quando tinha uma foto de El Greco nas mãos que exclamou, impulsivamente, se bem quenada a propósito:

– Minhas ostras! Eu tinha uma cesta – explicou – e esqueci-a em algum lugar.Tio Dudley janta conosco hoje.Que poderia ter feito com elas?

Levantou-se e pôs-se a andar pelo quarto. William levantou-se também,e ficou em frente do fogo a resmungar: Ostras, ostras, sua cesta de ostras! Embora olhasse vagamente para aqui e para ali, como se as ostras pudessem estar em cima da estante, seus olhos retomavam sempre a Katharine. Ela abriu as cortinas e olhou para fora,por entre as ralas folhas dos plátanos.

– Eu as tinha ainda no Strand; sentei-me num degrau.Bem, não faz mal – concluiu, virando-se abruptamente para a sala. Quero crer que algum velho estará a regalar-se com elas neste momento.

– Imaginei que você jamais se esquecia de coisa alguma ‒ observou William quando se sentaram outra vez.

– É parte do mito a meu respeito. Sei disso – disse Katharine.

Fico pensando: qual será a verdade a seu respeito continuou William, cautelosamente. – Mas sei que essa espécie de conversa não interessa a você – acrescentou depressa, com um grão de impertinência.

– Não, não me interessa muito – respondeu Katharine,candidamente.

– De que devemos falar? – perguntou ele.

Ela olhou as paredes da sala, com uma indulgência bem-humorada:

– Por onde quer que comecemos, acabaremos sempre falando da mesma coisa: de poesia, quero dizer. Pergunto-me se você imagina, William, que nunca li sequer Shakespeare? É maravilhoso como consegui manter isso em segredo todos esses anos.

– No que me diz respeito, você conseguiu fazê-lo lindamente por dez anos – disse ele.

– Dez anos? Tanto assim?

– E não creio que isso tenha sempre aborrecido você.

Ela contemplou o fogo em silêncio. Não podia negarque a superfície do seu sentimento permanecia tranqüila, eque nada no caráter de William poderia turbá-la; ao contrário, estava segura de poder lidar com o que surgisse. Elelhe dava paz, em meio à qual podia pensar em coisas inteiramente diversas daquilo de que falavam. Mesmo agora,com ele a uma jarda de distância, como sua mente se voltava para toda parte! De súbito, uma imagem se apresentoudiante dela, sem qualquer esforço de sua parte, como imagens costumam aparecer, uma imagem dela nessa mesmasala; vinha de uma conferência e tinha uma pilha de livrosna mão, livros científicos, e livros sobre matemática e astronomia, que conseguira dominar. Depunha-os em cima daquela mesa ali. Era uma imagem da sua vida dois ou trêsanos mais tarde, quando estivesse casada com William;mas a essa altura, abruptamente, ela se dominou.

Não podia esquecer de todo a presença de William porque, a despeito dos seus esforços para controlar-se, o nervosismo dele era aparente. Em tais ocasiões os olhos dele ficavam protrusos, e seu rosto mostrava mais do que nunca a aparência de estar coberto por uma pele fina e levemente rachada, através da qual cada fluxo do seu sangue volátil surgia instantaneamente. A essa altura ele já formulara e rejeitara tantas frases,sentira e dominara tantos impulsos, que estava de um escarlate uniforme.

– Você pode dizer que não lê livros – observou –, mas,assim mesmo, sabe tudo deles. Ademais, quem deseja que você seja letrada? Deixe isso para os pobres diabos que não têm nada melhor a fazer. Você, você, hum...

– Bem, então, por que não lê para mim alguma coisaantes que eu me vá? – disse Katharine, olhando o relógio.

– Katharine, você acabou de chegar! Deixe-me ver; o que tenho que poderia mostrar-lhe? – Levantou-se, mexeu nos papéis na sua mesa,como que em dúvida.Apanhou então um manuscrito e depois de alisá-lo no joelho, olhou desconfiado para Katharine. Surpreendeu-a sorrindo.

– Creio que você me pediu que lesse por pura gentileza explodiu. – Vamos descobrir outra coisa para discutir.Quem você tem visto?

– Eu não costumo pedir coisas por gentileza – observouKatharine. – Todavia, se você não quer, não precisa ler.Exasperado, William fungou estranhamente e abriu o manuscrito uma vez mais, embora conservasse os olhos no rosto dela ao fazê-lo. Nenhum rosto poderia ser mais grave ou mais judicioso:

– A gente pode certamente contar com você para dizer coisas desagradáveis – disse, alisando a página, raspando a garganta e lendo metade de uma stanza para si mesmo. – Hum! A princesa está perdida na floresta, e ouve o som de uma trompa (isso tudo ficará muito bonito no palco, mas não posso criar o efeito aqui). De qualquer maneira,Sylvano entra, acompanhado do resto dos cavaleiros da corte de Gratian. Começo com o solilóquio dele.

Sacudiu a cabeça, e começou. Embora Katharine acabasse de afirmar nada entender de literatura, ouviu atentamente. Pelo menos, ouviu as primeiras vinte e cinco linhas atentamente, depois franziu a testa. Sua atenção foi de novo despertada quando Rodney levantou um dedo – sinal, sabia, que o metro ia mudar.

A teoria dele era de que cada humor tem seu metro.Sua maestria em metrificação era notável. E se a beleza de um drama dependesse da variedade de metros em que os personagens falam, as peças de Rodney poderiam competir com as de Shakespeare. A ignorância de Katharine quanto a Shakespeare não a impedia de sentir que as peças não devem produzir uma sensação de frio estupor na platéia, como o que a possuía à medida que os versos corriam, algumas vezes longos, outras curtos, mas sempre recitados no mesmo timbre de voz, que parecia martelar cada linha firmemente no mesmo exato ponto do cérebro do ouvinte. E, todavia – refletia ela –, essa espécie de habilidade é quase exclusivamente masculina. As mulheres raramente a praticam, e não sabem dar-lhe valor. A proficiência de um marido nessa direção poderá legitimamente aumentar o respeito da mulher por ele, uma vez que a mistificação não é base que se despreze para o respeito.Ninguém podia ter dúvidas de que William era um intelectual. A leitura terminou com o fim do ato; Katharine preparara um pequeno discurso.

Isso me pareceu muito bem escrito,William.Embora,naturalmente, eu não saiba o bastante para fazer uma crítica detalhada.

Mas foi então a perícia que impressionou você, não a emoção?

Num fragmento como esse, a perícia chama a atenção primeiro.

– Mas, talvez... Você terá tempo de estudar mais um fragmento curto? A cena entre os amantes? Há algum sentimento real nisso, penso. Denham concorda que é a melhor coisa que escrevi.

– Você leu isso para Ralph Denham? – perguntouKatharine, surpresa. – Ele é melhor juiz que eu. O que foi que disse?

– Minha querida Katharine – exclamou Rodney –,não lhe peço uma crítica, como a faria a um intelectual.Ouso dizer que há apenas cinco homens na Inglaterracuja opinião sobre o meu trabalho vale alguma coisapara mim. Mas confio em você em matéria de sentimento. Pensei em você freqüentemente ao escrever essas cenas. Eu me perguntava: bem, será isso a espécie de coisade que Katharine gostará? Sempre penso em você quando escrevo, Katharine, mesmo quando se trata de coisasde que não entende. Prefiro, sim, acho que prefiro quevocê goste do que escrevo do que qualquer outra pessoano mundo. Isso era um tributo tão genuíno da sua confiança nela que Katharine sentiu-se tocada.

– Você pensa demais em mim,William – disse ela,esquecendo-se de que não pretendia dizer coisas desse tipo.

– Não, Katharine, não é verdade – replicou ele, guardando o manuscrito na gaveta. – Faz-me bem pensar em você.

Resposta tão discreta, a que não se seguiu qualquer expressão de amor, mas a simples declaração de que, se tinhamesmo de ir-se embora, ele a levaria até o Strand, e de que,se esperasse um momento, trocaria seu robe por um paletó,despertou nela o mais caloroso sentimento de afeto que jamais experimentara por ele. Enquanto se mudava, no quarto ao lado, ela ficou junto à estante, tirando livros dolugar e abrindo-os, mas sem ler nada nas suas páginas.

Sentia-se certa de que iria casar-se com Rodney.Como evitá-lo? Como encontrar um inconveniente nisso? Ela suspirou e, afastando o pensamento do casamento, caiu num estado de sonho, em que se tornou outra pessoa, e o mundo inteiro pareceu mudado. Como freqüentadora assídua desse mundo, conseguiu achar seu caminho sem hesitação. Se tivesse procurado analisar suas impressões,teria compreendido que ali moravam os arquétipos das aparências que figuravam em nosso mundo; tão diretas,poderosas e desimpedidas eram as suas sensações ali,comparadas às que evoca a vida real. Ali residiam as coisas que a gente poderia ter sentido se houvesse motivo; a perfeita felicidade da qual provamos, aqui, um fragmento; a beleza que aqui só se vê por lampejos. Sem dúvida, muito do que enchia esse mundo ideal era tirado diretamente do passado, e mesmo da Inglaterra do período elisabetano.Todavia, por mais que mudasse a decoração desse mundo imaginário, duas qualidades eram constantes nele. Tratava-se de um lugar onde os sentimentos se viam liberados dos constrangimentos que o mundo real impõe; e o processo de iluminação era sempre marcado pela resignação e por uma espécie de estóica aceitação dos fatos. Ela não encontrou conhecidos por lá, como Denham encontrava, miraculosamente transfigurados; nem desempenhava qualquer papel heróico. Mas lá certamente ela amava algum herói magnânimo e, ao passarem juntos por entre as árvores cobertas de folhas de um mundo desconhecido, partilhavam sentimentos que surdiam frescos e rápidos como as ondas numa praia. Mas a areia da sua libertação escoava velozmente. Mesmo através das ramadas da floresta chegavam os sons de Rodney a remexer nas coisas dele, em cima da penteadeira. E Katharine despertou dessa excursão, fechando a capa do livro que estivera segurando, e pondo-o de volta na estante.

– William – disse, falando com voz fraca a princípio,como alguém que envia uma voz do fundo do sono na esperança de que alcance os viventes. – William – repetiu firmemente –, se ainda deseja que eu me case com você,eu o farei.

Talvez pelo fato de que nenhum homem espera que amais momentosa questão da sua vida se resolva num tom devoz tão neutro, tão igual, tão despido de júbilo ou energia, ocerto é que William não deu resposta. Ela esperou, estoicamente. Um momento mais tarde, ele surgiu bruscamente doquarto de vestir, e observou que, se ela queria ainda comprarostras, ele achava que sabia onde encontrar uma peixariaaberta. Katharine soltou um fundo suspiro de alívio.

Extrato de uma carta mandada poucos dias mais tarde por Mrs. Hilbery a sua cunhada Mrs. Milvain:

“...que tolice a minha esquecer o nome no telegrama! Eum nome tão bonito,tão sonoro,tão inglês.Ademais,ele temtodas as graças do intelecto. Já leu praticamente tudo. Eudigo a Katharine que hei de botá-lo sempre à minha direitanos jantares, de modo a tê-lo à mão quando as pessoas sepuserem a falar sobre personagens de Shakespeare. Eles nãoserão ricos,mas serão muito,muito felizes.Eu estava sentada no meu quarto, tarde, uma noite dessas, sentindo que nadade bom jamais me aconteceria de novo, quando ouçoKatharine do lado de fora, no corredor, e pensei comigo mesma: deverei chamá-la? E depois pensei (desse modo semesperança nem ânimo com que a gente pensa quando o fogo vai morrendo e o aniversário da gente acaba de passar): porque deveria despejar os meus problemas sobre Katharine? Mas meu pequeno autocontrole teve seu prêmio, pois nomomento seguinte ela batia à porta, entrava e sentava-se no tapete. E embora nenhuma de nós dissesse uma palavra,senti-me tão feliz num segundo que não me pude impedirde exclamar: oh,Katharine,quando você tiver a minha idade,como desejo que tenha uma filha também! Você sabe comoKatharine é calada. Ficou tão calada, e por tanto tempo, que no meu tolo, nervoso estado, temi alguma coisa, embora não soubesse bem o quê. E então ela me disse de como, afinal decontas,chegara a uma decisão.Tinha escrito.Esperava-o no dia seguinte. A princípio, não fiquei nada contente. Eu nãoqueria que ela se casasse com ninguém; mas, quando ela dis-se: não fará qualquer diferença, eu sempre gostarei mais devocê e de papai,então vi o quão egoísta eu era e disse-lhe quedeveria dar a ele tudo, tudo, tudo! Disse-lhe que eu me sentiria grata de ficar em segundo lugar. Mas, por que, quandotudo acontece como a gente sempre desejou que acontecesse,por que então a gente não faz senão chorar, senão sentir-secomo uma pobre velha desolada, cuja vida foi um malogro, eestá prestes a acabar,e a idade é tão cruel? Mas Katharine medisse: estou feliz, estou muito feliz. E então pensei, emboratudo me parecesse tão desesperadamente melancólico naquele momento, que Katharine dissera estar feliz, e eu teriaum filho, e tudo se arranjaria muito mais maravilhosamentedo que se poderia jamais imaginar, pois, embora os sermõesnão digam isso, acredito que o mundo tenha sido feito parasermos felizes nele. Ela me disse que iriam viver bem perto de nós, e que nos veríamos diariamente. E que ela continua-ria com a Vida, e que nós a concluiríamos tal como planejamos. E, afinal de contas, teria sido muito mais horrível se ela não se casasse – ou suponha que se casasse com alguém queninguém pudesse suportar? Suponha que se tivesse apaixonado por alguém que já fosse casado?

E embora a gente não ache ninguém bastante bom paraaqueles a quem ama, ele tem os mais bondosos e verdadeirosinstintos,estou certa,e embora pareça nervoso e suas maneiras não sejam de impressionar, só penso essas coisas por tratar-se de Katharine.E agora que escrevi tudo isso,ocorre-meque, naturalmente, todo o tempo, Katharine tem o que elenão tem. Ela sabe impor-se e não é nervosa; impor-se e dominar são coisas que lhe vêm espontaneamente. É tempoque ela dedique tudo isso a alguém que possa precisar delaquando nós já não formos, salvo em espírito, pois malgrado o que se diz, estou certa de que voltarei a este mundo maravilhosoondea gente étão feliz e tão miserável,onde,mesmo agora,pareço ver-me a estender as mãos para colher mais umpresente na grande Árvore das Fadas, cujos ramos estão ainda arriados de encantadores brinquedos, embora mais raroshoje em dia, talvez; e entre os galhos não se vê mais o céuazul, só as estrelas e os cumes das montanhas.

A gente não sabe mais nada, não é? A gente não tem mais conselhos a dar aos filhos. Pode-se apenas esperar que venham a ter a mesma visão e a mesma capacidade de crer, sem as quais a vida não teria sentido. É isso que desejo para Katharine e seu marido.”