Noticias de Portugal

Manoel Severim de Faria · Capítulo 151 de 177

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Noticias de Portugal

§. XX.

 

O Cardeal D. Thomaz de Almeida.

Naceo em Lisboa, aonde foy bautizado em casa de seus Pays os segundos Condes de Avintes D. Antonio de Almeida, Governador do Reyno do Algarve, do Conselho de Estado, e Guerra, e Dona Maria Antonia de Borbon, e tomou os Santos Oleos na Parrochia de Santa Engracia. Depois de estudar Filosofia com o Padre Manoel Vieira no Collegio de Santo Antaõ da Cidade de Lisboa, passou a Coimbra, aonde foy Porcionista no Collegio Real. Estudou Canones, e sendo Deputado do Santo Officio na Inquisiçaõ de Lisboa, foy despachado para Dezembargador da Relaçaõ do Porto, donde veyo para a Casa da Supplicaçaõ, em que teve a serventia de Aggravos. Foy Prior da Igreja de S. Lourenço, aonde para memoria da sua piedade mandou fazer huma Capella a S. Thomaz de Villanova, o arco da Capella Mòr, e os dous Altares Callateraes dedicados hum ao Senhor Jesu, e outro à Conceiçaõ da Senhora. Foy Deputado, e Provedor da Fazenda, e Estado da Rainha, Sumilher da Cortina, Cavalleiro da Ordem de Christo, Deputado da Mesa da Consciencia, e Ordens, Chanceller Mòr do Reyno, Secretario das Mercès, e Expediente, e ultimamente de Estado.

Attendendo às suas grandes virtudes, e merecimentos a Magestade do Senhor Rey D. Pedro II. de saudosa memoria o nomeou Bispo de Lamego, e sendo confirmado pelo Papa Clemente XI. foy sagrado na Igreja de Nossa Senhora da Graça em 3. de Abril de 1707. pelo Bispo Inquisidor Geral Nuno da Cunha de Attaide (hoje Cardeal de Santa Anastasia) sendo Assistentes D. Fr. Antonio Botado, e D. Fr. Pedro de Foyos, aquelle Bispo de Hypponia, e este de Bona, ambos Irmãos, e Eremitas de Santo Agostinho.

Havendo tomado posse deste Bispado pelo seu Provisor o Reverendissimo P. Fr. Antaõ de Faria Monje de S. Bento, que depois foy dignissimo Geral da sua Congregaçaõ, entrou na Cidade de Lamego em 22. de Mayo do dito anno, e foy recebido com todas as demonstraçoens de alvoroço, e alegria, que se deviaõ à sua pessoa, e affabilidade.

Chegado a Lamego, teve noticia que o Bispo de Viseo D. Jeronymo Soares trazia com o seu Cabido gravissimas contendas, que haviaõ sahido a autos publicos depois de fulminadas repetidas censuras. Era a causa de taõ escandalosa perturbaçaõ hum Conego da mesma Sè, que sendo conhecido pelos seus companheiros, o naõ era pela sinceridade do Bispo. Estranhou o nosso Bispo taõ indignas demandas, como quem em poucas horas, e sem paixaõ havia examinado o principio, e sem dar parte da sua resoluçaõ a ninguem, foy a Viseo a serenar huma tormenta, que havia tempo perturbava aquella Diocesi. Soube o Bispo de Viseo da visita que naõ esperava, e veyo mais de huma legoa a esperar taõ zeloso hospede. Voltaraõ para a Cidade com todas as demonstraçoens de cortezania, e da conversaçaõ foy a principal parte a presente discordia. Deputou o Cabido dous Conegos, que vieraõ visitar o Bispo de Lamego, a quem recebeo com a sua costumada urbanidade. Haviase queixado o Bispo da contumacia dos seus Capitulares, agora se queixaraõ os Capitulares do injusto procedimento do seu Prelado. Ouvidas huma, e outra parte entrou a compollas o Bispo de Lamego, e feito arbitro de taõ dilatados litigios pelo Bispo, e pelo Cabido, poz termo àquelles pleitos com satisfaçaõ dos litigantes, e como a sua jornada naõ tinha outro fim senaõ o da paz, concluida ella, voltou aos negocios da sua Igreja.

Em vinte, e hum mez que foy Bispo de Lamego, deixou da sua generosidade repetidos argumentos, porque na Cathedral para receber mais copiosa luz, lhe abrio seis grandes janellas, fez as grades do Cruzeiro, as portas da Igreja, que pela qualidade do seu artificio saõ dignas de particular memoria, e lageando o Adro, que estava indecente, o guarneceo com grades de ferro, que lhe servem de adorno, e de reparo. Enriqueceo a Sancristia de muitos, e preciosos ornamentos, e àlem dos materiaes para se fazerem as varandas do Claustro, lhe deixou mais de nove mil cruzados para obras. No Mosteiro das Chagas de Religiosas de S. Francisco fez o Mirante religiosamente magnifico, e no Convento de Santo Antonio dos Capuchos da mesma Cidade fez a Sancristia, que adornou com peças de muito preço.

Por carta assinada pela Real maõ em 30. de Mayo de 1708. foy visitar a Coimbra o Collegio Real, em que havia sido Porcionista, e desta visita resultou acrescentar Sua Magestade, que Deos guarde, as rendas ao Collegio, devendo a taõ benemerito filho hum notavel augmento na fazenda.

Em 26. de Setembro de 1708. vagàra o Bispado do Porto por morte do virtuosissimo Prelado D. Fr. Jozè de Santa Maria, e por carta de 30. de Abril de 1709. nomeou ElRey D. João o V. nosso Senhor Bispo do Porto ao Bispo de Lamego, e logo por carta de 6. de Mayo do mesmo anno lhe fez merce o dito Senhor do lugar de Governador das Justiças daquella Relaçaõ, e das Armas da Cidade, e seu districto. No mesmo tempo, em que o Cabido do Porto teve a noticia desta nomeaçaõ, por assentos de 15. e 17. de Mayo elegeo ao Arcediago de Oliveira Luiz de Magalhaens, para que da sua parte fosse a Lamego visitar, e dar os parabens a Sua Illustrissima. Foy absoluto do vinculo de Lamego, e confirmado no Bispado do Porto por Clemente XI. a 22. de Julho do sobredito anno de 1709. e mandando tomar a posse pelo seu Provisor o Reverendissimo Padre Fr. Antaõ de Faria, se lhe deo em 17. de Outubro. Chegou o Prelado a 30. passou o Douro, e se recolheo no Convento de Santo Antonio do Valle da Piedade de Religiosos Capuchos, aonde depois de comprimentado, e assistido de toda a Nobreza, Relaçaõ, Officiaes de Guerra, e de Justiça, fez a sua entrada publica na Cidade em 3. de Novembro do mesmo anno, e a 9. começou a exercitar as occupações de Governador das Justiças, e das Armas com geral estimaçaõ de toda a Provincia.

Foy extraordinaria a pompa, e magnificencia, com que a opulentissima Cidade do Porto celebrou esta entrada. Houve tres dias de luminarias, de repiques, de excellentes encamisadas, e outras demonstraçoens de alegria, em que rompeo o alvoroço da Cidade, acresentando a todo este applauso fazerem representar em hum dos pateos do Palacio Episcopal vistosissimas Comedias, o que tudo descreveo em outava rima Antonio Cerqueira Pinto, natural de Amarante, e morador na Cidade do Porto, pessoa digna de toda a estimaçaõ pelos seus estudos, e vastissimas, e profundas noticias das Antiguidades deste Reyno, em que he summamente versado com douta, e exacta critica, e que já em outro Poema do mesmo metro havia cantado a esclarecida Ascendencia do Bispo D. Thomaz de Almeida.

Executando a piissima disposiçaõ de S. Magestade ordenou, que se celebrasse a festa de N.Senhora da Conceiçaõ com a mayor solemnidade que fosse possivel, e para este fim se cantaraõ as Matinas em a noite antecedente, e no dia celebrou Missa de Pontifical com assistencia de toda a Nobreza, e do Tribunal da Relaçaõ.

Attendendo à grande necessidade, que havia de Synodo Diocesano, o celebrou no anno de 1710. com todas as formalidades, e nelle se dispuzeraõ muitas cousas pertencentes ao melhor governo do Bispado.

No mez de Mayo de 1711. foraõ taõ repetidas as innundaçoens de agua, que temendo-se alguma esterilidade, mandou o Bispo, que sahisse em Procissaõ pelas Ruas da Cidade, o Senhor d’Alem, com o qual tem aquelle povo bem fundada devoçaõ pelos grandes beneficios, que tem experimentado da sua piedade. Fez-se a Procissaõ em 14. do dito mez, com a Pompa, e Magestade, que em semelhantes occasioens se costuma; e como naquelle anno era Ministro da Ordem Terceira de S. Francisco, para aplacar a indignaçaõ Divina, na noite de 21. do mesmo mez fez outra Procissaõ de preces, em que a Ordem Terceira, e os Religiosos foraõ descalços, de que compadecida a Divina bondade, restituhio a serenidade do tempo, naõ se experimentando o danno, que naturalmente se temia. Na mesma occasiaõ padeceo aquella Cidade grande falta de peixe, e fazendo-se por esta causa segunda Procissaõ em 27. do dito mez de Mayo, em que sahio outra vez a Imagem do Senhor d’Alem, se encaminhou à barra, e benzendo-a o Prelado, teve outra vez a Cidade do Porto a costumada abundancia.

Em 4. de Dezembro de 1711. nasceo em Lisboa Occidental a Senhora Infanta Dona Maria Barbara, hoje Princesa das Asturias, e em 21. do dito mez, em acçaõ de graças, fez o Bispo D. Thomaz Pontifical, e Solemnissima Procissaõ, e como a esta solemnidade se unio a Trasladaçaõ do Santissimo Sacramento para a sua Capella na Sè, que se havia reformado com extraordinaria magnificencia, prègou neste dia o Conego Magistral da mesma Sè o Doutor Manoel dos Reys Bernardes, com a elegancia, acerto, e propriedade, que sendo nelle dotes naturaes, saõ a enveja de todos os que o ouvem, e lem os seus escritos.

Em 20. de Fevereiro de 1713. lançou a primeira pedra no arrogante, e magestoso edificio da nova Capella dos Terceiros de S. Domingos; obra de tanta magestade, que havendo na Cidade do Porto grande numero de Fabricas Sagradas magnificamente edificadas, esta na sua proporção naõ he inferior a nenhuma.

Para a sua Cidade do Porto alcançou este zelosissimo Prelado de Clemente XI. pelo espaço de sete annos, hum Jubileo com Lausperene em todo o tempo da Quaresma, a que logo se deu principio na Sè, no primeiro dia da Quaresma do anno de 1713. continuando-se pelas mais Igrejas dous dia em cada huma.

Em 16. de Julho do mesmo anno de 1713. que era o ultimo dia do Triduo, com que os Religiosos de S. Domingos celebraraõ a Canonizaçaõ do Summo Pontifice Pio V. fez o Bispo o Pontifical com toda a grandeza, que pedia a Sollemnidade daquelle acto.

Mandou rasgar, e abrir mais a porta de Carros, e o Postigo de Santo Eloy, intentando, que no Campo das Hortas, junto à Fonte da Arca, se fizesse huma nova Praça. Naõ teve effeito esta obra, mas teve-o o povoar-se aquelle sitio de muitas, e nobres casas, em que se vay dilatando a povoaçaõ com incrivel grandeza. Na Igreja de Santo Antonio, que he dos Padres da Congregaçaõ do Oratorio de S. Fillippe Neri, mandou fazer hum grande Adro, que ennobreceo muito aquella fabrica, e nos pilares das grades se lhe gravaraõ as suas Armas.

Reformou a Quinta do Prado, accrescentando-lhe gallarias, e no Palacio Episcopal mandou abrir janellas em muitas Salas, e fez de novo a Casa da Camara Ecclesiastica, em cujo tecto estaõ pintadas as Armas dos Almeidas.

Por ordem de Clemente XI. presidio em dous Capitulos Geraes da Religiaõ de S. Bento. Celebrou-se hum no Mosteiro de Santo Tyrso, e nelle foy eleito geral o Reverendissimo Padre Fr. Antaõ de Faria, Provisor do Bispado do Porto, e o outro se celebrou no Mosteiro de Tibaens, que he a Cabeça desta Monastica, e Illustrissima Congregaçaõ nos Reynos de Portugal.

Neste tempo determinou a Magestade delRey D. João V. Nosso Senhor illustrar a sua Corte com huma Igreja Patriarchal, que nos privilegios, e grandeza se distinguisse com incomparavel differença de todas as outras Cathedraes. Conseguio esta graça da Santidade de Clemente XI. que lha concedeo por huma amplissima Bulla, chamada Aurea, expedida em Roma aos 7. dos Idus de Novembro, que he aos 7. do dito mez do anno de 1716. e por esta causa nomeou S. Magestade, que Deos guarde, ao Bispo do Porto D. Thomaz de Almeida Patriarcha de Lisboa Occidental, em 4. de Novembro do mesmo anno, e em 7. do dito mez o absolveo o Papa do vinculo de Bispo do Porto, e o confirmou em primeiro Patriarcha da mesma Cidade de Lisboa Occidental.

Chegada esta feliz noticia à Corte, mandou o Senhor D. Thomaz de Almeida tomar posse do Patriarchado pelo Arcediago da mesma Patriarchal Jozè Dionysio Carneiro, cujo acto se fez em 8. de Janeiro de 1717.

Era necessario q́ o Senhor Patriarcha tomasse a posse pessoal, e que fizesse entrada publica na sua Igreja, como dispoem o Ceremonial dos Bispos. Para esta funcçaõ, verdadeiramente magestosa, se destinou a tarde de Sabbado 13. de Fevereiro do anno jà dito de 1717. Da Quinta do Duque de Aveiro, sita nas visinhanças da Parrochia de S. Sebastiaõ da Pedreira, sahio o Senhor Patriarcha para a Igreja deste Santo, aonde o esperava montado a cavallo, toda a Nobreza de Portugal, e tomando o Coche, veyo marchando com todo este lusido acompanhamento atè à Igreja de Santa Martha, aonde apeando-se, tomou a Capa Consistorial, e pondo-se a cavallo continuou a marcha atè às portas de Santo Antaõ, em que estava levantado hum excellente, e bem adornado Altar. Aqui deixada a Capa Consistorial, se revestio de Pontifical com Capa, e Mitra de tella branca, e montando em huma mula ruça, cuberta com huma gualdrapa de tella branca, o levou de redea seu Irmaõ D. Luiz de Almeida Conde de Avintes; ao sahir das portas de Santo Antaõ, o receberaõ de baixo de hum Pallio de preciosa tella os Vereadores dos Senados de ambas as Lisboas, e desta sorte, por entre duas alas, que formavaõ as Communidades Religiosas, as Confrarias, e Irmandades de Lisboa Occidental, chegou à Santa Basilica Patriarchal, dando-se fim a esta vistosissima Ceremonia com o Hymno Te Deum Laudamus, solemnissimamente cantado.

Depois da posse começou logo a exercitar a Dignidade de Capellaõ Mòr, que como consta da mesma Bulla Aurea, ha de andar annexa a quem tiver a de Patriarcha de Lisboa Occidental; e para lhe naõ faltar a authorizadissima circunstancia de Conselheiro de Estado, foy S. Magestade servido fazer-lhe dentro de poucos dias aquella mercè.

Tratou de visitar a sua Diocesi, obrigaçaõ a que satisfez pessoalmente, como quem sabe o quanto emenda mais a vista, do que as informaçoens, naõ cessando depois em tempo algum de mandar Visitadores, que reformem os vicios com caridade, e naõ estrondo, porque as culpas, em quanto naõ degeneraõ em obstinaçaõ, melhor se remedeaõ com a suavidade, que com o rigor.

Para o sitio de Rinhafolles, que he contiguo ao Convento de Santo Antonio dos Capuchos, se haviaõ mudado os Padres da Missaõ, cujo principal instituto he ensinar as Ceremonias Ecclesiasticas aos Ordinandos. Sobre os principios desta obra entrou o Senhor Patriarca a fazer nova despeza, e se vay continuando hum edificio, em que possaõ naõ só viver commodamente os Padres, mas tambem o grande numero de pessoas, que concorrem a aprender o Ministerio do Altar, e a fazer algumas vezes a utilissima devoçaõ dos Exercicios Espirituaes, para o que mandou levantar no interior da Casa hum Oratorio, que naõ cede na grandeza ao primor do seu ornato.

No anno de 1721. deo o Senhor Patriarca o dezejado principio à clausura do Mosteiro de N. Senhora dos Remedios de Campolide de Religiosos da Ordem da Santissima Trindade, para o que mandou ao seu Vigario o Illustrissimo D. Joaõ Cardoso Castello Arcebispo de Lacedemonia, que fosse benzer a Igreja, e logo sem mais dilaçaõ, sahiraõ as quatro Fundadoras do Convento de Santa Marta em 25. de Junho de 1721. Foraõ as Fundadoras a Madre Izabel Maria das Montanhas para Prioreza, a Madre Maria Jozefa de S. Filippe para Sub-Prioreza, a Madre Antonia Thereza de Jesu para Mestra da Ordem, que he o mesmo, que Mestra de Noviças, e a Madre Eufrasia Maria do Sacramento para Porteira.

Disposto tudo o que era preciso para a entrada das Noviças, na tarde de 2. de Julho de 1721. em que se celebra a Visitaçaõ de N. Senhora a Santa Izabel, com assistencia da Rainha N. Senhora, e da Senhora Infanta Dona Francisca, e de muita parte da Nobreza, e de hum extraordinario concurso de povo, se lançou o habito às primeiras Noviças, dando todos graças a Deos por verem concluida huma obra, a que havia pouco menos de hum seculo, que se lhe dera principio.

Mandou o Senhor Patriarca fazer Constituiçoens, que elle mesmo confirmou em 26. de Junho de 1721. as quaes se compoem de nove Titulos, que comprehendem cincoenta Capitulos, e se imprimiraõ em Lisboa Occidental na Officina de Jozè Antonio da Sylva em 1726. em quarto.

Tambem para as Religiosas Descalças de N. Senhora da Conceyçaõ da Luz, que he da jurisdicçaõ ordinaria, e fundado pelo piissimo Varaõ Nuno Barreto Fuzeiro, àlem da Regra approvada pelo Papa Julio II. e modificada por Innocencio XII. mandou fazer Constituiçoens, que constaõ de 37. Capitulos, que confirmadas em 8. de Julho de 1727. se imprimiraõ na mesma Officina no dito anno em quarto.

Tem a Mitra de Lisboa huma Quinta no lugar de Santo Antonio do Tojal, cuja Igreja, como diz a tradiçaõ, fez o Arcebispo D. Fernando de Vasconcellos, e lhe começou huma Torre, que depois acabou o Arcebispo D. Miguel de Castro. Com o progresso do tempo, e descuido estava esta Quinta, e Palacio quasi arruinado, e o Senhor Patriarca a tem restituido, e renovado de sorte, que Igreja, e Palacio saõ dignissimos de se verem, naõ só pela grandeza, como pelo bom gosto.

Faltava a este grande Prelado a Purpura Romana, e no Consistorio de 20. de Dezembro de 1737. o creou Cardeal Clemente XII. e lhe mandou o Barrete por Monsignor Julio Saccheti Sobrinho de Monsignor Cavallieri Nuncio em Portugal, que chegou a esta Corte em 3. de Mayo de 1738. Foy esta noticia summamente estimada, e applaudida por toda a Corte, e povo, celebrando o premio das grandes virtudes, que venera no seu Prelado.

Card. D. José Manoel

... D. Francisco de Saldanha

... D. Paulo de Carvalho

... D. Joaõ Cosme da Cunha

... D. Fernando da Silva e Menezes

... D. Joseph Francisco da Mendoça