Noticias de Portugal

Manoel Severim de Faria · Capítulo 104 de 177

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§. Xxxxi.

As ultimas, e mais pequenas Livras, foraõ estas, a que chamamos Livrinhas. Estas foraõ taõ diminuidas, e de taõ pouco valor, que como fica dito, mandou ElRey D. Duarte, que se pagassem 700. dellas por huma das mais antigas atè o anno de 1395. e 500. por cada huma das Livras antigas do dito anno por diante. O que cada huma destas Livrinhas valia a respeito do nosso Real, se pode provar desta maneira. Setecentas destas valiaõ huma Livra antiga, que dissemos tinha 36. reis da nossa moeda, logo he necessario, que repartamos 36. reis por 700. partes, e o que vier a cada parte, isso serà o que valia cada Livrinha. Para esta repartiçaõ se fazer mais cõmoda, faremos primeiramente cada Real dos 36. em 20. partes, que montaõ 720. partes. Estas partidas por 700. Livrinhas, vem a cada huma 20. partes de Real, e dous setentavos de 20. partes de Real. Esta he a valia, que tinhaõ, nem he de espantar haver moeda taõ meuda, pois havia Mealhas, como adiante veremos, que valiaõ meyo seitil; e assim hum Real valia doze Mealhas. E alèm disso pòde bem ser, que no peso fossem tamanhas como seitil, ou Mealhas, e a valia fosse esta sómente, ou o que mais he de crer, estas moedas modernas foraõ as que cresceraõ na valia, sendo de pequeno peso. Estas Livrinhas parece que jà as não havia em tempo delRey D. Duarte; porèm para mòr commodidade reduziaõ a ellas todas as contas, como hoje fazemos dos Reaes, não havendo jà quasi nenhuns entre nòs. E assim durou contar-se por ellas muitos annos adiante.

 

§. XXXXI.